domingo, 15 de fevereiro de 2026

Vem, deita na relva, vamos contar estrelas

 Vem, deita  aqui comigo e vamos contar estrelas.
Deita na relva, deixe que o luar se faça de chão
Pensa que as estrelas brilhem só pra te e estão rindo
Ri com elas, deixa que te acariciem, beijem teu coração

Olha ali uma rindo contigo, cada piscar é um sorriso,
É um aceno terno te ensinando a, mesmo distante, amar
Olha ali uma cadente, anda, faz depressa dois pedidos
Não deixa que ela se vá sem que peça, faz de improviso

Nada nesse mundo, quando se ama, pode ser demais
Tudo é na medida certa, não choras muito nem pouco
Se amas, o amor não conhece a razão, ele quer mais
Por isso dizem que amor é belo por ser assim, louco

Que bela loucura é a falta de lucidez da pobre razão,
Os amantes se perdem a contar estrelas e esquecem
Que amanhã, no alvor do dia, elas se fazem criança
E vão, mas deixam nos pedidos, rastros de esperança

José João
14/02/2.026

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Prantos e saudades... sem segredo

 Entrego-me a devanear, sol poente e eu sozinho
A buscar-me desde meus sonhos, até minhas saudades,
Venho de além mar, visitando portos cheios de adeus,
De idas e vinhas de acenos, lágrimas e tristes verdades

De lá do horizonte, um sorriso do sol alegra o tempo
A brisa escorrega mansa, voando sobre flores e jardins,
Então, me ponho  a quase sonhar comigo e a buscar-me
Dentro de mim mesmo e fazer-me todo um só sentimento

Não esses que se explica, mas aquele que a alma sente,
Fazer-me de poesia muda que ninguém saiba declamar,
De versos escritos apenas com lágrimas, sem palavras
Que sejam versos que se completem, mesmo sem rimar

Dou-me aos braços da fé de ser eu mesmo, sem medo,
Deixar que de dentro de mim um grito espante o mundo
E se vá em pedaços como se fosse do grito um forte eco
A contar amores, prantos e saudades sem nenhum segredo.

José João
14/02/2.026

... Já não tenho mais pranto

 Um dia me disseram; Que bom que o tempo passou,
Não sinto mais saudade de você e... nem de mim.
Ora pensei, vou também conseguir não sentir saudade
Nem de mim e muito menos de você, bom viver assim.

O tempo passando, eu esquecendo de mim, dos ontens, 
Momentos passados, fui esquecendo  e pronto, esqueci.
Não tinha mais o que lembrar, a tudo o passado tomou
Não lembrava nada, para que lembrar o que um dia vivi?

O tempo passou... um dia me vi vazio, sem lembranças
Tudo havia ficado esquecido, perdido no tempo, vazio.
Aí percebi, me perdi do que fui, então a vida doeu mais
Solidão e tristeza aumentavam como se estivessem no cio

Não vou mais seguir o que dizem os outros... me perdi
Fiquei aqui, sem ontens para lembrar, para sentir saudade
Tudo triste, sem razão, a própria vida perdeu o encanto
Fiquei perdido de mim que nem para chorar eu tenho pranto

José João
14/02/2.026

Saudade e prantos ausentes...

Rascunhos de poesia, mais outro e outro... Ah! DEUS!
Onde estão essas benditas poesias?!! Perderam-se?
Onde estão as palavras, mesmo soltas, sem sentido?
Onde estão as rimas, saudades, lagrimas, foram-se??!!

Mas para onde? O pranto sempre foi propriedade minha
A saudade sempre foi uma inseparável companheira
Os sonhos, sim os sonhos, sempre foram pedaços de mim
Todos se foram, fiquei só, como fazer poesia assim?

Aí dirão: mas se estás só, escreve sobre a solidão!!
O que dizer sobre ela? Ela é a solidão... sempre vazia
Sem versos, sem palavras, ela é apenas cheia de nada
Até dizem que não tem cor, que é doída, calada e fria

Essas poesias! As vezes se escondem dentro da gente,
Dentro da gente! Se fazem surdas, não ouvem a alma,
Outras vezes fazem conluio com as palavras e rimas
Levam, prantos saudades e nos deixam assim... carentes.

José João
14/02/2.026

Deixa a tristeza ir embora

 Se você quiser um dia ouvir coisas lindas de ouvir,
Vai num pôr do sol, em frente ao mar e ouve...
A canção do vento embalando ternamente tua alma
Ou o murmurar das ondas cheias de paz e calma.

Aguça bem teu sentir, fecha os olhos, ouve o tempo
Te contando histórias de te e ouvirás teu coração
Pulsando tranquilo te falando que ainda podes amar
E a brisa mansa te cantará, suave, uma terna canção...
 
