domingo, 26 de fevereiro de 2017

...por medo de amar

Não deveria ter calado tanto... mas te juro, foi o medo.
Tinha medo de chorar, medo dos amanhãs tristes,
Deixei o silêncio tomar conta de todas as palavras
Que deveriam ser ditas, que minha alma queria gritar...
Mas calava! Quantas vezes meus olhos te disseram
No silêncio de dentro de mim: Te amo! Quantas vezes
Me afastei, fugi de nós para não te sentir tão viva
Dentro de mim?! Medo de amar! Medo de um adeus,
De uma saudade que talvez não chegasse nunca,
Mas preferi me enganar. Não estando contigo,
Me dizia; não haverá ausência, não haverá momento
Que possa fazer doer, nem haverá a tristeza de um adeus
Para chorar. Hoje a dor é mais doída; Ainda te amo
E nem posso te dizer. A saudade dói muito mais,
Ah! Quem me dera fosse saudade de nós, seria menor
Essa angustia, mas é o vazio de ter estado tão perto
De ter nos sentido tão vivos! Não me nego as lágrimas,
Mereço o que sinto...esperança, há muito já se foi...
Na verdade essa dor é muito maior que se houvesse,
Um dia, existido um adeus.

José João
26/02/2.017

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O eco de meus pensamentos

As vezes minha alma chora tão suavemente
Que penso ser a brisa cantando uma canção divina,
Composta por anjos para dar acordes aos prantos
Que se fazem orações como se pedissem clemência
Para essa tanta dor que apenas chega, faz morada e fica.
Me deixo ficar na imensidão do tempo, sentado no nada,
Sentindo as horas passarem lentas e o tempo assoviando
Uma canção que nem sei se existe e um vazio sem forma
Me toma todo, me faz buscar sonhos que nunca sonhei,
Apenas um desespero de me fazer outra vez ... gente.
Com passos trôpegos, voz reticente, num cambalear
Sem sentido, vou por caminhos antes percorridos
Entre flores que murcharam tanto foi a tristeza
Do adeus que nele foi dito. Os rastros se perderam,
Apenas uma falta de tudo se faz tão viva quanto triste,
E eu, entre soluços, levo apenas para qualquer horizonte,
Pedaços pedidos de mim num sussurrar inconstante,
Num mirar-me nas pedras que se fazem ponteagudas
Farpas de solidão onde o eco dos meus pensamentos,,
Como se fosse um som doente do nada, apanas
Martiriza minha alma carente.


José João
24/02/2.017

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Alguém já viu o rosto do meu silêncio?

Diz-me, a mim, como é o rosto do meu silêncio?
Já o viste alguma vez? Ele existe mais forte,
Bem mais forte que eu e nele não acreditas!
Ah! Esse meu silêncio de imperturbáveis traços!
As vezes um rosto sereno, outras vezes duro,
Rígido nos traços, mas não o vêm. Quem, por favor,
A mim me diga, como é o rosto do meu silêncio!
Meu silêncio que, sem palavras, explode em verdades
Faz-se a beleza de gritar para a alma o que sinto,
E o que só ela ouve. As vezes confundem meu rosto
Com o rosto do meu silêncio, muito mais forte,
Muito mais elegante, muito mais plácido e verdadeiro,
Muito mais confiável, ele diz tudo melhor que eu.
Mas não o vêm, não conhecem o rosto do meu silêncio
E por isso pensam que não existe. Mas coitados, e rio.
Acreditam facilmente em minhas palavras, ouvem-nas
E apenas por isso as pensam verdadeiras. Palavras rsrs
Qual delas tem apenas uma face? ?Quem jura que disse
O que queria dizer? Mas acreditam nas palavras
Porque a elas lhe dão o meu rosto. Mas o silêncio
que tem seu próprio rosto, e talvez por isso...
Não o entendam. Alguém já viu o rosto do meu silêncio?


José João
23/02/2.017

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Perdi as lágrimas que guardei ontem.

Não achei mais as lágrimas que havia guardado ontem,
Estavam enroladas em em alguns versos tristes e incompletos,
Presos com um sutil pedaço de saudade cheio de sonhos
Que se desprendiam facilmente quando perdia o olhar
No horizonte. Estavam dentro de um envelope verde...
Mais ou menos cor de esperança, eu acho. Perdi...
Perdi as lágrimas que não pude chorar ontem...
Culpa das palavras que se faziam perversamente gritos,
Como as lágrimas são tímidas, delicadas e inocentes,
Guardei-as com a poesia inacabada, queria mais saudade
Para sentir, queria buscar sonhos, momentos...ah! Esse eu!
Queria um lugar em silêncio, onde apenas o som do tempo
Se fizesse espaço para as lágrimas se fazerem voz 
No meu rosto. Até pensei juntar pedaços de poesias soltas,
De solidão e completar a poesia que deixei ontem,
Como se não soubesse que poesias inacabadas 
Não se completam com o mesmo sentir, nem o mesmo chorar.
Perdi as lágrimas, perdi a poesia, perdi o ontem e a
Vontade de me completar nas entrelinhas que quase
Ninguém entende, só a alma sabe ler nas entrelinhas.


