terça-feira, 7 de março de 2017

O que só o silêncio sabe dizer

Não sei se escutas, mas ainda canto teu nome
E uma emoção percorre desde mim até a alma
Num suave tremor de ansiedade, prazer e dor
E fico mudo, e uma surdez me toma o ouvir
De outras vozes, como se o silêncio precisasse
De apenas uma para lhe percorrer entre os vazios.
A cada instante chamo teu nome, e ele canto
Entre tristezas, ou até entre risonhas lágrimas
Que fazem da saudade um espaço pra viver,
E nos versos, os que tua ausência ensinou sentir,
Me permito, por ser tanto essa falta que fazes
Te guardar como sonho de infinda eternidade,
              Te deixar toda e comodamente dentro de mim             .
A completar-me como se sem te eu nada fosse.
Deixo que me tomes a teu prazer ou a gosto
Da saudade e me entrego pela tanta vontade
De fazer-me sempre teu, todo e sem reservas.
Dizer que ainda amo é brincar com as palavras,
É tentar dizer com elas, o que não pode ser dito,
Por que apenas a alma, no linguajar de um divino
Silêncio, pode te mostrar o que as palavras
São pequenas para dizer.


José João
07/03/2.017

segunda-feira, 6 de março de 2017

Será que tem alguém por aí?

Ei! Tem alguém por aí que possa me encontrar? Estou aqui,
Brincando de enganar a solidão, fingindo saudades
Que não sinto, contando histórias que não vivi.
Estou aqui, entre falsas verdades, incertezas e vazios,
Fazendo versos, rimando carência com risos fingidos,
Tem alguém por aí que saiba caminhar pelos sonhos
Que podemos sonhar? Conversar com a alma, em silêncio
De palavras e gritar com os olhos segredos que se farão
Descabidos por que elas se juntaram e se fizeram
A mesma história, gritando em risos inocentes
E nfantis brincando de ser para sempre o que sentem agora.
Tem alguém por aí que queira caminhar na direção do horizonte
Fazendo marcas no chão numa estrada que vai até além
De onde se pense em chegar? Que não tenha medo
Dos amanhãs? Ei! Será que tem alguém por aí esfregando,
Como eu, sofregamente as mãos, fingindo que são outras
Para enganar a alma de que não está só?
Será que ainda tem no coração uma poesia? Como o cantar
De um pássaro que não se preocupa num gorjear perfeito,
Se preocupa apenas em ser feliz cantando...amando.


José João
06/03/2.017


Deixa

Toma-me em tua saudade e me deixa dentro dela,
Ser todo e plenamente teu, deixa que nela me embriague,
Como se bebesse a própria vida cheia de ti e dos sonhos
Que um dia sonhamos e agora, pra mim, se fizem sempre.
Deixa que essa saudade pulse dentro de minha alma
E que ela murmure, grite ou sussurre teu nome
Na ternura de uma oração a ser rezada sem palavras,
Só com lágrimas, caídas dos olhos como contas
De um misterioso rosário que só essa tanta saudade
Faz rezar como pedido ou um fervoroso ato de contrição 
Que me faça todo teu, na eternidade de um existir.
Deixa-me, entre o vazio de tua ausência e o silêncio,
Ficar repleto de ti, que entre a angustia de tua carência
E a solidão te permita estar dentro de mim como vida,
Essa que preciso para me fazer vivo nos amanhãs
Que se farão todos primaveris enfeitados de ti
Com o perfume que deixaste perfumando o tempo
Que se recusa passar para que o esquecimento
Nunca se aproxime das minhas ilusórias verdades.
Enfim... deixa que essa saudade me permita..
Mais ainda... te deixar viva em mim... preciso.


José João
06/03/2.017


A poesia que a tristeza escreveu

Pensamentos se vão perdidos voando soltos,
Seguindo rastros em caminhos entre nuvens,
Como se  estas pudessem ser marcadas
Por passos, por lágrimas ou saudades.
O espaço se comprime dentro do peito,
Que se faz mundo para suportar a dor,
Essa dor que invade a alma, que fica
E faz morada como se dona do tempo ela fosse.
Tudo é triste, a casa vazia se enche de silêncio
E uma angustia tão grande quanto densa
Toma conta  de um coração em que o pulsar
É apenas uma outra maneira de chorar.
A casa se faz imensa, as portas se fazem grades
E as janelas são como meus olhos, abertos,
Mas sem nada ver... olham para o nada...
Dentro de mim como se eu fosse uma casa vazia
A solidão aplaude os versos que a tristeza recita
A angustia pede bis, mas a tristeza diz não,
Quer recitar versos novos, diz que tem tantos,
Como se cada uma de minhas lágrimas
Fosse luz em sua inspiração. Ah! Saudade!
Vou olhar estrelas, talvez assim, quem sabe,
Uma me grite alegre: Me olha ... me olha
Sou o reflexo dos olhos dela.

