sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O silêncio... parece um pedacinho do céu,

 Ah! O silêncio!! Parece ser um pedacinho do céu!
Onde você ouve com a alma o que ninguém pode falar,
Até sua imaginação criar um canto de inspiração divina
Que vem com inocentes sonhos que só você pode sonhar

No silêncio, você dorme como criança e até ri sozinho
Faz o que quiser, o silêncio dá a liberdade de ser você
De voar por horizontes distantes, apenas contigo mesmo
Voltear no tempo, rindo por rir, indo sem pressa, a esmo

O lugar mais perfeito, só você sabe o que faz e onde está
Esse silêncio! um lugar belo, cheio de coisas, todas suas
E nele cabe tudo que se quer dizer, sentir e até sonhar

Ele é mudo, só te ouve, sem que precises de palavras,
Sereno, paciente, sempre gentil deixa que fales a vontade
Faz ouças a te mesmo, por isso te mostra tua própria verdade

José João
30/01/2.026




O silêncio como voz e lugar para nós dois

 Senta aqui, ouve comigo o silêncio de nós dois.
Deixe que ele nos fale de nós para nossas almas,
Elas entendem o que é dito sem precisar palavras
Apenas ouve o silêncio contando o antes e o depois

Senta aqui, pertinho, no colo dessa tamanha saudade
Que a mim faz parecer que é de ontem essa ausência
Até o perfume ela traz como se estivesses bem aqui
Dando a certeza de que sejas a minha maior verdade

Deixa que o silêncio grite por nós nossas vontades,
Que se faça eco em nossos corações, que a distância,
Ou o tempo faça, de nós, história para a eternidade

Onde estamos? Juntinhos, embora não estejas aqui,
Mas que pode haver, no universo, mais forte que amar?
O silêncio se faz voz e lugar para podermos, juntos, ficar

José João
29/01/2.026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A alma ouve a voz do silêncio

Como as palavras atrapalham a voz do silêncio!!
Não se pode ouvir sua meiga voz nos falando na alma,
Não se pode ouvir as canções que o pensamento canta
Dessas que entram no coração e à tristeza ela espanta!

Deixem-me ouvir meu silêncio como fosse uma oração,
Como fosse silencioso clamor pedindo o que nem sei,
Sonhando com verdades que ainda não foram vividas
Ou fazer do silêncio ladainha rezando pelo que pequei

Vendo os pássaros em volteios no silêncio do espaço
Sentindo o perfume das flores silenciosamente indo,
Sem alarde, mostrando o perfume num espaço infindo

Palavras, só quando for preciso escutar com o ouvido
Coisas banais que quem está só não tem porque dizer
A alma ouve a voz do silêncio. Ouvir palavras? Duvido

José João
29/01/2.026 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

No silêncio do entardecer.

Caminhando no silêncio de um colorido entardecer
Em que o pôr do sol parecia uma gravura sem matriz
E o tempo, se deitava sonolento, no quase anoitecer
Dando, à beleza do momento, um leve brilho de verniz

O dia andava lento, sem pressa, como sabendo onde ir
E eu, caminhando atento, ao cantar silencioso da tarde
Que mudava de cor mas se fazia docemente perfumada
Parecia um sonho, desses que a alma sonha acordada

 Momento perfeito para sentir o gosto de uma saudade,
Para sentir o sal do pranto temperando cada sussurro
Como se esse gosto fosse a confissão de uma verdade

Os olhos fechados veem detalhes ainda não esquecidos,
O vento no rosto parece carícias um dia tanto sentidas 
Aí a alma chora pelas tantas emoções um dia vividas

José João
27/01/2.025

Sou descendente de bravos. Não choravam... lutavam

  E eis-me aqui, de pena em punho e a valer-me disso.
Meus ancestrais a mim disseram: Luta, luta e luta
Nunca peça favores, mostre a força de um povo
Que desde o navio negreiro já ousava essa disputa

Falavam: entre nós também tem quem nos prenda
Mas a vocês, descendentes de guerreiros, ouçam:
Não chorem. Não peçam clemência, apenas lutem
Sejam fortes, não se dobrem nem aceitem prenda

