domingo, 30 de outubro de 2016

Noite, solidão e vazios.

Um canto de saudade começa a brincar com a noite,
Uma melodia, talvez cantada por um anjo, se atira
Ao tempo em acordes que só se sabe ouvir chorando,
Como se as lágrimas corressem aos olhos, ansiosas,
Para com a melodia que o silêncio canta, cantar também
A saudade que a alma sente, chora, soluça e grita 
Como se fosse uma Ave Maria chorada aos prantos
De angustia e clamor pedindo que a dor não doa tanto.
O dia, lentamente, esvaindo-se entre as horas, se vai,
Num caminhar triste como se não quisesse ir
Para que a solidão custe mais que a noite a chegar,
E a alma não se entregue tanto ao desespero de ficar só
E o pensamento não vá buscar sonhos que agora,
São meros pedaços incompletos do que foi vivido, 
Não se façam mais dolorosos que o próprio vazio
Que fica vivo gritando bem alto essa tanta ausência  
Que a alma não sabe sentir sem chorar, sem blasfemar, 
E até os olhos se perdem no nada sem saber mais mostrar
Nem o que é viver.


José João
30/10/2.016


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Eu?! Chorei apenas um vez.

Eu!? Não, nunca chorei tanto como muitos choram,
Choram hoje por qualquer adeus, amanhã riem,
Depois amam outra vez... adeus, saudades, lágrimas...
Como se brincar de sentir saudade fosse viver.
Eu chorei apenas uma única vez, há muito tempo!
Quando meus sonhos ainda eram sonhos inocentes,
Cheios de divinas promessas de amanhãs coloridos,
De ilusões que jurava ser resplandecentes verdades
Mas que um dia se fizeram escombros e rui com eles,
Perdi o passar do tempo, dor e saudade se fizeram mais,
Se fizeram maior que eu...e chorei, sem nenhum pudor,
Mas isso foi há muito tempo, quase não lembro mais
Não fosse um pedaço de sonho contar desse momento,
Foi um adeus, que se fez ausência, depois se fez dor.
Depois ainda se fez uma saudade triste, infinda...
Mas chorei apenas uma vez, na inocência da vontade
De amar...e de repente um adeus...mas eu...chorei
Apenas um vez desde quando, como ainda hoje são
Meus sonhos...inocentes, Assim chorei apenas
Uma vez, uma vez apenas. Meus olhos?!
O que têm meu olhos? Vermelhos? Ah! Sim...

José João
26/10/2.016


A poesia de dentro de mim

Dentro de mim tem uma poesia que a alma
Escreveu aos prantos, num angustiante momento
De uma saudade mais triste que qualquer tristeza,
Uma poesia inacabada, com versos molhados
Em que as rimas se desmancharam em prantos
E o começo dos versos eram feitos de reticências...
Como se a dor escondesse as palavras e o silêncio
Calasse o tempo, o pensamento, calasse a vida.
Há um verso dentro de mim que minha alma escreveu
Dentro de um vago e silencioso vazio de uma saudade
Que faz da poesia pequenas histórias sem sentido
Por ninguém acreditar que possa existir uma dor
Que doa tanto, que rasgue a alma em torturantes
Cicatrizes, que  faça eterna uma dor que parecia
Ser passageira do tempo e se fez para sempre,
Se fez eterna para que minha alma começasse
Os versos com reticências, molhasse as rimas
Com prantos, e escrevesse versos inacabados 
Para que não houvesse palavras que contassem
O tamanho dessa dor, mesmo na poesia que a alma
Escreveu dentro de mim.


José João
26/10/2.016



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Coisas que o tempo não leva

Minha alma chorou tanto depois daquele adeus,
Partiu por caminhos perdidos à tua procura,
Perdeu-se entre vazios, entre os nadas que ficaram
Como fossem labirintos, sem voltas, sem retornos...
Correu por entre paredes frias, muros altos...
Por entre pedaços de sonhos que nem sonhos eram mais.
Recordações se conflitavam com as tantas ilusões
Como se a alma em aparente demência nem soubesse 
O que doía mais, se a tristeza ou o vazio de tua ausência.
As lágrimas ficavam confusas nos olhos sem saber
Que dor chorar, se a dor da perda, da ausência,
Ou de uma saudade triste que insistia em chegar.
Parece que o tempo parou quando o adeus foi dito
E um silêncio, desses bem maior que o mundo,
Desses que sufoca a voz, que cala os pensamentos,
Se faz tão forte que se escuta o que diz a solidão,
Que se ouve o arrastar-se do tempo indo sem pressa,
Sem levar nada...como se pra ele toda dor que se chora,
Saudade que se sente, tem que ficar... dentro da gente.


