segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Ainda escuto aquele seu olhar

Havia uma estranha eloquência no seu olhar
Quando ela gritava, a plenos olhos: te amo,
Minha alma tremia em devaneios incontidos,
Meu coração, aos pulos, sem saber se conter,
Por vezes até chorava alegre. E as palavras...
Envergonhadas, se escondiam dentro de sussurros
Que nem precisávamos ouvir... nada diziam.
Até hoje, ouço no meu angustiante silêncio,
O grito do seu olhar, vejo ainda o inocente sorriso 
Que só seus olhos sabiam sorrir... e choro...
E minhas lágrimas, desenham sonhos em meu rosto,
Escrevem seu nome, brincam de me enganar
Fingindo, em meus lábios, que são seus beijos. 
Grito, com um mórbido silêncio dentro de mim,
Orações que não sei rezar, blasfêmias que aprendi
Com essa toda tristeza que tua ausência me impõe.
As vezes até rezo baixinho orações antigas,
Que aprendi quando estavas aqui, mas elas,
Coitadas, só serviam quando éramos apenas um,
Agora se perdem como se nem mais fossem orações.
Mas ainda hoje, é aquele olhar que ainda ouço
Me dizendo: te amo.

José João
28/11/2.016


Lágrimas... uma poesia sem palavras

Palavras! Tão poucas para tanta saudade!
De que valem se não sabem dizer a dor que se sente?
As vezes, a dor da saudade é tanta, que nem as lágrimas
Dizem o que a alma chora, e um silêncio cheio de angustia,
Falando baixinho, diz o que ela já não precisa mais ouvir,
Nesse vazio, em que solidão e tristeza se fazem vivas,
A alma tenta enganar-se, finge um sorriso que nem existe,
Se põe num vagar entre o nada e os sonhos que se foram,
E tudo fica sem razão, outra vez as palavras se escondem
Por serem poucas, por nada dizerem e, envergonhadas,
Se fazem mudas. Só o pensamento, feito louco, gritando
Desesperado, nomes que perdidos dentro de um adeus
Já nem se faziam mais saudade, mas uma tão louca carência
Faz que traga, sonhos caducos, sorrisos antigos,
Momentos que se foram a tanto tempo, só a loucura
Da carência para traze-los de volta, faze-los vivos
Dentro da gente... como se para viver fosse preciso
Chorar... em silêncio e... sem palavras...


José João
28/11/2.016


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Amar é não ter medo de chorar

Desde quando perdi o medo de chorar 
Perdi o medo de amar e de viver os amanhãs,
Me fiz livre para me entregar ao prazer de amar,
De deixar que a alma se entregue toda, nua e pura
Por apenas amar, e se faça intensamente viva.
Perdi o medo de me fazer amante, de sonhar
Os sonhos mais impossíveis, de gritar ao mundo:
Te amo, como se assim fosse respirar e viver.
Mas me dispus a fabricar lágrimas e guarda-las,
Carinhosamente, num canto escondido de mim,
Estão guardadas, saudades inteiras, sonhos...
(o amar tem dessas coisas, um dia pode também 
Ser triste) Por isso perdi o medo de chorar.
Se um dia houver um adeus que não queira dizer,
Tenho lágrimas guardadas para chorar, e sem medo
De chora-las, tenho saudades inteiras guardadas,
Basta nomeá-la, senti-la e deixa-la comodamente
Dentro de mim. E se a alma perguntar passiva,
- O que faremos hoje? Respondo apenas...
Temos uma saudade pra sentir e lágrimas pra chorar...
- Sem medo - isso também é amar.


José João
23/11/2.016

Era uma vez um sonho que...

Era uma vez, há muito tempo atrás, um sonho,
Um sonho desses que se sonha quando a carência
Toma conta da alma e a faz perder-se na tristeza
De todos os dias. E o sonho não se faz verdade,
Continua apenas esperança, e os dias passam...
O sonho vai envelhecendo, vai ficando caduco,
Os detalhes vão se perdendo, ficando esquecidos,
Lentamente cedendo lugar a uma mórbida tristeza,
E uma saudade, mais doída que qualquer saudade,
(por ser saudade do que não se viveu) toma conta
Da alma, a carência fica do tamanho dos dias,
Que lentos, como se não quisessem passar,
Como se estivessem esperando chegar a solidão,
Que vem sem pressa, por saber que a alma, triste,
Está aberta pra que ela entre, se aposse, tome conta
Dos pensamentos, se faça única dona do tempo.
Era um vez, há muito tempo atrás, um sonho
Que deixou de ser sonho, não porque aconteceu...
Mas porque se perdeu no tempo e nunca mais voltou.


José João
23/11/2.016


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Soneto do prazer de amar

Ainda vou amar e sempre e mais e tanto
Que amores passados se façam pedaços
Dos amores que ainda vou amar e viver
Como fosse a vida um eterno amanhecer

Vou me entregar todo e tanto que até o pranto
Se por acaso um dia em mim vier aos olhos
Hei chora-lo como fosse oração... um canto
Que ainda seja repleto de ternura e de encanto

Que a cada amor que hei de amar seja a saudade
Um livro de histórias que conte nas entrelinhas
Momentos que de sonhos se fizeram só verdade

Que a cada amar em mim se faça doce loucura
Para que todos os amores se façam o primeiro
E que não seja o último o meu amor derradeiro



José João
22/11/2.016

Dor para doer tem que ser...