Se quiseres sonhar! Vai num pôr do sol, frente ao mar
Verás um brilhante caminho sobre as águas a te levar
E vai... deixa teu pensamento livre ir onde quiseres
Sentirás a leveza do tempo, e sonhando poderás voar

Voa, e busca os melhores momentos que já viveste,
Trás de volta, faz que sejam tua verdade de agora,
Fecha os olhos, sente a carícia da brisa, deixa-te ficar
Sorri... sorri outra vez e... deixa a tristeza ir embora.

José João
14/02/2.026

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A simplicidade das flores

Poesias... hoje? Não. É dia de conversar com as flores
Preciso que me ensinem como podem ser tão modestas!
Exalam seu perfume inebriante em humilde silêncio,
Fosse eu... gritava ao mundo, me mostrava, fazia festa.

É... aprender com as flores, como podem ser tão belas
E ficarem mudas? Paradas no mesmo lugar, sem alarde.
Pétalas luzidias, cortejadas por beija-flores e borboletas
E ficam ali passivas, como se fossem imóveis aquarelas

Tenho que aprender com as flores, tão frágeis e tão fortes!
Se podadas, não choram, ainda ficam dando seu perfume,
De tristeza, murcham, perdem a cor, vão empalidecendo
Mas não choram, em silêncio, sabem que estão morrendo

Sempre admirei as flores, conversamos, elas me ouvem
A voz sussurrante, só quando a brisa lhes instiga a falar,
Pergunto-lhes: como podem ser tão belas e tão caladas?
- Somos assim, apenas flores, porque haveríamos de gritar?

José João
13/02/2.026

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A magia de amar

 Há alguma coisa de mágico quando se fala, amar,
Lágrimas e sorrisos se misturam no mesmo rosto,
Saudade de um olhar dado a alguns minutos atrás
Um rir sozinho na rua, como se lembrar fosse estar

Um esquecer das coisas que se faz todos os dias...
Uma vontade de gritar, correr, de logo querer chegar!
Essas coisas de amor, de amar, de ficar sonhando
Que os amanhãs serão sempre mais belos para lembrar

Essa magia que toma a alma, que a faz ficar distante...
Numa demência colorida em que apenas ela sabe ficar
Como estivesse numa aquarela dessas que faz sonhar
Tão mágico que chegam as lágrimas sem ela... chorar

Como explicar o que é razão quando se vive num sonho?
Um desses sonhos reais da vida que não se quer acordar,
Caminhar em caminhos coloridos repletos do que somos,
Sentir as nuvens sob os pés e sobre elas, de amor, flutuar

José João
12/02/2.026

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O mar... rota do adeus e da saudade

 A brisa mansa, as ondas murmurando seus segredos
A areia cativa a banhar-se nua apagando os rastros
Brisa e ondas, em gentil dueto, cantam seus enredos
E o mar, calmo, sereno, livre, sem ser água de lastro

Quantas histórias ouvidas de saudade em cada porto!?
Prantos derramadas, olhos carentes chorando um adeus!
Quantas lágrimas choradas lhe salgando ainda mais
Assim vai o mar levando segredos dos outros e o seus 

Rotas sem rumo, horizontes distantes, sonhos perdidos
E uma vela inflada pelo vento matreiro indo ao nada
Levando lembranças sem saber para onde, apenas vai
Assim vão os dois, um a saudade o outro... a estrada!

Para onde irão? Que porto, o mar deixará a vela içada?
Será que ao chegar tem-se então dado o fim de um adeus?
Corações pulsando forte, olhos cantando melodias de amor
Ou será mais distante o encontro das almas ainda separadas?

José João
11/02/2.026

A dor da ausência.

 -Vamos fazer uma poesia! Escrevo um verso e você outro.
O que você diz? Não sei. o que você quiser, vamos diga.
- Ontem passei o dia todo rindo, lembrei quando era criança
-Ontem escrevi poesias, busquei dentro de mim coisa antiga

Pensamentos caducos, sorrisos esquecidos, coisas assim.
-O que ganhas buscando esses momentos já tão vencidos?
É até triste, buscar o que a tanto tempo já é passado!
-Não, você se engana. A saudade não os deixa esquecidos

Vê, lembro de um sorriso que me dizia: que bom você aqui!
- Essa não! Um sorriso que dizia isso??! Ah! Conta outra.
Um sorriso é um sorriso, tem som mas não tem voz, não fala
-Não sabes mas quando os olhos sorriem tudo, tudo se cala

-Estás louco?! Como pode os olhos sorrirem? Que loucura!
-Ah! Entendi! Na verdade, os olhos gritam com eloquência
Lacrimejam quando sentem dentro da alma uma doce ternura
Mas só sente quem já amou, quem sabe a dor de uma ausência.

José João
11/02/2.026

Quando os natais vão passando.

