quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Deus, a dor e o poeta

Por mim, meus olhos choram frias lágrimas
E recitam versos que só a dor faz escrever
Calo no silêncio que a solidão em mim produz
E chamo a saudade,  doce amante que me seduz

Escrevo versos que nem sei de onde vêm.
Nos prantos, que a alma chora com meus olhos,
Escondo sorrisos que um dia, juro, já sorri
E nas entrelinhas dos versos conto o que vivi

Chorei dores, tantas, que nem sei como contar
Mil poemas escrevesse seriam poucos pra dizer
Essa angustia tão doída e dores assim tão sentidas,
Chorando orava aos céus em orações não ouvidas

Me sentei ao pé do tempo imaginando o porque,
Porque o amar sem tino traz assim tanto sofrer?
Porque será, Meu Deus? Diz-me a mim, agora peço
Porque disseste um dia que é o amor que faz viver?

Não quero contradizer ao que no mundo ensinaste
Mas me ver assim aos prantos, somente porque amei
Me vem,  e até te peço perdão, pelo que eu falei,
Foram blasfêmias que disse, como orações que rezei.

Mas que queres? Olha-me e à minha pobre alma!
Correndo entre vazios para se esconder da tristeza,
As vezes uma palavra que ela, a alma, pensa ouvir
Fica atenta, muda, imóvel, mas cheia de incertezas

Porque há muito tempo quando sonhos a povoavam
Sonhos coloridos pintados com as cores da natureza
Ela, aos pulos, gritava ao tempo, gritava ao mundo
Sua euforia, sem nunca pensar da vida tanta crueza

Por isso te pergunto, oh Deus! O que a mim fizeste?
- Ora, porque perguntas, filho? Não percebestes ainda?
Te fiz que saibas amar e sofrer, em poesias completas,
Que Deus Eu seria se não deixasse a dor para os poetas?


José João
07/12/2.017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O silêncio que mais me dói.

Hoje não preciso ouvir nem dizer nada... nada,
Precisava apenas sonhar, mas não tenho mais sonhos,
Meus sonhos se foram por aí perdidos, loucos,
Procurando nem eu sei o quê. Se foram como sonhos
Bêbados, tropeçando no tempo que se arrasta lento
Trazendo coisas que nem lembrava mais, até nomes
Que estavam lá dentro, bem no fundo do esquecimento.
Hoje me sentei na beira do tempo, ouvindo o silêncio
Passar aos berros gritando que ia buscar a solidão,
Sorri um sorriso triste, desses sorrisos que não
Se quer sorrir, mas o que importava? Tanto fazia,
Sorrir, chorar, só não queria ouvir nada, pra quê?
Pra me lembrar que a culpa de estar só, é minha?
Disso eu sei... me fazer sentir remorsos por todos
Os adeus que não devia ter dito? Também sei...
De não ter mandado as cartas que escrevi?
Disso também eu sei. Pra que ouvir outra vez?
Mas de tudo que não queria mesmo ouvir
Era aquele silêncio que até hoje dói mais que todos...
Foi quando minha alma gritava te amo e...
Deixei o silêncio tomar conta de mim...
Foste embora, esse é o silêncio que mais me dói.

José João
05/12/2.017



segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Sem lágrimas também se chora.

As vezes, mesmo sem lágrimas, chorar é preciso,
Quando a alma não aguenta mais tanta dor,
Quando a saudade não supre mais a ausência,
Quando a solidão não permite mais sonhar
E nenhum sonho vem para aliviar a angustia.
Os soluços que se vão ao tempo, levando
Nomes, histórias, brincando de fazer eco
Na tristeza mórbida que toma conta da gente.
Por vezes, os olhos tão secos por tão vazios,
Nem têm mais lágrimas para chorar, perdidos,
Se põem a tentar ver horizontes que nem existem,
Pensamentos chegam avulsos sem nada dizer,
Silenciosos como se pensar fosse pecado.
Dói para sempre um adeus dito em silêncio,
Sem acenos, sem lágrimas pela tanta dor.
Não sei qual de nós partiu ou ficou, só sei
Que o sentir é como se a vida se recusasse
A ser vivida, como se a tristeza fizesse viver
Sem se viver. Nessa horas é preciso chorar...
Mesmo sem lágrimas

José João
04/12/2.017

domingo, 3 de dezembro de 2017

Teu adeus me ensinou amar.

Agora que te perdi tenho todo o tempo do mundo
Para sentir tua saudade, chorar tua ausência...
Me perder em pensamentos vazios, tenho tempo agora,
A solidão me dá todo o tempo do mundo, as horas
Passam lentas, se arrastam com se quisessem
Deixar toda a tristeza aqui comigo, só pra mim.
Agora que te perdi é que te encontro dentro de mim,
Nessa loucura descabida de preencher esse vazio
Com essa tanta e tão doída saudade que deixaste.
Se há de haver eternidade num sentir tão intenso
Que seja a saudade a faze-lo infinito e eterno.
Agora que te perdi, não tenho mais medo de te amar,
Tudo, apesar da dor que sinto, ficou mais simples,
Não tenho mais medo de te perder, posso te amar
Como se minha alma fosse toda e apenas tua...
Só preciso aprender falar  baixinho comigo mesmo, 
Sem que ninguém perceba sem que ninguém escute,
Sem até que eu mesmo me escute... basta apenas
Que sinta... para sempre sem nunca me permitir
Que um dia não seja mais teu. Teu adeus
Me ensinou amar sem o egoísmo dos amantes... 
Amar sem pedir, sem querer nada de volta.