Se há de ser dor, que doa como qualquer dor,
Que se sente, que se chora, e ela sem nada dizer,
Calada... dor que se preza só faz mesmo doer
E fica... desdenha das horas é o que sabe fazer

Mas dor, pra de verdade doer, há sempre de haver
Uma lágrima, uma saudade, até mesmo um pranto
Desses que enganam, entre ri, chorar e lembrar
Desses que é a alma que chora e... sentindo prazer

Louca a alma demente, num não saber incoerente
De sentir prazer numa dor que só ela sabe sentir
E fica parada, aos gritos, com um chorar indecente

Antes nua, agora se veste, sem querer se vestir
Com lágrimas bordadas de uma tristeza carente,
Com um sonho perdido de uma lembrança ausente


José João
22/11/2.016



terça-feira, 15 de novembro de 2016

As vezes os versos falam por mim

Porquê me perco ao tempo? A mim pergunto,
Fazendo versos de saudades tão doídas?
Fazendo poemas sem que neles nada fale
A não ser de tristezas, e dores tão sentidas?

A mim pergunto e não vem qualquer resposta
Só exclamações que também nada me dizem
Versos secos porque as lágrimas se foram
Com os sonhos, que já há muito se perderam

Me vejo sempre juntando saudades e adeus
Pedaços de mim remendados pelo pranto
Que não choro mas que a alma faz de canto

Não sei de onde vem dor assim tão doída
Que até os versos, talvez por pena, não sei
Gritam por mim coisas que nunca falei


José João
15/11/2.016


sábado, 12 de novembro de 2016

Minha alma...uma criança sonhando.

Lágrimas, pensamentos, sonhos, todos saem
Em desesperado procurar, por ruas, entre canteiros,
Pelas esquinas do tempo, alguém de quem não sei,
E nem onde está, mas que deixa essa saudade
Dolorida, tão difícil de sentir que o pranto,
Se fazendo de oração, reza um nome que não sabe
Dizer, apenas deixa que o silêncio, sussurrando, diga.
Não sei se partiu ou nunca chegou, não sei do tempo,
Nem quem escreveu essa história e se um dia aconteceu,
Mas a alma sente e manda os sonhos buscarem momentos,
Fragmentos, que façam lembrar o que uma saudade
Descabida diz que um dia foi verdade e fica insistindo
Que até um vazio se faça tanto e a alma chore
Como se fosse verdadeira a dor que sente, e grita,
E se angustia, como se tudo tivesse sido um dia.
Pedaços de canções parecem vir também não sei de onde,
Melodias que nem sei se existem, se fazem vivas,
Poesias incompletas me fazem declamar a esmo
Um sentir que não sei se sinto ou se sonho...
Mas tudo, as vezes é tão real... que acho minha loucura
Coerente e minha alma ...uma criança sonhando...


José João
12/11/2.016


Minha outra oração

A ti, te peço de joelhos, entre as tantas lágrimas
Que ainda me permites chorar, ao me fazer saber
Que ainda posso amar, como se amar fosse viver.
Ainda que a dor da solidão, que aos gritos me tortura,
Me diga que não acredite que me possas ouvir...
Me diga que para tanta dor, só as blasfêmias aplacam,
Mas minha alma, embora tão só e tão carente,
Ajoelha-se ao tempo em orações que a angustia
Ensinou rezar, passiva e solene, ergue os olhos,
Te abre os braços e pede: Me faz que a solidão se vá,
Que essa tortura do vazio também e não deixem rastros.
A ti te peço ouvir-me, faz que essa saudade doa menos,
Que outros caminhos tragam de horizontes ou do tempo
Coisas novas pra sentir, sorrisos novos pra sorrir,
Olhares que nunca vi, que mesmo falando idiomas
Que não conheço me façam entender de amar outra vez.
Se minhas orações chegarem todas desencontradas,
Entrecortadas com soluços, em fragmentos inaudíveis,
Por favor olha a suplica dos meus olhos, nas lágrimas,
Que minha alma chora como fervorosas orações...
...Por favor.

José João
12/11/2.016



Um sonho que tentei sonhar

Desenhei um sonho pra mim, cheio de cores e luzes,
Fiz tudo a beira da perfeição, ornamentei meu sonho
Com flores primaveris, pedi aos anjos um fundo musical,
Tão angelical quanto divino... busquei beijos inocentes,
Olhares que se davam na imensidão de uma entrega
Tão intensa que a razão se perdia em inocente loucura.
Refiz caminhos, horizontes, refiz até o eco do meu grito
Para se fazer oração pedindo eternidade para o momento.
No meu sonho, me despi de todas as saudades antigas,
Chorei todas as lágrimas que poderiam me surpreender
Chorando adeus antigos que não queria mais lembrar.
Me fiz nu de mim mesmo num renascer sem medo,
No meu sonho, trazia um bornal de beijos novos,
Poesias para serem ditas em momentos especiais,
Carícias que a mais doce e suave brisa me ensinou,
Acreditem, até um eu te amo com um sussurro 
Que nunca havia feito antes, trouxe comigo, tudo novo
Como se não tivesse havido um antes. Ah! Meu sonho!
De repente, como se a noite despertasse aos gritos,
Meu sonho se espantou, se foi por entre as sombras,
E... fiquei dentro do vazio que ele deixou.