Tenham orgulho daqueles que vieram de além-mar,
Amarrados, sofrendo dores atrozes, mas sem chorar
No desespero de quase morte havia uma esperança:
Que nossos descendentes haveriam de nos honrar

Mostrar, com vigor, onde a humanidade começou
Olhar nos olhos de qualquer um sem nenhum temor
Façam que lhes vejam fortes, altivos e não fracos
Sejam bravos, façam que lhes chamem de senhor

Cabe, caros ancestrais, dizer: Guerreiros ouvi-me.
Ouvi-me: "a vida é combate que os fracos abate, 
Que os fortes e bravos só faz exaltar"
Então, lutem. NÃO LHES PERMITIMOS CHORAR

José João da Cruz Filho
Negro e nordestino (Maranhão)
27/01/2.026

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A arte de dar beleza ao absurdo

 Não vão acreditar mas... não importa, é a poesia
Que me faz ir nas estrelas nas asas de um pássaro,
Fazer aviõezinhos de papel e viajar pelo horizonte
Brincar de costurar no tempo pedaços de fantasia

Sou quem pinta a primavera, sem tinta só com cores
Corro nos campos traçando caminhos para o vento,
Faço rastros em veredas desconhecidos, de pedras
E deixo que os versos, às minhas coisas fiquem atento

Junto nuvens esparsas e delas faço graciosas pontes
Que atravessam florestas, jardins chegam nas fontes
De água cristalina que brilham ao céu com diamantes
Refúgio distante, donde sonham apaixonados amantes

Converso com o tempo como me fosse velho amigo
Ouço o milagre divino do mais belo gorjeio mudo...
Riem de mim, me chamam de louco, dizem que minto
Não sabem que poesia é a arte de dar beleza ao absurdo?

José João
26/01/2.025

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Em quem no silêncio da leitura a alma grita?

 Esses poemas que fazem viajar sem se sair do lugar,
Que a mente humana dá vida, e até se põe a sonhar.
Quem são os que se entregam a ler como fosse viver?
Que fazem das metáforas misterioso lugar para estar?

Quem são esses que no silêncio da leitura a alma grita?
E voa, e vai, e ele, pacientemente sentado, se sente ir
Se entrega todo e pleno num sonho que ele cria ao ler
Se foi outro que escreveu, não importa, ele quer sentir

Quem sabe sonhar os sonhos dos outros e fazê-los seus?
Quem busca, nas linhas de um verso, se sentir todo ali?
Que prazer quando dizem: parece que escreveu pra mim!

Como é bom fazer alguém sonhar com nossos sonhos!
Saber que bem ali, no desconhecido mundo lá de fora,
Alguém, no regozijo da alma, lê um poema teu agora.

José João
23/01/2.026

Para não sentir solidão ... eu me basto

 Eu? Sou tantos. Sou desde um jovem que não esqueço,
De um rapaz de tantos sonhos, um senhor que soube amar.
Sou os tantos "eu" que viveram em mundos tão diferentes!
Hoje não sei o que é solidão, embora ainda saiba chorar

Para não ter o vazio da solidão eu me basto, me busco,
Trago de volta o jovem que brincava, alegre, de amar
Converso com o rapaz dos sonhos e lembramos juntos,
Busco o senhor que soube amar, de histórias para contar

As vezes conversamos juntos, mostro meu novo rosto,
As marcas do tempo escondendo cada um dos que já fui
Contamos histórias antigas que o jovem nem lembra mais

Por vezes é tanto para nos contar que um atropela o outro,
Conversamos sobre prantos, saudades, doloridos adeus
As vezes sou eu o chato, por ser mais velho, falar demais

José João
23/01/2.026

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

As vezes nem sei se senti ou inventei.

Eu?! Vou por aí, tecendo saudades com fios de solidão,
Juntando cacos de sonhos perdidos e colando com prantos,
Cerzindo pedaços completos de mim com coisas do coração
Buscando gemidos chorados e deles fazer um triste canto

Que conte minhas histórias, dores e alegrias que já vivi
Conte as angustias, todas ainda guardadas dentro de mim
Vou, esculpindo no rosto as marcas do que um dia senti
São coisas da vida ainda bem que tenho como viver assim

Que triste seria e que dor choraria não fosse eu esse artesão?!
Juntar cacos de sonhos e colar com prantos enfeitam a vida. 
Pedaços de mim cerzidos com coisas do coração saram feridas

Assim, vou por aí fazendo de canção meus gemidos chorados
Esculpindo no rosto triste, caminhos de lágrimas que chorei
E fazendo poesias de coisas que nem sei se vivi ou se inventei

José João
21/01/2.026



Quem dera meus versos expressassem tua perfeição!