José João
03/12/2.017

sábado, 2 de dezembro de 2017

Meu risonho e fingido sorriso

Num deserto de solidão, cheio de sonhos mortos,
Passo os dias brincando, fingindo de fingir viver.
Reticentes suspiros misturados em tantos prantos
Se fazem orações que só eu e a alma sabemos dizer

Nossos gritos se perdem na imensidão do silêncio
Se calam, emudecem, como se a voz tivesse medo
De contar para o tempo essa dor que a alma sente,
Esse mostrar-se frágil, ausente, triste por tão carente

As vezes penso em fugir, vagar no tempo, apenas ir
Mas comigo irão, e bem sei, angustias e saudades
Porque são elas agora as minhas únicas verdades

Por vezes vem um sorriso e logo os olhos reclamam
Porque ris? Perguntam. Agora também vais cantar?
Deixem-me, diz o sorriso, é só assim que sei chorar


José João
02/12/2.017

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Eu, você e minhas noites

Como as noites ficaram longas, tristes e vazias!
Como as horas se arrastam, quase param, ficam,
Não passam mais, se espreguiçam manhosas
Deitadas dentro da solidão que, em silêncio, faz
A noite muda, cheia de nada, brincando triste
Com os sonhos que a tristeza traz, sem remorso,
Sorrindo até chegar o alvor do dia que quase
Não vem. Me deixo ficar dentro dessa demência...
Fecho os olhos pra te buscar, pra te encontrar
E... te encontro, mesmo dentro da noite,
Em cada horizonte que minha loucura cria,
As vezes te encontro dentro de mim... sorrindo,
Outras, te encontro brincando  com minha alma,
Fazendo uma saudade que não sei dizer...
Só sei sentir e chorar. E quando me vens sutil,
Parecida com pranto, acariciando meu rosto! 
... Me beijando com gosto de lágrimas!
Minhas noites são assim, te trazem nos sonhos
Que nenhum dormir me permite sonhar.

José João
01/12/2.017

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Como se ainda estivesses aqui

Vesti-me com tua saudade e me fiz completo,
Me entreguei a viver apenas por nós dois
Fiz que minha alma aprendesse ser a tua
E tudo fosse sempre sem existir um depois

Fiz da solidão um mundo e nele só cabe nós
Não é esse mundo triste, de solidão vazia
Mas povoado de te... repleto do que fomos
Onde nossas almas se fazem de terna poesia

Beijos em suspensão brincam como criança
Até hoje nos procuram nesse mundo só nosso
Mundo de solidão alegre cheio de esperança

Com sonhos brinco de enlouquecer o tempo,
Eles trazem saudades que parecem de ontem
Até como se estivesses aqui nesse momento

José João
27/11/2.017

domingo, 26 de novembro de 2017

Ainda lembro de nós

Confesso, choro em silêncio tua ausência
Talvez nem saibas! O que de mim te importa?
Nem sabes que esse vazio, essa tanta carência,
Para a tristeza invadir a alma se fazem portas
 
Algumas vezes tento ler as cartas que ficaram,
Tão antigas, tão frágeis, até com letras perdidas
Parece que o tempo e saudade lhes bordaram
Ou foram as lágrimas por tantas dores paridas?

Não me preocupo mais em esconder o pranto
Choro em qualquer lugar, não sei mais fingir
Quando faltam lágrimas choro com meu canto

As vezes me lembro dos tantos versos que fiz
Todos eles sorridentes como criança aprendiz
Que não sabe porque ri e nem sabe o que diz.


José João
27/11/2.017


As vezes... nem sei de mim

Há dias que penso não querer mais ninguém,
Quando sinto que a saudade me basta, me toma
Os sentidos, me completa quando vem contigo.
Há dias que acho que a solidão é companheira,
Chega toda e plena e em silêncio me faz passageiro
Do tempo para te buscar lá dentro da alma.
As vezes penso,  quando estamos juntos, sozinhos,
Dentro da saudade que te faz ficar dentro de mim,
Passando por sobre o tempo, distâncias e ausência,
Que somos uma poesia inacabada de versos infinitos,
Que contam nossa história nas lágrimas que marcam
Meu rosto e fazem caminhos dos olhos até além
Dessa tanta falta de te, até onde estás, até onde não sei.
As vezes murmuro teu nome como se cada letra
Fosse um pedaço de saudade, um pedaço dos sonhos
Que até hoje insistem em enganar meus olhos, coitados,
Loucos sem mais saber o que vêm, até dizem
Que a solidão tem a cor do vazio e a saudade
Da cor das lágrimas.... as que choro. Mas as vezes,
Desculpa ...me sinto tão sozinho!