José joão
12/11/2.016


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Nem as lágrimas dizem o que sinto

Um dia meus sentimento sorriram como sorriem
As crianças... por apenas serem felizes.
Um dia, brinquei de brincar com o tempo,
Percorria horas e horas com o mesmo sorriso,
Os dias se faziam quase iguais, e só não eram
Porque cada um se esmerava em me fazer mais feliz.
Plena e constante primavera perfumando a vida,
A Brisa, cantando canções desconhecidas...
Tão terna que se parecia com o abraço dela,
Que, sem palavras, só com meigos e eloquentes
Olhares me faziam tremer quando diziam, te amo.
Uma história nossa, que ninguém nunca entenderia
Não fosse o destino com a mania de por ponto final
No que é belo (histórias de amor infinito nunca
são entendidas, pois em toda história é só no final 
que se entende tudo que foi dito) E a nossa...
Se fez uma poesia incompleta, tantas coisas
Ficaram caladas dentro de nós, sem tempo
De serem ditas, tanto, que nem as lágrimas
Conseguem dize-las agora.

José João
11/11/2.016


terça-feira, 8 de novembro de 2016

As vezes pareço comigo mesmo (rsrsrs)

As vezes me pareço tão criança
Por brincar de esperança...
De crescer e ser feliz.
As vezes me pareço um menino
Brincando de traçar o seu destino
Pensando que ainda pode ser feliz.
As vezes me pareço adolescente,
Que traça sua vida livremente
Sonhando que ainda pode ser feliz.
As vezes me pareço ...
Um rapaz de trinta anos,
Que parece ter sofrido alguns enganos
Mas que pensa ainda pode ser feliz.
As vezes me pareço um senhor...
De cinquenta ou sessenta
Que por vezes se lamenta...
Lembrando tudo que não fez.
As vezes me pareço até comigo,
Com sonhos mortos e até já esquecidos,
Dizendo que viver...
É melhor que ser feliz.

José João
08/11/2.016 (publicação)
30/09/2.000


Hoje...sou apenas o papel

A poesia se recusou, literalmente, a se deitar
Sobre o papel... que ficou pálido,
Branco, vazio, sem dizer nada,
Como se nada devesse ser dito,
Mas ficava ele ali... deitado,
Deitado sobre a mesa...passivo, aparvalhado
E a poesia escondida, não se sabe onde.
Se fazia muda, como se falar fosse pecado,
E o papel, sem nenhuma poesia, ficava nu,
Como se a nudez fosse um grito,
...Que a poesia não quis gritar...
Se deixava ficar vazio, calado...
Se deixava ficar apenas papel... e eu
Que não tinha nada a ver com a poesia,
(Nem com o vazio)
Que não tinha nada a ver com inspiração,
Que não tinha nada a ver
Se a poesia se escondia ou era muda,
Se a poesia não preencheu o vazio...
Que culpa tenho se o papel ficou nu?
Tomara o pepel encontre alguém
Para lhe vestir de poesia...
Porque hoje não estou poeta,
Porque hoje não sou poesia...
Porque hoje ...sou apenas o papel!

José João
08/11/2.016 (publicada)
11/05/2.004

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Esse meu silêncio que fala tanto!!

Eu e meu silêncio, sentados entre a tarde e um vazio
Que se estendia infindo pelo tempo até no horizonte
Que brincava de trazer sonhos que nem sonhados foram.
Calados, porque a voz nem sempre é preciso pra se falar
Ainda mais quando falamos de saudade, de ausência,
Falamos de coisas que só mesmo o silêncio entende...
Até as lágrimas que vêem só ele entende, nos olha
E nada diz, como se ele, por si, já fosse nossa voz.
Buscamos sonhos antigos, risos caducos de velhos,
Que nem lembrava mais, perdidos no esquecimento,
Lágrimas antigas viriam se já não as tivesse chorado,
Mas os olhos insistiam em chorar com lágrimas novas
A dor de tanto tempo, que veio de carona com um adeus
Que pensei, nem doesse mais, tivesse ficado no tempo
Perdido como pedaços de histórias que a alma esqueceu.
Mas o silêncio... sempre se faz mais forte, pára tudo,
Rebusca nos mais escondidos "cantos" da alma,
Saudades escondidas, lágrimas antigas, que se esconderam
Por achar sempre que nem uma dor lhes valia a pena vir,
Até poesias inacabadas o silêncio traz e  brinca com elas
Que as vezes voltam completas como se a história
Tivesse sido mudada. Ah! Esse meu silêncio...
Que não se cala nunca!!


José João
03/11/2.016


domingo, 30 de outubro de 2016

Noite, solidão e vazios.

Um canto de saudade começa a brincar com a noite,
Uma melodia, talvez cantada por um anjo, se atira
Ao tempo em acordes que só se sabe ouvir chorando,
Como se as lágrimas corressem aos olhos, ansiosas,
Para com a melodia que o silêncio canta, cantar também
A saudade que a alma sente, chora, soluça e grita 
Como se fosse uma Ave Maria chorada aos prantos
De angustia e clamor pedindo que a dor não doa tanto.
O dia, lentamente, esvaindo-se entre as horas, se vai,
Num caminhar triste como se não quisesse ir
Para que a solidão custe mais que a noite a chegar,
E a alma não se entregue tanto ao desespero de ficar só
E o pensamento não vá buscar sonhos que agora,
São meros pedaços incompletos do que foi vivido, 
Não se façam mais dolorosos que o próprio vazio
Que fica vivo gritando bem alto essa tanta ausência  
Que a alma não sabe sentir sem chorar, sem blasfemar, 
E até os olhos se perdem no nada sem saber mais mostrar
Nem o que é viver.


