domingo, 28 de dezembro de 2025

Um só aceno... deixa a poesia viva

 Que querem que eu faça de mim? Que eu grite?
Que vá pelas ruas gritando que meu pranto secou?
Isso não interessa a ninguém, é só meu o pranto
Ou finja dizendo que minha alma nunca chorou?

Se nas poesias que faço os versos choram por mim,
Que culpa tenho? São as palavras que se fazem vivas
Se as linhas se misturam costuradas entre rimas rotas
Não é culpa minha, é a tristeza trazendo palavras soltas

E assim vou, sem me preocupar se a poesia é triste,
Se os versos são longos, são curtos ou são costurados
Com tristezas, saudades, se ficam perdidos no tempo

Se são chorados, se nos versos encontram lágrimas,
Saudades que nunca foram esquecidas ou... estão vivas
Um só coração que me ouça já me deixa a contento

José João
28/12/2.025

Para ter belos sonhos... é preciso ter chorado

 Ah! Como é fácil sonhar! Buscar sonhos no tempo!
Fazer que sejam coloridos, cheios do que se quiser,
Ternas carícias, doces beijos, palavras que a alma fala
A ternura de ouvir os olhos dizerem o que ela não cala

Ouvir o silêncio contando histórias que se quer lembrar!
O sussurro do pensamento trazendo lembranças vivas!
Tudo fica tão perto, tão dentro da gente, o mundo para
E a vida grita dizendo que viver é o mesmo que amar

Tenho meus sonhos guardados, os que sonhei estão aqui
Os que vou sonhar estão nascendo da saudade que sinto
Saudade e tristeza fabricam belos sonhos, isso eu aprendi

Para sonhar belos sonhos é preciso um dia ter chorado
Que alma tenha feito que os prantos pintassem a vida
Assim nascem sonhos coloridos todos por ela moldados

José João
18/12/2.025

Hoje não tem poesia... volte amanhã

 Tirei o dia de hoje para não fazer nada... NADA,
Opa! Estão batendo na porta. Quem é? O que quer?
Se for açúcar, não tem. Não tem café também.
- Não, vizinho, não vim lhe pedir nada disso...
Vim apenas pedir uma poesia, o que custa, não é?
-UMA POESIA!!!!! Hoje não vou fazer nada,
Nem poesia.... volte amanhã, amanhã...
- Mas vizinho... - AMANHÃ, hoje não posso.
Ora vejam... ontem a saudade veio cheia de prantos,
Chorei sentado no jardim conversando com o tempo.
A tristeza e a solidão chegaram cheias de ironia...
Trouxeram com elas, um silêncio que doía na alma,
Um vazio que me tomava todo, me fazia tremer, 
As palavras, as rimas todas á minha disposição
Como se brincassem comigo de bem me quer...
Uma angustia cheia de conflitos e incertezas...
E... ninguém veio pedir poesia... hoje, logo hoje
Que não quero fazer nada... pedem poesia..
VOLTE AMANHÃ... hoje não sei fazer poesia.
-E eu que pensava que poeta só sabia fingir...

José João
28/12/2.025

Hoje não quero fazer nada... nem poesia.

 Hoje, quero não fazer nada, sim não fazer nada.
Quero apenas sonhar... é fazer alguma coisa?
Correr entre jardins, mesmo sentado no tempo,
Brincar de fazer  o pensamento buscar histórias...
Saudades, sonhos, só isso, não quero fazer nada...
Hoje, decidi, hoje o dia é só para não fazer nada...
Nem poesias. Pensei ir conversar com as flores...
Mas ir, já é fazer alguma coisa, conversar com flores
É fazer uma outra coisa e não quero fazer nada...
Vou imaginar poesias que devem estar soltas por aí
Volteando com a brisa, passeando no horizonte,
Brincando de se completar em versos com rimas...
Até que chegue o amanhã e nele faça alguma coisa.
Por enquanto, vou apenar ficar aqui, sem fazer nada.
Ah! Se virem uma poesia solta por aí... diga-lhe
Que venha amanhã. Só amanhã vou estar disponível.
Hoje ... não quero fazer nada... nem poesia.

José João
28/12/2.025

A ilusão de sonhar sonhos alheios.