Hei de fazer-me, e te juro, cativo e fiel servo
A fazer-te oração divina em que possa rezar-te
Oração única, de palavras santas, do céu acervo
Te vestir com pedaços de céu, apenas por amar-te

A ti, farei poesias com divinais rimas douradas,
Com versos que expressem essa toda tua perfeição
Que te seja o caminho, chão de pétalas perfumadas
E que te reze sempre na mais verdadeira contrição

Que em mim te seja dado o mais perfeito espaço
Dentro de uma alma carente de Ti, que nela habites
Ao teu prazer, que te guardarei sem nenhum cansaço

De Ti farei meu alicerce vivo a contentar-me contigo
Fazer-te de minha luz a iluminar-me sem que eu peça
Que me dês a  doce alegria de... sempre estar comigo

José João
21/01/2.026

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Teus rastros

Ainda hoje vou por caminhos perdidos e até não sei
Onde me levarão, talvez me levem para mais longe
De todas as estradas e horizontes que um dia andei
Talvez me levem para além dos sonhos que já sonhei

Sigo por ruas, estradas, veredas, labirintos perdidos
Cheios de solidão por mim levada no peito em chama
E a angustia a brincar comigo, insiste e nem mais ligo
Em perguntar se esta dor é oração ou é só castigo

Sol a pino, até sombras no chão se deitam pelo calor
Que queima o tempo, queima a alma que chora a dor
Da ausência tão sentida que nem a morte lhe é temor

Caminhos tem, tantos, e tantos mais pra poder seguir
Os rastros que a saudade por compaixão deixou ficar
Teu perfume que o tempo, ao vento, não permitiu levar

José João
20/01/2.026

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Essas fantasias que sonhei!!

 Sem que queira dou-me a sonhar doloridos sonhos
Que me fazem perguntar, em velada súplica, porquê?
Eu, que já sonhei venturosos sonhos por divino ser,
Agora, a mim é imposto, sonhar o que não quero ver

Que castigo, a mim foi dado, por pecado que nem sei?!
Porventura, os sonhos que sonhava não eram os meus?
Que triste dor é essa agora! Perder o encanto do sonhos
Por acaso, será que os sonhos que sonhava eram os teus?

Mas como ser teu os tantos sonhos que sozinho sonhei?
Eu que vivia as noites inventando histórias para sonhar!
Não pode ser teu os sonhos que sonhei, nem te conhecia

Mas, pensando bem, o que agora a mim sonhar importa?
Nem sei se foram sonhos ou o destino por cruel ironia
Fez que parecesse sonho o que na verdade era fantasia

José João
19/01/2.026

Contemplação

 Mais que ver, é contemplar, a beleza natural oferecida.
A divina mudez de quem não precisa falar para ser belo,
O rio, que vai deslizando lento sem paradas, apenas indo,
Tropeçando nas margens, aqui e ali, mas sempre rindo

O vento, que vai correndo como se tivesse longas pernas,
Sempre indo em frente, furando as cercas dos quintais
Se algo lhe toma a frente, para, não volta, espera para ir
Assim como rio, tropeçando nas paredes mas sempre a rir

As flores, lindas, belas e perfumadas enfeitando jardins,
Se movimentam se o vento lhes vier tira-las para dançar
Aí, matreiramente, elas o encharcam  com seu perfume
E lá vai ele, vestido em roupa de gala, ao tempo perfumar

Não vejo, comtemplo a beleza muda que ninguém quer ver,
O chão, empurrando meus pés para que eu nele possa andar!
É muita humildade! A mudez daquilo que nos permite viver,
A beleza invisível do sentir encher o peito e, livre...  respirar.

José João
19/01/2.026

domingo, 18 de janeiro de 2026

O deserto de quem nunca amou.