José João
30/10/2.016


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Eu?! Chorei apenas um vez.

Eu!? Não, nunca chorei tanto como muitos choram,
Choram hoje por qualquer adeus, amanhã riem,
Depois amam outra vez... adeus, saudades, lágrimas...
Como se brincar de sentir saudade fosse viver.
Eu chorei apenas uma única vez, há muito tempo!
Quando meus sonhos ainda eram sonhos inocentes,
Cheios de divinas promessas de amanhãs coloridos,
De ilusões que jurava ser resplandecentes verdades
Mas que um dia se fizeram escombros e rui com eles,
Perdi o passar do tempo, dor e saudade se fizeram mais,
Se fizeram maior que eu...e chorei, sem nenhum pudor,
Mas isso foi há muito tempo, quase não lembro mais
Não fosse um pedaço de sonho contar desse momento,
Foi um adeus, que se fez ausência, depois se fez dor.
Depois ainda se fez uma saudade triste, infinda...
Mas chorei apenas uma vez, na inocência da vontade
De amar...e de repente um adeus...mas eu...chorei
Apenas um vez desde quando, como ainda hoje são
Meus sonhos...inocentes, Assim chorei apenas
Uma vez, uma vez apenas. Meus olhos?!
O que têm meu olhos? Vermelhos? Ah! Sim...

José João
26/10/2.016


A poesia de dentro de mim

Dentro de mim tem uma poesia que a alma
Escreveu aos prantos, num angustiante momento
De uma saudade mais triste que qualquer tristeza,
Uma poesia inacabada, com versos molhados
Em que as rimas se desmancharam em prantos
E o começo dos versos eram feitos de reticências...
Como se a dor escondesse as palavras e o silêncio
Calasse o tempo, o pensamento, calasse a vida.
Há um verso dentro de mim que minha alma escreveu
Dentro de um vago e silencioso vazio de uma saudade
Que faz da poesia pequenas histórias sem sentido
Por ninguém acreditar que possa existir uma dor
Que doa tanto, que rasgue a alma em torturantes
Cicatrizes, que  faça eterna uma dor que parecia
Ser passageira do tempo e se fez para sempre,
Se fez eterna para que minha alma começasse
Os versos com reticências, molhasse as rimas
Com prantos, e escrevesse versos inacabados 
Para que não houvesse palavras que contassem
O tamanho dessa dor, mesmo na poesia que a alma
Escreveu dentro de mim.


José João
26/10/2.016



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Coisas que o tempo não leva

Minha alma chorou tanto depois daquele adeus,
Partiu por caminhos perdidos à tua procura,
Perdeu-se entre vazios, entre os nadas que ficaram
Como fossem labirintos, sem voltas, sem retornos...
Correu por entre paredes frias, muros altos...
Por entre pedaços de sonhos que nem sonhos eram mais.
Recordações se conflitavam com as tantas ilusões
Como se a alma em aparente demência nem soubesse 
O que doía mais, se a tristeza ou o vazio de tua ausência.
As lágrimas ficavam confusas nos olhos sem saber
Que dor chorar, se a dor da perda, da ausência,
Ou de uma saudade triste que insistia em chegar.
Parece que o tempo parou quando o adeus foi dito
E um silêncio, desses bem maior que o mundo,
Desses que sufoca a voz, que cala os pensamentos,
Se faz tão forte que se escuta o que diz a solidão,
Que se ouve o arrastar-se do tempo indo sem pressa,
Sem levar nada...como se pra ele toda dor que se chora,
Saudade que se sente, tem que ficar... dentro da gente.


José João
24/10/2.016


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O prazer de sentir saudade

Não sei, mas as vezes penso ser eu, e só eu
O dono da maior saudade que alguém já sentiu,
As vezes penso que lhe sou a maior paixão...
Porque ela se faz toda, se faz tão completa
Que vai muito além de mim, vai dentro da alma
E lá faz morada, se deita confortável, sem medo,
Sem nenhum temor. Ah! Essa mania do tempo! 
Trazer do passado momentos que não voltam mais!
Fazer ser dor o que foi tão perfeito quando existiu!
Fazer a alma, de joelhos, implorar pra onde quer voltar!
Ou o que quer ter de volta. E sempre dói muito mais
Quando as saudades não se encontram porque só um
Sente. Assim, até a dúvida, por mais atroz que seja,
É melhor que essa verdade. Parece doer menos
O que dói tanto. As vezes nem sei do que sinto saudade
E nem de quem sinto. Só sei que ela está sempre 
Bem perto de mim como carinhosa companheira
A me seguir ao ver que sem ela a vida é tão vazia,
Porque só ela sabe trazer de volta o que não se tem mais.