 De repente era natal, de repente um outro natal 
E minha saudade a mesma, até o mesmo pranto.
As lembranças, quase nem pareciam lembranças
Se faziam como de ontem, um verdadeiro ritual

Assim, de repente, meus cabelos embranqueceram,
Meus olhos já não olhavam com nitidez o horizonte
O mesmo horizonte que as cores eu já sabia de cor.
Nem era mais alegre, o antes doce, murmurar da fonte

Desaprendi brincar de mal me quer com  margaridas,
De ver o luar arrastar-se na relva em silenciosa poesia,
De fazer pedidos para estrelas cadentes, não ouviam
Desaprendi tudo, tudo, que em outros natais eu fazia

Mas aprendi, pacientemente, esperar o que nem sei,
Caminhar sem pressa, sem nem saber aonde chegar
Aprendi olhar com as mãos, pensam que são carinhos
Enfim, aprendi muito, hoje, sei até conversar sozinho

José João
11/02/2.026

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Eu!? Quero apenas entrar em teu coração

 Vim de tão longe! Caminhei entre rios, estrelas
Fiz caminhos entre jardins, não deixei marcas...
Apenas trouxe o perfume das flores que beijei
E vou deixando poemas pelos lugares que passei

Já escrevi versos nas nuvens, contando de mim,
No tempo, contando histórias que há muito vivi
Deixei rascunhos nos prateados raios de luar,
Agora escrevo a esmo indo de lugar em lugar

Talvez assim, quem sabe, possa dizer ao mundo
O que ainda tenho para dizer, para fazer acontecer,
Não quero aplausos apenas ser ouvido na leitura
Sim, ouvido, porque ler é escutar a arte de viver

Amei! Amei como um louco ama sem nem saber.
Me entreguei assim como se entregam os amantes
Sem medo dos amanhãs, nem do que seja dor
Amei tanto e chorei que do pranto fiz... diamantes

Hoje, ando sem rumo por aí, entre estrelas e jardins,
Entre sonhos e fantasias, fazendo o que se pode fazer
Indo de coração em coração despertando para vida  
Despertando almas, deixando poesias... dentro de você

José João
10/02/2.026

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Esses meus sonhos!!

 Nos meus sonhos, um rio de luar se deitava no chão
Como mansas águas a se fazerem silenciosa poesia,
Fazendo buscar saudades antigas, nunca esquecidas,
A noite, quase sem ser noite, se fazia iluminada fantasia

Dormir, pela tanta beleza viva, era como fosse heresia
Quão belo era o deitar-se do luar a iluminar o tempo!
E a brisa, a voltear mansa, sussurrando doce melodia
Fazia do mundo um sonho, caminhando em passo lento

As folhas, enquanto as flores dormiam, se faziam vivas
Dançavam, sonolentas, acariciadas pela brisa carinhosa,
Parecia lhes sussurrar no ouvido o que só elas entendiam,
Suas sombras dançavam na relva uma dança tão graciosa!!

No meu sonho, me deitava sobre um curioso raio de luar
Que me perguntava se eu conhecia as estrelas cadentes,
Perguntava quem eu era, o que fazia, até se eu escrevia.
- Se escreves, faz para minha estrela cadente uma poesia

José João
09/02/2.026

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Um caderno de presente.

Um dia me deram um caderno. Sim, um caderno!
E disseram: Escreva aí seus poemas, seus momentos.
Ora mas... num caderno, escrever pedaços de mim?
Mas pensei, meus prantos nas páginas seriam eternos

Quem melhor poderia falar de mim que as lágrimas
Deixadas num papel?! Que mais bela poesia teria?
Uma lágrima bem no meio da página, apenas ela
Mostrando toda a nudez da alma em inocente poesia!

Sentei, o caderno aberto em minha frente, passivo,
Voei no tempo, buscando as saudades mais antigas,
Aquelas a quem alma e coração estão sempre cativos
Lentamente... as lágrimas vieram como velhas amigas

Caiam dos olhos como  pedaços completos de mim
Escrevendo a poesia com um sentido triste mas... terno
Uma, duas, três... tantas que uma folha se fez pouca
Mas a poesia se fez plena. Que presente! Foi esse caderno!!

José João
08/02/2.026


E se juntasse ilusões e fantasias?

 Não sei mais de mim, acho que me perdi,
Tantos foram os sonhos mal sonhados,
Tantas foram as ilusões que a verdade se foi,
Fiquei perdido do que ainda não vivi

Tempo!! Não sei, os amanhãs encurtaram,
Correr atrás de sonhos novos... vale a pena?
Talvez se remendasse meus pequenos pedaços
Essa minha dor de agora fosse mais amena.

Quem sabe se nas poesias fingidas que escrevi
Contando histórias que nem sabia de quem
Talvez tirasse retalhos para que pudesse sentir,
Mas os sonhos mal sonhados sempre veem.

Será que se juntasse as ilusões e as fantasias,
Se costurasse com pedaços antigos de mim
E escrevesse, mesmo em prantos, uma poesia,
Será que essa dor ainda doeria tanto assim?

José João
08/02/2.026

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Não foi como a saudade de ontem...