 Quantas vezes renunciei a mim mesmo!
Até sonhei sonhos que não eram meus,
Emprestei os olhos para chorar dor alheia,
Corria entre dias coloridos, jurava serem meus,
Sorria sorrisos como fossem verdadeiros...
Ah! Essa vida! Como a ilusão é bonita!!
Nela, nunca se vê o que não se quer ver
E tudo fica um conto de fadas... até que...
Tal folhas de outono que caem com a brisa...
Que murcham, secam e vão levadas como nada...
Assim são os sonhos que não são os seus...
Se vão e se perdem na angustia que fica,
Na dor que não passa e uma triste saudade
Faz, que agora, os prantos chorados sejam seus,
Sonhar sonhos que lhe pediram para sonhar...
É o mesmo que semear sementes desconhecidas
Nunca se sabe o que vai nascer... e quando nasce
Nem sempre é a flor que você gostaria de ter...
E não tem como arrancar, o jardim não era seu.
Ah! Essa ilusão de sonhar sonhos alheios...

José João
28/12/2.025

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

... Se todo dia fosse dia de Natal...

 Os sinos badalam em apenas uma nota dominante
Como se nada mais fosse preciso para seu cantar.
O tempo se pinta de cores que mostram só alegria 
Ao longe, ouve-se o Jingle Bells em doce harmonia

Parece que o tempo, por divina magia, se enfeita
Até a brisa, fica num ir sereno, volteando livre
Sussurrando cantos que só ela sabe sentir e cantar
E um rouxinol lhe acompanha num belo gorjear

Tudo é poesia, até se ouve, da alma, doce declamar
Como se ela estivesse envolvida em terno milagre
De fazer-se voz, em que só o coração pode escutar
E vai longe um pensamento, em que pensar é sonhar

Os olhos umedecem, com se fosse preciso chorar,
Com lágrimas calmas, serenas, um sorrir diferente, 
Tão terno é o momento, que a gente, até se sente gente
Como se alguém sussurrasse: o amor está presente 

Ah! Quanta beleza! A gente se toma todo de nós,
Se entrega a um estar cheio de inocente ternura
O amor parece estar vivo, como fosse tão natural!!
Que bom seria, se todos os dias fosse Dia de Natal!

José João
25/12/2.025

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

... que todo dia seja Natal.

Quem dera todos os dias fosse Dia de Natal!!
O sino badalando nos corações, agora ternos,
O Jingle Bells alicerçando pensamentos puros
Os sorrisos alegres se fazendo gestos fraternos

Hoje é Natal, o dia do nascimento de Jesus, 
Aquele que ensinou a pureza sublime de amar,
Que amou apenas por amar, por ser Cristo
Se entregou todo e pleno sem nenhum chorar

Sentindo a dor por nós, nós... pobres pecadores
Que ainda hoje pecamos, mas é Dia de Natal
Viva Jesus Cristo, Jesus de Nazaré, o carpinteiro
Aquele que pede, para em nós, ser o primeiro

Que sempre, em nós, seja essa festa de Natal
Que saibamos entregar, sempre, sorrisos e ações
Que nossas mãos sejam abençoadas ao doar
E que seja Ele, sempre a habitar nossos corações

Que nossas almas se juntem na alegria de viver,
Que aprendamos dizer o que o outro precisa ouvir
Que todo dia seja Natal, um exercício de bondade...
Basta que saibamos o que é amor e generosidade

José João
22/12/2.025

A ousadia do tempo...

Tempo! Exijo que devolvas meus momentos risonhos
 Não te permiti que os levasse, como se fossem teus,
Afinal, eram meus, fui eu quem os senti, eu os vivi
Portanto, exijo, devolva os momentos que eram meus

Quem, a te permitiu que os levasse e deixasse pranto?
Por acaso, eles também não eram meus? Não os tinha?
Mas por serem meus, os usaria quando bem quisesse
Não que levasse os momentos risonhos, coisa minha.

Portanto, a te exijo. traga-os de volta e que seja logo.
Queres levar o pranto, leva-o não preciso dele agora,
Se for preciso usa-lo, só eu, e apenas eu, sei a hora

E não venhas com ditos que a mim não convencem,
Que por saberes dos amanhãs sabes todas as verdades
Acaso sabes que esses momentos me vêm com a saudade?

José João
22/12/2.025

Só... mas não tão sozinho

 Não vou pedir amor, ficar mendigo de migalhas.
Estender as mãos pedindo restos. Não, não faço.
Não vou mendigar um pedaço de olhar perdido,
Que nem foi pra mim, nem vou pedir restos
De palavras que ficaram perdidas, soltas no tempo
Sem que  ninguém quisesse ouvir. Prefiro estar só.
Tenho minhas lágrimas que, carinhosamente,
Afagam meu rosto nos momentos mais tristes,
Minhas mãos que acariciam minha fronte
Quando meus pensamentos se vestem de loucura,
Minha voz, mesmo reticente, cheia de soluços,
Sussurra canções que o tempo me traz e me perco
A ouvi-las com a alma... cheia de encantamento,
E meus olhos! Mesmo lacrimejantes, indo buscar
Sonhos que nunca sonhei, indo buscar imagens
Que a esperança pinta pra mim em tons de verde.
E, finalmente, uma saudade, mesmo de quem não sei,
Mas que se veste de senhora, elegante, vestido longo,
Branco, esvoaçando ao vento, cabelos brincando
De dançar com a brisa, sorrindo como se dissesse:
Te amo. Assim...não vou pedir migalhas...
Mesmo estando só...mas não tão sozinho.