José João
            20/10/2.016           

Sim...sou eu

Caminhei por estradas que nem conhecia,
Busquei horizontes distantes e perdidos no tempo,
Passei por entre eles e fui, sem rumo, apenas indo.
Naveguei por mares desconhecidos por noites e dias,
Por vezes sem nenhuma rota, mas não importava,
Precisava ir sempre, o mais longe que pudesse ir,
Ou que meus sentidos mandassem, e assim fazia.
A alma, sonolenta, e cheia de mágoas se fazia órfã
De sonhos, de razão, de lembranças, tudo era vazio,
A não ser pelas orações rezadas e vãs esperanças.
Nas noites, deitado entre a solidão e a tristeza...
(ainda assim o frio era cortante, de corpo e alma)
Olhava as estrelas, lhes dava um nome, ainda sorria,
Imaginando estradas entre elas (riscadas aqui no chão)
Que me levassem a outros lugares onde ainda pudesse
Haver motivos para olhar o tempo e esperar amanhãs
Mais risonhos. Mas pouco a pouco, e tristemente,
Ia percebendo que esse lugar não existe...não existe,
Onde eu chegasse lá estariam, solidão, tristezas,
Saudades, pois o transporte delas... sou eu

José João
20/10/2.016


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O eco de um grito.

Me perdi indo por caminhos desconhecidos,
Sem marcas, sem horizontes, cheios de silêncio,
Ia com passos trôpegos. pensamentos perdidos,
Palavras reticentes a se perderem no tempo,
Sem nada dizerem por serem tão pequenas para a dor
Que dentro de mim insistia em me fazer seguir...
E ia, não por querer, mas pela inútil e vã tentativa
De encontrar um lugar para fugir, não sentir...
Mas ela estava  dentro de mim, como parte viva,
A me fazer levar momentos que me sufocavam,
Me espremiam o peito, me molhavam os olhos,
Que gritavam um adeus que não queria ouvir.
As vezes me sentava na beira do nada buscando
Os porquês, mas o pensamento, em silêncio...
Por demência ou preguiça de pensar...nada dizia.
Os sonhos ficaram para trás, pálidos, desbotados,
E de repente um grito da alma? Onde estás?
E o eco do grito foi indo... até onde? Não sei...
Mas talvez, quem sabe, ela escute um dia...


José João
15/10/2.016



terça-feira, 11 de outubro de 2016

Não vejo mais poesia...

Não vejo mais poesia na primavera, 
Nas flores que nascem, nas canções que a brisa
Canta acalentando os botões que se abrirão amanhã.
Não vejo mais poesia no cantar do rouxinol,
No abrir-se o dia orvalhado com o perfume do tempo,
Nem nos meus sonhos, não vejo mais poesia...
Meus versos deixaram de ser versos, ficaram mudos,
As palavras perderam a alma, se esvaziaram de sentido
E vazias, sem alma, não dizem mais nada, e caladas
Ficam no silêncio de mim. Só as lágrimas gritam...
Mas não gritam mais versos, só gritam mesmo dor,
Não uma dor qualquer, mas a dor de uma saudade...
Uma saudade, de quem não sei, e por isso dói muito mais.
De longe, de muito longe, me chega, como se viesse
De dentro de um sonho, um pedaço de vida
Que nem sei quando vivi. Fragmentos de momentos 
Confundem beijos, perdas, adeus, ausências...
E o que deveria ser verso, se fazem meus pedaços...
Não vejo mais poesia... nem nas poesias que faço.


José João
11/10/2.016


domingo, 9 de outubro de 2016

Eu e meu silêncio

Hoje caminhei com meu silêncio, só nós dois.
Caminhamos por entre saudades, lembranças...
Ele me contou meus segredos, sim... meus segredos,
Alguns até já esquecidos, perdidos dentro do tempo.
Falamos de adeus que ficaram guardados na alma,
De momentos que, passado tanto tempo, ainda hoje, 
Se fazem histórias recentes, como se pra eles
O tempo tivesse parado. Falei das tristezas novas,
Dessas que vão crescendo lentas dentro da gente
Até se fazerem dor, angustias, se fazerem vazios
Dentro da alma. Falamos de despedidas, de ausências, 
De encontros, desses que acontecem ontem e amanhã
Já se fazem desencontros, perdas, sem que se queira,
Por apenas a vida decidir assim. Eu e meu silêncio!
Caminhamos por horas e horas com meus passos
E pensamentos. Contei dos sonhos impossíveis,
Das tantas vontades vãs, Eu e meu silêncio, hoje,
Em tão plena sintonia, nos fizemos apenas um. Eu

José João
09/10/2.016


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A gaveta do poeta

Ao poeta foi permitido a magia de ver o invisível.
Põe suas ideias e emoções dentro de uma gaveta qualquer,
Sem chaves, sem trancas, sem medos e deixa
Que a abram. só ele sabe o tesouro que guarda,
Os outros o chamam de louco por acharem a gaveta vazia,
Mas dela, saem sonhos dourados, saudades distantes...
O poeta, em sua gaveta, guarda até o tempo,
Guarda estrelas, flores, guarda até mesmo pensamentos.
Na gaveta do poeta estão guardados o silêncio, a saudade, 
Ilusões, até versos ainda não escritos...nela, o poeta guarda 
Todas as palavras, ainda que em desordem, mas sabe 
Busca-las quando precisa, sabe onde está cada uma delas,
Por vezes nem é preciso abrir totalmente a gaveta.
Muitas e muitas vezes perguntam se ela é mágica,
Por caber ou guardar tanto...outras, por não conseguirem 
Vê-la, coitados! Acham que não existe, mas há momentos
Que até mesmo o poeta não consegue abri-la, em outros,
Seus guardados saem tão efusivamente, quase que fugidos, 
E lá vai o poeta busca-los lentamente no tempo,
Como o  passado, uma saudade antiga, o silêncio,
E por vezes, até o homem que guarda o próprio poeta.
E assim ele guarda seu tesouro em uma gaveta  
Que alguns acham que não existe, outros acham que é magica,
E só mesmo o poeta sabe abri-la, com um simples toque
De coração, ou talvez de ... saudade.