 Ontem, hoje, amanhã... tudo é igual para quem nuca amou,
Sem saudades, vazio, a alma triste sem ter o que lembrar.
Nenhum detalhe de um beijo, de um aceno de um até logo,
Triste! Sem qualquer lembrança para, pelo menos, chorar

Os dias se fazem iguais! Até as flores perdem o encanto
Tudo passa como se estar vivo fosse apenas... existir
Como pode alguém viver sem saber o que é o pranto?
Alma vazia, sem o prazer de um dia ter-se  feito sentir

Sem um sorrisos para sorrir, sem sonhos para sonhar
Largado na imensidão do tempo sem história para contar
Olhos tristes, vazios, perdidos, sem lágrimas para chorar

Viver sem nunca ter ouvido um: eu te amo, não é viver
Sem nunca ter dito um: eu te amo, é quase um morrer
É vagar no silêncio do vazio estando vivo sem saber

José João
18/01/2.026

sábado, 17 de janeiro de 2026

Orações que as lágrimas rezam comigo

 Se não encontro palavras para dizer o que sinto, choro.
A lágrima é a oração mais verdadeira que se pode rezar,
É o clamor sincero de um coração aflito que, em silêncio,
Conta sua aflição, chora sua dor e aos céus pede perdão

De que me valeriam, nessa hora, tantas palavras faladas?
Quantas vezes, para tanta angustia, se fazem tão poucas?
Ficam presas num pensar que elas não traduzem, calam
Assim deixa a alma, pelas palavras sufocadas, quase louca.

Minhas lágrimas, meus prantos, se fazem orações só minhas
Em que apenas eu escuto o que rezo, conto meus lamentos,
Assim, para cada dor ou aflição, invento uma nova ladainha

Elas, as lágrimas, se derramam em mim como acalanto,
Acariciam meu rosto, num derrama-se terno, doce e lento
Cantam alto, como fossem delas, as ladainhas que invento

José João
17/01/2.026

De uma lágrima... fiz uma oração para chorar.

 De uma lágrima no rosto fiz uma oração para chorar
Uma saudade. Deixei que fosse salgar os lábios,
Ouvisse seu silêncio  rezando mudo uma ladainha
Escondendo atrás do pranto uma dor que é só minha

Escrevi com lagrimas e prantos, versos perdidos
Em alguns as rimas se faziam cor no fim do verso
Em outros, as palavras se perdiam voando soltas
Nesses, elas se faziam vazias como palavras rotas

E tudo se fazia história a ser escrita sem eu saber,
Se eram verdadeiros os tantos soluços que fugiam
Dos lábios, e iam convictos de que isso fosse viver

E a saudade, que uma lágrima chorava em oração,
Se perpetuava na cicatriz ainda viva da pobre alma
Que ajoelhada, contando seus erros, pedia perdão.

José João
17/01/2.026

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

E anjos têm coração?

 Não sei o que aos anjos fizeste que me obrigam sonhar-te,
Então, me entrego a buscar-te no tempo como fosses divina
Fazem até que invente orações com teu nome para rezar-te
Que aos anjos fizeste para louvar-te ser uma obrigação minha?

A mim fazem que sejam apenas teus, pensamentos e desejos
E dizem, até surpreende a soberba, do prazer que é guardar-te,
Que te ponha sobre todos os sentidos e que a te seja cativo
Que me seja a sina de, por toda vida, adorar-te e ser passivo

Mandam inventar palavras, dizem que estas são muito poucas
Diz-me que fizeste ao anjos? Porque essa tanta adoração?
Juro, não sabia, que os anjos amam como se tivessem coração!

Até me dizem palavras que não sabia, não sei de onde tiram
Só sei que as vezes fazemos poesia juntos, serão anjos poetas?
Desses que, não sei por qual razão, fazem do teu nome oração. 

José João
15/01/2.026

Alguém tem aí um retrato da saudade?