José João
22/02/2.017

Silêncio e solidão me bastam

Hoje não preciso de ninguém...
O silêncio e a solidão me bastam...
Talvez nem amanhã...nem amanhã...nem amanhã
(quero que me amem, não que me precisem)
Tenho tanto pra me contar,,, alma pra me ouvir,
Que hoje, não preciso ouvir ninguém,
Apenas a mim mesmo me contando histórias
Das minhas dores, das ausências, dos adeus...
Não que eu me baste, mas a solidão e o silêncio
Me convenceram que nós somos apenas um e,
De mãos dadas, choramos na poesia lágrimas
Só nossas, nos olhamos ternamente, o silêncio
Nos permite sermos só nós, ninguém nos ouve
Nem nos fala e nem é preciso. As vezses me veem
Pedaços de saudades, mas nem de saudade nova preciso,
Todas as minhas saudades, mesmo as de muito tempo,
Choro com lágrimas novas é claro, entre o silêncio
E a solidão (nunca me deixam só). Quando alguém
Me diz adeus, ou não têm tempo pra mim,
Não me deixam no desespero de não saber quem sou,
Me abraçam, as vezes até me acalentam o sono...
A verdade é que hoje não preciso de ninguém
 E talvez nem amanhã, nem amanhã, nem amanhã.


José João
22/02/2.017

Um quase sem por do sol.

Lá no horizonte, um horizonte que a gente quase alcança,
O sol brinca de esconde-esconde com uma nuvem criança
(que nasceu agora a tarde), ou talvez, quem sabe, esteja
Se embelezando para um lindo se por? Só que minha alma
Ansiosa e cheia de saudade se alvoroça toda, se senta lá,
Bem alto, numa brisa que vem brincando com o mar
Desde não sei onde. E o sol?! Brincando com a nuvem
Que insiste em ficar, que insiste em se fazer parte
Do por do sol (acho que é o primeiro dela dado a teimosia)
O vento chega, tenta empurra-la e ela ... nada,
Insistiu em se fazer história, em se fazer pintura,
E o sol, por respeito ou...até mesmo carinho, apareceu
Timidamente por trás da nuvem, saudou o mar,
Até uma estrela em descabido estar, acho que saudou
Até minha alma com uma "piscadinha" (eu a senti
muito eufórica). Tentou desenhar um caminho no mar,
Desses "caminhos" que fazem o pensamento voar,
Deixa um olhar demente e um vazio sem pensar...
Mas minha alma, atrevida, cobra e cheia de saudade
Diz: Nuvem, amanhã não venha, quero meu caminho
Feito de por do sol para poder...sonhar e... voar.

José João
22?02/2.017


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Apenas eu amava!

Fico inventando amores que, agora sei, não vivi, 
Fico fazendo poesias que nas entrelinhas não sei
Se sou eu ou meu estranho mundo de fantasias,
De fingidas e descabidas fotografias, de pedaços
De sonhos, que até talvez tenha sonhado, na ilusão
De uma existência, que se fez ao tempo, inúteis
Romarias da alma a mundos ilusórios onde palavras
Vazias, ditas por apenas serem ditas, enfeitavam
Momentos, como se fossem verdades as tanas ilusões
Que nunca foram além disso, de ilusões. Agora...
Tão doloridas como impiedosos açoites da solidão
Que aprendi sentir ao saber-me vazio de mim...
Por não serem verdades... as "verdades" que ouvia!
Aos quantos...eu te amo! Que ouvia como canção,
Num embalar a alma que se enchia de sabores
Como se cada um fosse uma florida primavera 
A embalar-me a vida, os sonhos e os amanhãs?
Mas...quantos!? Quantos... eu te amo já ouvi
Com alma aberta num solene entregar-se toda?
Hoje, percebo tão triste quanto sozinho...
Que a cada um eu te amo dito a mim...era eu...
Apenas eu que amava!

José João
20/02/2.017


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Amar é um milagre.

Há dia em que a vida se faz tão estranha!
Fica tão difícil de viver! É um medo! Desses...
Que deixa um silêncio doente dentro da gente! E tudo
Fica perdido, até os sonhos se perdem confusos.
Uma solidão que se pensa maior que o medo,
Um vazio de não se ter feito, de não se ter amado.
Uma angustia, como se faltasse tanto pra se fazer!
Há dia em que a vida se faz tão absurdamente pequena
Que os sonhos parecem descabidos, e o remorso,
Por tudo que não se fez ou...não disse, se faz
Maior, mais denso, mais desesperadamente pecado.
Os pensamentos se fazem estradas desconexas
Para pedidos que talvez nem valham mais...
Histórias por si só se escrevem, vão buscar não sei onde
Momentos, que talvez nem a alma soubesse guardados,
Mas chegam nítidos, como escritas novas, vivas e...
Ficam, como se precisassem ficar, como se precisassem
Se fazer outra vez saudade. Há dia que estranhamente,
E não se sabe porque, parece dizer que tudo que se fez
Foi pouco e que amar...amar é um milagre.


José João
19/02/2.017


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Os gritos de meus olhos.

Acho que eram lágrimas, os gritos que saiam
Desesperados dos meus olhos, pedindo que te buscasse
No tempo ou nos sonhos que lentamente se apagaram
Entre as dores. Também não sei sei se eram
Pedaços de saudade misturadas com angustias,
Com vazios de solidão que me faziam sentir essa tua
Ausência, como fosse falta de tudo, de sonhar e...
Até viver, de sentir na alma a ansiedade de esperar
Os amanhãs (desde hoje ficaram tão tristes!!)
Talvez até fossem gritos desesperados de minha carência
Tentando mentir para a tristeza, que "piscava" gentilmente
Pra minha alma (a tristeza é tão falsa!) querendo
Lhe fazer morada, não fosse um pedaço de um dia,
Que nem lembro mais, só lembro que teu olhos,
Ternamente me disseram: Te amo. Aí, um sorriso
Tímido tomou meu rosto, espantou a tristeza...
Já bastavam a angustia, a solidão e a saudade
Para fazerem as lágrimas, aos gritos, saírem
Desesperadas dos olhos, que um olhar demente
As levava a lugar nenhum...mentindo que...
Te buscava.


