segunda-feira, 13 de abril de 2026

Uma memória morrendo aos poucos

 As pedras, agora lustrosas pelos tantos pisados,
Os azulejos, tristes por tantas histórias apagadas,
Os mirantes, agora sombrios, soturnos, abatidos
Como se agora chorassem seus aposentos vazios

Quantas histórias mortas nos velhos sobradões!
Quantas lágrimas e poesias lhes fizeram vivos!
Quantos castiçais de prata lhes iluminaram!
Agora, tristes espectros, foi o que se tornaram

As donzelas de belos lenços em ouro bordado
Os leques em fios de prata em artes trançados
Vestidos costurados em seda vinda de além mar
Chapéus da Europa por princesas e rainhas usados

Eis, bem ali o mar, caravelas, vindo de navegar
Trazendo mercados, até sonhos traziam de lá
E grandes poetas em fraques vestidos a declamar
Às suas amadas, com terno respeito e doce olhar!

Quantas histórias de amor, de sangue e de pranto?
Quantos lamentos os casarões haverão de guardar?
Quantos gemidos de negros ainda se pode escutar?
Nas eira, beira e tribeira, ainda no mesmo lugar.

Caem os sobradões, que mesmo com histórias tristes
Guardam em si o tempo, guardam lágrimas, prantos
Deveriam ser lembrados, respeitados por serem tantos
Até mesmo a lembrança, por tanto abandono desiste

Pedras de cantaria, hoje bem poderiam ser poesias!!
Os lampiões, timidamente iluminando os casarões,
Fazendo dos azulejos verdadeiras óperas de fantasias
E o acendedor, solitário, nas noites sem companhia

Os casarões estão esquecidos, suas histórias morrendo,
Seus azulejos, hoje, não passam de decorações vencidas
Lembranças da história, agora vergonhosamente apagadas, 
Patrimônio Cultural Mundial! Sim. Em épocas já passadas

José João
13/04/2.026

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