 Alguém por aí tem algum retrato da saudade?
Você tem? Ah! uma foto da saudade? Nem tento.
Quero um retrato. Qual a diferença?! São iguais?!
Não, não são. Fotos são vazias sem a cor do tempo

Vejam, o retrato, só por ser retrato, já fala de saudade
O peso do tempo, amarelado, com sorrisos antigos.
Fotos são de ontem, tem cor mas não tem... encanto
O retrato não. São lembranças que vêm com o pranto

Alguém tem algum retrato? Uma lágrima no olhar,
Um sorriso, que desde muito está apenas no retrato,
Um retrato!? É aquela emoção que revira a alma
Que os lábios se confundem entre sorrir e chorar

Os retratos! Fazem que se sinta vontade de abraçar,
Seu silêncio é um grito que só a alma pode ouvir, 
Faz que o pensamento vá buscar sonhos para sonhar
E traz sentimentos que nunca mais se pensava sentir

José João
15/01/2.026

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Alma minha... contenta-te... em ti eternizaste a saudade

 Por que estás assim? Tão desolada, alma minha? Diz-me,
Deverei entender-te. Será que de viver perdeste o encanto?
Que te faz tanto ir buscar o passado? O amanhã é bem aí
Contenta-te em ter histórias, mesmo as que te tragam pranto

Alma minha, choraste? Que dádiva, não choraste por chorar
Apraz-me, em mim derramar-se, o prazer por assim te ouvir
Atrevo-me a saber-te a história. Choraste pelo gozo de amar!
Contenta-te, alma minha. Que prazer divino é este teu sentir!!

Que chores, aos cântaros, que de rio se faça todo esse pranto
A correr nos caminhos do teu rosto se fazendo prazer a gosto
Como se o murmúrio das lágrimas se fizessem um doce canto

Dá-te, alma minha, o júbilo de poder gritar que o amor existe
Que em ti, um dia fez morada, que dele fizeste tua verdade
Grita alma minha, que o fazes eterno, vivendo essa saudade

José João
13/01/2.026

A saudade não precisa de espelhos para chegar

As vezes, sozinho, me busco dentro de mim.
No espelho, no meu rosto, procuro minha alma,
Mas só encontro marcas que o tempo deixou.
Quem dera a encontrasse para dizer-me quem sou.

Em minha frente, o espelho me mostra silencioso,
Um rosto marcado, olhos caídos, pedaços de risos
Que um dia o enfeitaram, não sei se eram fingidos
Ou verdadeiros, só sei que se foram por aí perdidos

Tento buscar-me num sorriso, os lábios envelhecidos,
Até tentam, mas... percebo apenas um quase chorar
Busco restos de sonhos, que até lembro que sonhei
Mas o espelho mostra o rosto, sonhos não sabe mostrar

Ah! Esses espelhos, só mostram as marcas da vida,
Não mostram prantos de ontem, nem a dor de um olhar.
Ainda bem que a saudade não precisa de espelhos,
Nem precisa ver um rosto triste para poder chegar

José João
13/01/2.026

Rezo com o silêncio do pranto

Talvez devesse calar, deixar em silêncio o que a alma quer falar,
Quem sabe devesse meu pranto ser minha voz? Meu gritar?
Assim minha súplica seria mais completa, seria meu grito 
A contar ao mundo, ao tempo, o que me aflige, me faz chorar.

Em silêncio me escuto, me digo o que não quero mais sentir,
Entrego todo meu pensar a fazer de mim o que nunca fui
E vou, entre meus rastros, consumindo-me a me encontrar
A criar cantos, inventar orações, ladainhas para poder orar

Com palavras minhas, como se arações inventadas por mim
Fossem minhas confissões pelos tantos pecados que nem sei
Como pequei. Talvez tenha amado tanto que me perdi assim

Para ninguém ouvir, deixo meu pranto chorar em silêncio.
Das lágrimas, faço contas de um rosário que só eu sei rezar,
As orações, rezo em palavras mudas que  só o silêncio sabe falar.

José João
13/01/2.026

domingo, 11 de janeiro de 2026

A saudade é eterna!

 Estou aqui a fazer-me sombra buscando poesias.
Poesias que ainda não fiz, que ficaram no tempo
Desde os idos e dos saudosos cantos que já ouvi
Desde a saudade dos amores que um dia vivi.