     José João
     (reedição)
      02/04/2.012

domingo, 5 de março de 2017

Gosto de brincar de fazer versos

Gosto de brincar (sozinho) de fazer versos, 
Versos risonhos, tristes, versos que as vezes
Penso que nem são versos, uns nem rima têm,
Mas gritam o que sinto, falam de mim, de amores,
Alguns fingem que não são minha história, outros
Se perdem no tempo correndo de dentro de mim
Inventando sonhos, coisas que nem sei se vivi.
Mas gosto de escrever versos, com eles,
Converso comigo, me confesso, me desnudo
Alguns escrevo a lápis, quando a dor é muito doída,
Vã ilusão de apagar a dor se apago o verso,
Outros, nem escrevo, ficam guardados no tempo
Até irem lentamente para o esquecimento.
Alguns ficam inacabados, até se fariam história,
Não fosse a tanta angustia de escreve-los.
Mas gosto de brincar de fazer versos
Eles vêm como se fossem donos de mim,
Não escolhem hora, não escolhem lugar, nada,
Apenas chegam me tomam, se escrevem e...
Contam minhas coisas como se fosse deles.

José João
05/03/2.017


sexta-feira, 3 de março de 2017

Talvez...até além do tempo

Minha alma continua perfumada de ti, e meu corpo,
Em doce convulsão quando confunde, com tuas carícias,
O roçar da brisa que se veste com teu carinho. Se a vida
Tivesse que ser vivida sem, pelo menos, essa saudade tua
Não seria vida, não valeria a pena, não seria justo...
Não existiria Deus. Não sei mais dizer que amo...
Não sei mais mirar em outros olhos os sentimentos,
Quaisquer que sejam, só os teus refletiam plenamente
O que sentia minha alma e o que, em silêncio, te dizia
Com as lágrimas  que caiam alegres em meu rosto 
Em verdadeiras confissões que ela não sabia esconder.
Grito, no desesperador silêncio de tua ausência,
Na angustiante dor dessa carência que deixaste,
Orações que nem sei rezar, fragmentos de orações
Que em desespero a alma inventa entre dor e saudade
E de joelhos, se entrega na tristeza que tua falta faz.
Ah! Não fosse essa saudade! As vezes triste, outras,
Timidamente desenhando um vago sorriso nos olhos,
Mas sempre dentro de mim, repleta desse sentimento
Que a imperfeição da vida não permite que se viva.


José João
03/03/2.017


Saudade é um vazio cheio de...

Nunca fui além de ser totalmente teu, me vesti de ti,
Roubei teu sorriso no silêncio de nós dois...
Quando nossos olhos conversavam ternamente
Contando nossos sentimentos para nossas almas
Risonhas, cheias de sonhos e de amanhãs perfeitos.
Te guardei dentro de mim, te fiz minha essência,
Te fiz minha vida como se só de te precisasse.
Não havia antes e seria insensatez pensar num depois
Tanto era a certeza do tempo e de nós dois.
(Mas o depois existe vem com um indevido adeus)
E faz fazer descobertas que apenas a alma sente,
Descobri o que é e pra que serve a saudade,
Saudade é quando os momentos vividos e passados
Ficam teimosos dentro da gente, como se fosse
Para o tempo parar dentro de nós. A mim serviu
Para me deixar vivo na eternidade de um sentimento
Que se faz o ar que se respira, é a voz que se ouve,
Dentro de qualquer silêncio como melodia única
Dizendo baixinho, em divino sussurrar: te amo.
Saudade é a presença de quem se foi para sempre
Mas fica eternamente dentro da alma da gente.


José João
03/03/2.017


quarta-feira, 1 de março de 2017

Poesias!? Escrevo em qualquer papel

 Em qualquer papel escrevo meus versos,
Até, as vezes, em papel que encontro na rua,
Em pedaços de jornais, confundindo as linhas,
Trocando os textos, as entrelinhas e contextos...
Em qualquer papel conto pedaços de minha história,
E as dores, que neles escrevo, continuam dores,
As saudades que conto, continuam saudades,
Limpas, puras, afinal não é o papel que faz a poesia,
A poesia é feita por si só. Escrevo poesias nas paredes
Do meu quarto em letras quase do tamanho delas,
Quase do tamanho de minha solidão, quase do tamanho
Da noite. Escrevo poesias em lenços que enxugaram 
Lágrimas, que se molharam em angustias contadas
Pelo pranto que a alma joga fora pelos olhos.
Escrevo minhas poesias em qualquer pedaço de papel,
Até mesmo em qualquer pedaço de mim onde se possa
Ler o que diz quem sou. As vezes escrevo versos
Fingidos quando a verdade tem que ser só minha.
Mas poesias! Escrevo em qualquer papel...
E as guardo dentro da alma.

José João
01/03/2.017

Foi apenas um único adeus.

Há quem confunda as lágrimas que choro
Por um adeus de ontem, nem ainda se fez saudade!
E talvez nunca se faça. Meu pranto, não choro
Por qualquer adeus, tem que se fazer dor,
Tem que se fazer vontade de ir sem ter pra onde,
Tem que se fazer sonho perdido, impossivel
De se sonhar outra vez, tem que se fazer saudade,
Daquela que a alma grita e os olhos choram...
Como se fossem gritos confusos de clemência,
Ou até se fazem blasfêmia quando se confunde
Dor e viver. Não choro dor de ontem...choro
A dor de sempre, de um adeus que marcou o tempo,
Que matou o esquecimento, que se fez 
Tão vivo e tão forte, que um adeus de ontem
É apenas uma palava que... talvez nem foi ouvida.
Há quem confunda meus versos por não sentir
Minha alma, esta coitada, desde muito chora,
E não foi preciso tanto, foi apenas um adeus...
Que ninguém queria dizer... que apenas se fez.