José João
24/10/2.016


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O prazer de sentir saudade

Não sei, mas as vezes penso ser eu, e só eu
O dono da maior saudade que alguém já sentiu,
As vezes penso que lhe sou a maior paixão...
Porque ela se faz toda, se faz tão completa
Que vai muito além de mim, vai dentro da alma
E lá faz morada, se deita confortável, sem medo,
Sem nenhum temor. Ah! Essa mania do tempo! 
Trazer do passado momentos que não voltam mais!
Fazer ser dor o que foi tão perfeito quando existiu!
Fazer a alma, de joelhos, implorar pra onde quer voltar!
Ou o que quer ter de volta. E sempre dói muito mais
Quando as saudades não se encontram porque só um
Sente. Assim, até a dúvida, por mais atroz que seja,
É melhor que essa verdade. Parece doer menos
O que dói tanto. As vezes nem sei do que sinto saudade
E nem de quem sinto. Só sei que ela está sempre 
Bem perto de mim como carinhosa companheira
A me seguir ao ver que sem ela a vida é tão vazia,
Porque só ela sabe trazer de volta o que não se tem mais.


José João
            20/10/2.016           

Sim...sou eu

Caminhei por estradas que nem conhecia,
Busquei horizontes distantes e perdidos no tempo,
Passei por entre eles e fui, sem rumo, apenas indo.
Naveguei por mares desconhecidos por noites e dias,
Por vezes sem nenhuma rota, mas não importava,
Precisava ir sempre, o mais longe que pudesse ir,
Ou que meus sentidos mandassem, e assim fazia.
A alma, sonolenta, e cheia de mágoas se fazia órfã
De sonhos, de razão, de lembranças, tudo era vazio,
A não ser pelas orações rezadas e vãs esperanças.
Nas noites, deitado entre a solidão e a tristeza...
(ainda assim o frio era cortante, de corpo e alma)
Olhava as estrelas, lhes dava um nome, ainda sorria,
Imaginando estradas entre elas (riscadas aqui no chão)
Que me levassem a outros lugares onde ainda pudesse
Haver motivos para olhar o tempo e esperar amanhãs
Mais risonhos. Mas pouco a pouco, e tristemente,
Ia percebendo que esse lugar não existe...não existe,
Onde eu chegasse lá estariam, solidão, tristezas,
Saudades, pois o transporte delas... sou eu

José João
20/10/2.016


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O eco de um grito.

Me perdi indo por caminhos desconhecidos,
Sem marcas, sem horizontes, cheios de silêncio,
Ia com passos trôpegos. pensamentos perdidos,
Palavras reticentes a se perderem no tempo,
Sem nada dizerem por serem tão pequenas para a dor
Que dentro de mim insistia em me fazer seguir...
E ia, não por querer, mas pela inútil e vã tentativa
De encontrar um lugar para fugir, não sentir...
Mas ela estava  dentro de mim, como parte viva,
A me fazer levar momentos que me sufocavam,
Me espremiam o peito, me molhavam os olhos,
Que gritavam um adeus que não queria ouvir.
As vezes me sentava na beira do nada buscando
Os porquês, mas o pensamento, em silêncio...
Por demência ou preguiça de pensar...nada dizia.
Os sonhos ficaram para trás, pálidos, desbotados,
E de repente um grito da alma? Onde estás?
E o eco do grito foi indo... até onde? Não sei...
Mas talvez, quem sabe, ela escute um dia...


José João
15/10/2.016



terça-feira, 11 de outubro de 2016

Não vejo mais poesia...

Não vejo mais poesia na primavera, 
Nas flores que nascem, nas canções que a brisa
Canta acalentando os botões que se abrirão amanhã.
Não vejo mais poesia no cantar do rouxinol,
No abrir-se o dia orvalhado com o perfume do tempo,
Nem nos meus sonhos, não vejo mais poesia...
Meus versos deixaram de ser versos, ficaram mudos,
As palavras perderam a alma, se esvaziaram de sentido
E vazias, sem alma, não dizem mais nada, e caladas
Ficam no silêncio de mim. Só as lágrimas gritam...
Mas não gritam mais versos, só gritam mesmo dor,
Não uma dor qualquer, mas a dor de uma saudade...
Uma saudade, de quem não sei, e por isso dói muito mais.
De longe, de muito longe, me chega, como se viesse
De dentro de um sonho, um pedaço de vida
Que nem sei quando vivi. Fragmentos de momentos 
Confundem beijos, perdas, adeus, ausências...
E o que deveria ser verso, se fazem meus pedaços...
Não vejo mais poesia... nem nas poesias que faço.


José João
11/10/2.016


domingo, 9 de outubro de 2016

Eu e meu silêncio

Hoje caminhei com meu silêncio, só nós dois.
Caminhamos por entre saudades, lembranças...
Ele me contou meus segredos, sim... meus segredos,
Alguns até já esquecidos, perdidos dentro do tempo.
Falamos de adeus que ficaram guardados na alma,
De momentos que, passado tanto tempo, ainda hoje, 
Se fazem histórias recentes, como se pra eles
O tempo tivesse parado. Falei das tristezas novas,
Dessas que vão crescendo lentas dentro da gente
Até se fazerem dor, angustias, se fazerem vazios
Dentro da alma. Falamos de despedidas, de ausências, 
De encontros, desses que acontecem ontem e amanhã
Já se fazem desencontros, perdas, sem que se queira,
Por apenas a vida decidir assim. Eu e meu silêncio!
Caminhamos por horas e horas com meus passos
E pensamentos. Contei dos sonhos impossíveis,
Das tantas vontades vãs, Eu e meu silêncio, hoje,
Em tão plena sintonia, nos fizemos apenas um. Eu