José João
22/12/2.025

domingo, 21 de dezembro de 2025

Poesia... vento de primavera

De repente, como fosse o vento, mensageiro mágico
Que vai volteando e levando ao mundo palavras ditas,
Gritadas pela alma, que até então, se fazia triste e muda
Aí vem a poesia como vento de primavera, dar sua ajuda

Feito palco iluminado, abre as cortinas e se entrega toda
A mostrar a pureza da desnudada inocência da poesia
Que antes, sem voz, se escondia num canto do tempo
Hoje, grita alto seus versos, dores, saudades e fantasias

E assim, a vida, de braços abertos e de generoso colo
Como  mãe cativa, que abraça os filhos e lhes dar calor
Passiva, ouve de cada um, suas tantas tristezas e alegrias,
E se faz um doce mundo encantado com histórias de amor

E embriagado pelo perfume de poesia que ao tempo vai 
Entrego-me a sonhar, como sonham aqueles que amam
E me entrego todo ao sentir a emoção que todo amante sente
Ao sentir-se abraçado, sentindo o calor de um abraço ardente.

José João
20/12/2.020

sábado, 20 de dezembro de 2025

O que me desperta e motiva é...

 O que me desperta e motiva a amar é saber...
Que mais de meio mundo continua dormindo
Para as tantas emoções que ainda não sentidas
Faz que se percam no vazio e a tristeza sorrindo

Saber-me cativo a um sentimento que faz viver
Que inunda a vida de prazer e faz sonhos vivos
Se fazerem realidade, que faz a magia do ser
Sair do silêncio e ficar maior o gosto de fazer

O que me desperta e motiva é ver-me sorrindo,
Enquanto tantos, por tão pouco, choram aos gritos
Uns com doloridos prantos, outros apenas fingindo

O que me desperta e motiva é saber gritar: te amo
É sentir a alma, por tanta alegria, sorrindo, chorar,
Enquanto mais de meio mundo já não sabe mais amar

José João
20/12/2.025

Um Natal com Jesus

Ei! Eu Lhe conheço. Você é Jesus de Nazaré. Não é?
Aquele que quando nasceu uma estrela guiou os Reis Magos.
Você nasceu em uma manjedoura... Sim! Você é Jesus...
Jesus... Filho de Deus. Hoje festejamos o teu nascimento,
Fazemos festas em Teu nome...
Desejamos a todos, ainda em teu nome. Feliz Natal.
Estou indo num louvor ao Teu nascimento...
Vê! Vesti minha melhor roupa, afinal você é Jesus...
Você merece. Venha comigo, meus amigos vão estar lá
Imagina que honra lhe apresentar a todos eles!
Venha! Vamos... chegamos, é aqui.
Senhoras e senhores... Este é Jesus de Nazaré...
Está nos honrando com sua presença...
Jesus... estes são os meus amigos... Você já os conhece.
Como?? Ele disse que não pode ser visto, mas está aqui
Abraçando a todos nós. Obrigado, Jesus... Ele...
Está dizendo que está difícil louvores verdadeiros
E que está muito feliz em o louvarmos com tanto amor.
- Obrigado, Jesus. O Sr. vai ficar conosco?
Sei que tem muitos lugares para o Sr. ir, afinal,
São os festejos do Seu nascimento... É Natal!
- Lembra-te. Sou onipresente. Estou em cada um de vocês
Desde que me queiram aceitar...
-  Jesus, o Sr. é maravilhoso, obrigado por estar conosco 
No dia do seu aniversário, espero estarmos em muitos outros.
O Sr. sempre estará em nossos corações...
Ah! Aproveito a oportunidade para pedir desculpas 
Pelos meus tantos erros e pecados, por favor.
Bem, mas essa festa é sua... fique a vontade. 
Por favor, uma salva de palmas para Jesus de Nazaré.


José João.
18/12/2.025

Ah! Essa tal de saudade!!