José João
01/03/2.017

Um dia...

Nunca te esperei, mesmo sendo maior a distância...
Sempre te levei dentro de mim, nem nos caminhos
Que percorri sozinho, nem nos horizontes distantes
Onde meus sonhos repousavam todos cheios de ti.
Não te procurava, apenas te sentia dentro da alma...
Como fosses a vida florindo em eterno encanto.
O tempo, que sempre faz o esquecimento acontecer,
Se fez tão pouco, tão pequeno, que a saudade,
Essa saudade que te traz todos os dias, sorri irônica,
Como se nada fosse maior que esse ser todo teu, 
Para sempre. Nunca mais caminhei sozinho
Por que te levo dentro de mim desde sempre, te vejo,
Te sinto, te respiro, sem nem saber onde estás...
Mas não importa. Todas as minhas vidas foram tuas.
Ainda nos amanhãs, nos mais distantes, vou estar
Repleto de te por que não há tempo nem distância
Quando as almas se amam. Amar assim é tanto
Que não foi permitido tanta perfeição no mundo...
Tão imperfeito...tão pequeno para o que somos.


José João
01/03/2.017
 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Há de haver um lugar para se amar

Deve haver um lugar onde sonhos perdidos 
Não existam, onde dores, tristezas e saudades doídas
Sejam passageiras da brisa que se vai ao tempo
Levando-as para longe sem caminhos de volta,
Deve haver um lugar cheio de amanhãs coloridos,
De sonhos já prontos para serem sonhados...
De histórias de amor que só se completarão
Na eternidade tanto é a plenitude da entrega
Dos corações amantes. Deve existir lugar assim,
Além, talvez até além do mais distante horizonte,
Onde o por do sol seja pintado com os olhos
De quem se ama. Um lugar onde falar não é preciso
Por que os olhos gritam palavras perfeitas
Por não existir som para dize-las, tão poucas são.
Um lugar onde chorar não é preciso, não existe dor.
Um lugar onde não se corra no vazio do tempo
Pedindo clemência para tanta angustia, chorando
Ausências, saudades e carências que ferem a alma.
Deve existir um lugar onde amar seja preciso.


José João
27/02/2.017

Que sejam marcas de amor...

Nas horas tristes, nas noites, na hora de chorar
Essa saudade doentia que tanto me faz calar
No peito tantas palavras que seriam vazias
É nessa hora que mais me entrego a te amar

A deixar-me levar por sonhos que já se foram
Deixando apenas pedaços como se fossem de mim
É nessa hora de que um amar desvairado me toma
E a alma demente em triste angustia, grita assim:

Deus que fazes?! Vês! Meus joelhos já sangram!
Minha voz reticente inventando orações de clamor
Te pedem, te imploram em desesperado fervor

Que as lágrimas que agora me marcam o rosto
Se façam pedaços de nós em um perene louvor
E não me sejam estas... frias marcas de dor.


José João
27/02/2.017

Plenamente todo teu

Foste tanto, e bem sei o quanto te vivi
Que te fiz minha alma em plena vida
Me fiz que viver fosse contigo existir
Tanto que, dentro de mim, te escondi

Ora! De que valeriam meus sorrisos
Não fossem eles todos...todos teus?
Não seriam risos seriam caricaturas
De sorrisos que não seriam meus

Tanto te amei que me fiz devoto servo
E deixei que me desses a teu contento
Até meu mais silencioso pensamento

E a ele jamais permiti que fosse além
De ser todo... e apenas teu e... sempre
Até exigi que os anjos rezassem amém


José João
27/02/2.017


domingo, 26 de fevereiro de 2017

...por medo de amar

Não deveria ter calado tanto... mas te juro, foi o medo.
Tinha medo de chorar, medo dos amanhãs tristes,
Deixei o silêncio tomar conta de todas as palavras
Que deveriam ser ditas, que minha alma queria gritar...
Mas calava! Quantas vezes meus olhos te disseram
No silêncio de dentro de mim: Te amo! Quantas vezes
Me afastei, fugi de nós para não te sentir tão viva
Dentro de mim?! Medo de amar! Medo de um adeus,
De uma saudade que talvez não chegasse nunca,
Mas preferi me enganar. Não estando contigo,
Me dizia; não haverá ausência, não haverá momento
Que possa fazer doer, nem haverá a tristeza de um adeus
Para chorar. Hoje a dor é mais doída; Ainda te amo
E nem posso te dizer. A saudade dói muito mais,
Ah! Quem me dera fosse saudade de nós, seria menor
Essa angustia, mas é o vazio de ter estado tão perto
De ter nos sentido tão vivos! Não me nego as lágrimas,
Mereço o que sinto...esperança, há muito já se foi...
Na verdade essa dor é muito maior que se houvesse,
Um dia, existido um adeus.