 Ontem minha saudade era diferente dessa de agora
Não tinha lágrimas, nem história, só tinha o tempo.
A saudade de ontem não tinha rosto, não tinha nome...
Uma página rota em que não tinha nem sobrenome

A saudade de ontem escreveria em apenas um verso 
Afinal era uma dessas saudades que nem nome tinha
Que quase não se percebe, nem sei se era saudade 
Ou uma fantasia triste, cheia de vazios, sem verdade

A saudade de hoje é diferente, não caberia num verso,
Uma saudade completa, com rosto, nome e sobrenome
Feito uma história infinda como fosse um universo

Dessas em que o pranto se faz fonte, molha o rosto,
Faz cicatriz na alma, faz que se sinta dor sem querer
É uma saudade diferente, que fica enquanto se viver

José João
07/02/2.026

Por trás da poesia...

 Hoje, não quero saber de tristezas, nem... ser poeta
Eles têm a mania de contar saudades, doídas e tristes
Até convidei a tristeza para vir tomar café comigo
Lhe contei tantas piadas, ela ria, fiquei seu amigo

Fiz a tristeza ficar alegre, ela até chorou de alegria
Também me contou piadas e ela sabe de algumas
Aquela da saudade, que não era saudade era fantasia
Ela, a tristeza, contava as piadas e ela mesma ria

Até fofocamos um pouco, a tristeza sabe de coisas!!
Contou segredos da solidão que, juro, nem eu sabia
Disse que algumas vezes alguém quer sonhar sozinho
E ela vem, ardilosa, matreira, chegando de mansinho

Pois é, fiz a tristeza rir, contar coisas que não sabia
Até ficamos de nos encontrar eu, ela e a alegria
Agora, convencer essa a se encontrar com a tristeza...
Mas um encontro informal, sem poetas e nem poesia

A tristeza, num surto, deu altas e gostosas gargalhadas
Acreditem, quase nem conseguia respirar de tanto rir,
Me olhava e ria. Via nela um semblante descontraído 
Ela disse: Nunca tinha feito isso, que bom ter aprendido!!

José João
07/02/2.026

O que faz um adeus!

 Lá longe, céu e mar e um caminho feito de sol,
Ainda mais longe, uma lembrança e uma saudade,
Aqui, bem perto, apenas um vulto entre lágrimas
E eu?! Alguém a quem um adeus tirou a liberdade.

Flutuo entre os restos de mim que sobraram e, vou
Catando pedaços de sonhos, de lembranças perdidas
Pedindo clemência em orações que alma ainda reza
Para que o sal do pranto lhe cicatrize todas as feridas.

Rabisco palavras soltas, escrevo palavras sem sentido,
Olhar pedido no tempo, como se nada tivesse para ver
E vou, entre o nada e os vazios que se fizeram paisagens
E me contam em silêncio o que agora me fizeram ser

Poesia sem versos, sem rimas, sem nada para contar
Como fosse uma folha cheia de imagens desencontradas,
Traços que se cruzam, se perdem sem nada para dizer,
De mim, só as marcas do pranto... no papel desenhadas

José João
07/02/2.026

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Que estranha maneira de amar!!

 Muito estranha essa maneira de minha alma te amar
Chora, é feliz, sente medo, passa horas pensando em te
Rio sozinho numa sublime loucura, olhos lacrimejam
Quando lembro dos momentos que só contigo vivi.

Muito estranha essa maneira de minha alma te amar
Amor ou loucura?! Uma vontade louca de estar contigo
Um sorriso me lembra o teu, uma voz lembra a tua voz
Qualquer brisa que me acaricia faz lembrar... de nós

Essa minha alma!! Essa estranha maneira de te amar!
Me faz homem, me faz menino, me faz seguro de viver
Me deixa inseguro, até por ser feliz... me faz chorar

Essas lágrimas alegres me pintam o rosto com ternura
Faz que eu veja o mundo mais belo e por nada cantar
Que estranha maneira é essa de minha alta te amar!

José João
06/02/2.026

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Amor e amar... ser e ter

 Aquele sentimento que te transforma até a alma,
Mostra a força que és, até mesmo quando choras.
O sorrir, o chorar, ficam tão comuns, tão natural
Refaz o gostoso sentir como se tudo fosse agora

Andas como se sobre nuvens, sonhos coloridos,
Musicas divinas são ouvidas em qualquer silêncio
Assim vai o pensamento, solto, a qualquer lugar
Rindo, chorando de alegria pelo milagre de amar

Saber-se que se ama é como se amar fosse viver.
E ir no tempo que se faz inocente e florido caminho
Rabiscando-se versos sem nunca se sentir sozinho

E agora? Onde guardar tanta emoção, tanto carinho?

Tudo de amor se guarda na alma, sempre cabe mais,
E mesmo sendo o amor quase do tamanho do céu
Radiante a alma grita: me ama, o amor nunca é demais

José João
05/02/2.026

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Só... mas não tão sozinho.