 Por mais que tente, não consigo estou preso a ti.
E o que fizeste para isso? Apenas me olhaste...
Seguraste minhas mãos, me olhaste nos olhos
E como doce e divina magia, com eles me falaste

Falaram como antes nunca me haviam falado,
Minha alma acordou com a voz dos teus olhos
E se entregou toda, como se fosse uma oração
Que fica ali, como se o empo estivesse parado

Hoje, me sento na doce liberdade dessa prisão
E te penso como ainda fosses um pedaço de mim
E me ponho a pensar, como se pode viver assim?

Qual prisão seria essa que da à alma liberdade?
Que faz do pranto, carinho para afagar o rosto?
Ah! Que doce encanto é essa tal de... saudade!!

José João
20/12/2.025

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Ser amado? É... apenas um detalhe

 Ah! o amor! Mas realmente o que é o amor?
Seria apenas um sentimento que dizem sentir?
Ou é muito mais? É o entregar-se sem troca,
Viver ontens e amanhãs sem querer nada de volta?

Quantas frases bonitas definem o que seja amar!?
Mas, quase todas se perdem dentro de cada um
Porque as palavras são verdades só se a alma falar
Como fossem orações divinas que só ela pode rezar

Eu!? Amei e ainda amo, fiz do amor uma oração 
Que rezo como se amar fosse bem mais que viver
Se amanhã vier o pranto será um novo acontecer

Esse amor! que deixa marcas de saudade no rosto
Que faz que a alma grite alegre e nunca se cale
Mas... e ser amado? Ah! Isso é apenas um detalhe.

José João
16/12/2.025

Na frente do espelho eu ...

 Sempre, na frente do espelho...
Meus olhos me contam histórias
Que ficaram marcadas no rosto,
Me lembram de sonhos antigos
De momentos nunca esquecidos
E chegam as lágrimas... que
Caem dos olhos como pedaços de mim

Aí eu choro, como se o pranto
Fosse um grito que não pode calar

Sempre, na frente do espelho,
Sinto falta de um sorriso
Mesmo que seja um sorriso triste
Um sorriso chamando teu nome
Um nome que nunca esqueci
Um sonho que sempre está vivo
Momentos de ternura que vivi 

Aí eu choro, como se o pranto
Fosse um grito que não pode calar

José João
16/12/2.025

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Essas estrelas, presunçosas...

 Ontem a noite perguntei para as estrelas
Porque não respondem às minhas perguntas?
Ficaram mudas, porque nada me disseram?
Não lhes basta o prazer por tanto vê-las?

Vaidosas, brilham no infinito como deusas
Perdem-se no céu profundo se forem cadentes
Esquecem pedidos, deixam atirados ao tempo
E aqui ficamos com se fossemos dementes

Quase sempre as estrelas são tão vaidosas!!
Se vestem de um brilho quase nobre, diferente
Como se dizendo somos estrelas e vocês... gente

Vou deixar de lhes perguntar sobre os mistérios
Que a noite guarda, da solidão que ela deixa...
Estrelas,  presunçosas, nem ouvem minha queixa

José João
15/12/2.025

Viver é amar... ame

Vamos encontrar sorrisos perdidos por aí, 
Inventar novas histórias de final feliz, 
Ver o amor renascer em cada coração
E sempre levar uma palavra de carinho,
Rir, se a vontade é de chorar e...  cantar

É isso, não se deixar abater, amar sempre

Assim, ame-se e ao próximo também
Mais que apenas prometer, faça, doe...
A vida pede para ser vivida com alegria
Recuse-se ser triste, ame, viva e sorria.

Ah! Olha em volta, vê quanta beleza!! 
Mas já disseste hoje um: eu te amo? Não?!
Está disposto a dizê-lo? Diga e VIVA

José João
15/12/2.025

O que seria do pranto sem a saudade?

Quanta luta! Foi difícil acalmar meu pranto
Quando soube do singular para sentimentos
Diziam que os abstratos seriam incontáveis
Difícil explicar que foi num outro momento

Gritava dizendo que saudades são diferentes
Que para cada uma tinha um tipo de pranto
E ele conhecia todas as imagináveis saudades
Dizia, cada saudade tem seu próprio encanto

Quem imaginou saudade apenas no singular?
Sentimentos não podem, diziam, sofrer flexão
Eu, o pranto, me dobro entre os olhos e o coração

Para toda eternidade vai caber um "s" na saudade,
Eu, o pranto, conheço cada uma delas, vivo assim.
Não é só uma palavra, é uma eternidade, não tem fim

José João
15/12/2.025

Sem prantos e saudade como fazer poesia?!