José João
26/02/2.017

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O eco de meus pensamentos

As vezes minha alma chora tão suavemente
Que penso ser a brisa cantando uma canção divina,
Composta por anjos para dar acordes aos prantos
Que se fazem orações como se pedissem clemência
Para essa tanta dor que apenas chega, faz morada e fica.
Me deixo ficar na imensidão do tempo, sentado no nada,
Sentindo as horas passarem lentas e o tempo assoviando
Uma canção que nem sei se existe e um vazio sem forma
Me toma todo, me faz buscar sonhos que nunca sonhei,
Apenas um desespero de me fazer outra vez ... gente.
Com passos trôpegos, voz reticente, num cambalear
Sem sentido, vou por caminhos antes percorridos
Entre flores que murcharam tanto foi a tristeza
Do adeus que nele foi dito. Os rastros se perderam,
Apenas uma falta de tudo se faz tão viva quanto triste,
E eu, entre soluços, levo apenas para qualquer horizonte,
Pedaços pedidos de mim num sussurrar inconstante,
Num mirar-me nas pedras que se fazem ponteagudas
Farpas de solidão onde o eco dos meus pensamentos,,
Como se fosse um som doente do nada, apanas
Martiriza minha alma carente.


José João
24/02/2.017

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Alguém já viu o rosto do meu silêncio?

Diz-me, a mim, como é o rosto do meu silêncio?
Já o viste alguma vez? Ele existe mais forte,
Bem mais forte que eu e nele não acreditas!
Ah! Esse meu silêncio de imperturbáveis traços!
As vezes um rosto sereno, outras vezes duro,
Rígido nos traços, mas não o vêm. Quem, por favor,
A mim me diga, como é o rosto do meu silêncio!
Meu silêncio que, sem palavras, explode em verdades
Faz-se a beleza de gritar para a alma o que sinto,
E o que só ela ouve. As vezes confundem meu rosto
Com o rosto do meu silêncio, muito mais forte,
Muito mais elegante, muito mais plácido e verdadeiro,
Muito mais confiável, ele diz tudo melhor que eu.
Mas não o vêm, não conhecem o rosto do meu silêncio
E por isso pensam que não existe. Mas coitados, e rio.
Acreditam facilmente em minhas palavras, ouvem-nas
E apenas por isso as pensam verdadeiras. Palavras rsrs
Qual delas tem apenas uma face? ?Quem jura que disse
O que queria dizer? Mas acreditam nas palavras
Porque a elas lhe dão o meu rosto. Mas o silêncio
que tem seu próprio rosto, e talvez por isso...
Não o entendam. Alguém já viu o rosto do meu silêncio?


José João
23/02/2.017

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Perdi as lágrimas que guardei ontem.

Não achei mais as lágrimas que havia guardado ontem,
Estavam enroladas em em alguns versos tristes e incompletos,
Presos com um sutil pedaço de saudade cheio de sonhos
Que se desprendiam facilmente quando perdia o olhar
No horizonte. Estavam dentro de um envelope verde...
Mais ou menos cor de esperança, eu acho. Perdi...
Perdi as lágrimas que não pude chorar ontem...
Culpa das palavras que se faziam perversamente gritos,
Como as lágrimas são tímidas, delicadas e inocentes,
Guardei-as com a poesia inacabada, queria mais saudade
Para sentir, queria buscar sonhos, momentos...ah! Esse eu!
Queria um lugar em silêncio, onde apenas o som do tempo
Se fizesse espaço para as lágrimas se fazerem voz 
No meu rosto. Até pensei juntar pedaços de poesias soltas,
De solidão e completar a poesia que deixei ontem,
Como se não soubesse que poesias inacabadas 
Não se completam com o mesmo sentir, nem o mesmo chorar.
Perdi as lágrimas, perdi a poesia, perdi o ontem e a
Vontade de me completar nas entrelinhas que quase
Ninguém entende, só a alma sabe ler nas entrelinhas.


José João
22/02/2.017

Silêncio e solidão me bastam

Hoje não preciso de ninguém...
O silêncio e a solidão me bastam...
Talvez nem amanhã...nem amanhã...nem amanhã
(quero que me amem, não que me precisem)
Tenho tanto pra me contar,,, alma pra me ouvir,
Que hoje, não preciso ouvir ninguém,
Apenas a mim mesmo me contando histórias
Das minhas dores, das ausências, dos adeus...
Não que eu me baste, mas a solidão e o silêncio
Me convenceram que nós somos apenas um e,
De mãos dadas, choramos na poesia lágrimas
Só nossas, nos olhamos ternamente, o silêncio
Nos permite sermos só nós, ninguém nos ouve
Nem nos fala e nem é preciso. As vezses me veem
Pedaços de saudades, mas nem de saudade nova preciso,
Todas as minhas saudades, mesmo as de muito tempo,
Choro com lágrimas novas é claro, entre o silêncio
E a solidão (nunca me deixam só). Quando alguém
Me diz adeus, ou não têm tempo pra mim,
Não me deixam no desespero de não saber quem sou,
Me abraçam, as vezes até me acalentam o sono...
A verdade é que hoje não preciso de ninguém
 E talvez nem amanhã, nem amanhã, nem amanhã.


José João
22/02/2.017

Um quase sem por do sol.

Lá no horizonte, um horizonte que a gente quase alcança,
O sol brinca de esconde-esconde com uma nuvem criança
(que nasceu agora a tarde), ou talvez, quem sabe, esteja
Se embelezando para um lindo se por? Só que minha alma
Ansiosa e cheia de saudade se alvoroça toda, se senta lá,
Bem alto, numa brisa que vem brincando com o mar
Desde não sei onde. E o sol?! Brincando com a nuvem
Que insiste em ficar, que insiste em se fazer parte
Do por do sol (acho que é o primeiro dela dado a teimosia)
O vento chega, tenta empurra-la e ela ... nada,
Insistiu em se fazer história, em se fazer pintura,
E o sol, por respeito ou...até mesmo carinho, apareceu
Timidamente por trás da nuvem, saudou o mar,
Até uma estrela em descabido estar, acho que saudou
Até minha alma com uma "piscadinha" (eu a senti
muito eufórica). Tentou desenhar um caminho no mar,
Desses "caminhos" que fazem o pensamento voar,
Deixa um olhar demente e um vazio sem pensar...
Mas minha alma, atrevida, cobra e cheia de saudade
Diz: Nuvem, amanhã não venha, quero meu caminho
Feito de por do sol para poder...sonhar e... voar.