Não vou pedir amor, ficar mendigo de migalhas.
                          Estender as mãos pedindo restos. Não, não faço.
Não vou mendigar um pedaço de olhar perdido,
Que nem foi pra mim, nem vou pedir restos
De palavras que ficaram perdidas, soltas no tempo
Sem que  ninguém quisesse ouvir. Prefiro estar só.
Tenho minhas lágrimas que, carinhosamente,
Afagam meu rosto nos momentos mais tristes,
Minhas mãos que acariciam minha fronte
Quando meus pensamentos se vestem de loucura,
Minha voz, mesmo reticente, cheia de soluços,
Sussurra canções que o tempo me traz e me perco
A ouvi-las com a alma... cheia de encantamento,
E meus olhos! Mesmo lacrimejantes, vão buscar
Sonhos que nunca sonhei, vão buscar imagens
Que a esperança pinta pra mim em tons de verde.
E, finalmente, a saudade, mesmo de quem não sei,
Mas se veste de senhora, elegante, vestido longo,
Branco, esvoaçando ao vento, cabelos brincando
De dançar com a brisa, sorrindo como se me dissesse:
Te amo. Assim...não vou pedir migalhas...
Mesmo estando só...mas não tão sozinho.

José João
04/02/2.026

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dois poemas

 -  Dou-me a pensar na beleza da poesia!
 Primavera é uma poesia, colorida e bela
 O que, com doce inocência, ela diz nos versos?
 Pintada por meigas mãos divinas de um artista
-   Indo até onde o pensamento alcança, e mais
  Assim, são primavera e poesia, duas orações
-  São também ladainhas rezadas pelos corações

-  Poemas ou poesias... palavras e emoções
Pétalas em rimas coloridas a gosto por um artesão
-  O que, a mim importa? Palavras veem da alma
E enfeitando a imaginação dos gentis amantes
-  E as duas, juntas, se fazem apenas um despertar
Que às suas amadas oferecem belas flores e poesias
- Maior que apenas ser... mais que apenas estar
É fazer-se presente num coração disponível para amar
Assim, muito além do tempo vai a poesia
E vão, poesia e primavera sempre fazendo lembrar
Sem se importar com tempo vão... fazendo sonhar

José João
02/02/2.026

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O silêncio... parece um pedacinho do céu,

 Ah! O silêncio!! Parece ser um pedacinho do céu!
Onde você ouve com a alma o que ninguém pode falar,
Até sua imaginação criar um canto de inspiração divina
Que vem com inocentes sonhos que só você pode sonhar

No silêncio, você dorme como criança e até ri sozinho
Faz o que quiser, o silêncio dá a liberdade de ser você
De voar por horizontes distantes, apenas contigo mesmo
Voltear no tempo, rindo por rir, indo sem pressa, a esmo

O lugar mais perfeito, só você sabe o que faz e onde está
Esse silêncio! um lugar belo, cheio de coisas, todas suas
E nele cabe tudo que se quer dizer, sentir e até sonhar

Ele é mudo, só te ouve, sem que precises de palavras,
Sereno, paciente, sempre gentil deixa que fales a vontade
Faz ouças a te mesmo, por isso te mostra tua própria verdade

José João
30/01/2.026




O silêncio como voz e lugar para nós dois

 Senta aqui, ouve comigo o silêncio de nós dois.
Deixe que ele nos fale de nós para nossas almas,
Elas entendem o que é dito sem precisar palavras
Apenas ouve o silêncio contando o antes e o depois

Senta aqui, pertinho, no colo dessa tamanha saudade
Que a mim faz parecer que é de ontem essa ausência
Até o perfume ela traz como se estivesses bem aqui
Dando a certeza de que sejas a minha maior verdade

Deixa que o silêncio grite por nós nossas vontades,
Que se faça eco em nossos corações, que a distância,
Ou o tempo faça, de nós, história para a eternidade

Onde estamos? Juntinhos, embora não estejas aqui,
Mas que pode haver, no universo, mais forte que amar?
O silêncio se faz voz e lugar para podermos, juntos, ficar

José João
29/01/2.026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A alma ouve a voz do silêncio

Como as palavras atrapalham a voz do silêncio!!
Não se pode ouvir sua meiga voz nos falando na alma,
Não se pode ouvir as canções que o pensamento canta
Dessas que entram no coração e à tristeza ela espanta!

Deixem-me ouvir meu silêncio como fosse uma oração,
Como fosse silencioso clamor pedindo o que nem sei,
Sonhando com verdades que ainda não foram vividas
Ou fazer do silêncio ladainha rezando pelo que pequei

Vendo os pássaros em volteios no silêncio do espaço
Sentindo o perfume das flores silenciosamente indo,
Sem alarde, mostrando o perfume num espaço infindo

Palavras, só quando for preciso escutar com o ouvido
Coisas banais que quem está só não tem porque dizer
A alma ouve a voz do silêncio. Ouvir palavras? Duvido

José João
29/01/2.026 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

No silêncio do entardecer.