 Ah! Se pranto e saudade estivessem, hoje, comigo
As poesia seriam como água corrente indo ao tempo.
Poria a fazer-me provedor de lágrimas nos versos
E esses seriam orvalhados pelo pranto, meu amigo

Pintaria versos completos cor de adeus e saudade,
Faria esculturas de rimas... sem precisar de cinzel
Escreveria, nos corações, palavras com gosto de amor
Faria poesias até perfeitas com... pedaços do céu

Mas, hoje, prantos e saudades se perderam, se foram
Não quiseram, não sei porque, se fazerem poesias
Escrever sem eles, é pecar seria apenas uma heresia

Então, preferi calar minha poesia, deixa-la ir solta,
Perdida, voando por aí, se juntando com o tempo.
Sem prantos e saudades seria apenas palavras rotas

José João
15/12/2.025


Uma maneira estranha de sentir...

 De muito longe me vem a lembrança de um tempo
Que não lembro de por ele ter passado ou vivido,
Mas me veio com uma maneira estranha de sentir!!
Se esse tempo não existiu, não posso tê-lo esquecido!

Mas, me veio essa lembrança, como fosse um sonho
Sonho que nunca sonhei, uma história que não vivi,
Apenas chegou, cerzida em pedaços de pensamentos
Que nem sei se pensei, mas de pensá-los não me oponho

De onde vieram? Me pergunto mas não tenho respostas,
Então, me dou a buscar, não sei de onde e o que não sei,
E, como me vir do tempo o que nem mesmo eu pensei!

Deixo que o acaso, caso exista, me faça que entenda
Um sonho que nunca sonhei e conta-lo como verdade
Estranho, que não me tenha vindo nenhuma saudade

José João
15/12/2.025

As carícias de um olhar

 Que saudade das carícias que teus olhos faziam!!
A mim, me faziam tremer a alma em alegre chorar, 
Faziam o tempo parar e a vida ser mais fácil de viver
Quanta saudade! Não tem poesia que possa contar

As carícias daquele olhar tinham o gosto de ternura,
O frescor da brisa que passa leve soprando um canto,
O sabor do silêncio, quando é preciso apenas sentir,
Quando palavras dizem o que a alma não quer ouvir

Aquele olhar, sorrindo ternamente ao dizer: te amo!
Como um grito, tão alto, que o eco, como louco,
Ficava repetindo como se uma vez fosse tão pouco.

Como as palavras podiam se fazer tão pequenas?!
Tão sem sentido que se escondiam em sussurros
Silenciados por uma beleza, doce, sutil e serena!

José João
15/12/2.025

sábado, 13 de dezembro de 2025

A perfeição divina

 Deus havia criado o mundo e o admirava,
Flores em majestosos jardins dourados,
Pôr-do-sol  pintado em divinal beleza,
Nuvens flutuando em belos bordados

Mas ainda assim não se contentava
E se perguntou: O que ainda falta?
Falta quem possa continuar minha obra,
Que faça como eu, cria e nada cobra

Que se entregue a continuar o meu fazer,
Que ame, se doe, sem nada pedir em troca
Que, à sua maneira simples: saiba dar a luz
Que sinta alegria na dor de fazer nascer

E assim, Deus fez sua melhor semelhança,
Tão doce e única que pra ela não existe rima,
Mãe, essa roseira sem nenhum espinho
Que do coração de Deus tem o carinho

José João
14/05/2.025

Já não sei mais falar de amor

 Já não sei mais falar de amor, faltam palavras,
Não é mais poesia, não é mais um gostoso sentir,
Os olhos já não umedecem se a alma ouve: te amo
As mãos já não têm voz, o rosto já não sabe ouvir

Quando as carícias gritam eloquentes: estou aqui.
Tudo é silêncio, os olhares não se confessam mais
Se perdem em desencontrados e perdidos caminhos
Onde cada um é sua razão e cada um fica sozinho

Já não existe mais aquele amor que deixava saudade
As quatro, quanto as três havia sido dito um até logo
Tudo agora é vazio, sem cor, nada mais parece verdade

Poemas que falam de amor, hoje, se perdem por aí,
Dizem não ter mais sentido, riem, até um sorriso frio
Que pena! O fascínio morreu e o desamor está no cio

José João
13/12/2.025

Não acreditam na minha gaveta mágica!!!!!

Por favor, esperem aqui, vou ali buscar uma poesia,
Está guardada na minha gaveta mágica e invisível,
Nela guardo tudo que preciso para os meus poemas,
Lágrimas, prantos, saudades, mesmo o imprevisível

Assim, como pedaços de nuvens, retalhos do tempo.
Minha gaveta mágica guarda tudo que nem se imagina!
Até sonhos, tão antigos, de cabelos já embranquecidos
Mas juram que são de ontem, coitados estão esquecidos.