José João
22?02/2.017


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Apenas eu amava!

Fico inventando amores que, agora sei, não vivi, 
Fico fazendo poesias que nas entrelinhas não sei
Se sou eu ou meu estranho mundo de fantasias,
De fingidas e descabidas fotografias, de pedaços
De sonhos, que até talvez tenha sonhado, na ilusão
De uma existência, que se fez ao tempo, inúteis
Romarias da alma a mundos ilusórios onde palavras
Vazias, ditas por apenas serem ditas, enfeitavam
Momentos, como se fossem verdades as tanas ilusões
Que nunca foram além disso, de ilusões. Agora...
Tão doloridas como impiedosos açoites da solidão
Que aprendi sentir ao saber-me vazio de mim...
Por não serem verdades... as "verdades" que ouvia!
Aos quantos...eu te amo! Que ouvia como canção,
Num embalar a alma que se enchia de sabores
Como se cada um fosse uma florida primavera 
A embalar-me a vida, os sonhos e os amanhãs?
Mas...quantos!? Quantos... eu te amo já ouvi
Com alma aberta num solene entregar-se toda?
Hoje, percebo tão triste quanto sozinho...
Que a cada um eu te amo dito a mim...era eu...
Apenas eu que amava!

José João
20/02/2.017


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Amar é um milagre.

Há dia em que a vida se faz tão estranha!
Fica tão difícil de viver! É um medo! Desses...
Que deixa um silêncio doente dentro da gente! E tudo
Fica perdido, até os sonhos se perdem confusos.
Uma solidão que se pensa maior que o medo,
Um vazio de não se ter feito, de não se ter amado.
Uma angustia, como se faltasse tanto pra se fazer!
Há dia em que a vida se faz tão absurdamente pequena
Que os sonhos parecem descabidos, e o remorso,
Por tudo que não se fez ou...não disse, se faz
Maior, mais denso, mais desesperadamente pecado.
Os pensamentos se fazem estradas desconexas
Para pedidos que talvez nem valham mais...
Histórias por si só se escrevem, vão buscar não sei onde
Momentos, que talvez nem a alma soubesse guardados,
Mas chegam nítidos, como escritas novas, vivas e...
Ficam, como se precisassem ficar, como se precisassem
Se fazer outra vez saudade. Há dia que estranhamente,
E não se sabe porque, parece dizer que tudo que se fez
Foi pouco e que amar...amar é um milagre.


José João
19/02/2.017


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Os gritos de meus olhos.

Acho que eram lágrimas, os gritos que saiam
Desesperados dos meus olhos, pedindo que te buscasse
No tempo ou nos sonhos que lentamente se apagaram
Entre as dores. Também não sei sei se eram
Pedaços de saudade misturadas com angustias,
Com vazios de solidão que me faziam sentir essa tua
Ausência, como fosse falta de tudo, de sonhar e...
Até viver, de sentir na alma a ansiedade de esperar
Os amanhãs (desde hoje ficaram tão tristes!!)
Talvez até fossem gritos desesperados de minha carência
Tentando mentir para a tristeza, que "piscava" gentilmente
Pra minha alma (a tristeza é tão falsa!) querendo
Lhe fazer morada, não fosse um pedaço de um dia,
Que nem lembro mais, só lembro que teu olhos,
Ternamente me disseram: Te amo. Aí, um sorriso
Tímido tomou meu rosto, espantou a tristeza...
Já bastavam a angustia, a solidão e a saudade
Para fazerem as lágrimas, aos gritos, saírem
Desesperadas dos olhos, que um olhar demente
As levava a lugar nenhum...mentindo que...
Te buscava.


José João
10/02/2.017


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Acho que minha alma te inventou

As vezes te acho uma invenção de minha alma carente,
No desespero de não estar só, te inventou pra mim,
Te fez verdade, te escreveu dentro de mim...e depois...
Pela perfeição do que  chamam amor...te fez saudade,
E hoje és como uma poesia que só sei sentir,
As palavras são poucas, quase nada para dizer quem és.
A criação perfeita de uma alma que só sabia chorar
Tristezas e solidão, hoje ela chora saudade, dói menos.
Minha alma te fez toda e te cultuou em mim...
Bem lá dentro dela, te eternizou como relíquia divina,
Assim como se fosses a essência de uma existência
Que faz a vida ser plena, intensa, cheia de certeza
Que o amor existe e muito mais perto do que se imagina,
Dentro da gente mesmo. Com certeza minha alma
Te inventou, não te deu nome, porque um nome
É tão pouco, (não se consegue nomear a perfeição)
Te fez um mistério, nada é mais belo e fascinante.
Quando minha alma te inventou, foi que aprendi
Que para o amor... não precisa um rosto, só alma.


José João
02/02/2.017


As vezes não sei nem de mim.