José João
reedição (a pedido)
19/03/2.011
.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Um dia...nós dois

Um dia, não sei quando, mas um dia, ainda que distante,
Haverá de haver um sorriso só pra mim, um olhar,
Palavras que nunca ouvi. mãos que me acariciem
O rosto como se eu fosse único, que me sintam
Na plenitude de uma entrega, que façam meu corpo
Tremer, o coração pulsar mais forte, e a alma...
A alma, fazer-se ternamente cativa, deitar no colo,
E sonhar sem medo de acordar, sem medo de viver.
Um dia, mesmo não sabendo onde e ... nem quando
Haverei de sentir meus dias repletos de certezas...
As cinco, sentir saudade das quatro, no instante seguinte
Essa saudade esvair-se na entrega irrestrita de nós.
Um dia farei versos infinitos em poesias completas
Que contem para a alma dela todos os meu segredos, 
E ela, em sutis e inocentes sorrisos, me falar baixinho:
Te amo. Um dia, haverei de caminhar de mãos dadas,
Com passos lentos, deixando nossos rastros no tempo...
Para que os beijos que nunca tenham sido dados
Nos encontrem e se façam todos nossos. Um dia!

José João
05/10/2.016

domingo, 2 de outubro de 2016

Como sinto a solidão.

Há quem diga que a solidão é má, até cruel,
Que deixa o tempo vazio sem nada para ver ou sentir,
Deixa a alma demente chorando convulsivos prantos 
Em tão dolorido chorar que a própria tristeza
Se apieda por tanta dor. Assim dizem da solidão.
Nas noites, também dizem, ela faz as horas lentas,
Faz o sono perder-se por entre pensamentos vazios,
Os sonhos se fazem apenas pedaços de momentos
Que ficaram sem história sem mais nenhum dizer.
Ah! Essa solidão! Só entende quem com ela vive,
Não por momentos, por adeus ditos em palavras,
Mas por perdas sentidas desde de dentro da alma.
Pra mim, a solidão, coitada, não é o que dizem,
Eu a sinto bem mais carente que mesmo triste,
Sempre a entregar-se plena, submissa à vontade
De quem chora, muda, no silêncio do seu dever
De apenas ouvir. Se faz companhia, se faz tempo,
Se faz mundo, como se ela, a solidão, tivesse
Medo de ficar só. Ela não existe se não houver 
Alguém para senti-la. Nos completamos e assim...
Povoamos um mundo só nosso, ela só me ouve...
Atenta, sem nunca fazer julgamentos de mim


José João
02/10/2.016

sábado, 1 de outubro de 2016

Talvez nunca seja saudade, seja ...

Não é tua saudade que me faz chorar, traz essa angustia,
É a tua ausência, ela é que definha as horas, os dias,
Deixa essa ansiosa vontade de ir sem lugar pra chegar,
Faz a alma ajoelhar-se chorando prantos que nunca chorou,
Atirar-se num denso vazio de sonhos mortos e vontades vãs.
Um silêncio, como se tudo estivesse dentro de um nada,
Parece fazer o mundo parar, esse mundo onde tua ausência
Me deixa caído, sem força pra gritar ou caminhos para seguir,
Me perco entre os restos dos sonhos que me fizeste sonhar,
E um sussurro, como se o tempo me quisesse falar, dizer
Em segredo o que não quero mais ouvir... nem sentir.
Lentamente, caminho entre os medos que agora sinto,
Dos amanhãs, com certeza, cheios de tristezas e aflições,
Das noites, cheias de tua ausência, das torturantes perguntas
Que não terão respostas porque as lágrimas só sabem chorar,
Dessa desmedida agonia da alma a sufocar-se com essa dor.
Quem me dera essa saudade gritasse dentro de mim,
Como gritaram as outras pelos tantos adeus que ouvi,
E até chorei, mas com tua ausência é tão diferente!
Talvez nunca se faça saudade, talvez, para sempre,
Se faça apenas ...minha vida.


José João
01/10/2.016


Um ontem para sempre

Ontem, dancei com o tempo, uma musica
Que nunca tinha ouvido. Hoje acordei no silêncio
De uma saudade que até pensei ter ido embora,
Mandada pelo ontem, mas não, o ontem é que se foi
Num silencioso ir, como apenas tivesse sido um sonho,
Tudo em volta ficou vazio, ficou triste. Os soluços
Se perdiam entre palavras reticentes, uma vontade
De chorar, vinda da alma, chegava aos olhos, úmidos,
Tristonhos, cabisbaixos, com medo de olhar o tempo
Como se este fizesse a dor ser maior, ser mais sentida.
O ontem, fez hoje, essa saudade nova ser mais doída,
Porque faltaram palavras... as que não foram ditas,
Segredos que não foram contados, almas que, de longe,
Se tocaram em apenas poesias, não disseram das vontades 
Que sentiam. Não ficaram rastros, porque nem caminhos
Existiram, ficou apenas a promessa de um por do sol,
E minha alma, pela loucura comum de toda alma amante,
Regozija-se, e a cada por do sol se veste toda de ternura,
Se perfuma de saudade e se põe a espera-lo, atenta
A qualquer sopro de brisa, que jura ser um beijo.
E assim o ontem se fez eterno, vai existir, eu sei,
Enquanto houver um por do sol ...um ontem eternamente
...Para sempre.