José João
26/11/2.017

sábado, 25 de novembro de 2017

Não tenho saudades novas

Nunca aprendi dizer adeus, aprendi ouvir,
Ficava dentro do meu silêncio, mudo, sem voz,
Aprendi a chorar os adeus que tanto ouvia...
A senti-los na alma, a fazer-me sombra de mim,
A fazer que  ela chorasse em prantos doloridos,
Em soluços e murmúrios reticentes a se fazerem
Meus silenciosos gritos de angustia e carência.
Nunca aprendi dizer adeus, nuca tive voz 
Para tanto. Meus olhos fugiam em olhares
Distantes, covardes, buscando horizontes
Que nem existiam. Mas quantos adeus eu ouvi!
Alguns até hoje doem, machucam, ficaram
Como cicatrizes mal saradas que a alma tenta
Esconder dentro de saudades que me veem
Marcando o tempo, fazendo lágrimas novas,
Trazendo sonhos impossíveis de serem verdades.
Ainda sei chorar as saudades antigas, distantes,
Que me dizem de amores que vivi, de sonhos
Que sonhei. Dói muito, mas dor bem pior,
É saber que não tenho mais o que me faça
Sentir saudades assim...

José João
25/11/2.017

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Preciso de você

Preciso de você, muito mais do que precisei
Ontem, bem menos do que vou precisar amanhã.
Não importa a distância, eu apenas preciso...
Tanto... que te faço minha maior saudade
Para que possas estar sempre dentro de mim.
Engano a alma rezando baixinho teu nome,
Mergulho nos momentos que foram vividos
E assim, faço de cada um deles, um pedaço...
Completo de nós dois... preciso ficar atento
Quando o tempo te traz, lento, sem alarde,
No silêncio de um sentimento tão presente
Que o esquecimento não se atreveu a fazer
Esquecer. Te ponho dentro de todos os meus
Amanhãs. A saudade, minha amiga que é,
Não permite tua ausência, e como magia,
Quando ela vem, vem trazendo teu perfume
E rio, e choro, e grito teu nome ao tempo...
Preciso de você dentro dessa saudade
Para que não me faltes em nenhum amanhã.
Afinal... preciso viver.


José João

24/11/2017

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Os braços de minha saudade

Nunca escondi as tantas dores que sinto,
As lágrimas que choro por ausências
Que me encheram de vazios e angustias,
Sempre escrevi versos, alguns molhados
De lágrimas, outros encharcados de prantos,
As vezes um sorriso fingido, uma palavra
Que, nas entrelinhas, fingia-se verdadeira.
Nunca escondi essa saudade que sinto...
Que me vem desde a alma e me toma todo,
Tanto, que até os olhos gritam em silêncio
Nas lágrimas que choro. Minha saudade!
Tão bonita que criou braços coloridos,
Cheios de flores, apontando para o céu
Como se para ele rezassem uma oração.
Os braços de minha saudade parecem
Querer toca-lo, acho que em vã tentativa
De mostrar a Deus que existo, que choro,
Que sinto e que o clamor de minha alma,
São por eles levados ao tempo, no caminho
Do infinito, na beleza colorida das flores que, 
Inocentes, até alegram  a tristeza que choro.


José João
21/11/2.017

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Meu baú de relíquias

Revendo velhos guardados, meu baú antigo,
Cheio de relíquias, retratos amarelados,
As pessoas sempre com o mesmo sorriso,
Desde muito tempo, poesias inacabadas,
Cartas não enviadas, me encheram de duvidas,
Como estaria hoje se as tivesse enviado?
Cartas recebidas que não faziam mais sentido,
Mas em algumas delas, encontrei pedaços
De mim, encontrei sonhos, momentos
Já esquecidos. Encontrei até lágrimas novas,
Sim, lágrimas novas que me vieram aos olhos
Trazidas pela nostalgia, pela saudade...
Percebi o tempo que perdi, tanto foi minha
Falta de tempo que agora ele me faz falta.
Revendo meus guardados, chorei, sim...chorei
Senti falta dos carinhos que me ofereceram
E eu não quis, senti saudade dos beijos
Que não dei, senti uma angustia tão doída!
Tinha uma carta que dizia: ainda te amo...
Eu li e não ouvi, agora me doeu tanto...
Como será que ela está? Amando, será?
Eu estou aqui, nessa solidão que procurei
Pra mim...nunca mais abro esse baú...
Dói tanto!


José João
20/11/2.017


domingo, 19 de novembro de 2017

Não sei fingir chorar.

Me perdi entre minhas mentiras e medos
Contava pra alma histórias inventadas.
Pra ela, escondia meus tantos segredos
Em poesias que ficavam sempre inacabadas

Mentia nos versos contando o que nunca senti
E sorria sorrisos falsos no mais fingido brincar
Lia até estrofes que, na verdade, nunca escrevi
E sorrisos!! Quantos deles brinquei de inventar!