José João
10/02/2.017


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Acho que minha alma te inventou

As vezes te acho uma invenção de minha alma carente,
No desespero de não estar só, te inventou pra mim,
Te fez verdade, te escreveu dentro de mim...e depois...
Pela perfeição do que  chamam amor...te fez saudade,
E hoje és como uma poesia que só sei sentir,
As palavras são poucas, quase nada para dizer quem és.
A criação perfeita de uma alma que só sabia chorar
Tristezas e solidão, hoje ela chora saudade, dói menos.
Minha alma te fez toda e te cultuou em mim...
Bem lá dentro dela, te eternizou como relíquia divina,
Assim como se fosses a essência de uma existência
Que faz a vida ser plena, intensa, cheia de certeza
Que o amor existe e muito mais perto do que se imagina,
Dentro da gente mesmo. Com certeza minha alma
Te inventou, não te deu nome, porque um nome
É tão pouco, (não se consegue nomear a perfeição)
Te fez um mistério, nada é mais belo e fascinante.
Quando minha alma te inventou, foi que aprendi
Que para o amor... não precisa um rosto, só alma.


José João
02/02/2.017


As vezes não sei nem de mim.

As vezes não sei o que me falta...nem o que procuro,
Percorro caminhos num vadiar solitário e demente,
Ouço o silêncio, as vezes grita coisas que não entendo,
Outras vezes me martiriza com o vazio de um nada,
Tão silencioso que ouço o gemido da alma
Soluçando saudades que não sei, de tão descabidas.
As vezes me conto histórias que nem sei se são minhas,
Mas que preciso ouvi-las para me sentir gente, vivo
A recordar momentos que parece nunca tê-los vivido.
Não sei esta tanta falta, essa tanta ausência que sinto
E não sei de quê. Uma carência do que nunca vi,
De quem não sei nem se existe. Não sei se é saudade,
Mas se for é mais doída de todas as que senti
Por não ter um rosto, um momento que me lembre
Que agora tenho o direito ou a sorte de senti-la.
Amar, amei... e tanto que até a alma chama um nome
Quando me convida para chorar. Mas essa falta
Que sinto agora,,, não sei... mas dói.


José João
02/02/2.017



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Sei que estás em algum lugar

Com certeza existes, estás em algum lugar
Onde só se chega por sonhos ou pensamentos...
E te sonho... e lá vão meus pensamentos
A tua procura. Percorrem caminhos sem chão
Em rotas que ninguém nunca traçou... e vão.
Sempre os horizontes se fazem caminhos
E a busca fica infinda porque o mundo, todo ele,
É feito de horizontes e em um deles tu estás.
Quase sempre me perco a tua procura...porquê!?
Estás muito além de mim, muito além...
Só não dos meus sonhos, que te fazem tão real
Para enganar minha carência, que até permitem
Minha alma te amar assim tão intensamente
Como se estivesses verdadeiramente dentro de mim.
Será que amar é isso? Sentir toda essa ternura,
Essa saudade que comprime o peito por quem
Nem se conhece, apenas se sabe que existe!
Quem sabe seja a necessidade de amar que faz
Essa vontade de viver!

José João
30/01/2.017


Essa minha saudade...

Essa minha saudade de ti sempre te traz de volta,
E já nem sei se é desejo ou loucura essa demência
De te ver chegando por um caminho que a lua
Desenha sobre a água, que até parece dançando
Uma canção de boas vindas. Amar faz isso...
E ainda te amo. Não importa o tempo... o sempre,
É a eternidade que guardamos dentro de nós,
Dizer que eternamente te espero é já não ter
Esperança de que chegues, mas dizendo 
Que vou sempre te esperar, engano a mim mesmo
Me dizendo que amanhã podes chegar... e que sempre,
Não seja eternamente, inocente pensamento
Para enganar a alma que tanto chora tua ausência.
Sento dentro de uma solidão infinda, só a brisa
Pra conversar comigo... diz coisas que não entendo,
Mas, pelo menos, não permite que o silêncio
Me cale o pensar...me dou a ilusão ouvir tua voz
Na voz da brisa, dizendo que te espere...
Que talvez chegues... amanhã.


José João
30/01/2.017


domingo, 29 de janeiro de 2017

As vezes nem é minha a dor que choro

As vezes minhas lágrimas são tão poucas
Para o que sinto, as vezes até para dores,
Tristezas ou saudades que nem são minhas.
As vezes empresto minhas lágrimas para chorar
Angustias de quem nem conheço, apenas choro,
Como se minha alma se permitisse sentir
Uma dor que não é dela, não me importo...
Mas apenas acho que não tenho tanto pranto
Para chorar tantas dores, por isso, as vezes
Nem choro as minhas...seria muito egoísta.
Mais fácil fingir sorrir uma dor que sinto
Que fingir chorar uma dor alheia, não é justo...
Minha alma não sabe mentir, nem confundir 
As dores, nem os prantos, nem os sorrisos.
Algumas vezes minha saudade se esconde
Dentro de mim, quieta, em perene silêncio
Porque alguém precisa chorar a sua nos versos
Que escrevo, aí minha alma se empresta toda
Para sentir e me fazer chorar uma dor
Que não é minha, mas que precisa ser chorada.