Tinha, mas usei em um poema, um beijo nunca trocado
Pediram esse poema, faz algum tempo, com o beijo
A mim e juraram estarem os dois muito apaixonados

Bem... e assim... mas para onde foram? Ah! Um bilhete
- Fomos embora, você é louco! Que loucura trágica!
Onde, no mundo, alguém pode ter uma gaveta mágica!!!?    

José João
13/12/2.025

Ah! Essa tua saudade!

 Oi! Estava sonhando acordado, sim, sonhando,
Até que essa saudade tua veio e me acordou,
Bateu tão alto na porta onde minha alma estava
Que tomei um sobressalto, até me espantou!

Chegou apressada, esbaforida, me surpreendi,
Sempre ela me vem, mas nunca assim, eufórica
E você como está? Eu estou bem, sonho sempre
Que bom tua saudade lembrar tudo o que já vivi

Hoje é um dia especial, estava aqui lembrando.
Ah! Que dia! Foi como um sol a iluminar a vida
Sempre marcado em mim, o dia que  te conheci

Faz já algum tempo, como é fiel essa tua saudade!!
Nunca esquece! Vem, se estiver dormindo me acorda
Sempre lembrando essa tão divina e doce verdade!

José João
13/12/2.025

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

As vezes, as mentiras são tão verdades!

 Quando as palavras se escondem e a poesia não vem
Vou lá dentro do tempo buscar saudade que nunca senti,
Buscar sonhos que nunca sonhei, momento que não vivi
Mas sei chorar prantos alheios, quando precisa, sei fingir

Choro dores que não sinto, finjo tristezas, as vezes minto
Quando não preciso que saibam do meu pranto... aí finjo
Que são lágrimas que alguém chorou, digo que são minhas
Quando as palavras se escondem... minto nas entrelinhas

Não sou de perder uma poesia só porque palavras fogem
Deixo que se vão, aprendi que elas podem trocar de lugar
Dizerem o que nunca disseram, basta apenas inventar

Ontem, deixei que um rio de pranto me inundasse os olhos
Não fingi, apenas chorei, mas menti, não chorei um rio,
Embora as lágrimas e os tantos prantos estivessem no cio

José João
12/12/2.025

Poema e poesia... no óiar do matuto

Num dia aí o dotô falou de poema e poesia
Uma fala desaforada um poeta prepotente!!
De quem lê muitos livro pra ficar inteligente
Mais ele se isqueceu qui poeta também é gente

Mas nós sabe, dotô, qui poema se lê cuns óio
Que  nos velso escrito é coisa mesmo da gente
Mas a poesia "seu dotô", disso o sr. devc saber
Qui a beleza qui ela "diz" é nossa alma que sente

As poesia é tão humilde que elas não se alardeia
Vai de masninho, entrando no coração da gente
Não precisa que os livro nos ensine a fazer ela
Pode ser até um matuto ou um dotô inteligente

Arguns dotô se acho muito, até dispréso o respeito
Passo os "carão" qui quiser cuma se fosse perfeito
Neles a vaidade faz tudo, com o orguolho se afaga
Dotô... até as luz das estrela um dia ela se apaga

Sou cabôco da roça, mal sei iscrever meu nome
As vez escrevo uns velso pra mode me adivertir
Não são velsos bonito desses que o dotô escreve
Iscrevo cum a alma, sem nome nem sobrenome

José João
12/12/2.025

O semeador

 Vou andando por aí, sozinho, semeando saudade,
Plantando sonhos que nunca foram sonhados, 
Cultivando no tempo, uma única verdade minha
Levando dentro da alma meus tantos guardados

Levo sementes de solidão, não para plantá-las,
Só para lembrar sempre que ela existe e dói,
De tristeza, levo algumas mudas, ainda pequenas
Por ora não doerão tanto, são dores ainda amenas

Vou indo em direção ao horizonte, passos lentos,
Nas mãos sinto o desejo das carícias que não fiz,
No rosto, gosto de beijos deixados como lamentos

Aqueles que foram dados por adeus, por despedida, 
Ficaram  marcados, como se a eternidade estivesse ali
E de sempre se fizesse como uma carta ainda não lida

José João
11/12/2.025

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Solidão!!!!!!