Caminhando no silêncio de um colorido entardecer
Em que o pôr do sol parecia uma gravura sem matriz
E o tempo, se deitava sonolento, no quase anoitecer
Dando, à beleza do momento, um leve brilho de verniz

O dia andava lento, sem pressa, como sabendo onde ir
E eu, caminhando atento, ao cantar silencioso da tarde
Que mudava de cor mas se fazia docemente perfumada
Parecia um sonho, desses que a alma sonha acordada

 Momento perfeito para sentir o gosto de uma saudade,
Para sentir o sal do pranto temperando cada sussurro
Como se esse gosto fosse a confissão de uma verdade

Os olhos fechados veem detalhes ainda não esquecidos,
O vento no rosto parece carícias um dia tanto sentidas 
Aí a alma chora pelas tantas emoções um dia vividas

José João
27/01/2.025

Sou descendente de bravos. Não choravam... lutavam

  E eis-me aqui, de pena em punho e a valer-me disso.
Meus ancestrais a mim disseram: Luta, luta e luta
Nunca peça favores, mostre a força de um povo
Que desde o navio negreiro já ousava essa disputa

Falavam: entre nós também tem quem nos prenda
Mas a vocês, descendentes de guerreiros, ouçam:
Não chorem. Não peçam clemência, apenas lutem
Sejam fortes, não se dobrem nem aceitem prenda

Tenham orgulho daqueles que vieram de além-mar,
Amarrados, sofrendo dores atrozes, mas sem chorar
No desespero de quase morte havia uma esperança:
Que nossos descendentes haveriam de nos honrar

Mostrar, com vigor, onde a humanidade começou
Olhar nos olhos de qualquer um sem nenhum temor
Façam que lhes vejam fortes, altivos e não fracos
Sejam bravos, façam que lhes chamem de senhor

Cabe, caros ancestrais, dizer: Guerreiros ouvi-me.
Ouvi-me: "a vida é combate que os fracos abate, 
Que os fortes e bravos só faz exaltar"
Então, lutem. NÃO LHES PERMITIMOS CHORAR

José João da Cruz Filho
Negro e nordestino (Maranhão)
27/01/2.026

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A arte de dar beleza ao absurdo

 Não vão acreditar mas... não importa, é a poesia
Que me faz ir nas estrelas nas asas de um pássaro,
Fazer aviõezinhos de papel e viajar pelo horizonte
Brincar de costurar no tempo pedaços de fantasia

Sou quem pinta a primavera, sem tinta só com cores
Corro nos campos traçando caminhos para o vento,
Faço rastros em veredas desconhecidos, de pedras
E deixo que os versos, às minhas coisas fiquem atento

Junto nuvens esparsas e delas faço graciosas pontes
Que atravessam florestas, jardins chegam nas fontes
De água cristalina que brilham ao céu com diamantes
Refúgio distante, donde sonham apaixonados amantes

Converso com o tempo como me fosse velho amigo
Ouço o milagre divino do mais belo gorjeio mudo...
Riem de mim, me chamam de louco, dizem que minto
Não sabem que poesia é a arte de dar beleza ao absurdo?

José João
26/01/2.025

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Em quem no silêncio da leitura a alma grita?

 Esses poemas que fazem viajar sem se sair do lugar,
Que a mente humana dá vida, e até se põe a sonhar.
Quem são os que se entregam a ler como fosse viver?
Que fazem das metáforas misterioso lugar para estar?

Quem são esses que no silêncio da leitura a alma grita?
E voa, e vai, e ele, pacientemente sentado, se sente ir
Se entrega todo e pleno num sonho que ele cria ao ler
Se foi outro que escreveu, não importa, ele quer sentir

Quem sabe sonhar os sonhos dos outros e fazê-los seus?
Quem busca, nas linhas de um verso, se sentir todo ali?
Que prazer quando dizem: parece que escreveu pra mim!

Como é bom fazer alguém sonhar com nossos sonhos!
Saber que bem ali, no desconhecido mundo lá de fora,
Alguém, no regozijo da alma, lê um poema teu agora.

José João
23/01/2.026

Para não sentir solidão ... eu me basto

 Eu? Sou tantos. Sou desde um jovem que não esqueço,
De um rapaz de tantos sonhos, um senhor que soube amar.
Sou os tantos "eu" que viveram em mundos tão diferentes!
Hoje não sei o que é solidão, embora ainda saiba chorar

Para não ter o vazio da solidão eu me basto, me busco,
Trago de volta o jovem que brincava, alegre, de amar
Converso com o rapaz dos sonhos e lembramos juntos,
Busco o senhor que soube amar, de histórias para contar

As vezes conversamos juntos, mostro meu novo rosto,
As marcas do tempo escondendo cada um dos que já fui
Contamos histórias antigas que o jovem nem lembra mais

Por vezes é tanto para nos contar que um atropela o outro,
Conversamos sobre prantos, saudades, doloridos adeus
As vezes sou eu o chato, por ser mais velho, falar demais

José João
23/01/2.026

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

As vezes nem sei se senti ou inventei.