Dou-me a pensar as canções de matinais gorjeios
Nos trinados saudosos mesmo no alvorecer do dia
Em que o sol se fazia doce companhia das flores
Beijando-as em luz num cantar de tantos amores

E eu a pôr-me entre os madrugais já distantes
Fazendo que a poesia não tivesse que chorar
Mas cantar louvores aos amantes apaixonados
Que se perdiam num canto do mundo a procurar

Doces amores que no tempo se haviam perdido
Mesmo com as saudades que nunca se vão
Assim se fazem sonhos pela triste alma  paridos
E se entregaram, sem remorsos, às coisas do coração.

Sou grato ao exilio de fazer de mim alma sofrida
A ir em outros cantos desenhar essa doce arte
Voltar na bruma do tempo sem nunca mais chegar
Mas fazer que ouçam o que fiz por tanto amar

José João (coautor) 
11/01/2.026

sábado, 10 de janeiro de 2026

Ridículo! Esse mundo cheio de razão!

  Não vejo o porquê de tanto espanto por coisas tão normais!
Sim. Ando de mãos dadas com a saudade ao pôr do sol,
Conversamos com as ondas, até lhes empresto o sal do pranto
Converso com a brisa, ela me responde. Porque esse espanto?!

Declamo poesias para o tempo, elas vão risonhas com o vento,
Deixo que a água me beije os pés e a areia venha acaricia-los,
Que os pássaros, em leves volteios, me convidem para voar,
Que o sol, fazendo rastros sobre a água, me convide para sonhar

Por que essas coisas tão comuns causam tanto espanto? Porquê?
Converso com o silêncio, conto piadas alegres para a tristeza. 
As vezes, quando  chega muito perto, faço cócegas na solidão,

Ela sai rindo... e até jura que veio brincar de esconde-esconde
Corre entre as saudades, entre sonhos e vai cantando baixinho.
Não acreditam. Dizem que minto. Esse mundo cheio de razão!!!!

José João
10/01/2.026

Minhas mãos fazem chorar!!

 
Toma! Lê as minhas mãos, o que nelas vês? Prantos?
Fala, não tenha medo, surpreso ficaria se visses risos,
Se visses sonhos coloridos prestes a serem sonhados.
Prantos!? Ora, são tão comuns. Vê meu rosto molhado!

Até adivinho o que verás depois, olha as linhas da mão.
Vês! Nem precisa que digas das angustias e saudades,
Nem dos velhos sonhos perdidos no tempo esquecidos
Não tenha medo, são essas, acredite, minhas verdades.

Porque choras? Te dói essas minhas cicatrizes na alma?
Ora! Se lês mãos deves estar acostumada a vê-las.
Sofrer... todos sofrem, lágrimas, não se pode retê-las

Afinal, diz-me porque choras e o que se passa comigo?
- Como consegues suportar tantas cicatrizes ainda abertas?
Dói-me ver-te chorar sozinho... deixa que chore contigo...

José João
10/01/2.025

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Não se diz mais adeus como antigamente

 Sonhar, já sonhei, e muito, tanto que até não sei
Se ainda tenho sonhos para sonhar, talvez os tenha.
Os amanhãs, e suas surpresas, são tão imprevisíveis!
Quais acontecer, ao tempo, podem ser impossíveis?

Saudades se perdem, indo como se fossem histórias,
Adeus, são ditos tão simplesmente com só um aceno,
Já não precisam, desde muito, de pranto para chora-lo.
O "te amo" que disseram ontem, não fica na memória

Tudo está tão mudado que hoje apenas o rosto "chora"
A alma se perde toda sem saber o que os olhos dizem
E estes, coitados, se perdem em olhar apenas o agora

Não preparam mais perfumados e elegantes prantos...
Aqueles que marcavam o rosto em carinhos molhados
Que deixavam os olhos como se estivessem afogados

José João
08/01/2.026

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Meus diletos amigos

 Nem sempre estar sozinho é a ausência de alguém,
Aprendi. Busquei companhias que falassem em silêncio,
Que estivessem a meu lado como verdadeiros amigos
E sempre prontos para, a cada momento, estar comigo

Consegui! Hoje tenho grandes amizades e companhias.
As saudades! Nunca me deixam só, falam sem palavras,
Nunca me dizem não, sempre atentas ao que já senti,
Até fazem que me volte... belos momentos que vivi