José João
29/01/2.017


sábado, 28 de janeiro de 2017

As duas faces de tua saudade.

...Me atento a ouvir quando a saudade te chama,
Até mesmo com o mais sutil de todos os silêncios,
Mas não importa, ouço o seu suave sussurro 
Em minha alma chamando teu nome, baixinho,.
Como se murmurasse uma oração, doce oração
A me deixar desperto para te buscar até mesmo
Dentro dos mais distantes sonhos que sonhei.
Te busco em todos os momentos que vivemos,
Em quase todos te vejo sorrindo, brincando
De ser minha poesia mais perfeita, tanto...
Que não a escrevi, apenas ... intensamente vivi.
E como tudo de nós dois, quer a vida, é para sempre,
Ainda hoje te vivo e já te levo para os amanhãs
Que ainda haverei de viver como se nada mais
Fosse preciso. As vezes, tua saudade vem sorrindo,
Me toma carinhosamente pela alma e me deixa
Flutuar em devaneios sonolentos... cheios de ti.
Outras vezes, quando minha carência te reclama,
E tua ausência enche o mundo de vazios, ela vem 
Em descabido furor, e me machuca, me toma 
Os olhos, derrama minhas lágrimas, e aos gritos...
Blasfema pela dor da falta de ti.


José João
28/01/2.017


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Minha história de todos os dias.

Como mentem! De mim e das poesias que escrevo!
Dizem que as faço num piscar de olhos. Mentira.
Rio-me até...em gargalhadas alegres, ou tristes,
Ou chorosas, gargalhadas de momento, as vezes
Até eu me confundo se são verdadeiras ou fingidas.
Minhas poesias não nascem num piscar de olhos,
Mas de cada pulsar de um coração que chora...
Saudades, dores, perdas, angustias e até remorsos.
São gritos, ou mesmo sussuros que minha alma, 
Em lágrimas, se deixa, sem nenhum pudor, chorar
E deixar que vejam sua triste aflição por ser só.
Minhas poesias, quem sabe, escrevo com anjos
Que por piedade choram comigo, sabendo ser tanta
Essa dor que não suportaria senti-la sozinho!!
Minhas poesias, não escrevo num piscar de olhos,
A não ser que cada um deles seja uma lágrima...
Porque cada uma é um verso, é um pedaço de mim
Que sai como eco de uma tristeza que se fez...
Desde muito...minha história de...todos os dias.


José João
26/01/2.017

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Palavras que meus olhos sabem dizer

Desde muito, até já não lembro mais...
A vida permitiu que minha alma gritasse
Ao mundo com os olhos, como se falassem
E contassem toda a angustia que a ela aflige,
De cada olhar fez uma palavra, apenas algumas 
Ficaram para sempre. E hoje, meus olhos aflitos,
Em devaneios mórbidos, gritam solidão, tristeza,
Saudade e carência que não doeria tanto não fosse
A carência de mim mesmo, me esqueci do que fui.
A solidão, que meus olhos gritam em silêncio,
Se faz tão intensa que já não importa o lugar,
Onde estiver ela se faz toda, se faz viva...
Senhora de mim, a levar-me por caminhos vazios,
Sem marcas, onde o silêncio é o dono absoluto
Do tempo. E a tristeza! Esta nunca vem só,
Além de forçar meus olhos a fielmente traduzi-la, 
Me exigem lágrimas, para assim ela se fazer
Vaidosamente brilhante, querendo se tornar bela.
Ah! Não fosse a saudade, que chega correndo,
Lá de dentro de mim, trazendo um outro olhar
Para os olhos... que tristes, fingem ser um sorriso.


José João
17/01/2,017


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Eternamente nós dois

Para sempre, é o que diz o tempo, diz a vida...
Quando amar é deixar dentro de nós, dentro da alma,
Todos os momentos vividos. Te deixei toda
Dentro de mim, te fiz, desde meus mais belos sonhos,
Até a verdadeira razão de uma existência que, até agora,
Depois de tanto, ainda se alvoroça ao sentir tua saudade.
Me fiz servo desse sentir, e me entreguei, sem medos,
A essa louca insistência de ser teu, mesmo tão longe,
De sentir tua alma afagar a minha, em plena doação
De nós. Te fiz a melhor parte de mim e, ainda hoje,
Essa ansiedade de ser teu, mesmo sendo só saudade
Faz plena, cheia de ti, essa minha vontade de viver.
Quantas vezes meus olhos te gritaram, eu te amo,
Como se fosse a voz de minha alma te confessando
Minha maior verdade! Ficaste em volta de mim,
Ocupando todo o espaço, me perfumando o tempo,
Brincando de fazer eterno o infinito que nos fizemos.


José João
16/01/2.017

domingo, 15 de janeiro de 2017

Para onde foram as poesias?

Há muito não me chega nenhuma poesia,
Acho que se perderam por aí, se esconderam.
Quem sabe, dentro de sonhos que não são meus?
De saudades que nunca senti, ou talvez ainda...
Até tenham se cansado de minha solidão?
Sempre a mesma, as mesmas tristezas...angustias...
E os versos se foram... o papel em branco,
As mãos trêmulas, lágrimas hesitantes...
No pensamento um vazio... um não ser ninguém,
Nenhuma poesia, mesmo que fosse incompleta,
Que só dissesse um pedacinho de mim...nada!
Minha alma se desespera, exige gritar em versos
A dor que sente, me faz correr entre dicionários,
Buscar palavras que se façam lágrimas, que chorem
Nas linhas ou entrelinhas dos poemas a dor 
Que ela quer chorar. Mas eu, apenas sussurro um canto,
Sem melodia, sem começo, sem fim...sem mim.