As vezes me perguntam se gosto da solidão
Talvez não entendam que gosto do que vivi
Lembrar os momentos, busca-los no tempo
Viver outra vez,  por um instante, o que senti

Entregar-me a buscar no tempo sabor de beijos,
Ouvir palavras sussurradas que nunca mais ouvi
Contar estrelas sem me preocupar com o amanhã
E sentir um olhar gritando: te amo, estou aqui

Não, não é gostar da solidão, nunca fico sozinho,
Meus pensamentos vão buscar minha companhia
Lá de dentro de mim, nas verdades ou fantasias

Se disser que a solidão me assusta, seria mentira
Ela, pra mim, é apenas um momento de buscar
No fundo da alma o que me fazia sonhar... cantar...

José João
10/12/2.025

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Quando as palavras se escondem.

 Sem palavras, me perdi nos versos e a poesia se foi
Sem dizer nada, sem, falar de saudade, nem solidão,
Nem mesmo de um adeus, o que elas gostam tanto!
Que poesia não gosta de falar de adeus ou de pranto?

Perdi o tema pelas palavras mudas e o silêncio surdo,
Pensamentos perdidos, costurados em palavras rotas
Que nada diziam, se faziam perdidas no fim do verso
Correndo pelo nada, assim, como estivessem loucas

Se foram rimas, versos, sonhos, se foram, perdidos
Entre o silêncio e um grito estridente do eco do tempo
Que perguntava pelo amanhã com se o tivesse esquecido

Assim se fez a poesia, sem razão, calada, sem sentido.
Cheia de vazios, indo com o tempo atrás dos amanhãs
Gritando palavras soltas, dizendo que estas são as vilãs.

José João
08/12/2.025

O verdadeiro gosto da saudade

 Deixa-me aqui, deixa-me aqui, agora o que importa?
Talvez encontre os rastros que até aqui me trouxeram
E sobre eles, quem sabe, encontre o caminho de volta
Se muito for a tristeza, encontro entre pedras, nova rota

Quem sabe, teu perfume da vinda ainda esteja por aí?!
A marcar o tempo a se fazer caminho, me fazer voltar?
Nessa volta, já vou sentindo a saudade por tanta perda
Mas ainda não é dor de doer, ainda não é dor de chorar

Quando chegar de onde vim, lá de onde estava contigo
Onde inventava cantos para te fazer sonhar ao sol se por
Aí, sim, virá a dor, a dor de doer, dor que só a alma sente
E então, só o pranto para que ela chore essa tamanha dor 

Quando chegar, tudo vai ser diferente, a solidão, o vazio,
O mundo de outra cor, histórias tristes, outras verdades,
Outras lágrimas, o pranto solto como se estivesse no cio,
Uma maneira triste de sentir o verdadeiro gosto da saudade

José João
08/12/2.025

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Descascar-se é... recomeçar

 Calma, estou descascando aqui minhas angustias
Estou indo dentro de mim, descasquei os sonhos,
Tirei a casca das ilusões, de todas as fantasias
Descasquei as orações que rezava... eram heresias

Fiquei sem roupas antigas, como um recomeço
Em que as palavras têm agora um novo sentido
O que disse pode não ser mais o que quero dizer
Não porque menti mas, agora, aprendi a sentir

Agora vejo o horizonte cheio de cores, sem cascas,
Sem sombras, virgem como nunca o tinha visto
Assim me fiz eu, contando o que em mim aconteceu

Aprendi fazer rimas da vida, do meio ao fim do verso
Mesmo que não tenha fim na poesia que seja infinita
Apenas sem cascas percebo, a vida bem mais bonita

José João
21/11/2.025

Guardados da alma

Estradas que se cruzam, nelas eu me perco
Não sei aonde vou. Caminho passos lentos...
As margens se calam num silêncio sem voz
Quebrado pelo murmurar do canto do vento 

As flores das margens alegram o pensamento
Que vai muito além dos sonhos e do tempo
Viaja para horizontes que ninguém nunca viu
E desperta emoções que ninguém nunca sentiu

E vai o andarilho, na boca o gosto da saudade
No rosto, marcas das cariciais que se foram,
Na alma, apenas tristeza e vazio, nela ficaram

Vai, sem pressa, regando o chão com o pranto
Caminha entre pedras, sempre indo, sem paradas
E a razão das lágrima..., na alma fica guardada

José João
04/12/2.025

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Um quadro perfeito

 Ouvir o sussurro do vento cantando uma canção
É como se ouvisse uma ladainha, uma oração
Ouvir o sussurro do mar declamando uma poesia
É como fosse sonhar com a mais bela fantasia

Ver o caminho que o sol deixa sobre suas águas
Desde aqui até o mais distante e colorido horizonte
É como se fosse um caminho impossível de seguir
Mas deixa o pensamento solto para onde quiser ir

A liberdade das gaivotas num tranquilo esvoaçar
Valsando com a brisa sem nada que lhes possa parar
É como se fosse um convite para em sonhos, voar

E o marulhar das ondas sobre a areia a elas passivas
Como se escorregassem, lentas, até onde quisessem ir
É a mais pura expressão do universo num doce cativar

José João
03/12/2.025

Apenas te empresto o pranto.