José João
09/10/2.016


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A gaveta do poeta

Ao poeta foi permitido a magia de ver o invisível.
Põe suas ideias e emoções dentro de uma gaveta qualquer,
Sem chaves, sem trancas, sem medos e deixa
Que a abram. só ele sabe o tesouro que guarda,
Os outros o chamam de louco por acharem a gaveta vazia,
Mas dela, saem sonhos dourados, saudades distantes...
O poeta, em sua gaveta, guarda até o tempo,
Guarda estrelas, flores, guarda até mesmo pensamentos.
Na gaveta do poeta estão guardados o silêncio, a saudade, 
Ilusões, até versos ainda não escritos...nela, o poeta guarda 
Todas as palavras, ainda que em desordem, mas sabe 
Busca-las quando precisa, sabe onde está cada uma delas,
Por vezes nem é preciso abrir totalmente a gaveta.
Muitas e muitas vezes perguntam se ela é mágica,
Por caber ou guardar tanto...outras, por não conseguirem 
Vê-la, coitados! Acham que não existe, mas há momentos
Que até mesmo o poeta não consegue abri-la, em outros,
Seus guardados saem tão efusivamente, quase que fugidos, 
E lá vai o poeta busca-los lentamente no tempo,
Como o  passado, uma saudade antiga, o silêncio,
E por vezes, até o homem que guarda o próprio poeta.
E assim ele guarda seu tesouro em uma gaveta  
Que alguns acham que não existe, outros acham que é magica,
E só mesmo o poeta sabe abri-la, com um simples toque
De coração, ou talvez de ... saudade.

José João
reedição (a pedido)
19/03/2.011
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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Um dia...nós dois

Um dia, não sei quando, mas um dia, ainda que distante,
Haverá de haver um sorriso só pra mim, um olhar,
Palavras que nunca ouvi. mãos que me acariciem
O rosto como se eu fosse único, que me sintam
Na plenitude de uma entrega, que façam meu corpo
Tremer, o coração pulsar mais forte, e a alma...
A alma, fazer-se ternamente cativa, deitar no colo,
E sonhar sem medo de acordar, sem medo de viver.
Um dia, mesmo não sabendo onde e ... nem quando
Haverei de sentir meus dias repletos de certezas...
As cinco, sentir saudade das quatro, no instante seguinte
Essa saudade esvair-se na entrega irrestrita de nós.
Um dia farei versos infinitos em poesias completas
Que contem para a alma dela todos os meu segredos, 
E ela, em sutis e inocentes sorrisos, me falar baixinho:
Te amo. Um dia, haverei de caminhar de mãos dadas,
Com passos lentos, deixando nossos rastros no tempo...
Para que os beijos que nunca tenham sido dados
Nos encontrem e se façam todos nossos. Um dia!

José João
05/10/2.016

domingo, 2 de outubro de 2016

Como sinto a solidão.

Há quem diga que a solidão é má, até cruel,
Que deixa o tempo vazio sem nada para ver ou sentir,
Deixa a alma demente chorando convulsivos prantos 
Em tão dolorido chorar que a própria tristeza
Se apieda por tanta dor. Assim dizem da solidão.
Nas noites, também dizem, ela faz as horas lentas,
Faz o sono perder-se por entre pensamentos vazios,
Os sonhos se fazem apenas pedaços de momentos
Que ficaram sem história sem mais nenhum dizer.
Ah! Essa solidão! Só entende quem com ela vive,
Não por momentos, por adeus ditos em palavras,
Mas por perdas sentidas desde de dentro da alma.
Pra mim, a solidão, coitada, não é o que dizem,
Eu a sinto bem mais carente que mesmo triste,
Sempre a entregar-se plena, submissa à vontade
De quem chora, muda, no silêncio do seu dever
De apenas ouvir. Se faz companhia, se faz tempo,
Se faz mundo, como se ela, a solidão, tivesse
Medo de ficar só. Ela não existe se não houver 
Alguém para senti-la. Nos completamos e assim...
Povoamos um mundo só nosso, ela só me ouve...
Atenta, sem nunca fazer julgamentos de mim


José João
02/10/2.016

sábado, 1 de outubro de 2016

Talvez nunca seja saudade, seja ...