Lágrima! Essa é demais, chega aos olhos sem que peça,
Desliza em meu rosto, suave, como fosse doce carícia,
As vezes chega aos lábios para, talvez, ouvir meu silêncio
Beijam-se, dividem o sal do pranto, sem nenhuma malícia

Os sonhos, alguns já sonhados... reescrevendo histórias,
Outros, que nunca sonhei, chegam como fossem memórias 
Guardadas na alma a me fazerem lembrar dos amanhãs
Que um dia, passado o tempo, não se façam lembranças vãs

Nunca estou só, não tenho vazios e... ainda tenho a poesia,
Essa, conversa comigo em palavras mudas, nos sentimos
Nos fazemos versos, nos escrevemos, as vezes choramos,
Mas, assim como são os amigos, as vezes também sorrimos

José João
07/01/2.026

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Por que não disseste que a saudade dói tanto?

 Aqui estou eu, de joelhos, a implorar-te em prantos,
Que faça ser menor essa tanta dor que agora sinto,
Que meu pranto se faça, nos olhos, oração rezada
Com verdades de tudo que senti, e a Te não minto

Eis-me aqui a pedir que, em mim, doa menos a saudade
Que ficou, depois de ser dito, sem palavras, um adeus
Que agora me aflige a alma e ela, calada, Te implora
Que deixe, calado nos olhos, os prantos que são meus

Ouviste o meu clamor agora responde, por que calaste?
Nada disseste, quando pedi que a mim um amor viesse,
Não disseste, e eu não sabia, que há um antes e um depois,
E uma dor, a saudade, que nem sempre é chorada pelos dois

A ela pedi também, aos seus pés ajoelhado, em penitência,
Que a mim olhasse, mesmo com um olhar que pouco diga,
Que apenas me perceba, como se eu não fosse um estranho
Um olhar que se mostre vivo, que ainda não tenha ausência

Por que não me falaste de um adeus com tão doída saudade?
Tanto é o vazio... que faz viver ser apenas um não morrer,
Faz que a vida seja a sensação de estar vivo... sem viver,
Faz que o pranto grite alto o que a voz não pode mais dizer

José João
06/01/2.026

domingo, 4 de janeiro de 2026

Porque não existe poesia perfeita?!

 
Havia, dentro de mim, uma poesia cheia de saudades,
Até o pranto se vestia elegante, apenas para chora-la,
A alma se fazia toda inocente, como se fosse um verso
Que se entrega ao tempo, puro, sem qualquer maldade

A poesia se fazia tanta que parecia uma divina oração
Dessas que se reza tão convicto, que a lágrima grita
Palavras mudas, como se a saudade fosse uma devoção
Que acalma a alma, por mais que ela esteja tão aflita

Mas, de repente, não encontrei as palavras, se foram,!!
Talvez tenham se sentido pequenas, até imperfeitas
Para aquela saudade... a  poesia teria que ser perfeita

Tentei, mas nem com a perfeição de uma doce saudade,
Dessas que só a alma sente e se guarda imaculada
A poesia nunca será  perfeita, essa é a triste verdade.

José João
04/01/2.025

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Só sendo mesmo Deus

 Ah! As palavras! Ficaram velhas, surradas, repetidas,
Desde quando um: eu te amo, é dito do mesmo jeito?
Já se fazem poucas e tão comuns por tão frequentes
Como, com elas, falar de um sentimento tão perfeito?

Talvez, quem sabe, tenha te conhecido antes de mim!
A mim, com certeza, conheceste até antes de eu nascer
A mim, me deste luz sem que eu soubesse quem eras,
Fizeste-me o que sou, desde muito antes de eu crescer.

Dou-me a imaginar-me onde estava que me conheceste!
Como poderia eu saber de Ti se aqui não tivesse vindo?
Quando cheguei, foste tu, que com a vida me recebeste!

Assim, são pequenas as palavras que possam falar de Ti
Como, com elas, poder falar de um eterno tão infinito?
Tens mesmo que ser Deus para saberes o... que sinto!