Inventei sorrisos, histórias, versos e poemas
Invetei até palavras que eu nem sabia falar
Mas as lágrimas... essas nunca pude inventar

Quando me vinham juntas saudades e dores
Quando o vazio da ausência faz a alma gritar
Aí é verdadeiro o pranto e... todo esse chorar.


José João
19/11/2.017


Quando a tristeza me fez sorrir.

Sempre, quando o silêncio de tua ausência
Me afoga em lágrimas,  a saudade me vem,
Traz com ela pedaços de sonhos, de momentos, 
Que insistiram em ficar guardados na alma.
Algumas vezes me faz murmurar teu nome
Como oração, a mais completa que sei rezar,
Outras vezes, quando a dor é bem maior,
São gritos desesperados, blasfêmias ditas,
Gritadas ao tempo como se pecar fosse preciso.
Ontem mesmo ousei perguntar pra Deus,
Porque ninguém me diz da dor que sinto?
Porque esse silêncio que minha alma ouve
Sem nada mais ouvir? Porque a solidão
Grita comigo onde quer que eu esteja?
Sem respostas, mas aprazou-me sentir
Uma lágrima triste, que a tristeza, alegre 
Pintava no meu rosto, encontrar nos lábios
Um sorriso, ela, a tristeza foi-se como louca
Entre os vazios, sem saber que nos lábios
Era um soluço se fingindo se sorriso.
Até eu ri...

José João
19/11/2.017


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Meus sonetos

Escrevo sonetos quando minhas lágrimas
São poucas e cambem em versos curtos,
Quando a saudade declama versos mudos
Quando o tempo e meu sentir se fazem surdos

Escrevo sonetos quando a dor brinca comigo,
Quando finge que é  tristeza, mas é saudade,
Vem sozinha, cambaleando em passos bêbados,
Se fazendo dor de chorar, mas... é só um arremedo

Meus sonetos, alguns inacabados por falta de mim
Outros, por vezes, nas entrelinhas gritam tristes
Coisas que, nem sei porque, ainda em mim existe

Mas se são poucas lágrima ou se a dor é menor
Se cabem dentro de um soneto que se escreve
Ele que se faça assim, livre, solto e leve.

José João
15/11/2.017



Noite

À noite, sob os acordes de uma canção silenciosa
E triste que a saudade canta dentro do peito,
As lágrimas, tal pingos de luar, brilham no rosto
Como divinos versos que a alma declama 
Em plena solidão, como se esta fosse o palco,
A inspiração e a ouvinte. O luar se derrama,
Carinhoso, sobre a relva, o vento brinca
De fazer dueto com o farfalhar das folhas,
A saudade se faz maior, traz uma ausência
Que sufoca, apesar do carinho da noite
Em trazer sonhos antigos e fazer sonhar
Sonhos novos. Me perco num devanear
Choroso, as vezes cheio de saudade de mim,
Outras vezes em sorrisos tímidos lembrando
O que já vivi e senti. Um raio de luar,
Passando por entre as folhas das árvores
Se chega perto de mim, e fica em silêncio,
Deitado comodamente me convidando
Para contar estrelas, levanto os olhos
E... lá longe, lá no alto, uma estrela cadente
Passa risonha querendo levar meus pedidos,
Mas só lhe contei meus segredos. Ah! Noite!
Sempre se fazendo espaço para a solidão
De cada um

José João
15/11/2.017
     

sábado, 11 de novembro de 2017

Coisas nossas que o por do sol nos conta.

Gosto muito de ver o alarde silencioso 
Do por do sol, de ver a efusiva melancolia
Das nuvens pintadas em cores mágicas
Por não existir tinta que possa imita-las.
Gosto de ver o sol brincando de brincar,
Sozinho,  lá no alto, com a solidão que,
Por milagre, não se faz dor, embora os olhos
Se umedeçam, tanto a nostalgia da hora
E de uma saudade que vem e não se sabe
De onde. Nessa hora, quando tudo
Parece divino, as lembranças vêm...
Algumas risonhas, outras arredias,
Sem querer chegar, para que lágrimas
Tristes não estraguem o momento...
Gosto de sentar na beira do tempo
Quando o dia, sonolento, se espreguiça
E um bocejar com jeito de brisa
Se estende sobre as horas, que lentas,
Parecem pedaços de versos invisíveis,
Contando segredos da gente pra...
Gente mesmo.

José João
11/11/2.017


Eu... me levando por aí.