José João
15/01/2.017

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Talvez o que procuro sou eu

Não  sei fazer poesia, só sei chorar versos,
Como fosse um pássaro preso, não gorjeia...
Apenas chora em notas tristes a dor que sente.
As vezes sou artesão, juntando prantos e saudades
Na tristeza de um sorrir fingido, tecendo nas entrelinhas
Histórias que finjo e até pensam não serem minhas,
As vezes sou artista, como um pobre solitário escultor, 
Esculpindo lágrimas num rosto que parece gritar de dor
Talvez uma dor de saudade, que até a alma chorou,
As vezes me sinto um pintor, desenhando num papel
Um pedaço de amor, ou um perfume de flor
Como se fosse magia, coisas de um sonhador
Que, coitado, sonha acordado alguns sonhos, 
Sonhos perdidos, que nunca ninguém sonhou.
As vezes me  sinto um louco, indo a lugar nenhum
Buscando em estradas vazias, olhar distante, perdido,
Como buscasse no tempo o que nem sabe onde perdeu,
Talvez, nessa minha loucura, o que procuro sou eu...


José João
06/01/2.017


Para sempre

Não tem como não ser pra sempre o que sinto,
O que me ensinaste sentir, como ensinaste sonhar,
Amar, viver os dias sem medo dos amanhãs,
Não tem como não ser pra sempre o que sinto,
Me fizeste aprender que viver é amar na plenitude
Da vida, sem limites, sem fronteiras, sem temores,
Brincar nos dias, colorir as horas e fazer o tempo
Parar nos momentos mais ternos e deixa-lo ali,
Na eternidade de cada instante que fizemos de vida.
Ah! Se não houvesse adeus, nem idas, nem distâncias,
Se não houvesse partidas, nem lágrimas, nem acenos!
Como nos sonhei... sem um antes e nenhum depois, 
Como se o sempre fosse de nós dois, apenas nosso.
Mas coisas da vida, o que nem sabemos explicar,
De repente nos deixa só, como se só a saudade
Fosse preciso pra fazer de sempre o que teve um fim
(só a saudade é preciso pra fazer de sempre
o que teve um fim)

José João
06/01/2.017


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A sorte de amar

A ti, te digo sem medo de dizê-lo,
Amar é também, creia-me, chorar
É sentir na alma uma dor diferente
Que dói, machuca o coração da gente.

Não que não se deva de todo amar
Viver sem que isso aconteça não é viver
Mas há de se ter sempre e bem guardar
Lágrimas, um dia se tem que precisar

Pelo que já senti, digo, sem medo de errar
Que uma saudade, mesmo tão dolorida
Vale a pena, por um lindo pedaço de vida

Digo, pelo que me foi permitido sentir
Que por todo resto da vida vale chorar
Se você, por um dia, tiver a sorte de amar

José João
05/01/2.017


Finalmente...uma saudade alegre

Finalmente uma saudade que não se fez dor...
Só se fez mesmo saudade, até brinca comigo,
Brincando de brincar com os sorrisos que ficaram,
Com as palavras, que até sorriam ao serem ditas,
E tão cheias de carinho que preferiram ficar,
Se fazem eco de momentos em que viver foi...
Tão viver, que alma, coração e saudade se juntam
Num festejar sem hora, sem tempo, mas se fazendo
De sempre, se fazendo de... para sempre.
Tudo ficou tão novo, uma alegria tão diferente
Que está em todos os lugares e, em cada um...
Um sorriso, nos corredores, atrás das portas,
Nas janelas, em todo lugar tem um sorriso
Espantando alegremente a gente. Finalmente
Uma saudade sem dor, sem lágrimas, nem prantos
Sem ontens tristes. Tudo  ficou diferente...
Até o ar, parece, ficou com um perfume novo,
As fores, lá fora, ainda agora se enfeitam vaidosas,
Querem eternizar o momento em que uma saudade,
Alegremente, só se fez mesmo saudade


José João
05/01/2.017



Minhas duas lágrimas

Chove lá fora, como se a natureza quisesse chorar
Toda a dor que sinto, como se soubesse da minha 
Carência de lágrimas, choradas por tantas outras dores,
Adeus, saudades que ficaram e nunca passam.
O vento, como se cantasse uma canção sem nome,
Como um balbuciar desconexo insiste em fazer-se
Minha voz chorando uma dor que é só minha...
É noite, é chuva, é vento, é tristeza, é solidão...
As lágrimas caem como fossem orações perdidas,
O pensamento se perde em vontades loucas,
Erra os caminhos, confunde-se com o tempo...
As vezes quer ir e nem sabe pra onde, apenas ir
Como se a dor não fosse junto. Outras vezes,
Incoerente, volta ao tempo como se não tivesse
Ficado dores que apenas estavam escondidas
Dentro da alma prontas para serem dor outra vez.
Abro a janela, o vento acaricia meu rosto,
A chuva, deitada na calçada, vai irreverente,
E.. de repente... uma lágrima pulas dos olhos...
E mais outra, e vão... se misturam com a chuva
Até onde irão? Minhas duas lágrimas...
Tão pequeninas, mas tão valentes levando com elas
Um pedaço de mim e... de minha alma....


