quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Um dia...nós dois

Um dia, não sei quando, mas um dia, ainda que distante,
Haverá de haver um sorriso só pra mim, um olhar,
Palavras que nunca ouvi. mãos que me acariciem
O rosto como se eu fosse único, que me sintam
Na plenitude de uma entrega, que façam meu corpo
Tremer, o coração pulsar mais forte, e a alma...
A alma, fazer-se ternamente cativa, deitar no colo,
E sonhar sem medo de acordar, sem medo de viver.
Um dia, mesmo não sabendo onde e ... nem quando
Haverei de sentir meus dias repletos de certezas...
As cinco, sentir saudade das quatro, no instante seguinte
Essa saudade esvair-se na entrega irrestrita de nós.
Um dia farei versos infinitos em poesias completas
Que contem para a alma dela todos os meu segredos, 
E ela, em sutis e inocentes sorrisos, me falar baixinho:
Te amo. Um dia, haverei de caminhar de mãos dadas,
Com passos lentos, deixando nossos rastros no tempo...
Para que os beijos que nunca tenham sido dados
Nos encontrem e se façam todos nossos. Um dia!

José João
05/10/2.016

domingo, 2 de outubro de 2016

Como sinto a solidão.

Há quem diga que a solidão é má, até cruel,
Que deixa o tempo vazio sem nada para ver ou sentir,
Deixa a alma demente chorando convulsivos prantos 
Em tão dolorido chorar que a própria tristeza
Se apieda por tanta dor. Assim dizem da solidão.
Nas noites, também dizem, ela faz as horas lentas,
Faz o sono perder-se por entre pensamentos vazios,
Os sonhos se fazem apenas pedaços de momentos
Que ficaram sem história sem mais nenhum dizer.
Ah! Essa solidão! Só entende quem com ela vive,
Não por momentos, por adeus ditos em palavras,
Mas por perdas sentidas desde de dentro da alma.
Pra mim, a solidão, coitada, não é o que dizem,
Eu a sinto bem mais carente que mesmo triste,
Sempre a entregar-se plena, submissa à vontade
De quem chora, muda, no silêncio do seu dever
De apenas ouvir. Se faz companhia, se faz tempo,
Se faz mundo, como se ela, a solidão, tivesse
Medo de ficar só. Ela não existe se não houver 
Alguém para senti-la. Nos completamos e assim...
Povoamos um mundo só nosso, ela só me ouve...
Atenta, sem nunca fazer julgamentos de mim


José João
02/10/2.016

sábado, 1 de outubro de 2016

Talvez nunca seja saudade, seja ...

Não é tua saudade que me faz chorar, traz essa angustia,
É a tua ausência, ela é que definha as horas, os dias,
Deixa essa ansiosa vontade de ir sem lugar pra chegar,
Faz a alma ajoelhar-se chorando prantos que nunca chorou,
Atirar-se num denso vazio de sonhos mortos e vontades vãs.
Um silêncio, como se tudo estivesse dentro de um nada,
Parece fazer o mundo parar, esse mundo onde tua ausência
Me deixa caído, sem força pra gritar ou caminhos para seguir,
Me perco entre os restos dos sonhos que me fizeste sonhar,
E um sussurro, como se o tempo me quisesse falar, dizer
Em segredo o que não quero mais ouvir... nem sentir.
Lentamente, caminho entre os medos que agora sinto,
Dos amanhãs, com certeza, cheios de tristezas e aflições,
Das noites, cheias de tua ausência, das torturantes perguntas
Que não terão respostas porque as lágrimas só sabem chorar,
Dessa desmedida agonia da alma a sufocar-se com essa dor.
Quem me dera essa saudade gritasse dentro de mim,
Como gritaram as outras pelos tantos adeus que ouvi,
E até chorei, mas com tua ausência é tão diferente!
Talvez nunca se faça saudade, talvez, para sempre,
Se faça apenas ...minha vida.


José João
01/10/2.016


Um ontem para sempre

Ontem, dancei com o tempo, uma musica
Que nunca tinha ouvido. Hoje acordei no silêncio
De uma saudade que até pensei ter ido embora,
Mandada pelo ontem, mas não, o ontem é que se foi
Num silencioso ir, como apenas tivesse sido um sonho,
Tudo em volta ficou vazio, ficou triste. Os soluços
Se perdiam entre palavras reticentes, uma vontade
De chorar, vinda da alma, chegava aos olhos, úmidos,
Tristonhos, cabisbaixos, com medo de olhar o tempo
Como se este fizesse a dor ser maior, ser mais sentida.
O ontem, fez hoje, essa saudade nova ser mais doída,
Porque faltaram palavras... as que não foram ditas,
Segredos que não foram contados, almas que, de longe,
Se tocaram em apenas poesias, não disseram das vontades 
Que sentiam. Não ficaram rastros, porque nem caminhos
Existiram, ficou apenas a promessa de um por do sol,
E minha alma, pela loucura comum de toda alma amante,
Regozija-se, e a cada por do sol se veste toda de ternura,
Se perfuma de saudade e se põe a espera-lo, atenta
A qualquer sopro de brisa, que jura ser um beijo.
E assim o ontem se fez eterno, vai existir, eu sei,
Enquanto houver um por do sol ...um ontem eternamente
...Para sempre.


José João
01/10/2.016


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Hoje é dia de apenas...apenas...