Não é tua saudade que me faz chorar, traz essa angustia,
É a tua ausência, ela é que definha as horas, os dias,
Deixa essa ansiosa vontade de ir sem lugar pra chegar,
Faz a alma ajoelhar-se chorando prantos que nunca chorou,
Atirar-se num denso vazio de sonhos mortos e vontades vãs.
Um silêncio, como se tudo estivesse dentro de um nada,
Parece fazer o mundo parar, esse mundo onde tua ausência
Me deixa caído, sem força pra gritar ou caminhos para seguir,
Me perco entre os restos dos sonhos que me fizeste sonhar,
E um sussurro, como se o tempo me quisesse falar, dizer
Em segredo o que não quero mais ouvir... nem sentir.
Lentamente, caminho entre os medos que agora sinto,
Dos amanhãs, com certeza, cheios de tristezas e aflições,
Das noites, cheias de tua ausência, das torturantes perguntas
Que não terão respostas porque as lágrimas só sabem chorar,
Dessa desmedida agonia da alma a sufocar-se com essa dor.
Quem me dera essa saudade gritasse dentro de mim,
Como gritaram as outras pelos tantos adeus que ouvi,
E até chorei, mas com tua ausência é tão diferente!
Talvez nunca se faça saudade, talvez, para sempre,
Se faça apenas ...minha vida.


José João
01/10/2.016


Um ontem para sempre

Ontem, dancei com o tempo, uma musica
Que nunca tinha ouvido. Hoje acordei no silêncio
De uma saudade que até pensei ter ido embora,
Mandada pelo ontem, mas não, o ontem é que se foi
Num silencioso ir, como apenas tivesse sido um sonho,
Tudo em volta ficou vazio, ficou triste. Os soluços
Se perdiam entre palavras reticentes, uma vontade
De chorar, vinda da alma, chegava aos olhos, úmidos,
Tristonhos, cabisbaixos, com medo de olhar o tempo
Como se este fizesse a dor ser maior, ser mais sentida.
O ontem, fez hoje, essa saudade nova ser mais doída,
Porque faltaram palavras... as que não foram ditas,
Segredos que não foram contados, almas que, de longe,
Se tocaram em apenas poesias, não disseram das vontades 
Que sentiam. Não ficaram rastros, porque nem caminhos
Existiram, ficou apenas a promessa de um por do sol,
E minha alma, pela loucura comum de toda alma amante,
Regozija-se, e a cada por do sol se veste toda de ternura,
Se perfuma de saudade e se põe a espera-lo, atenta
A qualquer sopro de brisa, que jura ser um beijo.
E assim o ontem se fez eterno, vai existir, eu sei,
Enquanto houver um por do sol ...um ontem eternamente
...Para sempre.


José João
01/10/2.016


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Hoje é dia de apenas...apenas...

Hoje, quero escrever versos diferentes,
Que não falem de saudade, nem de dor, 
Nem de lágrimas, quero uma poesia árida,
Quero uma poesia de palavras tortas, ridículas
Não quero a umidez de prantos nos versos,
Não quero poesias molhadas, nem bonitas
Quero que os versos se façam afiadas lâminas,
De espadas, de flechas, de lanças, se façam pedras...
Pedras pontiagudas  como se fossem palavras...
Afiadas, cortantes, gritadas cuspidas, blasfemadas,
Hoje eu quero dizer: que se danem, sim, se danem
Os ontens, os amanhãs, que se dane a razão,
Que as entrelinhas acertem as palavras que ...
Nem palavas são... mas dizem o que quero dizer
Na insensatez das moribundas vontades.
Não quero falar de angustias, são tão pequenas
Quando os sentimentos se misturam em revoltas.
Nem de solidão, nem de silêncio, hoje é dia...
De gritar, dia do homem, o poeta se escondeu
Entre poesias inacabadas e pensamentos perdidos,
Entre pedaços de nada, que mais nada dizem,
Hoje é dia de apenas...apenas...apenas

Jose João
28/09/2.016

Os anjos ensinam amar e... se vão

Os anjos, as vezes chegam como a primavera,
Perfumando o tempo, as histórias, os sonhos,
(Os anjos têm um perfume diferente para os sonhos).
Entram na alma da gente como se fosse sua posse,
Se deitam dentro dela, afagam, despertam sentimentos,
Desses que eternizam vidas, vontades e até momentos.
Brincam de amar, de ensinar a  dizer: te amo.
A primavera fica até quando as flores murcharem,
Os anjos se vão quando o sonhar ainda nem se fez voz.
Se vão de repente, como fosse uma brisa passageira
Que não se sabe de onde veio nem pra onde vai,
Nem deixam rastros, apenas ficam dentro da gente.
Quando se vão levam um pedaço inteiro de nós
E deixam saudade, uma saudade tão intensa,
Tão doída, que faz o viver ser tão difícil! Tão nada!
O olhar se perde no vazio, a voz se perde em soluços,
Murmúrios se fazem gritos, as lágrimas correm
Alucinadas por se acharem poucas para tanta dor.
Se juntam, se abraçam (as lágrimas se abraçam)
Numa incontida  ânsia de se fazerem prantos
E como prantos se fazerem caminhos, rios
Na vã tentativa de que a alma por eles sigam...
Por onde acham que o anjo se foi.