José João
05/01/2.017

Essa tanta saudade de mim.

Por vezes, ainda choro quando me lembro de mim.
Quando me lembro de sonhos que nunca passaram 
De sonhos, se fizeram angustiantes segredos da alma,
Ficaram como tristes e mórbidas lembranças
Do que nunca pude viver, sentir ou fazer história.
Esses sonhos mortos se perpetuaram, se fizeram
De sempre, tão densos que não me permitem sonhar
Sonhos novos e os horizontes são sempre os mesmos,
Os caminho que a vida reserva são cheios dos temores,
Dos medos que aprendi sentir por ter sonhado
Sonhos que nunca vivi. A dor que me dói é tanta,
Que me permito chora-la, mesmo entre a multidão,
Sem medo do ridículo, apenas sentindo vergonha...
Pena de mim mesmo, pela saudade que sinto de mim.
Entre as tantas carências, entre as ausências,
Dentro da solidão que não escolhe hora pra chegar,
Entre o vazio e nada para pensar, me procuro...
As vezes volto no tempo a buscar-me, e sempre, 
Na volta, a saudade de mim mesmo...dói muito mais.


José João
05/01/2.017


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O provedor de lágrimas

Quanta dor ao peito aflige em triste angustia!
Quanto pranto, por tristeza, derramado!
Mas que seria da alma... muda e silenciosa
Não fosse, por sorte, o prazer de ter chorado?

Chorando um pranto, que mesmo triste ainda é belo
E nela, na alma, que bom a saudade ter ficado
Assim o tempo não se faz cruel carrasco
E da alma, o pranto, é prazer por ter amado

Por destino, o tempo para a alma, não é passageiro
Nem tão pouco a alma, para o tempo, é viajante
As duas existências se confundem e por tanto
De eterno, para a alma, também será o pranto

E eu, da alma, pequeno espaço a contentar-me
A ser somente provedor de lágrimas e de pranto
Que em soluços e tristes ais se vão ao tempo
Apagando lembranças do que um dia me foi encanto


José João
reedição (04/10/2.011)


sábado, 24 de dezembro de 2016

Poesia...um pedaço de nós



"Minha" poesia não tem cor, talvez tenha gosto,
Para alguns o gosto da dor, para outros de saudade,
"Minhas" poesias são versos de palavras soltas,
Livres, nem dono têm, são de todos, de reis,
De mendigos ... "minha" poesia apenas conta histórias,
Umas vividas outras sofridas, choradas, paridas
De saudades, de dores, de adeus, angustias...
Na verdade, "minha" poesia é promiscua, se entrega...
Sem pudor , para quem, com ela se parece.
"Minha" poesia, essa que me toma, se arranca de mim,
E vai como louca, e corre, e voa, se faz pedaços,
(as vezes só querem um verso) mas ela ri,
Nem se importa, as vezes um verso conta uma vida.
Muitas vezes as palavras dos versos caem no chão...
Como lágrimas, as palavras se fazem lágrimas
Para que a alma possa dizer sua dor, seu martírio...
E alma , quem não a tem? Se não tiver a poesia cria.
"Minha" poesia é um pedaço de todo mundo...
Do rei, do mendigo, do vagabundo...sem orgulho,
Porque ela é assim... simplesmente uma poesia.
Um pedaço de todos, um pedaço até de mim.


José João
23/12/2.016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Gorjeando prantos

A mim só me restou um canto triste
Como fosse um gorjeio sofrido
De um pássaro que moribundo
Chorava não mais poder voar,
Quebraram-lhe as assas, mataram-lhe
Os sonhos e o céu... onde tão perto chegou
Em volteios soltos, alegres, sem rumo,
Se fez agora distante mundo, beleza triste
Que não mais pode alcançar.
Qual pássaro no chão caído, gorjeando
Prantos tão doloridos, se fez a alma,
Lhe arrancaram os sonhos,
Lhe calaram os pensamentos, 
Estes, que como asas lhes permitiam, ir...
Ao longe, em distantes horizontes, 
Fazendo rotas para poder chegar
Onde lhe seria o céu, um coração,
Que em inocente cio pudesse amar.
Qual triste pássaro, coitado, 
Agora assim... tão distante do céu, 
Se parece com minha alma
Tendo os sonhos indo sem rumo, 
Quase mortos... perdidos... ao léu


José João
23/12/2.016


Feliz Natal

É Natal... os corações se abrem em risos, o mundo parece ter outra cor. A esperança por um mundo melhor brilha nos olhos daqueles que amam. Os pedidos ao bom velhinho são feitos, como se fazem para as estrelas cadentes. É Natal, há uma magia solta no ar que nos faz sonhar os mais belo sonhos, desenhamos o futuro como gostaríamos que fosse, e vamos nós a caminho dele, cheio de certezas que dias melhores virão, que as conquistas aconteçam, que a felicidade seja uma fiel companheira para todos nós nesse ano que parece vir sorrindo, cheios de coisas novas, coisas boas que desde já nos acalentam a alma. É o que desejo para todos. Mas também que os corações se abram e amem, que olhemos o próximo com amor, carinho, afeto e a vontade de vê-lo feliz. Que nos seja fácil dar um sorriso, um abraço, uma palavra de carinho ou até de conforto para quem dela precisar. Pedimos, queremos e desejamos tudo de bom, mas os desígnios de Deus vão muito além de nós, portanto, devemos plantar boas sementes para colher bons frutos. 
Espero que, neste Natal, a poesia entre em todos os corações, se faça uma Ave Maria que cheia de graça permita que a bondade, o amor, a esperança e as realizações se façam tantas que não sobre tempo para nenhuma tristeza e que, se prantos houverem, sejam alegres, risonhos, porque os sorrisos  das grandes conquistas, são lágrimas alegres a gritarem ao mundo. 
Que neste Natal os sinos toquem como se fossem orações divinas, cantadas por anjos que  beijarão cada um dos corações deixando em cada um...um mundo de felicidade. Que Deus abençoe a todos. São os votos de Poesias e Poemas.