As vezes não sei o que me falta...nem o que procuro,
Percorro caminhos num vadiar solitário e demente,
Ouço o silêncio, as vezes grita coisas que não entendo,
Outras vezes me martiriza com o vazio de um nada,
Tão silencioso que ouço o gemido da alma
Soluçando saudades que não sei, de tão descabidas.
As vezes me conto histórias que nem sei se são minhas,
Mas que preciso ouvi-las para me sentir gente, vivo
A recordar momentos que parece nunca tê-los vivido.
Não sei esta tanta falta, essa tanta ausência que sinto
E não sei de quê. Uma carência do que nunca vi,
De quem não sei nem se existe. Não sei se é saudade,
Mas se for é mais doída de todas as que senti
Por não ter um rosto, um momento que me lembre
Que agora tenho o direito ou a sorte de senti-la.
Amar, amei... e tanto que até a alma chama um nome
Quando me convida para chorar. Mas essa falta
Que sinto agora,,, não sei... mas dói.


José João
02/02/2.017



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Sei que estás em algum lugar

Com certeza existes, estás em algum lugar
Onde só se chega por sonhos ou pensamentos...
E te sonho... e lá vão meus pensamentos
A tua procura. Percorrem caminhos sem chão
Em rotas que ninguém nunca traçou... e vão.
Sempre os horizontes se fazem caminhos
E a busca fica infinda porque o mundo, todo ele,
É feito de horizontes e em um deles tu estás.
Quase sempre me perco a tua procura...porquê!?
Estás muito além de mim, muito além...
Só não dos meus sonhos, que te fazem tão real
Para enganar minha carência, que até permitem
Minha alma te amar assim tão intensamente
Como se estivesses verdadeiramente dentro de mim.
Será que amar é isso? Sentir toda essa ternura,
Essa saudade que comprime o peito por quem
Nem se conhece, apenas se sabe que existe!
Quem sabe seja a necessidade de amar que faz
Essa vontade de viver!

José João
30/01/2.017


Essa minha saudade...

Essa minha saudade de ti sempre te traz de volta,
E já nem sei se é desejo ou loucura essa demência
De te ver chegando por um caminho que a lua
Desenha sobre a água, que até parece dançando
Uma canção de boas vindas. Amar faz isso...
E ainda te amo. Não importa o tempo... o sempre,
É a eternidade que guardamos dentro de nós,
Dizer que eternamente te espero é já não ter
Esperança de que chegues, mas dizendo 
Que vou sempre te esperar, engano a mim mesmo
Me dizendo que amanhã podes chegar... e que sempre,
Não seja eternamente, inocente pensamento
Para enganar a alma que tanto chora tua ausência.
Sento dentro de uma solidão infinda, só a brisa
Pra conversar comigo... diz coisas que não entendo,
Mas, pelo menos, não permite que o silêncio
Me cale o pensar...me dou a ilusão ouvir tua voz
Na voz da brisa, dizendo que te espere...
Que talvez chegues... amanhã.


José João
30/01/2.017


domingo, 29 de janeiro de 2017

As vezes nem é minha a dor que choro

As vezes minhas lágrimas são tão poucas
Para o que sinto, as vezes até para dores,
Tristezas ou saudades que nem são minhas.
As vezes empresto minhas lágrimas para chorar
Angustias de quem nem conheço, apenas choro,
Como se minha alma se permitisse sentir
Uma dor que não é dela, não me importo...
Mas apenas acho que não tenho tanto pranto
Para chorar tantas dores, por isso, as vezes
Nem choro as minhas...seria muito egoísta.
Mais fácil fingir sorrir uma dor que sinto
Que fingir chorar uma dor alheia, não é justo...
Minha alma não sabe mentir, nem confundir 
As dores, nem os prantos, nem os sorrisos.
Algumas vezes minha saudade se esconde
Dentro de mim, quieta, em perene silêncio
Porque alguém precisa chorar a sua nos versos
Que escrevo, aí minha alma se empresta toda
Para sentir e me fazer chorar uma dor
Que não é minha, mas que precisa ser chorada.


José João
29/01/2.017


sábado, 28 de janeiro de 2017

As duas faces de tua saudade.

...Me atento a ouvir quando a saudade te chama,
Até mesmo com o mais sutil de todos os silêncios,
Mas não importa, ouço o seu suave sussurro 
Em minha alma chamando teu nome, baixinho,.
Como se murmurasse uma oração, doce oração
A me deixar desperto para te buscar até mesmo
Dentro dos mais distantes sonhos que sonhei.
Te busco em todos os momentos que vivemos,
Em quase todos te vejo sorrindo, brincando
De ser minha poesia mais perfeita, tanto...
Que não a escrevi, apenas ... intensamente vivi.
E como tudo de nós dois, quer a vida, é para sempre,
Ainda hoje te vivo e já te levo para os amanhãs
Que ainda haverei de viver como se nada mais
Fosse preciso. As vezes, tua saudade vem sorrindo,
Me toma carinhosamente pela alma e me deixa
Flutuar em devaneios sonolentos... cheios de ti.
Outras vezes, quando minha carência te reclama,
E tua ausência enche o mundo de vazios, ela vem 
Em descabido furor, e me machuca, me toma 
Os olhos, derrama minhas lágrimas, e aos gritos...
Blasfema pela dor da falta de ti.


José João
28/01/2.017


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Minha história de todos os dias.