José João
28/09/2.016

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Meus pecados

Ah! Alma minha que em tantos pecados se perdeu!
Que há de pagar as penitências em orações cheias
De lágrimas e saudades... como fossem doloridas preces
Que o tempo ensinou rezar. Oh! Alma minha, que triste,
Chora, grita, se perde em reticências mudas quando a voz,
Entre gemidos e sussurros, sobe aos céus e desaparece
Sem  lá chegar. Alma minha, sofrida e triste amante
Que o maior pecado foi amar sem medidas, como se o amor,
Um dia, não se fizesse dor, não se fizesse saudade,
Nem angustia, nem tristeza, como se não estivesse
Em permanente cio com a solidão, quando o amar
Se torna dor, ela, a solidão, se faz espaço, se faz tempo,
Se faz blasfêmias, tanto que a alma, aflita, pergunta:
Deus onde estás? Tão grande o desespero que peca outra vez.
Mas haverei de pagar meus pecados nas penitências dadas,
E se a mim for permitido paga-los em lágrimas, prantos
E saudades, não me farei rogado, pagarei até os centavos...
De dor pelo prazer de um dia ter amado, como amei.


José João
27/09/2.016


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Ah! Essas minhas loucuras!

Você ainda está aí, não está? Então apresse-se!
Que estou te esperando, sim. Te esperando.
Com todas as folhas novas de outono,
Com flores de todas as primaveras.
Com sonhos novos que me fizeste sonhar,
Tenho até um olhar novo, diferente,
Um olhar só teu, que nunca olhou ninguém.
Vem, te apressa, me limpei de todas as saudades,
Desfiz prantos, dei um novo sorriso às lágrimas,
Me fiz canto...me fiz canção... tudo pra ti.
Reinventei rimas em versos completos,
Te escrevi nas linhas, te amei nas entrelinhas
Apaguei todos os pontos...ponto final,
Meu verso não tem fim, comecei com teu nome,
No meio do verso gritei te amo e o verso...
Ah! O verso ficou infinito, cheio de ti
E entre os tantos sonhos que me fizeste sonhar
Em um, te carreguei no colo, te beijei a fronte,
Te fiz dormir, busquei um anjo, sim, um anjo,
Para embalar teu sono, e eu, te ver criança
A me fazer sorrir...te amo e não sei quem és.

José João
26/09/2.016

Não sei qual dor maior

A mim não sei ainda se me importa os caminhos
Que percorri, as dores que senti, as lágrimas...
Os tantos prantos chorados nas ruas, nas noites,
Na minha demência de caminhar sem ser ninguém
No vazio do tempo, em turvas imagens cheias
De nada. Me perdi. Perdi sonhos e esperanças.
Tropecei em meus próprios pedaços caídos no chão,
Não esse chão que se pisa, esse é fácil cair e levantar
Mas um chão onde só a alma se deita em flagelos.
Minha sombra vagava com passos perdidos,
Minha voz se perdeu em reticências, em silêncios
Que quase perenes tomavam conta de mim...
O agora!? Também não sei se ainda me importa!
Sonhos novos nascem moribundos, quase mortos,
A esperança se perde nas amarelas folhas da ilusão
Onde os amanhãs se mesclam de dores e duvidas,
Onde a saudade se faz mais forte por ser saudade...
Do que nunca vivi. Não sei qual angustia maior.
Se das dores que já senti...ou essa que sinto agora,
De sentir o perfume e ... não ver a flor.

José João
26/09/2.016



sábado, 24 de setembro de 2016

Eu e tua saudade

Ontem, amor, te juro, ri-me tanto da solidão.
Estava na noite, num preguiçoso quase dormir,
Num acontecer que não se sabe dizer, se é pensar
Ou sonhar, num prazeroso e até divertido silêncio,
Quando, esgueirando-se pelas sombras da noite,
Atravessando paredes como se fosse um fantasma,
Ela vinha, num leve  flutuar, entre sombras e vazios,
Pela réstia da porta, um outro vulto, espreitando
Sutil, com mais dúvidas que certeza... era a tristeza,
Mas como se tivesse entendido o momento, se foi,
Correu por entre os nadas e se perdeu na escuridão.
Mas ela, a solidão, mais por prazer que talvez maldade,
Insistia em me chamar a atenção, em me tomar,
Em se fazer dona de mim, como se eu fosse sua posse.
Amor ri-me tanto! Quão ridícula ela ontem se fez!!
Estava tão zelosa em me invadir a alma, que, coitada,
Nem percebeu que eu não estava só. A tristeza percebeu,
Mas a solidão! Insistente como é! Custou tanto!
Foi preciso que a saudade, vestida de te, me abraçasse,
Me deitasse no colo, me afagasse a alma... só assim,
Ela, cabisbaixa, como se pedisse desculpas...
Quase sem acreditar, se foi. Eu e tua saudade
Rimos tanto ... e passamos a noite juntos... falando de ti.


José João
24/09/2.016


Deixa

Deixa, pelo amor de Deus, teus sonhos comigo.
Deixa que eles se façam vida dentro de mim,
Me embale os dias, se façam eu, se façam nós.
Deixa que tua voz, em meus pensamentos,
Se façam melodia a me enganar que estás aqui,
Que juro, num acreditar supremo, que sou teu,
Na mais verdadeira magia de um perfeito fingir.
Te chamo aos gritos, em desesperado sentir  
Nessa minha saudade infinda e quase eterna.
Me visto em lágrimas, na angustia de tua ausência,
Me faço submisso a essa vontade louca 
Sem que me importe com os outros amanhãs,
Que nem serão amanhãs se essa saudade 
Não estiver gritando dentre de mim, o teu nome.
Deixa, amor, todas as lembranças do que vivemos,
E se me fizerem chorar, deixa que as lágrimas
Escrevam suavemente em meu rosto o teu nome,
Não que eu precise para que possa te lembar
Mas que saibam que nunca fui além de ser
Todo e plenamente teu.