Hoje saí por aí, procurando olhares
Que não me olham, tentando ouvir
Palavras que ninguém nunca me diz,
Saí tentando encontrar sorrisos
Que ninguém nunca me dá, até mesmo
Restos de sorrisos me serviriam...
Pedaços de sorrisos que ninguém quis,
Mesmo sorrisos falsos, ah! Quem dera!
Saí hoje por aí, passos pesados, trôpegos,
Tropeçando nos pedaços de sonhos
Que caim como caem as flores murchas,
Chorei entre tantos e... ninguém viu,
Sussurrava meu nome baixinho, 
Com medo de me esquecer de mim.
E andava, e ia, sem saber onde ir,
Apenas ia, outras vezes voltava...
Me perdia entre a multidão vazia...
Os sorrisos, se é que eram sorrisos...
Nenhum era pra mim, e assim fiquei
Fitando o vazio que a solidão trazia.

José João
11/11/2.017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Meu jardim de sonhos

Plantei um jardim de sonhos, tantos sonhos!!!
No começo foram regados com sorrisos,
(quando se ama os sorrisos são mágicos)
Depois, foi passando o tempo, os sorrisos
Foram murchando, ficando sem brilho...
Até que um dia ficaram tristes e se foram.
Mas os sonhos continuavam plantados,
Até plantei outros sonhos novos no jardim,
Precisavam ser regados, mas os sorrisos,
Os sorrisos mágicos tinham ido embora.
Um quase desespero tomava conta de mim,
Como regar meus sonhos? Coitados...
Iam ficando tristes, lentamente iam 
Ficando murchos, foi  quando a saudade
Dos sorrisos mágicos me tomou todo,
Mas era uma saudade triste, angustiante,
No começo apenas umedecia os olhos,
Mas depois se fez lágrimas, depois prantos,
Tanto que hoje rego o meu jardim de sonhos,
Com prantos que a saudade me ajuda chorar
Com a esperança que um deles se faça verdade


José João
10/11/2.017


Champanhe... merecemos

Champanhe, champanhe para brindar o hoje,
Champanhe para brindar a ... mim mesmo.
Hoje me fiz arte, me fiz poesia, me escrevi
No tempo. Dos ontens fiz versos completos,
Do hoje me faço história recente e viva,
Para o amanhã me faço sonhos, sonhos bêbados,
Impossíveis, mas cheios da vontade de sentir
O gosto de amores que nunca vivi, só sonhei.
Hoje saímos nós dois, caminhamos sem rumo,
Contando histórias malucas de nós mesmos,
Rimos, choramos, lembramos de coisas antigas,
Já quase perdidas no tempo, mas hoje? Hoje...
É um dia especial, dia de lembrar saudades 
Que senti a tanto tempo, mas que me seguem,
Uma, de cabelos bem brancos, me olhou
Dentro dos olhos, me deu um terno abraço 
E perguntou: lembras desde quando estamos
Juntos? Lembras que quando eu era jovem
Tu choravas quando me sentias? Hoje, querido,
Fazemos aniversário, champanhe pra nós dois.


José João
10/11/2.017

Um dia especial pra sentir saudade

A chuva lá fora canta uma canção triste.
Uma saudade muda, com gosto de lágrimas,
Corre de dentro da alma e chega aos olhos
Esculpida em lágrimas, o pensamento
Corre solto, quase voando,  buscando
Momentos que ficaram para  trás, pedidos
Dentro de quase apagadas lembranças.
Uma mistura de angustia com carência
Me faz sonhar sonhos impossíveis.
Me apego em buscar palavras que nem sei
Se cabem na poesia, procuro rimas em versos
Soltos, que ficam reticentes como se a poesia
Estivesse soluçando uma dor que não sabe
Escrever, ou não cabe nela por ser maior
Que os versos, que a saudade, que o tempo.
Num murmurar demente, balbucio um nome
Que nem escuto, apenas sinto e ...as lágrimas
Se preocupam em escreve-lo no meu rosto,
E lá ficam, como fossem um grito que,
De dentro da solidão a alma grita dizendo:
Te amo ... e, de joelhos, cai aos prantos.


José João
10/11/2.017


sábado, 4 de novembro de 2017

Não sei que dor é essa...

Não sei se é saudade o que sinto, desde a alma,
Mas sei que dói, é uma dor de chorar, gritar,
Correr, mesmo que saiba que em qualquer lugar
Será o mesmo sentir. A angustia se faz tanta,
Que apenas chorar não basta, a solidão,
Grita de dentro mim, repetindo sempre
Que não faço falta pra ninguém, silêncio, 
Só meus soluços me buscam em tempos
Em que eu era eu e, agora, no vazio 
De mim mesmo, me procuro onde nem sei
Se estou. De longe, de um sonho distante,
(Nem sei como se guardou por tanto tempo!)
Pedaços de ontens chegam tímidos, arredios,
Como se tivessem medo de chegar
Porque ainda estão cheios dessa carência
Que, ainda hoje, me deixa dentro do nada
Que sufoca, cala a voz, mata os amanhãs,
E faz tudo assim... triste

José João
04/11/2.017

É melhor brincar de chorar

Hoje quero brincar de chorar, sim brincar...
Assim engano a alma, faço das lágrimas
Brinquedos, como pedaços de luz
Correndo dos olhos, como palavras
Que voam ao vento brincado de contar
Histórias de amor, como: era uma vez...
Uma saudade parida por um adeus
Que não era para ser dito. Uma lágrima
Silenciosa escorreu pelo rosto e riscou
Um nome que a alma gritava em vão,
Um soluço, tal um grito, rasgou o silêncio
E em frenesi entrecortava as palavras
Num incontido esforço de se fazer voz.
Um murmúrio que só o pensamento
Podia ouvir, soletrava, entre prantos,
Um nome, assim como se rezasse
Uma oração. As mãos como em súplica,
Se abriam na direção do céu como se lá
Chegasse seu clamor e... no silêncio
Da resposta que não vem, só resta...
Brincar de chorar.