Hoje, quero escrever versos diferentes,
Que não falem de saudade, nem de dor, 
Nem de lágrimas, quero uma poesia árida,
Quero uma poesia de palavras tortas, ridículas
Não quero a umidez de prantos nos versos,
Não quero poesias molhadas, nem bonitas
Quero que os versos se façam afiadas lâminas,
De espadas, de flechas, de lanças, se façam pedras...
Pedras pontiagudas  como se fossem palavras...
Afiadas, cortantes, gritadas cuspidas, blasfemadas,
Hoje eu quero dizer: que se danem, sim, se danem
Os ontens, os amanhãs, que se dane a razão,
Que as entrelinhas acertem as palavras que ...
Nem palavas são... mas dizem o que quero dizer
Na insensatez das moribundas vontades.
Não quero falar de angustias, são tão pequenas
Quando os sentimentos se misturam em revoltas.
Nem de solidão, nem de silêncio, hoje é dia...
De gritar, dia do homem, o poeta se escondeu
Entre poesias inacabadas e pensamentos perdidos,
Entre pedaços de nada, que mais nada dizem,
Hoje é dia de apenas...apenas...apenas

Jose João
28/09/2.016

Os anjos ensinam amar e... se vão

Os anjos, as vezes chegam como a primavera,
Perfumando o tempo, as histórias, os sonhos,
(Os anjos têm um perfume diferente para os sonhos).
Entram na alma da gente como se fosse sua posse,
Se deitam dentro dela, afagam, despertam sentimentos,
Desses que eternizam vidas, vontades e até momentos.
Brincam de amar, de ensinar a  dizer: te amo.
A primavera fica até quando as flores murcharem,
Os anjos se vão quando o sonhar ainda nem se fez voz.
Se vão de repente, como fosse uma brisa passageira
Que não se sabe de onde veio nem pra onde vai,
Nem deixam rastros, apenas ficam dentro da gente.
Quando se vão levam um pedaço inteiro de nós
E deixam saudade, uma saudade tão intensa,
Tão doída, que faz o viver ser tão difícil! Tão nada!
O olhar se perde no vazio, a voz se perde em soluços,
Murmúrios se fazem gritos, as lágrimas correm
Alucinadas por se acharem poucas para tanta dor.
Se juntam, se abraçam (as lágrimas se abraçam)
Numa incontida  ânsia de se fazerem prantos
E como prantos se fazerem caminhos, rios
Na vã tentativa de que a alma por eles sigam...
Por onde acham que o anjo se foi.


José João
28/09/2.016

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Meus pecados

Ah! Alma minha que em tantos pecados se perdeu!
Que há de pagar as penitências em orações cheias
De lágrimas e saudades... como fossem doloridas preces
Que o tempo ensinou rezar. Oh! Alma minha, que triste,
Chora, grita, se perde em reticências mudas quando a voz,
Entre gemidos e sussurros, sobe aos céus e desaparece
Sem  lá chegar. Alma minha, sofrida e triste amante
Que o maior pecado foi amar sem medidas, como se o amor,
Um dia, não se fizesse dor, não se fizesse saudade,
Nem angustia, nem tristeza, como se não estivesse
Em permanente cio com a solidão, quando o amar
Se torna dor, ela, a solidão, se faz espaço, se faz tempo,
Se faz blasfêmias, tanto que a alma, aflita, pergunta:
Deus onde estás? Tão grande o desespero que peca outra vez.
Mas haverei de pagar meus pecados nas penitências dadas,
E se a mim for permitido paga-los em lágrimas, prantos
E saudades, não me farei rogado, pagarei até os centavos...
De dor pelo prazer de um dia ter amado, como amei.


José João
27/09/2.016


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Ah! Essas minhas loucuras!

Você ainda está aí, não está? Então apresse-se!
Que estou te esperando, sim. Te esperando.
Com todas as folhas novas de outono,
Com flores de todas as primaveras.
Com sonhos novos que me fizeste sonhar,
Tenho até um olhar novo, diferente,
Um olhar só teu, que nunca olhou ninguém.
Vem, te apressa, me limpei de todas as saudades,
Desfiz prantos, dei um novo sorriso às lágrimas,
Me fiz canto...me fiz canção... tudo pra ti.
Reinventei rimas em versos completos,
Te escrevi nas linhas, te amei nas entrelinhas
Apaguei todos os pontos...ponto final,
Meu verso não tem fim, comecei com teu nome,
No meio do verso gritei te amo e o verso...
Ah! O verso ficou infinito, cheio de ti
E entre os tantos sonhos que me fizeste sonhar
Em um, te carreguei no colo, te beijei a fronte,
Te fiz dormir, busquei um anjo, sim, um anjo,
Para embalar teu sono, e eu, te ver criança
A me fazer sorrir...te amo e não sei quem és.

José João
26/09/2.016

Não sei qual dor maior

A mim não sei ainda se me importa os caminhos
Que percorri, as dores que senti, as lágrimas...
Os tantos prantos chorados nas ruas, nas noites,
Na minha demência de caminhar sem ser ninguém
No vazio do tempo, em turvas imagens cheias
De nada. Me perdi. Perdi sonhos e esperanças.
Tropecei em meus próprios pedaços caídos no chão,
Não esse chão que se pisa, esse é fácil cair e levantar
Mas um chão onde só a alma se deita em flagelos.
Minha sombra vagava com passos perdidos,
Minha voz se perdeu em reticências, em silêncios
Que quase perenes tomavam conta de mim...
O agora!? Também não sei se ainda me importa!
Sonhos novos nascem moribundos, quase mortos,
A esperança se perde nas amarelas folhas da ilusão
Onde os amanhãs se mesclam de dores e duvidas,
Onde a saudade se faz mais forte por ser saudade...
Do que nunca vivi. Não sei qual angustia maior.
Se das dores que já senti...ou essa que sinto agora,
De sentir o perfume e ... não ver a flor.