José João
23/12/2.016

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Brincando com o tempo

 Ontem me perdi brincando com o tempo,
Até o esquecimento se rendeu e conversamos os três
Sentados na raiz de um florido pé de flamboyant
Que nem existia mais (como disse, estava brincando
com o tempo) Tão boa a conversa que chegaram sonhos...
Tão antigos que até o esquecimento pensava
Que eu já os tivesse esquecido, acho que foi o tempo
Brincando de ser mágico e trazendo até saudades
Antigas que já havia chorado... há tanto tempo!
Conversamos sobre os adeus que ouvi, e surpreso,
Ouvi o florido flamboyant, dizer que. um dia,
Ele me viu, encostado nele, chorando um adeus
E com tantas lágrimas que lhe regou as raízes,
(achei um certo exagero) mas o tempo confirmou,
E até o esquecimento (as vezes omisso em casos
assim) disse que não havia me permitido esquecer,
E essa saudade, antes tão distante, se fez de ontem
E chorei com lágrimas novas.., ela outra vez.
Ontem, eu, o tempo, o esquecimento, a saudade,
E até o pé de flamboyant (que nem existe mais)
Falamos tantas coisas de mim, que hoje, a alma
Nem sabe mais por qual história chorar... 
Apenas chora.


José João
21/12/2.016

Essa tanta falta de ti!

Por quantos caminhos ainda terei que andar...
Quantos horizontes ainda terei que ver chorando
Sem chegar a lugar nenhum! Por não  ter como ir,
A não ser em pensamentos, onde penso que estás!
Quanto tempo ainda haverei de chorar sozinho?
Sabendo que existes sem saber onde te encontrar...
Sento, sozinho na beira do mundo, num canto
Qualquer da vida te esperando e, uma saudade
Descabida, de um angustiante sentir, machuca a alma
Que ajoelhada pede clemência para essa tanta dor. 
Lágrimas me caem no rosto gritando a carência
Que tua falta me faz, e essa tua eterna ausência
Me deixa apenas sonhos que tenho medo de sonhar.
Me perco em estradas sem rumo, sem margens,
Onde nem o eco dos meus soluços, e são muitos,
Me incentivam a ir, mas ficar... também é triste,
Onde quer que esteja, o vazio que deixas na alma
Me angustia e, a solidão se fazendo companhia,
Me leva, em silêncio, para dentro dessa saudade
Onde apenas sinto essa tanta falta de ti. 


José João
21/12/2.016

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Tua saudade me alegra a alma.

Ah! Essa distância! Essa ausência tua!
Que me comprime até a alma, que ajoelhada,
E aos gritos, te chama, na ansiedade
De uma quase loucura que me toma todo.
Sento dentro da tarde, olhar vago num horizonte
Que nem sei a cor, perdido entre os nadas
Que povoam um pensamento mais triste que vazio
Clamando em orações que se vão perdidas
Sem eco, num sepulcral silêncio de deserto
Em que os murmúrios parecem soluços perdidos
Indo a esmo a lugar nenhum. Ah! Essa tua falta!
Quando foste me deixaste apenas a sombra de mim,
E confesso, sem pudor e sem medo dos prantos:
Sou tão carente de ti, sinto tanto tua ausência
Que tua saudade quando chega, traz euforia
Pra minha alma, traz alegria para as lágrimas
Que brincam soltas nos olhos, escrevendo
Teu nome carinhosamente em meu rosto.


José João
19/12/2.016



Talvez um dia...

Talvez um dia, quando o tempo se cansar
De te fazer essa tão dolorida saudade,
Quando as lágrimas choradas pela alma
Se fizerem poesias livres em meu rosto
Contado nossa história, em divinal doçura,
Ai me sentirei dono de uma saudade nova,
Verdadeiramente cheia de ti... de nós.
Estarei vivendo todos os sentimentos
Que deixaste vivos dentro de mim
Para que os sinta por nós dois, para sempre.
Vou me perder nos teus guardados que ficaram
Dentro da alma como relíquias divinas
Como histórias tecidas carinhosamente 
Que em tão pouco tempo se fizeram eternidade.
Quando essa saudade, que parece de ontem,
Não fizer mais dor, nem prantos, nem carência,
Quando todos os meus pensamentos se fizerem
Teus na mais plena entrega de um sentimento
Sem angustias e com uma saudade alegre,
Volto a viver outra vez... o que um dia vivi.