José João
01/10/2.016


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Hoje é dia de apenas...apenas...

Hoje, quero escrever versos diferentes,
Que não falem de saudade, nem de dor, 
Nem de lágrimas, quero uma poesia árida,
Quero uma poesia de palavras tortas, ridículas
Não quero a umidez de prantos nos versos,
Não quero poesias molhadas, nem bonitas
Quero que os versos se façam afiadas lâminas,
De espadas, de flechas, de lanças, se façam pedras...
Pedras pontiagudas  como se fossem palavras...
Afiadas, cortantes, gritadas cuspidas, blasfemadas,
Hoje eu quero dizer: que se danem, sim, se danem
Os ontens, os amanhãs, que se dane a razão,
Que as entrelinhas acertem as palavras que ...
Nem palavas são... mas dizem o que quero dizer
Na insensatez das moribundas vontades.
Não quero falar de angustias, são tão pequenas
Quando os sentimentos se misturam em revoltas.
Nem de solidão, nem de silêncio, hoje é dia...
De gritar, dia do homem, o poeta se escondeu
Entre poesias inacabadas e pensamentos perdidos,
Entre pedaços de nada, que mais nada dizem,
Hoje é dia de apenas...apenas...apenas

Jose João
28/09/2.016

Os anjos ensinam amar e... se vão

Os anjos, as vezes chegam como a primavera,
Perfumando o tempo, as histórias, os sonhos,
(Os anjos têm um perfume diferente para os sonhos).
Entram na alma da gente como se fosse sua posse,
Se deitam dentro dela, afagam, despertam sentimentos,
Desses que eternizam vidas, vontades e até momentos.
Brincam de amar, de ensinar a  dizer: te amo.
A primavera fica até quando as flores murcharem,
Os anjos se vão quando o sonhar ainda nem se fez voz.
Se vão de repente, como fosse uma brisa passageira
Que não se sabe de onde veio nem pra onde vai,
Nem deixam rastros, apenas ficam dentro da gente.
Quando se vão levam um pedaço inteiro de nós
E deixam saudade, uma saudade tão intensa,
Tão doída, que faz o viver ser tão difícil! Tão nada!
O olhar se perde no vazio, a voz se perde em soluços,
Murmúrios se fazem gritos, as lágrimas correm
Alucinadas por se acharem poucas para tanta dor.
Se juntam, se abraçam (as lágrimas se abraçam)
Numa incontida  ânsia de se fazerem prantos
E como prantos se fazerem caminhos, rios
Na vã tentativa de que a alma por eles sigam...
Por onde acham que o anjo se foi.


José João
28/09/2.016

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Meus pecados

Ah! Alma minha que em tantos pecados se perdeu!
Que há de pagar as penitências em orações cheias
De lágrimas e saudades... como fossem doloridas preces
Que o tempo ensinou rezar. Oh! Alma minha, que triste,
Chora, grita, se perde em reticências mudas quando a voz,
Entre gemidos e sussurros, sobe aos céus e desaparece
Sem  lá chegar. Alma minha, sofrida e triste amante
Que o maior pecado foi amar sem medidas, como se o amor,
Um dia, não se fizesse dor, não se fizesse saudade,
Nem angustia, nem tristeza, como se não estivesse
Em permanente cio com a solidão, quando o amar
Se torna dor, ela, a solidão, se faz espaço, se faz tempo,
Se faz blasfêmias, tanto que a alma, aflita, pergunta:
Deus onde estás? Tão grande o desespero que peca outra vez.
Mas haverei de pagar meus pecados nas penitências dadas,
E se a mim for permitido paga-los em lágrimas, prantos
E saudades, não me farei rogado, pagarei até os centavos...
De dor pelo prazer de um dia ter amado, como amei.


José João
27/09/2.016


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Ah! Essas minhas loucuras!

Você ainda está aí, não está? Então apresse-se!
Que estou te esperando, sim. Te esperando.
Com todas as folhas novas de outono,
Com flores de todas as primaveras.
Com sonhos novos que me fizeste sonhar,
Tenho até um olhar novo, diferente,
Um olhar só teu, que nunca olhou ninguém.
Vem, te apressa, me limpei de todas as saudades,
Desfiz prantos, dei um novo sorriso às lágrimas,
Me fiz canto...me fiz canção... tudo pra ti.
Reinventei rimas em versos completos,
Te escrevi nas linhas, te amei nas entrelinhas
Apaguei todos os pontos...ponto final,
Meu verso não tem fim, comecei com teu nome,
No meio do verso gritei te amo e o verso...
Ah! O verso ficou infinito, cheio de ti
E entre os tantos sonhos que me fizeste sonhar
Em um, te carreguei no colo, te beijei a fronte,
Te fiz dormir, busquei um anjo, sim, um anjo,
Para embalar teu sono, e eu, te ver criança
A me fazer sorrir...te amo e não sei quem és.