José João
26/09/2.016



sábado, 24 de setembro de 2016

Eu e tua saudade

Ontem, amor, te juro, ri-me tanto da solidão.
Estava na noite, num preguiçoso quase dormir,
Num acontecer que não se sabe dizer, se é pensar
Ou sonhar, num prazeroso e até divertido silêncio,
Quando, esgueirando-se pelas sombras da noite,
Atravessando paredes como se fosse um fantasma,
Ela vinha, num leve  flutuar, entre sombras e vazios,
Pela réstia da porta, um outro vulto, espreitando
Sutil, com mais dúvidas que certeza... era a tristeza,
Mas como se tivesse entendido o momento, se foi,
Correu por entre os nadas e se perdeu na escuridão.
Mas ela, a solidão, mais por prazer que talvez maldade,
Insistia em me chamar a atenção, em me tomar,
Em se fazer dona de mim, como se eu fosse sua posse.
Amor ri-me tanto! Quão ridícula ela ontem se fez!!
Estava tão zelosa em me invadir a alma, que, coitada,
Nem percebeu que eu não estava só. A tristeza percebeu,
Mas a solidão! Insistente como é! Custou tanto!
Foi preciso que a saudade, vestida de te, me abraçasse,
Me deitasse no colo, me afagasse a alma... só assim,
Ela, cabisbaixa, como se pedisse desculpas...
Quase sem acreditar, se foi. Eu e tua saudade
Rimos tanto ... e passamos a noite juntos... falando de ti.


José João
24/09/2.016


Deixa

Deixa, pelo amor de Deus, teus sonhos comigo.
Deixa que eles se façam vida dentro de mim,
Me embale os dias, se façam eu, se façam nós.
Deixa que tua voz, em meus pensamentos,
Se façam melodia a me enganar que estás aqui,
Que juro, num acreditar supremo, que sou teu,
Na mais verdadeira magia de um perfeito fingir.
Te chamo aos gritos, em desesperado sentir  
Nessa minha saudade infinda e quase eterna.
Me visto em lágrimas, na angustia de tua ausência,
Me faço submisso a essa vontade louca 
Sem que me importe com os outros amanhãs,
Que nem serão amanhãs se essa saudade 
Não estiver gritando dentre de mim, o teu nome.
Deixa, amor, todas as lembranças do que vivemos,
E se me fizerem chorar, deixa que as lágrimas
Escrevam suavemente em meu rosto o teu nome,
Não que eu precise para que possa te lembar
Mas que saibam que nunca fui além de ser
Todo e plenamente teu.

José João
24/09/2.016

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Nem sempre chorar é mesmo chorar

As vezes chorar é preciso. Nem só por tristeza
Se chora, as vezes nem é saudade, nem angustia,
É coisa da alma, quando mesmo sem saber porque,
Se derrama em prantos descabidos, por uma razão
Que não se explica, apenas acontece... e prantos.
Não sei se é carência, mas as vezes um olhar,
Um sorriso, toca tão fundo na alma que as lágrimas
Fazem festa nos olhos, correndo luzidias no rosto
Sem nenhuma tristeza, nenhuma saudade pra chorar.
As vezes essa vontade me toma e me entrego todo,
Quando estou sentado na porta do tempo 
Sem nada pra fazer, nem pensar, olhando sem ver
A imensidão dos caminhos, dos horizontes...
Ouvindo atento o silêncio, enganando a solidão,
Pensamentos e sonhos se confundem, voam,
Mas sem tristezas, sem saudades e... sem motivo
As lágrimas veem de mansinho, sem pressa,
Como se estivessem curiosas, ou cheias da vontade
De dividirem comigo o que apenas a alma vê.
As vezes eu acho que chorar não é chorar ...é orar.

José João
23/09/2.016

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Eu, o artesão de mim.

 Junto meus pedaços em versos nas poesias, 
As vezes tristes. as vezes inacabadas... 
Quando a dor é muito maior que a saudade
As palavras se fazem poucas, e a poesia...
Se perde dentro do meu silêncio.
As palavras são fragmentos de mim
Que junto em cada verso, como faz a artesã
"Colando cacos" e inventando flores...
Se entrega aos detalhes, como se cada pedaço
Fosse um pedaço da própria alma, assim ...
Como se fazem as poesias, repletas
Do que a alma sente. Sou o artesão de mim.
Enquanto a artesã cola pedras, azulejos e vidros,
(mesmo talvez colando com prantos)
Eu colo, nas poesias, lágrimas, saudades,
As vezes solidão, versos sem sentido,
Prantos que choro por adeus que nunca esqueci.
Minhas poesias são os muitos pedaços de mim
Que por mais que junte, sempre haverão mais
Para juntar, colar e ... continuar incompleto

José João
22/09/2.016


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Só preciso que não vás

Todas as noites durmo abraçado com tua saudade,
Que me envolve doce e ternamente e me permite
Que os mais belos sonhos de nós dois sejam sonhados.
Me atento a ouvir, no silêncio sombrio da noite,
Minha alma, ainda te confessando esse amar eterno,
As lágrimas, como fossem sutis sorrisos dos olhos,
Te buscam na penumbra do tempo, te trazem toda
Em momentos que ficaram vivos dentro de mim.
Me entrego ao prazer de murmurar teu nome,
Num soletrar carinhoso, sonolento e sem pressa, 
Que até me faz crer que me ouves e me entrego,
Num delírio incontido de ainda te sentir minha.
Tua presença, dentro dessa saudade viva, é tanta
Que te sinto, parece loucura, mas... juro, é você.
Fico imóvel, sem quase respirar, para não espantar
O que não sei... se é pensamento ou um sonhar,
Mas não importa, só preciso que não vás, que fiques
Dentro dessa saudade que aprendi a viver.