Como mentem! De mim e das poesias que escrevo!
Dizem que as faço num piscar de olhos. Mentira.
Rio-me até...em gargalhadas alegres, ou tristes,
Ou chorosas, gargalhadas de momento, as vezes
Até eu me confundo se são verdadeiras ou fingidas.
Minhas poesias não nascem num piscar de olhos,
Mas de cada pulsar de um coração que chora...
Saudades, dores, perdas, angustias e até remorsos.
São gritos, ou mesmo sussuros que minha alma, 
Em lágrimas, se deixa, sem nenhum pudor, chorar
E deixar que vejam sua triste aflição por ser só.
Minhas poesias, quem sabe, escrevo com anjos
Que por piedade choram comigo, sabendo ser tanta
Essa dor que não suportaria senti-la sozinho!!
Minhas poesias, não escrevo num piscar de olhos,
A não ser que cada um deles seja uma lágrima...
Porque cada uma é um verso, é um pedaço de mim
Que sai como eco de uma tristeza que se fez...
Desde muito...minha história de...todos os dias.


José João
26/01/2.017

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Palavras que meus olhos sabem dizer

Desde muito, até já não lembro mais...
A vida permitiu que minha alma gritasse
Ao mundo com os olhos, como se falassem
E contassem toda a angustia que a ela aflige,
De cada olhar fez uma palavra, apenas algumas 
Ficaram para sempre. E hoje, meus olhos aflitos,
Em devaneios mórbidos, gritam solidão, tristeza,
Saudade e carência que não doeria tanto não fosse
A carência de mim mesmo, me esqueci do que fui.
A solidão, que meus olhos gritam em silêncio,
Se faz tão intensa que já não importa o lugar,
Onde estiver ela se faz toda, se faz viva...
Senhora de mim, a levar-me por caminhos vazios,
Sem marcas, onde o silêncio é o dono absoluto
Do tempo. E a tristeza! Esta nunca vem só,
Além de forçar meus olhos a fielmente traduzi-la, 
Me exigem lágrimas, para assim ela se fazer
Vaidosamente brilhante, querendo se tornar bela.
Ah! Não fosse a saudade, que chega correndo,
Lá de dentro de mim, trazendo um outro olhar
Para os olhos... que tristes, fingem ser um sorriso.


José João
17/01/2,017


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Eternamente nós dois

Para sempre, é o que diz o tempo, diz a vida...
Quando amar é deixar dentro de nós, dentro da alma,
Todos os momentos vividos. Te deixei toda
Dentro de mim, te fiz, desde meus mais belos sonhos,
Até a verdadeira razão de uma existência que, até agora,
Depois de tanto, ainda se alvoroça ao sentir tua saudade.
Me fiz servo desse sentir, e me entreguei, sem medos,
A essa louca insistência de ser teu, mesmo tão longe,
De sentir tua alma afagar a minha, em plena doação
De nós. Te fiz a melhor parte de mim e, ainda hoje,
Essa ansiedade de ser teu, mesmo sendo só saudade
Faz plena, cheia de ti, essa minha vontade de viver.
Quantas vezes meus olhos te gritaram, eu te amo,
Como se fosse a voz de minha alma te confessando
Minha maior verdade! Ficaste em volta de mim,
Ocupando todo o espaço, me perfumando o tempo,
Brincando de fazer eterno o infinito que nos fizemos.


José João
16/01/2.017

domingo, 15 de janeiro de 2017

Para onde foram as poesias?

Há muito não me chega nenhuma poesia,
Acho que se perderam por aí, se esconderam.
Quem sabe, dentro de sonhos que não são meus?
De saudades que nunca senti, ou talvez ainda...
Até tenham se cansado de minha solidão?
Sempre a mesma, as mesmas tristezas...angustias...
E os versos se foram... o papel em branco,
As mãos trêmulas, lágrimas hesitantes...
No pensamento um vazio... um não ser ninguém,
Nenhuma poesia, mesmo que fosse incompleta,
Que só dissesse um pedacinho de mim...nada!
Minha alma se desespera, exige gritar em versos
A dor que sente, me faz correr entre dicionários,
Buscar palavras que se façam lágrimas, que chorem
Nas linhas ou entrelinhas dos poemas a dor 
Que ela quer chorar. Mas eu, apenas sussurro um canto,
Sem melodia, sem começo, sem fim...sem mim.

José João
15/01/2.017

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Talvez o que procuro sou eu

Não  sei fazer poesia, só sei chorar versos,
Como fosse um pássaro preso, não gorjeia...
Apenas chora em notas tristes a dor que sente.
As vezes sou artesão, juntando prantos e saudades
Na tristeza de um sorrir fingido, tecendo nas entrelinhas
Histórias que finjo e até pensam não serem minhas,
As vezes sou artista, como um pobre solitário escultor, 
Esculpindo lágrimas num rosto que parece gritar de dor
Talvez uma dor de saudade, que até a alma chorou,
As vezes me sinto um pintor, desenhando num papel
Um pedaço de amor, ou um perfume de flor
Como se fosse magia, coisas de um sonhador
Que, coitado, sonha acordado alguns sonhos, 
Sonhos perdidos, que nunca ninguém sonhou.
As vezes me  sinto um louco, indo a lugar nenhum
Buscando em estradas vazias, olhar distante, perdido,
Como buscasse no tempo o que nem sabe onde perdeu,
Talvez, nessa minha loucura, o que procuro sou eu...