Eu?! Vou por aí, tecendo saudades com fios de solidão,
Juntando cacos de sonhos perdidos e colando com prantos,
Cerzindo pedaços completos de mim com coisas do coração
Buscando gemidos chorados e deles fazer um triste canto

Que conte minhas histórias, dores e alegrias que já vivi
Conte as angustias, todas ainda guardadas dentro de mim
Vou, esculpindo no rosto as marcas do que um dia senti
São coisas da vida ainda bem que tenho como viver assim

Que triste seria e que dor choraria não fosse eu esse artesão?!
Juntar cacos de sonhos e colar com prantos enfeitam a vida. 
Pedaços de mim cerzidos com coisas do coração saram feridas

Assim, vou por aí fazendo de canção meus gemidos chorados
Esculpindo no rosto triste, caminhos de lágrimas que chorei
E fazendo poesias de coisas que nem sei se vivi ou se inventei

José João
21/01/2.026



Quem dera meus versos expressassem tua perfeição!

Hei de fazer-me, e te juro, cativo e fiel servo
A fazer-te oração divina em que possa rezar-te
Oração única, de palavras santas, do céu acervo
Te vestir com pedaços de céu, apenas por amar-te

A ti, farei poesias com divinais rimas douradas,
Com versos que expressem essa toda tua perfeição
Que te seja o caminho, chão de pétalas perfumadas
E que te reze sempre na mais verdadeira contrição

Que em mim te seja dado o mais perfeito espaço
Dentro de uma alma carente de Ti, que nela habites
Ao teu prazer, que te guardarei sem nenhum cansaço

De Ti farei meu alicerce vivo a contentar-me contigo
Fazer-te de minha luz a iluminar-me sem que eu peça
Que me dês a  doce alegria de... sempre estar comigo

José João
21/01/2.026

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Teus rastros

Ainda hoje vou por caminhos perdidos e até não sei
Onde me levarão, talvez me levem para mais longe
De todas as estradas e horizontes que um dia andei
Talvez me levem para além dos sonhos que já sonhei

Sigo por ruas, estradas, veredas, labirintos perdidos
Cheios de solidão por mim levada no peito em chama
E a angustia a brincar comigo, insiste e nem mais ligo
Em perguntar se esta dor é oração ou é só castigo

Sol a pino, até sombras no chão se deitam pelo calor
Que queima o tempo, queima a alma que chora a dor
Da ausência tão sentida que nem a morte lhe é temor

Caminhos tem, tantos, e tantos mais pra poder seguir
Os rastros que a saudade por compaixão deixou ficar
Teu perfume que o tempo, ao vento, não permitiu levar

José João
20/01/2.026

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Essas fantasias que sonhei!!

 Sem que queira dou-me a sonhar doloridos sonhos
Que me fazem perguntar, em velada súplica, porquê?
Eu, que já sonhei venturosos sonhos por divino ser,
Agora, a mim é imposto, sonhar o que não quero ver

Que castigo, a mim foi dado, por pecado que nem sei?!
Porventura, os sonhos que sonhava não eram os meus?
Que triste dor é essa agora! Perder o encanto do sonhos
Por acaso, será que os sonhos que sonhava eram os teus?

Mas como ser teu os tantos sonhos que sozinho sonhei?
Eu que vivia as noites inventando histórias para sonhar!
Não pode ser teu os sonhos que sonhei, nem te conhecia

Mas, pensando bem, o que agora a mim sonhar importa?
Nem sei se foram sonhos ou o destino por cruel ironia
Fez que parecesse sonho o que na verdade era fantasia

José João
19/01/2.026

Contemplação

 Mais que ver, é contemplar, a beleza natural oferecida.
A divina mudez de quem não precisa falar para ser belo,
O rio, que vai deslizando lento sem paradas, apenas indo,
Tropeçando nas margens, aqui e ali, mas sempre rindo

O vento, que vai correndo como se tivesse longas pernas,
Sempre indo em frente, furando as cercas dos quintais
Se algo lhe toma a frente, para, não volta, espera para ir
Assim como rio, tropeçando nas paredes mas sempre a rir

As flores, lindas, belas e perfumadas enfeitando jardins,
Se movimentam se o vento lhes vier tira-las para dançar
Aí, matreiramente, elas o encharcam  com seu perfume
E lá vai ele, vestido em roupa de gala, ao tempo perfumar

Não vejo, comtemplo a beleza muda que ninguém quer ver,
O chão, empurrando meus pés para que eu nele possa andar!
É muita humildade! A mudez daquilo que nos permite viver,
A beleza invisível do sentir encher o peito e, livre...  respirar.