José João
21/09/2.016


domingo, 18 de setembro de 2016

Talvez ... até além de sempre.

Quando a dor da tristeza é maior que o tempo,
Não há caminhos nem distâncias. Ir, ou ficar
É o mesmo que nada ser. As lembranças
Ficam vivas, até as palavras um dia ditas,
Que deveriam perder-se no esquecimento,
Por serem apenas palavras, se fazem mais,
Por vezes se fazem gritos, outras, gemidos,
Onde a alma em doloroso chorar se perde toda.
Detalhes se fazem histórias e até lágrimas
Se fazem sonhos que nem sonhados foram.
Tento encontrar caminhos por onde não passei,
Horizontes que nunca vi. Ouço a alma pedindo,
Em orações vãs, que fuja do que ainda sou.
Como fugir de mim se a dor que senti ontem
Será a mesma dor que vou sentir sempre?!
Porque para sempre será também a saudade.
Um dia me esqueci de mim... pra te viver.
Talvez, até mesmo além de sempre...


José João
18/09/2.016


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Os versos são do tamanho da eternidade

Não me preocupo com o tamanho dos versos,
Nem se neles cabem todas as dores, saudades,
Ou as tristezas que sinto. Se versos longos ou curtos,
Não importa, sei que vão ao infinito brincar de levar
Meus sonhos para mais perto do céu... meus versos...
Têm o tamanho do que sente minha alma, como escrever
A infinitude da saudade que sinto, em versos pequenos,
Curtos, que terminem bem aí? Nem com o tamanho
Das poesias me preocupo, deixo-as fazerem-se soltas,
Sem que se preocupem com o começo ou fim, delas
Ou dos versos. Falar das dores, tristezas, angustias,
Deixadas pelos tantos adeus que ouvi, que chorei.
Alguém sabe o tamanho da solidão? Do vazio
Que ela faz ficar onde quer que se esteja? Não!
Como poderia a solidão caber em meus versos
Se não se fizessem maiores que ela. Ah! Os versos!
Infinitos... tão grandes que neles sobram lugar
Para todas as lágrimas, todas as saudades e sonhos...
Ah! Esses versos... do tamanho da eternidade!

José João
13/09/2.016

Um ponto no fim do verso ...

Nem sempre um ponto no fim do último verso
É o final da poesia... para o poeta. Talvez a dor maior
Não seja para ser contada, seja apenas pra ser sentida,
E o poeta cala, e no fim do última verso, um ponto,
E começa em silêncio, dentro da alma, a verdadeira
Poesia triste, a mais doída. Por vezes veem tristreza
Na poesia, mas triste, tristeza maior, pode ser
A verdade do poeta, que cala e guarda em segredo,
Que chora em fingidos sorrisos a dor que ninguém vê,
Que grita, desde a alma, uma incontida saudade
Que lhe sai, em desepero, pelos olhos, nas tantas
Lágrimas que chora como fossem pedidos de perdão...
Que ninguém ouve, nem vê... e se perdem ao tempo
Como se a dor não fosse dor, como se viver
Não fosse esse sofrer... que nem as poesias contam.
As vezes, o ponto no final dos último verso,
É apenas uma pausa de que precisa o poeta...
Dá um sorriso triste, debruça-se sobre a vida ...
E diz: Que me saibam só até aqui. e põe
Um ponto no fim do último verso, como este aqui.

José João
13/09/2.016



sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Quero primeiro...aprender a caminhar

Quero primeiro aprender a caminhar.
(Ah! Os homens! Loucos por conquistas!
Alçam vôos inconsequentes, depois perdem
Depois voltam, depois choram...
Não querem caminhar antes de voar!
Até as águias, que habitam as mais altas
Montanhas, antes de voar... caminham)
Depois aprender a ser águia


José João
09/09/2.016

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Bem vinda, solidão.

Nunca disse te amo, se minha alma não sentisse.
Minha voz nada mais era que o eco da voz dela,
Nunca me entreguei total e plenamente a um sentir
Se minha alma não estivesse toda pura e pronta 
Para se entregar, sem reservas, na plenitude do amar.
Quantas vezes fui além de mim, para sonhar sonhos
Que não eram meus, mas era tanta a vontade de amar
Que deles fazia meus amanhãs e os vivia todos.
Me lembro das tantas vezes que podei pensamentos
E vontades pelo prazer de satisfazer outras vontades,
Ver num rosto um sorriso dizendo alegre: obrigado.
Deixava que minha alma se preparasse, se enfeitasse,
Se fizesse como fosse uma noiva para se fazer dádiva 
A quem ela se entregasse. Nunca deixei pedaços,
Nem mesmo de saudades que pudessem se fazer sombras.
Ah! Mas o tempo, as dores, as mágoas, até os prantos
Que agora se fazem eternas companhias me dizem 
Coisas que a alma se recusava ouvir e aprender...
Me dizem que essa entrega assim, sem medidas,
Não vale mais a pena ... agora é ridículo, e eu ...
(rsrsrs) só sei amar assim ... bem vinda solidão.