José João
19/12/2.015



terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Pedaços completos de mim

A vida me dividiu para me deixar completo,
Me fez em partes, completos pedaços de mim,
Uma parte de mim é saudade que grita um nome
Que se fez eco na alma e de lá nunca mais saiu.
Outra parte de mim é tristeza, que me chega
Aos olhos com lágrimas que brincam fingindo
Que estão contando uma história de amor.
A outra parte de mim é solidão, que em silêncio
Me leva em lugares onde nunca fui, me faz beijar
Lábios que nunca vi, me leva para horizontes
Distantes, sem caminhos, onde só vão pensamentos,
Os mais carentes, ou talvez os mais desesperados.
Outra parte de mim são os sonhos, coitados, caducos,
Perdidos no tempo, cabelos brancos e ainda juram
Que são sonhos que aconteceram e os guardei
Como relíquias, mas nunca se fizeram verdades.
A outra parte de mim sou eu... a menor parte,
Que nada seria não fosse ter amado tanto
Pra vida me dividir em pedaços completos de...
Sentimentos que me aliviam a dor de estar só.

José João
13/12/2.016

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Meus fingidos legados

Em orações, que nem sei se são ouvidas,
Em solene contrição, joelhos postos ao chão
Peço com a humildade daqueles que sabem chorar
Que não me tire, Senhor, meu direito de sonhar

Que por mais dolorida, ou mais triste seja ainda
Deixa em mim essa saudade, mesmo em pranto
Que com ele a alma inunde o mundo, inunde tempo
Mas que o faça em mim, verdade a meu contento

Os sonhos que mesmo em lágrimas molhados 
Haverei ainda de sonhar e que não me seja negado
O direito de fingir que todos a mim foram legados

Por momentos que a alma tanto insiste ter vivido
E que nenhum em mim, jamais se faça o derradeiro
Pra que nunca ela saiba, o último ou o primeiro


José João
12/12/2.016

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Assim me fiz lágrimas

Não me fiz versos, me fiz lágrimas
Me escrevi em meu rosto minha dor
Não me fiz palavras me fiz pranto
Soluçando soluços como fossem canto

Não me fiz eu, me fiz o resto de mim 
Até brinquei de me enganar, de fingir
Fiz sorrisos que nuca soube sorrir
Mas tentei, como se soubesse mentir

Desenhei sonhos que nunca pude sonhar
Esculpi meu rosto em pedras de solidão
Amarrei a saudade numa nuvem a flutuar

Feito pipa de papel que chega perto do céu
Mas ela se foi se perdendo sem caminho, 
Me fiz versos pra poder chorar baixinho


José João
05/12/2.016


Apenas uma canção

Quero cantar, mesmo entre lágrimas, uma canção,
Em acordes que meus soluços sabem de cor,
Em melodias que minha alma aprendeu chorando
Com as tantas saudades ainda vivas e sentidas,
Com os vazios que ficaram depois dos adeus.
Quero cantar uma canção de versos completos,
Que digam a dor que a alma sente e sozinha chora,
Digam dos sonhos que se fizeram perdidos, sem volta.
Quero cantar uma canção como fosse uma oração...
Divina, que sai do coração como um eco triste,
Num desesperado grito, que até o silêncio se perde
Em prantos, soluçando palavras que não pode dizer.
Falar das histórias mais vividas, das dores mais doídas,
Dessas que doem desde os olhos até a alma,
Que passam por sobre o tempo, ironizam o esquecer,
E se fazem sempre, como se toda dor fosse de ontem.
Quero cantar uma canção e, se chorar... vou fingir
Que estou tentando um acorde que a tristeza...
Está me ensinando agora,


José João
05/12/2.016


sábado, 3 de dezembro de 2016

Hoje as lágrimas me traíram

Hoje minhas lágrimas estiveram cansadas,
Deitaram-se apáticas em meu rosto, sem brilho,
Sem força de chorarem a saudade que sentia.
Ficaram adormecidas como se estivessem 
Perdidas entre as dores que a alma chorava.
Nem os adeus mais doídos, trazidos do tempo,
Foram capazes de faze-las prantos avulso
Como sempre fazem quando a alma chora.
Não entendi minhas lágrimas, tudo estava
Como sempre, a solidão brincando de vazio,
A tristeza se desenhando em sorrisos fingidos,
A angustia me fazendo rezar orações que não sei,
Tudo como sempre, e as lágrimas... preguiçosas!
Os olhos pareciam se contorcer em silenciosos
Gritos que o olhar levava como eco perdido,
Num mórbido silêncio de um nada dizer...
Até os versos se fizeram pedaços inacabados
De poesias incompletas, rotas, secas.
Ainda bem que não precisam de lágrimas
Para contar da tristeza que a alma sente.

José João
03/12/2.016

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Nunca mais fiquei sozinho

Quando a solidão fazia festa em mim,
Quando calava meu pensamento e minha voz
Para fazer-se única... tudo era tão triste...
E eu... tão só, caminhando pelos vazios
De caminhos que se faziam apenas veredas,
Onde lugar nenhum era um lugar para chegar.
Apenas lembranças perdidas, sonhos mortos
E um gemido como se fosse um canto, iam comigo,
Cantarolando uma canção que nunca tinha fim,
Um dia, um anjo, desses anjos que do "nada"
Entram em nossa vida, se aninham na alma,
Fazem afagos, nos tomam pelas mãos
E carinhosamente nos ensinam a viver e amar.
Nos tiram o medo, nos lavam com o inocente
Prazer de nos fazer sempre mais amantes...
Mas depois... se vão, sem rastros, sem estradas
Mas ficam dentro de nós, não nos deixam...
E nunca mais me senti só, sempre esse anjo...
O que era solidão, hoje se faz saudade,
Não essa saudade triste que faz chorar...
Mas uma saudade risonha, que até as lágrimas
Enfeitam os olhos como crianças brincando
De ser feliz...

José João
02/12/2.016