José João
04/11/2.017


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Nem sempre amar é ... sorrir

Um dia, alguém chorava em minha frente
E as lágrimas eram tão tristes... tão tristes
Que nem vi a cor dos olhos que choravam,
Vi apenas a dor da alma que parecia 
Se contorcer em dolorida convulsão, 
Pedindo, com os tantos prantos, apenas
Uma palavra, um abraço um sussurrar
De: estou aqui. Ah! Essa minha alma!
Também carente, se propôs chorar junto
E chorou, com lágrimas vivas a outra dor.
E juntas, abraçadas naquele doloroso
Sentir, não viam cor, apenas se entregavam
Sabendo que as lágrimas se misturavam,
Se abraçavam num inocente abraçar,
E as almas pareciam mais alividas
Se faziam uma só, sem medo, sem temor,
Sem se olharem com os olhos, tão poucos!
Preferiram se tocar com a plenitude
De suas existências. Até que um dia...
Outra vez as lágrimas, mas dessa vez,
A saudade não era doída, era só mesmo
Saudade, e as lágrimas se misturaram,
Mas sem dor, ficava um pedacinho de cada
Coração dentro do outro...


José João
30/10/2.017.


Pelas lágrimas?! Seria eterno

Há como se medir a vida... a minha o fiz
Pelos tantos adeus, pelas tantas saudades
Sentidas, um dia pensei em medi-la
Pelas lágrimas choradas, me surpreendi,
Se assim pudesse e fizesse... seria eterno,
Chorei quase todos os adeus, quase todas
As saudades. Minha alma brincava de fingir
Se fazendo em risos, mas coitada, tão falsos
Que não enganava nem a mais sutil tristeza,
A menor das angustias percebia o seu fingir.
E... as lágrimas vinham, algumas brilhantes
Enganadas pela alma que a elas dizia...
É só uma saudade. Outras vinham frias,
Tristes, preguiçosas, como se meu sentir
Lhes fizesse lentas para mais encharcar
Os olhos, para chorarem realmente a dor
Que a alma chorava, outras vinham 
Finos fios a caírem  no rosto como regatos 
Cristalinos que chora a falta de chuva, 
Outras vinham como correntezas, eram 
Tantas lágrimas que sufocavam até a voz. 
Foi aí que vi...se medisse a vida por lágrimas,..
Seria...eterno

José João
30/10/2.017



Tua ausência...minha loucura

Nos meus sonhos, loucos sonhos, trazidos
Por essa carência mórbida e tão doída,
Dessa tanta falta de ti, dessa ausência
Que me toma todo, e me invade a alma,
Nas manhãs, acordo, acaricio teus cabelos,
Te beijo a fronte, te admiro toda e cuido
Para que teu sono, que te faz parecer criança,
Te traga sonhos, belos sonhos e... choro...
Não estás, me vejo sozinho quando desperto,
E. nessa minha loucura, te vejo sempre,
Até nos detalhes, como cobrir teu corpo
Nas manhãs frias e tu, tão inocente, linda,
Dormindo como se anjos guardassem
Teu sono. Até meu respirar se fazia silêncio
Para não espantar teus sonhos, hoje...hoje
Essas imagens me vêm, nítidas, do tamanho
Dessa infinda saudade que me toma,
Desse vazio de dentro de mim, dessa vontade
De gritar, até blasfêmias, pela angustia
Que me faz que viver seja apenas...chorar.

José João
30/10/2.017

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Hoje, chorei sem lágrimas

Hoje, o que queria mesmo era apenas 
Algumas lágrimas, nem precisava 
Que fossem muitas, não precisava que fosse
Pranto, me bastariam algumas lágrimas.
Mas elas, parece, se esconderam de mim,
E assim, a dor dessa saudade se faz mais doída,
As lágrimas me serviam tanto! Aliviam a dor,
Mas ontem, acho, chorei todas elas... todas...
Por tão forte ter sido a dor dessa saudade
Chorei todas elas, chorei aos gritos,
Gritei gritos estridentes no silêncio de cada
Lágrima que, suave, saía dos meus olhos
Para molhar a saudade que doía tanto...
Hoje me sinto vazio, de mim e de lágrimas,
Os olhos, em triste procura do que nem sabe,
Dançam irrequietos buscando imagens
Que se perderam no tempo e ... hoje...
Mesmo sem lágrimas, continuam chorando,
Gritando teu nome como oração divina,