José João
06/09/2.016




segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Deixa-me vida ... viver meus sonhos

Deixa-me, ó vida minha, brincar de sonhar,
De correr por entre canteiros floridos, mãos dadas,
Sem nada pedir, sem mais nada querer e, ir...
Apenas ir, entre sonhos, abraços e beijos,
Mesmo os sonhos que não foram sonhados,
Os beijos que não foram trocados e os abraços
Que não foram sentidos, mas deixa-me, ó vida,
Fantasiar-me de fingidas verdades, vestir-me
De versos cheios de sentir, e da vontade de viver.
Deixa-me, ó vida minha, brincar de artesão, 
Tecer desejos e saudades em bordados e rendas,
E vestir minha alma do prazer de fazer-se bela
E fingir, engolindo os prantos, que não é triste,
Vida minha que se esconde nos tantos segredos
Guardados dentro de mim, que nem a poesia,
Ousa nos versos contados, contar sem fingir, 
Deixa-me, ó vida minha, fabricar meus sonhos
Como se fossem eles tudo aquilo de que preciso,
Que minto pra mim mesmo, em sincera mentira,
Que até finjo acreditar que não são sonhos...
São minhas verdades.


José João
05/09/2.016

domingo, 4 de setembro de 2016

Pra mim ... sonhar é melhor que viver.

Faço dos meus sonhos verdades verdadeiras
Porque a vida ... a vida mentiu pra mim.
Me encheu de vazios depois de promessas
Mentirosas. Me fez amar, me entregar todo,
Pleno e sem reservas, me fez crer na eternidade
Do sentir, mas não me falou de adeus, de lágrimas,
De saudades e depois deu-as a mim ... assim...
Como fossem tributos por amar sem medida.
Não me disse que um adeus doía tanto ...
Tanto que as lágrimas, feito farpas pontiagudas,
Após sangrarem a alma, fogem pelos olhos,
Deixando-os vermelhos pela tanta dor que choram.
A vida mentiu pra mim,  mentiu quando disse 
Que a saudade fazia fugir a solidão ... mentira,
Juntas doem ainda muito mais, e é tanta dor
Que em qualquer lugar que se esteja, lá estão...
Saudade e solidão, tristezas e lágrimas...
Meus sonhos, não... eu os faço, eu os crio...
Posso sonha-los todos os dias e a cada um deles
Fazer eterno, se gostar daquele que sonhei hoje,
Sonho amanhã, e depois... e depois ...e depois
Para sempre ser, pelo mensos, uma esperança
Sem adeus e ... sem saudade.


José João
04/09/2.016

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Existes ... pelo menos em sonhos

Talvez... não sei bem, devesse ter sido você
Quem eu deveria ter esperado, não sei, não lembro
Porque não o fiz, me perdi, me esqueci de mim...
Não me refiz, não me encontrei e de mim, me perdi.
Busquei, e sem saber porque, caminhos diferentes,
Caminhos que não se cruzariam com os teus...
Hoje não sei onde estás e não ficaram  marcas
No chão para me fazer voltar por onde passei,
Ou se ficaram foram apagadas pelo tempo
Ou por outros passos que por ali passaram...
Talvez como os meus, em desencontrados ir e vir.
Teus passos, lá, também não estavam, eu saberia
Se lá estivessem, tua alma me diria, chamaria
A minha a seguir-te e eu, por mero esquecer
Das coisas de mim, de ti... de nós, me perdi.
Mas, se hei de seguir assim, tão só, que a vida
Me farte dessa saudade que me faz te procurar,
Que me faz ser teu, que me faz que viver me seja
Isso, essa busca de ti, essa falta de ti, essa tanta
Loucura de ti. E se não me for mais permitido
Te encontrar que, pelo menos, essa lembrança,
Mesmo distante, quase apagada, quase perdida,
Te traga inteira e plena para dentro dos sonhos...
Que te trazem para tão perto de ... nós dois


José João
02/09/2.016

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Confissionário

Ontem, eu sei ... fui bem além de mim,
Disse tudo que queria dizer e muito mais,
Bem em sua frente, tentava olhar seus olhos,
Mas ela até parecia não tê-los. Ali, diante de mim,
Parada, inerte, em assombrosa passividade,
Me ouvia calada. Meus gritos e os da alma
Se faziam ouvir, blasfêmias, injurias, palavras
Gritadas, algumas cheias de ira, até mesmo rancor,
Eram ditas, e ela, calada, sem nenhum movimento,
Ouvia tudo, em pé, na minha frente, muda e passiva.
Meus gritos espantavam o silêncio, até a solidão,
Escondida num canto, perto dela, assustou-se,
Correu por dentro da noite como se minha raiva
Lhe perseguisse. E ela...ela me ouvia muda,
Insensível, quanto mais ela me impunha silêncio
Mais eu gritava, se minhas mãos lhes tocavam...
Sentia a frieza, a dureza de quem não sabe sentir,
Como não lhe tivesse sobrado sentimento nenhum
Me enfurecia mais, e muito mais eu gritava...
Furioso, lhe falei tudo que uma quase loucura
Me permitia falar. Cansei, um pranto avulso
Tomou conta de mim... sentei no chão, incoerente ...
Encostei minha cabeça nela e ...dormi...dormi
Essa foi a primeira vez que conversei, que gritei
Que me confessei com a parede do meu quarto.

José João
01/09/2.016



terça-feira, 30 de agosto de 2016

Versos tristes ...não é minha a culpa

A culpa não é minha se meus versos são tristes
E cheios de mim. Não é minha a culpa, é da poesia
Que se permite ser escrita assim. A culpa ...
Também é das palavras que escrevem tristezas,
Não sabem ficar alegres, não sabem sorrir
Nos versos, não sabem correr, brincar de inocência,
Se fazem poucas, se fazem tímidas, só gritam
Se alguma tristeza, trazida por algum adeus...
Ou uma saudade maior que todas as saudades
Precisem ser gritadas, para que até o eco dos gritos 
Sejam tristes e, voando ao tempo, se façam prantos.
Não me culpem se os versos se escrevem tristes,
Se as poesias choram com suas próprias lágrimas,
Se as rimas se perdem entre o meio e o final do verso,
E as entrelinhas sejam pedaços escondidos de mim
Que contam vazios, em versos que não têm fim.
Não me culpem se a solidão constante e plena,
Se o silêncio tão comum num coração carente
Façam essa dor por maior que seja uma dor serena
Como se dor não fosse dor, fosse um sentir diferente


José João
30/08/2.016


Nem sempre amar é só amar.