José João
19/01/2.026

domingo, 18 de janeiro de 2026

O deserto de quem nunca amou.

 Ontem, hoje, amanhã... tudo é igual para quem nuca amou,
Sem saudades, vazio, a alma triste sem ter o que lembrar.
Nenhum detalhe de um beijo, de um aceno de um até logo,
Triste! Sem qualquer lembrança para, pelo menos, chorar

Os dias se fazem iguais! Até as flores perdem o encanto
Tudo passa como se estar vivo fosse apenas... existir
Como pode alguém viver sem saber o que é o pranto?
Alma vazia, sem o prazer de um dia ter-se  feito sentir

Sem um sorrisos para sorrir, sem sonhos para sonhar
Largado na imensidão do tempo sem história para contar
Olhos tristes, vazios, perdidos, sem lágrimas para chorar

Viver sem nunca ter ouvido um: eu te amo, não é viver
Sem nunca ter dito um: eu te amo, é quase um morrer
É vagar no silêncio do vazio estando vivo sem saber

José João
18/01/2.026

sábado, 17 de janeiro de 2026

Orações que as lágrimas rezam comigo

 Se não encontro palavras para dizer o que sinto, choro.
A lágrima é a oração mais verdadeira que se pode rezar,
É o clamor sincero de um coração aflito que, em silêncio,
Conta sua aflição, chora sua dor e aos céus pede perdão

De que me valeriam, nessa hora, tantas palavras faladas?
Quantas vezes, para tanta angustia, se fazem tão poucas?
Ficam presas num pensar que elas não traduzem, calam
Assim deixa a alma, pelas palavras sufocadas, quase louca.

Minhas lágrimas, meus prantos, se fazem orações só minhas
Em que apenas eu escuto o que rezo, conto meus lamentos,
Assim, para cada dor ou aflição, invento uma nova ladainha

Elas, as lágrimas, se derramam em mim como acalanto,
Acariciam meu rosto, num derrama-se terno, doce e lento
Cantam alto, como fossem delas, as ladainhas que invento

José João
17/01/2.026

De uma lágrima... fiz uma oração para chorar.

 De uma lágrima no rosto fiz uma oração para chorar
Uma saudade. Deixei que fosse salgar os lábios,
Ouvisse seu silêncio  rezando mudo uma ladainha
Escondendo atrás do pranto uma dor que é só minha

Escrevi com lagrimas e prantos, versos perdidos
Em alguns as rimas se faziam cor no fim do verso
Em outros, as palavras se perdiam voando soltas
Nesses, elas se faziam vazias como palavras rotas

E tudo se fazia história a ser escrita sem eu saber,
Se eram verdadeiros os tantos soluços que fugiam
Dos lábios, e iam convictos de que isso fosse viver

E a saudade, que uma lágrima chorava em oração,
Se perpetuava na cicatriz ainda viva da pobre alma
Que ajoelhada, contando seus erros, pedia perdão.

José João
17/01/2.026

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

E anjos têm coração?

 Não sei o que aos anjos fizeste que me obrigam sonhar-te,
Então, me entrego a buscar-te no tempo como fosses divina
Fazem até que invente orações com teu nome para rezar-te
Que aos anjos fizeste para louvar-te ser uma obrigação minha?

A mim fazem que sejam apenas teus, pensamentos e desejos
E dizem, até surpreende a soberba, do prazer que é guardar-te,
Que te ponha sobre todos os sentidos e que a te seja cativo
Que me seja a sina de, por toda vida, adorar-te e ser passivo

Mandam inventar palavras, dizem que estas são muito poucas
Diz-me que fizeste ao anjos? Porque essa tanta adoração?
Juro, não sabia, que os anjos amam como se tivessem coração!

Até me dizem palavras que não sabia, não sei de onde tiram
Só sei que as vezes fazemos poesia juntos, serão anjos poetas?
Desses que, não sei por qual razão, fazem do teu nome oração. 

José João
15/01/2.026

Alguém tem aí um retrato da saudade?

 Alguém por aí tem algum retrato da saudade?
Você tem? Ah! uma foto da saudade? Nem tento.
Quero um retrato. Qual a diferença?! São iguais?!
Não, não são. Fotos são vazias sem a cor do tempo

Vejam, o retrato, só por ser retrato, já fala de saudade
O peso do tempo, amarelado, com sorrisos antigos.
Fotos são de ontem, tem cor mas não tem... encanto
O retrato não. São lembranças que vêm com o pranto

Alguém tem algum retrato? Uma lágrima no olhar,
Um sorriso, que desde muito está apenas no retrato,
Um retrato!? É aquela emoção que revira a alma
Que os lábios se confundem entre sorrir e chorar

Os retratos! Fazem que se sinta vontade de abraçar,
Seu silêncio é um grito que só a alma pode ouvir, 
Faz que o pensamento vá buscar sonhos para sonhar
E traz sentimentos que nunca mais se pensava sentir

José João
15/01/2.026