José João
24/09/2.016

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Nem sempre chorar é mesmo chorar

As vezes chorar é preciso. Nem só por tristeza
Se chora, as vezes nem é saudade, nem angustia,
É coisa da alma, quando mesmo sem saber porque,
Se derrama em prantos descabidos, por uma razão
Que não se explica, apenas acontece... e prantos.
Não sei se é carência, mas as vezes um olhar,
Um sorriso, toca tão fundo na alma que as lágrimas
Fazem festa nos olhos, correndo luzidias no rosto
Sem nenhuma tristeza, nenhuma saudade pra chorar.
As vezes essa vontade me toma e me entrego todo,
Quando estou sentado na porta do tempo 
Sem nada pra fazer, nem pensar, olhando sem ver
A imensidão dos caminhos, dos horizontes...
Ouvindo atento o silêncio, enganando a solidão,
Pensamentos e sonhos se confundem, voam,
Mas sem tristezas, sem saudades e... sem motivo
As lágrimas veem de mansinho, sem pressa,
Como se estivessem curiosas, ou cheias da vontade
De dividirem comigo o que apenas a alma vê.
As vezes eu acho que chorar não é chorar ...é orar.

José João
23/09/2.016

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Eu, o artesão de mim.

 Junto meus pedaços em versos nas poesias, 
As vezes tristes. as vezes inacabadas... 
Quando a dor é muito maior que a saudade
As palavras se fazem poucas, e a poesia...
Se perde dentro do meu silêncio.
As palavras são fragmentos de mim
Que junto em cada verso, como faz a artesã
"Colando cacos" e inventando flores...
Se entrega aos detalhes, como se cada pedaço
Fosse um pedaço da própria alma, assim ...
Como se fazem as poesias, repletas
Do que a alma sente. Sou o artesão de mim.
Enquanto a artesã cola pedras, azulejos e vidros,
(mesmo talvez colando com prantos)
Eu colo, nas poesias, lágrimas, saudades,
As vezes solidão, versos sem sentido,
Prantos que choro por adeus que nunca esqueci.
Minhas poesias são os muitos pedaços de mim
Que por mais que junte, sempre haverão mais
Para juntar, colar e ... continuar incompleto

José João
22/09/2.016


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Só preciso que não vás

Todas as noites durmo abraçado com tua saudade,
Que me envolve doce e ternamente e me permite
Que os mais belos sonhos de nós dois sejam sonhados.
Me atento a ouvir, no silêncio sombrio da noite,
Minha alma, ainda te confessando esse amar eterno,
As lágrimas, como fossem sutis sorrisos dos olhos,
Te buscam na penumbra do tempo, te trazem toda
Em momentos que ficaram vivos dentro de mim.
Me entrego ao prazer de murmurar teu nome,
Num soletrar carinhoso, sonolento e sem pressa, 
Que até me faz crer que me ouves e me entrego,
Num delírio incontido de ainda te sentir minha.
Tua presença, dentro dessa saudade viva, é tanta
Que te sinto, parece loucura, mas... juro, é você.
Fico imóvel, sem quase respirar, para não espantar
O que não sei... se é pensamento ou um sonhar,
Mas não importa, só preciso que não vás, que fiques
Dentro dessa saudade que aprendi a viver.

José João
21/09/2.016


domingo, 18 de setembro de 2016

Talvez ... até além de sempre.

Quando a dor da tristeza é maior que o tempo,
Não há caminhos nem distâncias. Ir, ou ficar
É o mesmo que nada ser. As lembranças
Ficam vivas, até as palavras um dia ditas,
Que deveriam perder-se no esquecimento,
Por serem apenas palavras, se fazem mais,
Por vezes se fazem gritos, outras, gemidos,
Onde a alma em doloroso chorar se perde toda.
Detalhes se fazem histórias e até lágrimas
Se fazem sonhos que nem sonhados foram.
Tento encontrar caminhos por onde não passei,
Horizontes que nunca vi. Ouço a alma pedindo,
Em orações vãs, que fuja do que ainda sou.
Como fugir de mim se a dor que senti ontem
Será a mesma dor que vou sentir sempre?!
Porque para sempre será também a saudade.
Um dia me esqueci de mim... pra te viver.
Talvez, até mesmo além de sempre...