Minhas palavras se perdem dentro do meu silêncio,
Não que elas não tentem gritar, voar em liberdade,
Como fazem meus pensamentos, mas é que a voz,
Se perde entre os soluços que insistem em chorar
O nome dela. A alma, como passageira dos sonhos,
Voa entre os horizontes, por caminhos sem chão,
Em desesperados e perdidos volteios, e vai...
Se perde, volta, sem nenhum lugar onde possa estar.
Onde possa esconder-se da tanta dor que a aflige.
As lembranças, como cascatas de sonhos perdidos,
Correm no tempo  como se a dor, delas precisasse
Para doer mais. O tempo pára, os olhos ardem,
O coração dispara, e uma saudade, dessas que dói,
Se faz do tamanho da vida, como se nunca mais
Fosse passar. E uma angustia, dessas que faz
A loucura falar em delírios o que não se quer falar,
Diz baixinho pra alma da gente, o que não se quer
Ouvir: Que amar...também é chorar.


José João
30/08/2.016

sábado, 27 de agosto de 2016

Um museu de solidão

Há quem fale em solidão, como se ela fosse
Apenas solidão. Ah! Se soubessem como sei...
Suas tantas faces, suas tantas maneiras de chegar,
De ser, de ficar. Até mesmo de fingir, sim, a solidão
Finge, é como se fosse uma atriz, as vezes bela,
Até alegre, dadivosa, outras... sufoca, quase mata.
Ah! Se soubessem de solidão como eu sei!
Por exemplo, aquela solidão que fica depois de um adeus,
E finge-se dar um tempo, mas na verdade,
Ela, a solidão, é o medo de se sofrer outra vez.
Aquela, quando o adeus é tão pouco, que no momento
Se faz solidão, mas só até o amanhã ou até outro olhar 
Que faça o ontem ser apenas uma lembrança.
Ah! Mas que dolorosa solidão! Malvada e vilã,
É aquela que nos toma mesmo dentro da multidão
Onde o silêncio na alma grita mais que qualquer voz,
Onde tudo e nada se confundem, em ir ou ficar.
Onde até a alma se perde dentro de infinda tristeza.
Mas tenho minha solidão preferida, terna solidão,
É aquela em que escolho estar, minha, só minha...
Tão prazerosa como fosse um ópio divino...
Me fazendo sonhar, sonhos que a vida não tem.
Só tem uma solidão que tenho medo, é aquela
Que não sei se saberia sentir.
Ah! Se soubessem de solidão como eu sei!!!

José João
20/08/2.016



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Nem parecia um dia

Hoje o dia se fez ridículo, parado, cheio de vazios,
Um pedaço de tempo sem forma, sem cor, 
Perdido entre horas que passavam sem querer passar,
Se arrastavam preguiçosas, zombando de todas
As dores, saudades, gritando num silencioso gritar
Cantos de tristeza que eu nem queria ouvir.
Nem parecia ser dia, parecia pedaços esquisitos
De horas quebradas, tortas, rotas, compridas, mortas,
Me perdi dentro delas, corri gritando blasfêmias,
Até o eco dos meus gritos caiam em estapafúrdio cair,
Ensopados, pesados pelo peso do pecado de blasfemar.
As palavras se desencontravam no clamor de pedir,
E o dia, que pra mim nem era dia, zombava rindo,
Fazendo de cada hora um gargalhar tirano, irônico.,.
Debochado e irreverente, alheio a angustia que a alma
Chorava sozinha entre as lembranças e sonhos 
Que lentamente iam se desvanecendo, se fazendo nada...
Mas provocando as lágrimas para chorarem essa dor.
E o dia, que pra mim nem era dia, num mórbido cio
Com a solidão, paria horas ainda mais tristes,
Mais preguiçosas que se arrastavam como lentas
Procissões sem querer fazer o amanhã chegar.


José João
24/08/2.016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

É só o que sei fazer ... amar

Amo, apenas porque é o melhor que sei fazer,
Sei amar antes e depois de amar, parece loucura!
Sei te amar sem te conhecer e sei sentir tua saudade
Antes que me digas adeus, porque é só o que sei...
Amar. Sei amar desde a vontade de te conhecer,
Amar teu nome sem nem saber quem és,
Desde agora, chorar essa saudade dos amanhãs
Enquanto não vens. É só o que sei... amar.
Te espero sonhando sonhos que amo sonhar,
Porque neles te amo, tanto que o prazer de te esperar
Me faz sentir o coração bater mais forte e a alma
Cantar Ave Marias imitando a voz dos anjos.
Amo porque é só o que sei fazer... amar
Amo te esperar, sentado no meio da tarde,
Com os olhos olhando pra lugar nenhum,
Com o olhar perdido entre os tantos silenciosos
Caminhos que minha mente cria, apenas e apenas
Por amar. Te confesso meus segredos, todos eles,
Nas verdade, meus segredos de nós dois...
Amo  amar, esse amor que se chora sozinho,
Sem se ser triste, amo, até a inquietude
De te esperar...é só o que sei fazer... amar.

José João
23/08/2.016


...e se não existissem lágrimas!!