José João
26/10/2.017


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Confissão?! Não sei

Desculpa se as tantas vezes que te disse
Te amo foram poucas. Se meu olhos
Não souberam dizer, gritar, tudo que minha
Alma sentia. Ela se entregou tanto a te
Que até esqueceu meu nome. Desculpa, amor...
Se não sentias meu coração gritando, 
Num louco pulsar, quando estava contigo,
O suor frio a me percorrer o corpo, os arrepios
Quando estavas perto, e minhas mãos?!
Trêmulas, ansiosas mas... tímidas, assim
Como se tocar em te fosse profanar teu corpo.
Desculpa se te amei tanto e não percebeste,
Foi minha culpa. A vezes somos tão pouco
Que nos damos todo e ninguém percebe...
Te confesso que nem sorrir com meu sorriso
Eu sabia mais, tinha que ser com o teu...
Meus sonhos! Mas que meus sonhos?
Sonhava os teus sonhos e os meus, juro,
Sonhava contigo. Desculpa,  amor...
Se te amei tanto e...não soube te dizer.


José João
19/10/2.017




quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Pedaços completos de saudades

Sentado dentro de uma solidão teimosa,
Com a tristeza fazendo festa em volta de mim...
Com uma angustia como se chorasse comigo
A perda de sonhos que se foram por aí,
Sem rumo, perdidos, levados por entre vazios
Que mais pareciam pedaços de mim. A alma
Se desfazendo em prantos chorados a vulso
Me trazia uma saudade partida em pedaços,
Tantos, que pareciam pétalas caídas no chão
Rolando entre os nadas, na vã tentativa 
De consolar um coração que, sozinho, fingia
Deitar-se comodo sobre a face dura da vida
Que, em silêncio, lhe dizia quanto dói a solidão.
Uma luz, sutil, vindo talvez de algum pedaço
De esperança, deitava-se sobre a saudade
Que fingia-se flor para enganar a alma
Que jurava ser um perfume que nunca
Esqueceu.

José João
17/10/2.017


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Por minha culpa

Hoje, hoje eu tenho todo o tempo que não dei.
Todo o tempo que não quis ou não pude te dá,
Hoje ele é todo meu, tanto e só meu que, sozinho,
Nessa solidão tão doída, não tenho com quem dividi-lo,
Se arrasta lento nas horas, se faz caminho sombrio
Indo a lugar nenhum apenas indo te buscar na saudade.
Hoje o tempo, a mim, se entrega todo e não sei
Se por ironia, por mero desejo de me ver chorar
Sozinho essa saudade de nós dois que só agora
Eu sei, é minha culpa. Hoje, o tempo é meu,
O silêncio, a solidão é minha,, a vontade
De te ter nos braços é só minha. A necessidade
De gritar essa angustia que me toma, invade a alma,
E a faz gritar: desculpa... ainda te amo, como se
Não fosse tarde para isso. Hoje, ombros curvos,
Cabeça baixa. passos trôpegos, voz reticente...
Quase sem ser voz, vou indo, olhando os amanhãs
Como se a esperança, desde ontem estivesse morta,
Porque eu não soube que o tempo que não dei
Hoje, se faria eterno para essa tanta tristeza
Para essa tanta ausência tua...por minha culpa


José João
13/10/2.017

Não me amas mas... eu te amo

Ora, se a mim dizes não mais querer-me
Dou-me ao prazer de sentir tua saudade
Te permites por direito não mais ser minha
A mim permito que sejas tu minha verdade

Se ironizas meu querer, meu jeito de amar
Se afirmas ser ridículo meu modo de sentir
Que te dê a vida todo esse direito que é teu
Mas te amar esse é um direito todo e só meu 

Te amar não quer dizer que sejas minha,
Não quer dizer que te obrigue a aceitar-me
Nem também que deveria estar contigo

Te amar e não querer-me que posso eu fazer?
Apenas calar, mas a mim não  podes proibir
Que pra onde eu vá, sempre te leve comigo


José João
13/10/2.017


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

No adeus...é melhor calar

Tristes são todos os adeus, mas alguns...
Ah! Alguns são mais doídos que todos,
Até mais que aqueles que foram gritados
Com os olhos no silêncio das lágrias,
Alguns, nem o tempo permite esquecer
Porque se fazem mais que dor, se fazem
Remorso que a alma chorará para sempre,
É no adeus onde as palavras vêm do nada
E nada dizem, a não ser aumentar a dor
Que no momento não passa disso, mas...
Depois, essas palavras fazem eco na alma,
Se fazem um grito sonoro do tempo e,
O arrependimento do ter dito, a angustia,
Se fazem tão vivas que os olhos se enchem
Com as lágrimas que não foram choradas
Quando as palavras que vieram do nada
E nada disseram foram ditas... aí a dor
É maior e, uma vergonha, como se fosse
Tristeza, invade até a alma, e se chora
Como se fosse um pedido de perdão
Que não pode mais ser ouvido.