José João
18/09/2.016


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Os versos são do tamanho da eternidade

Não me preocupo com o tamanho dos versos,
Nem se neles cabem todas as dores, saudades,
Ou as tristezas que sinto. Se versos longos ou curtos,
Não importa, sei que vão ao infinito brincar de levar
Meus sonhos para mais perto do céu... meus versos...
Têm o tamanho do que sente minha alma, como escrever
A infinitude da saudade que sinto, em versos pequenos,
Curtos, que terminem bem aí? Nem com o tamanho
Das poesias me preocupo, deixo-as fazerem-se soltas,
Sem que se preocupem com o começo ou fim, delas
Ou dos versos. Falar das dores, tristezas, angustias,
Deixadas pelos tantos adeus que ouvi, que chorei.
Alguém sabe o tamanho da solidão? Do vazio
Que ela faz ficar onde quer que se esteja? Não!
Como poderia a solidão caber em meus versos
Se não se fizessem maiores que ela. Ah! Os versos!
Infinitos... tão grandes que neles sobram lugar
Para todas as lágrimas, todas as saudades e sonhos...
Ah! Esses versos... do tamanho da eternidade!

José João
13/09/2.016

Um ponto no fim do verso ...

Nem sempre um ponto no fim do último verso
É o final da poesia... para o poeta. Talvez a dor maior
Não seja para ser contada, seja apenas pra ser sentida,
E o poeta cala, e no fim do última verso, um ponto,
E começa em silêncio, dentro da alma, a verdadeira
Poesia triste, a mais doída. Por vezes veem tristreza
Na poesia, mas triste, tristeza maior, pode ser
A verdade do poeta, que cala e guarda em segredo,
Que chora em fingidos sorrisos a dor que ninguém vê,
Que grita, desde a alma, uma incontida saudade
Que lhe sai, em desepero, pelos olhos, nas tantas
Lágrimas que chora como fossem pedidos de perdão...
Que ninguém ouve, nem vê... e se perdem ao tempo
Como se a dor não fosse dor, como se viver
Não fosse esse sofrer... que nem as poesias contam.
As vezes, o ponto no final dos último verso,
É apenas uma pausa de que precisa o poeta...
Dá um sorriso triste, debruça-se sobre a vida ...
E diz: Que me saibam só até aqui. e põe
Um ponto no fim do último verso, como este aqui.

José João
13/09/2.016



sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Quero primeiro...aprender a caminhar

Quero primeiro aprender a caminhar.
(Ah! Os homens! Loucos por conquistas!
Alçam vôos inconsequentes, depois perdem
Depois voltam, depois choram...
Não querem caminhar antes de voar!
Até as águias, que habitam as mais altas
Montanhas, antes de voar... caminham)
Depois aprender a ser águia


José João
09/09/2.016

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Bem vinda, solidão.

Nunca disse te amo, se minha alma não sentisse.
Minha voz nada mais era que o eco da voz dela,
Nunca me entreguei total e plenamente a um sentir
Se minha alma não estivesse toda pura e pronta 
Para se entregar, sem reservas, na plenitude do amar.
Quantas vezes fui além de mim, para sonhar sonhos
Que não eram meus, mas era tanta a vontade de amar
Que deles fazia meus amanhãs e os vivia todos.
Me lembro das tantas vezes que podei pensamentos
E vontades pelo prazer de satisfazer outras vontades,
Ver num rosto um sorriso dizendo alegre: obrigado.
Deixava que minha alma se preparasse, se enfeitasse,
Se fizesse como fosse uma noiva para se fazer dádiva 
A quem ela se entregasse. Nunca deixei pedaços,
Nem mesmo de saudades que pudessem se fazer sombras.
Ah! Mas o tempo, as dores, as mágoas, até os prantos
Que agora se fazem eternas companhias me dizem 
Coisas que a alma se recusava ouvir e aprender...
Me dizem que essa entrega assim, sem medidas,
Não vale mais a pena ... agora é ridículo, e eu ...
(rsrsrs) só sei amar assim ... bem vinda solidão.

José João
06/09/2.016




segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Deixa-me vida ... viver meus sonhos

Deixa-me, ó vida minha, brincar de sonhar,
De correr por entre canteiros floridos, mãos dadas,
Sem nada pedir, sem mais nada querer e, ir...
Apenas ir, entre sonhos, abraços e beijos,
Mesmo os sonhos que não foram sonhados,
Os beijos que não foram trocados e os abraços
Que não foram sentidos, mas deixa-me, ó vida,
Fantasiar-me de fingidas verdades, vestir-me
De versos cheios de sentir, e da vontade de viver.
Deixa-me, ó vida minha, brincar de artesão, 
Tecer desejos e saudades em bordados e rendas,
E vestir minha alma do prazer de fazer-se bela
E fingir, engolindo os prantos, que não é triste,
Vida minha que se esconde nos tantos segredos
Guardados dentro de mim, que nem a poesia,
Ousa nos versos contados, contar sem fingir, 
Deixa-me, ó vida minha, fabricar meus sonhos
Como se fossem eles tudo aquilo de que preciso,
Que minto pra mim mesmo, em sincera mentira,
Que até finjo acreditar que não são sonhos...
São minhas verdades.


José João
05/09/2.016

domingo, 4 de setembro de 2016

Pra mim ... sonhar é melhor que viver.