... e se não existissem lágrimas!? Como viveria?
Como minha alma gritaria com meus olhos?
Como os versos de saudade se escreveriam
Em meu rosto? Se não existissem lágrimas!
Como eu poderia rezar, em divino silêncio, 
Orações saídas de dentro de mim como fossem
Meus pedaços pedindo clemência ao tempo?
Lágrimas! Pedaços completos de mim...
Serenas, brilhantes, inocentes, puras e livres...
Se não existissem lágrimas... eu as criaria,
Teceria pedaços do por do sol, o mais lindo,
Em pequenas contas coloridas, cor de saudade,
Misturava, nas mãos do tempo, com o orvalho
Do alvor do dia quando se prendem nas pétalas,
No lindo e preguiçoso despertar das flores,
Subiria na mais alta montanha ... a mais alta,
Aquela que mais  chegasse perto de Deus,
Poria aos seus pés e diria: Eis aí Senhor...
Eis aí do que precisas para fazer lágrimas...
Mas elas existem, não sei como foram feitas...
Mas se fizeram tão minhas que, acho até,
Deus me deu de presente ... todas elas.

José João
23/08/2.016


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O desesperado grito das lágrimas

As vezes chorar é preciso... é quando o sol
Vai indo lentamente lá para o fim do mundo,
Vai abrindo caminhos, levando sonhos...
E fazendo a saudade, no silêncio da alma,
Brincar com os olhos que choram as angustias
De adeus que ficaram como marcas vivas,
Como histórias e segredos que só sabe
Quem, nesse momento, chora sua dor...
Quase sempre, chorar é uma oração rezada
Sem palavras, (quando é muito a dor
As palavras são inúteis) é quando a alma
Ergue os braços ao céu, deixa o olhar perdido
Na busca de qualquer luz que a faça crer
Estar sendo ouvida e, submissa a um sentir,
Que vai muito além da própria vontade,
Chora aos cântaros, prantos que nem sabia
Estavam ali, prontos para se fazerem voz.
As vezes chorar é preciso, quando é muito
Grande a dor do adeus, tanto que comprime
O peito, os soluços engolem a voz é, nessa hora,
Que as lágrimas se fazem palavras...
Sem idiomas e sem tradução. É apenas dor.


José João
22/08/2.016

Por tanto chorar

Caminhava por estradas vazias, entre angustias
E mórbido silêncio a me acompanharem,
Sussurrava orações perdidas no vazio de mim,
Sentia nos ombros, curvos, o peso de saudades
Doídas, choradas com pedaço completos
De uma solidão tão densa que sufocava a alma.
Passos trôpegos, chão molhado pelas lágrimas
Que chorava em convulsivo e descabido pranto.
Noites a se arrastarem lentas em amargas horas,
Como se ruminassem minha própria dor,
Como se fosse preciso repeti-la para doer mais.
Minha alma se marcava por cicatrizes...tantas
Que se faziam bordados de retalhos de mim.
Caminhava assim, sem uma saudade nova
Para enganar o tempo, para enganar a alma.
Em orações gritadas em desespero, rezava...
Como rezam os loucos esperando divino milagre.
E rezava...rezava na espera de um acontecer...
Até que a alma explodiu em gritos e blasfêmias
E perguntou: Deus não vês esse meu sofrer
E os tantos pedidos que fiz? Não me ouves?
E uma suave voz me respondeu em silêncio:
Vês aqueles passos, lá ao longe? Aqueles indo
Na direção do horizonte? São os passos dela...
Eu a trouxe pra ti, mas estavas tão ocupado 
Em chorar tua dor que não a viste passar...
Que pena!

José João
22/08/2.016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

É melhor o vazio dos loucos

Não sei, até hoje, o que teria sido melhor pra mim,
Ter te conhecido, ou nunca ter te visto, não sei.
Se nunca tivesse te conhecido, a monotonia da vida
Continuaria a mesma, os vazios, as tentações
Mórbidas se fariam tantas e tão fortes que um dia
Já não seria ninguém. Não teria sonhado,
Não teria caminhado por estradas desconhecidas
Como se fossem minhas, mas estaria dentro
De minha loucura, na comodidade de nada ser,
De nada saber, nem de chorar, nem de querer,
No vazio dos loucos não existe dor nem sofrer.
Qual o melhor pra mim? Não sei. Te conheci.
Comecei a ver outros horizontes, a sonhar,
A olhar os amanhãs muito além do que eu era.
Aprendi que não existe vazios numa entrega
Plena, intensa quando duas almas se permitem
Fazer-se uma, quando se aprende que amar
É nunca se está só, é a magia de saber que
A eternidade não está no tempo, mas dentro de nós.
Aprendi a sentir tua saudade a cada instante
Que não estavas. Aprendi a amar...mas também...
Aprendi chorar essa dor, essa saudade,
A viver esse vazio que um adeus faz sentir.
No vazio dos loucos não existe essa dor...
Acho que vou voltar.

José João
19/08/2.016


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Eu... os restos de mim

Finalmente descobri do que sou feito!
Sou feito de restos... restos de mim mesmo.
Minha saudade é resto de momentos vividos,
De amores que se foram em doloridos adeus,
Que também foram restos de sentimentos
Que o tempo não permitiu que se eternizassem.
Minhas lágrimas... (rsrsrs) também são restos
Porque nos prantos que já chorei, como fossem
Fortes chuvas de cruel inverno, se gastaram todas,
Hoje são lágrimas raquíticas, como são todos
Os restos, nem me molham mais o rosto,
Contam histórias inacabadas e descabidas,
São mesmo restos, não são como as antigas...
Fortes brilhantes, escreviam em meu rosto
Histórias completas, poesias inteiras, hoje...
Coitadas! Meus sonhos!? Também hoje
São restos, são pedaços perdidos de mim
Que se arrastam penosamente no tempo,
Cansados, nem fazem mais a alma chorar.
Na verdade não sei se sou feito de restos
Ou sou o próprio resto, o fantasma de mim