 Que aflição!! Que enjoo me chega na alma!
Até parece que ela bebeu todas as angustias,
Engoliu as tristezas e devorou pratos de solidão.
Sem nenhum pudor, a mim agora, pede calma

Que seja eu seu provedor de lágrimas, isso sei
Mas não me proponho a sentir tantas aflições
Que de mim seja tirado só lágrimas e prantos 
Não me  queira nos seus arroubos por paixões

Nem sei se é verdadeira a dor que dizes sentir
Que loucura! Beber angustia, tristeza e solidão 
Bem sabes que pra mim, só lágrimas podes pedir

Agora, a mim não importa esse enjoo que sentes
É todo teu, que somos apenas um, isso eu bem sei
Mas lembra-te o quanto por tuas dores já chorei!

José João
03/12/2.025

Qual pranto é mais belo que o pranto da saudade?

 
Devia calar a voz e deixar os olhos gritarem,
Seria um grito estridente para as almas amantes
Ver o pranto brotar dos olhos como um clamor
Brilhando ao tempo com a beleza de diamantes

Qual grito mais belo que o triste grito do pranto
A ir-se do rosto ao tempo como silenciosa poesia?
Chorando saudades que o tempo deixou ficar,
Fazendo se juntarem dor, lembranças e fantasias

Dou-me ao prazer de chorar minhas saudades
Que chegam sem que eu queira, sem que peça
São minhas relíquias contando minhas verdades

Vou calar a voz, deixar as palavras emudecidas.
Permitir que as lágrimas voem em plena liberdade,
Qual pranto é mais belo que o pranto da saudade?

José João
03/12/2.025

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

A beleza santificada do sertão

Uma beleza santificada por um santo desenhada.
O rio corre inocente e as marges toda florida,
Com o vento encrespando as água
Como fosse um carinho que só Deus sabe fazer.
Na hora dos arcanjo... os passarinho, 
Tudo junto, em sinfonia, canta uma oração,
Inté parece a Ave Maria cantada pelos anjo,
As flor aumenta o perfume, as parmera,
Feito braço aqui da terra, se alevanta para o céu,
Como pedindo perdão pros nosso pecado aqui.
Nas noite, os vagalume vira estrela... pequenina
Pra nos alumiar o caminho e a vida enfeitar.
A lua, vindo feito moça faceira, em riba da serra,
Feito uma bola de prata pra mode a mata pratear
E o prateado... se deita em riba do campo e das flor
Feito de manto de céu pra o sertão enfeitar.
Moço, é muita beleza... não se tem como contar!
Nas manhã, quando o sol vem bocejando,
Quase no alvor do dia... ainda o tempo orvalhando
Beijando as pétala das flor, os passarinho,
Tudo alegre cum o dia, festejo a liberdade cantando.
Nesse hora, moço, a gente fica pensando...
Como Deus é bom, a tudo isso nos dando
Sem nada em troca pedir!
A vida é mais bonita cum as beleza do sertão.
Até juro, "seu" moço, que o cabo da enxada,
Da foice e do cutelo... é carinho em nossas mão

José João
19/08/2.024 

Pintar... é falar com palavras que não existem.


Traços que vêm, que vão, que se perdem, se cruzam
Como linhas da vida, em encontros e desencontros.
Se cruzam, se tocam, como fossem rápidos beijos
Na abstrata aquarela pintada com gosto de desejos

Linhas se vão, pelo instinto traçadas, riscadas, vivas,
Como fossem uma história que ainda ninguém viveu
Ou um caminho que ainda ninguém a ele  percorreu,
Ou, quem sabe, sonhos que alguém, por tristeza, perdeu

Mãos que, não sei como, deslizam contando encantos, 
Como pintar fosse falar com palavras que não existem, 
Falam tanto! Até levam a alma a um existir risonho,
Tudo ali, dentro da gente, e a gente... dentro do sonho

Vou percorrer todos esses traços como fossem estradas,
Marcar meus passos sobre a vida  como se fosse essa tela
Brincar de esconde-esconde com os pontos e as curvas,
E fazer que a vida seja colorida... da cor dessa aquarela

José João
27/11/2.025