José João
26/09/2.016

Não sei qual dor maior

A mim não sei ainda se me importa os caminhos
Que percorri, as dores que senti, as lágrimas...
Os tantos prantos chorados nas ruas, nas noites,
Na minha demência de caminhar sem ser ninguém
No vazio do tempo, em turvas imagens cheias
De nada. Me perdi. Perdi sonhos e esperanças.
Tropecei em meus próprios pedaços caídos no chão,
Não esse chão que se pisa, esse é fácil cair e levantar
Mas um chão onde só a alma se deita em flagelos.
Minha sombra vagava com passos perdidos,
Minha voz se perdeu em reticências, em silêncios
Que quase perenes tomavam conta de mim...
O agora!? Também não sei se ainda me importa!
Sonhos novos nascem moribundos, quase mortos,
A esperança se perde nas amarelas folhas da ilusão
Onde os amanhãs se mesclam de dores e duvidas,
Onde a saudade se faz mais forte por ser saudade...
Do que nunca vivi. Não sei qual angustia maior.
Se das dores que já senti...ou essa que sinto agora,
De sentir o perfume e ... não ver a flor.

José João
26/09/2.016



sábado, 24 de setembro de 2016

Eu e tua saudade

Ontem, amor, te juro, ri-me tanto da solidão.
Estava na noite, num preguiçoso quase dormir,
Num acontecer que não se sabe dizer, se é pensar
Ou sonhar, num prazeroso e até divertido silêncio,
Quando, esgueirando-se pelas sombras da noite,
Atravessando paredes como se fosse um fantasma,
Ela vinha, num leve  flutuar, entre sombras e vazios,
Pela réstia da porta, um outro vulto, espreitando
Sutil, com mais dúvidas que certeza... era a tristeza,
Mas como se tivesse entendido o momento, se foi,
Correu por entre os nadas e se perdeu na escuridão.
Mas ela, a solidão, mais por prazer que talvez maldade,
Insistia em me chamar a atenção, em me tomar,
Em se fazer dona de mim, como se eu fosse sua posse.
Amor ri-me tanto! Quão ridícula ela ontem se fez!!
Estava tão zelosa em me invadir a alma, que, coitada,
Nem percebeu que eu não estava só. A tristeza percebeu,
Mas a solidão! Insistente como é! Custou tanto!
Foi preciso que a saudade, vestida de te, me abraçasse,
Me deitasse no colo, me afagasse a alma... só assim,
Ela, cabisbaixa, como se pedisse desculpas...
Quase sem acreditar, se foi. Eu e tua saudade
Rimos tanto ... e passamos a noite juntos... falando de ti.


José João
24/09/2.016


Deixa

Deixa, pelo amor de Deus, teus sonhos comigo.
Deixa que eles se façam vida dentro de mim,
Me embale os dias, se façam eu, se façam nós.
Deixa que tua voz, em meus pensamentos,
Se façam melodia a me enganar que estás aqui,
Que juro, num acreditar supremo, que sou teu,
Na mais verdadeira magia de um perfeito fingir.
Te chamo aos gritos, em desesperado sentir  
Nessa minha saudade infinda e quase eterna.
Me visto em lágrimas, na angustia de tua ausência,
Me faço submisso a essa vontade louca 
Sem que me importe com os outros amanhãs,
Que nem serão amanhãs se essa saudade 
Não estiver gritando dentre de mim, o teu nome.
Deixa, amor, todas as lembranças do que vivemos,
E se me fizerem chorar, deixa que as lágrimas
Escrevam suavemente em meu rosto o teu nome,
Não que eu precise para que possa te lembar
Mas que saibam que nunca fui além de ser
Todo e plenamente teu.

José João
24/09/2.016

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Nem sempre chorar é mesmo chorar

As vezes chorar é preciso. Nem só por tristeza
Se chora, as vezes nem é saudade, nem angustia,
É coisa da alma, quando mesmo sem saber porque,
Se derrama em prantos descabidos, por uma razão
Que não se explica, apenas acontece... e prantos.
Não sei se é carência, mas as vezes um olhar,
Um sorriso, toca tão fundo na alma que as lágrimas
Fazem festa nos olhos, correndo luzidias no rosto
Sem nenhuma tristeza, nenhuma saudade pra chorar.
As vezes essa vontade me toma e me entrego todo,
Quando estou sentado na porta do tempo 
Sem nada pra fazer, nem pensar, olhando sem ver
A imensidão dos caminhos, dos horizontes...
Ouvindo atento o silêncio, enganando a solidão,
Pensamentos e sonhos se confundem, voam,
Mas sem tristezas, sem saudades e... sem motivo
As lágrimas veem de mansinho, sem pressa,
Como se estivessem curiosas, ou cheias da vontade
De dividirem comigo o que apenas a alma vê.
As vezes eu acho que chorar não é chorar ...é orar.

José João
23/09/2.016

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Eu, o artesão de mim.

 Junto meus pedaços em versos nas poesias, 
As vezes tristes. as vezes inacabadas... 
Quando a dor é muito maior que a saudade
As palavras se fazem poucas, e a poesia...
Se perde dentro do meu silêncio.
As palavras são fragmentos de mim
Que junto em cada verso, como faz a artesã
"Colando cacos" e inventando flores...
Se entrega aos detalhes, como se cada pedaço
Fosse um pedaço da própria alma, assim ...
Como se fazem as poesias, repletas
Do que a alma sente. Sou o artesão de mim.
Enquanto a artesã cola pedras, azulejos e vidros,
(mesmo talvez colando com prantos)
Eu colo, nas poesias, lágrimas, saudades,
As vezes solidão, versos sem sentido,
Prantos que choro por adeus que nunca esqueci.
Minhas poesias são os muitos pedaços de mim
Que por mais que junte, sempre haverão mais
Para juntar, colar e ... continuar incompleto

José João
22/09/2.016