José João
18/08/2.016

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Só eu sei de mim

Quando estiver na solidão, não me busquem,
Pode nem ser solidão, talvez seja eu dentro de mim,
Me dizendo coisas que só eu sei me dizer.
Quando meus olhos estiverem em lágrimas,
Não perguntem se é tristeza, pode ser um sorriso
Da alma contando uma saudade que só eu sei sentir.
Quando estiver em silêncio, me deixem ficar,
Talvez nem seja silêncio, seja o encantamento
De um momento que quero lembrar, reviver,
Deixar ficar dentro de mim em terna harmonia
Com a vontade de eternizar o que foi tão intenso
Que até hoje vive na alma, passou pelo tempo
Sem ranhuras, sem se fazer pedaços, completo,
Como se tivesse sido  bordado pela perfeição.
Se estiver gritando, não me escutem, quem sabe
Nem sejam mesmo gritos, sejam orações rezadas
Numa alucinante vontade de que voem por aí
Por sobre horizontes ... sentimentos, corações,
E sejam, um dia, ouvidas como um pedido
De clemência...  e quando estiver chorando,
Não chorem comigo... me deixem só.

José João
17/08/2.016



terça-feira, 16 de agosto de 2016

Nós... para sempre

Ontem, te vi nos sonhos que sonhava acordado,
Teu rosto brincando de chamar minha saudade,
Teu perfume solto ao vento perfumando o tempo,
Até senti tuas mãos em meu rosto, macias, suaves,
Como se fosse uma leve brisa de primavera.
Senti as mãos tremerem, o coração pulsar mais forte,
Senti os olhos, escrevendo com lágrimas, teu nome
Em meu rosto. Flutuei dentro o tempo, te busquei,
Lá, bem dentro de minha alma, de onde nunca saíste,
A saudade veio correndo, em desesperado chegar,
Como se fosse preciso, como se fosse um pedaço
Da vida que ficou no tempo vivido por nós dois.
Fiquei em silêncio para não espantar meu pensar,
Não deixar o sonho, que me fazias sonhar, ir-se
E me deixar essa falta de ti, essa louca carência
Que me toma, que me invade, como se tua ausência
Fosse o mesmo que não viver. Não me permito
Ir além de sonhar contigo, te deixar dentro de mim,
De te fazer minha, para sempre, mesmo em sonhos.

José João
16/08/2.016


sábado, 13 de agosto de 2016

"As vezes eu me levo para passear"

Quando estou só, quando a solidão grita estridente,
E minha alma, aos pulos, faz o coração correr
Dentro do peito, num pulsar descompassado,
Como fosse soluços que sufocam minha voz,
Quando o vazio ocupa o pensar, a dor fica viva
Fazendo que fugir seja estar em nenhum lugar,
E o olhar se perde na vazia imensidão do nada,
Quando até os restos dos sonhos que sonhei
Se fazem pedaços perdidos do que vivi...
E quando o cansaço da alma triste me permite,
As vezes eu me levo para passear, apenas ir...
Mesmo por caminho tantas vezes percorridos,
Mas a alma voa por horizontes que nunca fui,
Me conto histórias de mim como fossem
Verdadeiras, vivo os sonhos que nem sonhei,
Mas que estão ali, dentro de mim, vivos,
Reais como se fossem saudades do que nem sei
Se vivi. As vezes eu me levo para passear,
Para me me ouvir contar histórias, 
Declamar versos perdidos, poesias inacabadas,
Mas sigo comigo de mãos dadas com a alma
Contando coisas de mim...

José João
13/08/2.016
(participação especial
de Silvia Tereza)

Almas sozinhas

- O que nos separa não é a distância
   E na verdade, nem os caminhos
  O que nos une não é a vida...
   É simplesmente sermos sozinhos

   Minha busca é árdua...onde estou?
  Talvez tão longe e de mais ainda vim
  Entretanto nada sob o céu tem fim
  A esperança é eterna e existe em mim

  Quem sabe possas me fazer um sonho
Me encontra ela e eu te proponho
Uma vida livre, de cantar risonho
E em belos versos em ti me ponho

- Há quanto tempo tens essa busca?
Não sei quem és e a mim não dizes
Se dela falas...me diz seu nome
Me diz ao menos se foram felizes

- Há muito tempo, passado distante
Quis o destino que mais não a visse
E em triste loucura me perdi no tempo
E ao me encontrar, me veio o tormento

Que mais faço? Desespero eterno?
Até no infinito amar é preciso
Traduz meus versos, canta o que sinto
Que amo e amo, sou amante contrito

Grita comigo a beleza do amar
Grita bem alto, nos versos, na vida
Grita que amar é mais que viver
Grita que amar é nunca morrer

Grita que a morte ao amor não resiste
Grita que a sorte é amar não ser triste
Grita que a vida é luta incontida
E que sem amor jamais é vivida

Não calo! E se choro meu grito
Que pela perda é até mesmo aflito
Não calo, não paro no tempo
E haverás de fazer acabar meu tormento

Escreve meu nome e o dela também
Que até no infinito eu a quero bem
Se hei de chorar por não a encontrar
Me ajuda! E chora comigo também

Há quanta procura e vãs tentativas
De encontrar no caminho uma alma cativa
Que me faça falar, falar nessa vida
Que de muito pra mim já é esquecida

Diz que para um segundo de amor
De doação tão terna quanto infinita
Se fores chorar o resto de vida
Vale a pena, faz a vida ser bem mais bonita


José João
publicada em
14/08/2.011
(reedição, a pedido)