José João
06/01/2.017


Para sempre

Não tem como não ser pra sempre o que sinto,
O que me ensinaste sentir, como ensinaste sonhar,
Amar, viver os dias sem medo dos amanhãs,
Não tem como não ser pra sempre o que sinto,
Me fizeste aprender que viver é amar na plenitude
Da vida, sem limites, sem fronteiras, sem temores,
Brincar nos dias, colorir as horas e fazer o tempo
Parar nos momentos mais ternos e deixa-lo ali,
Na eternidade de cada instante que fizemos de vida.
Ah! Se não houvesse adeus, nem idas, nem distâncias,
Se não houvesse partidas, nem lágrimas, nem acenos!
Como nos sonhei... sem um antes e nenhum depois, 
Como se o sempre fosse de nós dois, apenas nosso.
Mas coisas da vida, o que nem sabemos explicar,
De repente nos deixa só, como se só a saudade
Fosse preciso pra fazer de sempre o que teve um fim
(só a saudade é preciso pra fazer de sempre
o que teve um fim)

José João
06/01/2.017


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A sorte de amar

A ti, te digo sem medo de dizê-lo,
Amar é também, creia-me, chorar
É sentir na alma uma dor diferente
Que dói, machuca o coração da gente.

Não que não se deva de todo amar
Viver sem que isso aconteça não é viver
Mas há de se ter sempre e bem guardar
Lágrimas, um dia se tem que precisar

Pelo que já senti, digo, sem medo de errar
Que uma saudade, mesmo tão dolorida
Vale a pena, por um lindo pedaço de vida

Digo, pelo que me foi permitido sentir
Que por todo resto da vida vale chorar
Se você, por um dia, tiver a sorte de amar

José João
05/01/2.017


Finalmente...uma saudade alegre

Finalmente uma saudade que não se fez dor...
Só se fez mesmo saudade, até brinca comigo,
Brincando de brincar com os sorrisos que ficaram,
Com as palavras, que até sorriam ao serem ditas,
E tão cheias de carinho que preferiram ficar,
Se fazem eco de momentos em que viver foi...
Tão viver, que alma, coração e saudade se juntam
Num festejar sem hora, sem tempo, mas se fazendo
De sempre, se fazendo de... para sempre.
Tudo ficou tão novo, uma alegria tão diferente
Que está em todos os lugares e, em cada um...
Um sorriso, nos corredores, atrás das portas,
Nas janelas, em todo lugar tem um sorriso
Espantando alegremente a gente. Finalmente
Uma saudade sem dor, sem lágrimas, nem prantos
Sem ontens tristes. Tudo  ficou diferente...
Até o ar, parece, ficou com um perfume novo,
As fores, lá fora, ainda agora se enfeitam vaidosas,
Querem eternizar o momento em que uma saudade,
Alegremente, só se fez mesmo saudade


José João
05/01/2.017



Minhas duas lágrimas

Chove lá fora, como se a natureza quisesse chorar
Toda a dor que sinto, como se soubesse da minha 
Carência de lágrimas, choradas por tantas outras dores,
Adeus, saudades que ficaram e nunca passam.
O vento, como se cantasse uma canção sem nome,
Como um balbuciar desconexo insiste em fazer-se
Minha voz chorando uma dor que é só minha...
É noite, é chuva, é vento, é tristeza, é solidão...
As lágrimas caem como fossem orações perdidas,
O pensamento se perde em vontades loucas,
Erra os caminhos, confunde-se com o tempo...
As vezes quer ir e nem sabe pra onde, apenas ir
Como se a dor não fosse junto. Outras vezes,
Incoerente, volta ao tempo como se não tivesse
Ficado dores que apenas estavam escondidas
Dentro da alma prontas para serem dor outra vez.
Abro a janela, o vento acaricia meu rosto,
A chuva, deitada na calçada, vai irreverente,
E.. de repente... uma lágrima pulas dos olhos...
E mais outra, e vão... se misturam com a chuva
Até onde irão? Minhas duas lágrimas...
Tão pequeninas, mas tão valentes levando com elas
Um pedaço de mim e... de minha alma....


José João
05/01/2.017

Essa tanta saudade de mim.

Por vezes, ainda choro quando me lembro de mim.
Quando me lembro de sonhos que nunca passaram 
De sonhos, se fizeram angustiantes segredos da alma,
Ficaram como tristes e mórbidas lembranças
Do que nunca pude viver, sentir ou fazer história.
Esses sonhos mortos se perpetuaram, se fizeram
De sempre, tão densos que não me permitem sonhar
Sonhos novos e os horizontes são sempre os mesmos,
Os caminho que a vida reserva são cheios dos temores,
Dos medos que aprendi sentir por ter sonhado
Sonhos que nunca vivi. A dor que me dói é tanta,
Que me permito chora-la, mesmo entre a multidão,
Sem medo do ridículo, apenas sentindo vergonha...
Pena de mim mesmo, pela saudade que sinto de mim.
Entre as tantas carências, entre as ausências,
Dentro da solidão que não escolhe hora pra chegar,
Entre o vazio e nada para pensar, me procuro...
As vezes volto no tempo a buscar-me, e sempre, 
Na volta, a saudade de mim mesmo...dói muito mais.


José João
05/01/2.017