José João
12/10/2.017

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Amar... amar ...

Apenas o amar me basta, amar é como viver...
É estar pleno, vivo, cheio de sonhos e sonhar
É  fazer a beleza estar em todo e qualquer lugar
E deixar na alma quem só você pode guardar

É  saber-se livre mesmo preso a um só pensar
Na prazerosa inquietação de apenas se entregar
Ser a medida certa, nem ser muito nem ser pouco
É o prazer incontido de por tanta alegria chorar

Amar... é como se viver fosse além de sonhar
Assim, como uma magia que faz a gente flutuar,.
Voar, ir além, muito além sem nem sair do lugar

Amar, é brincar de dar nome a cada estrela, 
De poder vê-las, todas, refletidas num olhar
É... hoje a solidão me cobrou esse lembrar


José João
11/10/2.017



terça-feira, 10 de outubro de 2017

O que tua falta me faz

Me perco de mim quando tua saudade
Chega gritando, estridente, se fazendo
De único acontecer para a alma.
As palavras se perdem nos versos,
Correm sem encontrar um lugar
Em que digam o que querem dizer.
Um adeus fica gritando lá atrás do tempo
Querendo ainda ser dor, um eu te amo,
Dito a tanto tempo quer se fazer de ontem,
Um sonho correndo entre os versos
Tropeça numa vírgula que separava
Um ontem de um sempre. Um ponto
No fim de um verso, queria por força
Acabar com uma saudade que acabava
De chegar, que nem ainda tinha 
Se feito lágrima. Me perco, os soluços
Que querem se fazer voz, nos suspiros
Que querem se fazer gritos da alma
E eu... nessa toda confusão...
Apenas choro tua falta.


José João
10/10/2.017


Aprendi chorar sorrindo

Rio, até nas horas tristes, dentro da solidão,
Sentado em frende da tristeza, rio-me ...
E as gargalhadas, apraz-me ver a solidão
E a tristeza aparvalhadas, sem nada entender,
Jurando que estão a me trazer angustias e eu...
Delas rindo! Que meus olhos chorem...
Até permito, afinal, não são minhas lágrimas,
São lágrimas da alma, mas eu... rio sempre
Até da dor, com aquela cara fechada de rancor,
Com a morbidez de mais se fazer doer...
Até dela rio-me a vontade, e ela também
Não entende tão surpresa fica que por si só
Se faz mais amena sem que nem ela mesma
Perceba. Rio da solidão, da tristeza, da dor,
Rio-me quando a saudade vem trazendo
Coisas antigas de muito já esquecidas, 
Das coisas ou de momentos que doe lembar,
Eu rio, é  minha maior expressão de chorar
Tristezas, solidão, angustia e até saudades
Nunca saberão desse meu segredo.
Quando, mesmo chorando, eu sorrio
Ninguém me pergunta se estou triste.

José João
10/10/2.017

O vício de ser sonho

Minha saudade cavalga sobre meus sonhos
Que, já cansados, vão sem querer ir, vão lentos
Quase não indo mais a lugar nenhum,
Mas ainda assim são viajantes no tempo, viajam
Desde os ontens até não sei em quantos amanhãs.
Me deixo levar como se nada mais fosse preciso,
Sem sonhar sonhos novos, sem olhar além 
Do que agora me é permito olhar e sentir,
Me faço história perdida de momentos esquecidos,
De poesias inacabadas, agora vazias, sem sentido...
Poesias que ninguém mais quer ler, nada dizem
Por nada terem pra dizer, tudo se fez tão pouco
Que o tudo que havia dentro de mim...sumiu
Se resumiu em restos, em pedaços tão pequenos
Que ninguém vê, nem sente, nem percebe, nem lê
E assim deixo que a saudade cavalgue 
Nos sonhos que ainda exitem apenas
Pelo vício de serem sonhos.

José João
10/10/2.017


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Um triste despertar.

Outro dia, como se fosse ontem, eu era jovem,
Brincava de zombar com o tempo, os amanhãs
Eram tão distantes, as saudades... saudades!!!
Perguntava de onde ela vinha e o que era.
O mundo parava pra mim e eu sorria...
Tudo era tão bem ali, ao alcance das mãos.
Os sonhos se pariam avulso e, todos eles,
Tão perto que se podia esperar acontecer.
Zombava das lágrimas, que ridículo os prantos!
Ah! O tempo! passa fingindo para os jovens
Que vai sempre espera-los, mas de repente,
Ele mente e..passa, só aí se percebe, assustado,
Que é ele quem zomba, os amanhãs se fazem
Incertos, as saudades ficam vivas e cada uma
Tem um nome. Tudo fica tão distante que o medo
De não ter mais tempo se faz tanto 
Que as lágrimas se fazem prantos, os sonhos,
Que ontem se pariam avulso, quase não 
Acontecem mais e... chorar não é mais ridículo,
É viver na lembrança com o que se brincou e... 
Não  se viveu e agora... 


José João
03/10/2.017