José João
02/01/2.025

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

As vezes minto, outras finjo e não minto. rsrs

 Não acredite se digo que te amo, pode até ser verdade, mas...
Será que a alma sabe desse sentir? Ou só eu dele sei?
Não que eu seja um fingidor, que saiba mentir o que sinto
E até o que não  sinto, mas juro que sinto e... não minto

Mas acredite se digo que te amo, pode até ser verdade, mas...
E se a alma sabe desse sentir? Ou eu que dele não sei?
Vá que eu não seja um fingidor, que não minto o que sinto
E até o que não sinto, mas juro que não sinto e... minto/

Não dizem que poeta é fingidor, finge até a dor que sente?
E se eu não for poeta? Como vou fingir a dor que sinto?
E se eu for um poeta? Como fingir a dor que não sinto?

Será que seria melhor ser poeta e fingir a dor que sinto?
Ou melhor, não ser poeta e chorar, deveras, a dor que sinto?
Mas sendo ou não poeta, fingindo ou não eu... não minto

José João
01/01/2.026

Deus... seus filhos Te chamam

 Deus! Acho que minhas palavras se perdem por aí.
Não fazem mais eco nos tantos corações vazios,
Desprovidos de Ti, Senhor, até mesmo por opção.
Quantos hoje se perdem por, a Ti, dizerem não?!

Orações que ensinaste ... não são mais rezadas, 
Ficaram esquecidas, perdidas dentro de cada um.
Dos teus ensinamentos, Deus, hoje, ironizam, riem
Brincam com teu nome, Te desafiam, dão rizadas

Que podemos, além de rezar e ter ações verdadeiras?
Que podemos fazer? Deus, estão matando teus filhos...
Cruelmente, sem piedade, estão enterrando-os vivos.
Senhor, por apenas louvar o tem nome, é o motivo

Aqueles a quem fizeste de Tua imagem e semelhança,
Te viram as costas. Vaidosos. De Ti, querem ser maior 
Querem mudar o que criaste, desfazer o que fizeste
Como se o Senhor, a nós não tivesse deixado herança

Deus, aumenta em mim tudo o que me aproximar de Ti.
Ensina-me a rezar, me ensina a Te ouvir, a Te seguir
Dá-me  força, para lutar, se for preciso, pelo teu nome
Que tua luz me guie os passos e seja Tu meu sobrenome

Não é oração, é um desabafo, é um desesperado clamor,
Que ouças nossas orações e nos faça sermos ouvidos
Que nos dês coragem, expulsa de nós qualquer medo
Para que te sintamos, Deus, com todos os nossos sentidos

José João
01/01/2.025

O silêncio... nem sempre é ausência

 Sentado, na beira da tarde, fico conversando com o tempo.
Passamos horas a conversar, só nós, num gostoso silêncio
Ele traz coisas que havia esquecido, já quase perdidos
Por vezes diz o que, por mim, havia passado despercebido

As vezes, penso, me acham louco por conversar sozinho
Não sabem que o tempo, vestido de saudade, é companhia,
Também não sabem que o silêncio nem sempre é ausência
O silêncio é tão suave... tem a perfeição de uma sinfonia

Com o silêncio, escuto a alma a me contar suas histórias,
A brisa suave, a me roçar o rosto, como fosse carícias,
Sem precisar de palavras, irônicas e cheias de malícias

A mim, o silêncio, sempre quieto, não quer dizer ausência
Ele apenas emudece para que a vida  diga o que é preciso,
Nem sempre estar só, em silêncio, ouvindo a alma é carência

José João
01/01/2.025

Tu em mim... és maior que eu

Amo-te tanto... até esqueço de viver e não me assusto
Porque haveria de querer minha alma se ela já é tua?
Meus sonhos! Para que os quero se sonho com os teus?
Palavras para dizer tanto, não as tenho, são poucas e cruas.

Tu estás em todos os sonhos que me fazes sonhar contigo
Em todas as saudades que sinto a derramar-me todo em ti
Na brisa, que passa cantando teu nome, tem teu perfume
Gritando a lembrar de tudo, como se esquecesse o que vivi

Para ti, tenho que buscar palavras se não o fizer, não digo...
Quem dera pudesse encompridar o tempo, do hoje e amanhã
Fazer apenas um dia, mas que passasse lento, cantando alegria

Não essa de risos soltos que se mostram no rosto e nada dizem
Mas aquela em que alma se faz casta, pura, indecente e nua
Mas imaculada e bela. Como fosse um anjo brincando na rua

José João
01/01/2.025