Faço dos meus sonhos verdades verdadeiras
Porque a vida ... a vida mentiu pra mim.
Me encheu de vazios depois de promessas
Mentirosas. Me fez amar, me entregar todo,
Pleno e sem reservas, me fez crer na eternidade
Do sentir, mas não me falou de adeus, de lágrimas,
De saudades e depois deu-as a mim ... assim...
Como fossem tributos por amar sem medida.
Não me disse que um adeus doía tanto ...
Tanto que as lágrimas, feito farpas pontiagudas,
Após sangrarem a alma, fogem pelos olhos,
Deixando-os vermelhos pela tanta dor que choram.
A vida mentiu pra mim,  mentiu quando disse 
Que a saudade fazia fugir a solidão ... mentira,
Juntas doem ainda muito mais, e é tanta dor
Que em qualquer lugar que se esteja, lá estão...
Saudade e solidão, tristezas e lágrimas...
Meus sonhos, não... eu os faço, eu os crio...
Posso sonha-los todos os dias e a cada um deles
Fazer eterno, se gostar daquele que sonhei hoje,
Sonho amanhã, e depois... e depois ...e depois
Para sempre ser, pelo mensos, uma esperança
Sem adeus e ... sem saudade.


José João
04/09/2.016

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Existes ... pelo menos em sonhos

Talvez... não sei bem, devesse ter sido você
Quem eu deveria ter esperado, não sei, não lembro
Porque não o fiz, me perdi, me esqueci de mim...
Não me refiz, não me encontrei e de mim, me perdi.
Busquei, e sem saber porque, caminhos diferentes,
Caminhos que não se cruzariam com os teus...
Hoje não sei onde estás e não ficaram  marcas
No chão para me fazer voltar por onde passei,
Ou se ficaram foram apagadas pelo tempo
Ou por outros passos que por ali passaram...
Talvez como os meus, em desencontrados ir e vir.
Teus passos, lá, também não estavam, eu saberia
Se lá estivessem, tua alma me diria, chamaria
A minha a seguir-te e eu, por mero esquecer
Das coisas de mim, de ti... de nós, me perdi.
Mas, se hei de seguir assim, tão só, que a vida
Me farte dessa saudade que me faz te procurar,
Que me faz ser teu, que me faz que viver me seja
Isso, essa busca de ti, essa falta de ti, essa tanta
Loucura de ti. E se não me for mais permitido
Te encontrar que, pelo menos, essa lembrança,
Mesmo distante, quase apagada, quase perdida,
Te traga inteira e plena para dentro dos sonhos...
Que te trazem para tão perto de ... nós dois


José João
02/09/2.016

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Confissionário

Ontem, eu sei ... fui bem além de mim,
Disse tudo que queria dizer e muito mais,
Bem em sua frente, tentava olhar seus olhos,
Mas ela até parecia não tê-los. Ali, diante de mim,
Parada, inerte, em assombrosa passividade,
Me ouvia calada. Meus gritos e os da alma
Se faziam ouvir, blasfêmias, injurias, palavras
Gritadas, algumas cheias de ira, até mesmo rancor,
Eram ditas, e ela, calada, sem nenhum movimento,
Ouvia tudo, em pé, na minha frente, muda e passiva.
Meus gritos espantavam o silêncio, até a solidão,
Escondida num canto, perto dela, assustou-se,
Correu por dentro da noite como se minha raiva
Lhe perseguisse. E ela...ela me ouvia muda,
Insensível, quanto mais ela me impunha silêncio
Mais eu gritava, se minhas mãos lhes tocavam...
Sentia a frieza, a dureza de quem não sabe sentir,
Como não lhe tivesse sobrado sentimento nenhum
Me enfurecia mais, e muito mais eu gritava...
Furioso, lhe falei tudo que uma quase loucura
Me permitia falar. Cansei, um pranto avulso
Tomou conta de mim... sentei no chão, incoerente ...
Encostei minha cabeça nela e ...dormi...dormi
Essa foi a primeira vez que conversei, que gritei
Que me confessei com a parede do meu quarto.

José João
01/09/2.016



terça-feira, 30 de agosto de 2016

Versos tristes ...não é minha a culpa

A culpa não é minha se meus versos são tristes
E cheios de mim. Não é minha a culpa, é da poesia
Que se permite ser escrita assim. A culpa ...
Também é das palavras que escrevem tristezas,
Não sabem ficar alegres, não sabem sorrir
Nos versos, não sabem correr, brincar de inocência,
Se fazem poucas, se fazem tímidas, só gritam
Se alguma tristeza, trazida por algum adeus...
Ou uma saudade maior que todas as saudades
Precisem ser gritadas, para que até o eco dos gritos 
Sejam tristes e, voando ao tempo, se façam prantos.
Não me culpem se os versos se escrevem tristes,
Se as poesias choram com suas próprias lágrimas,
Se as rimas se perdem entre o meio e o final do verso,
E as entrelinhas sejam pedaços escondidos de mim
Que contam vazios, em versos que não têm fim.
Não me culpem se a solidão constante e plena,
Se o silêncio tão comum num coração carente
Façam essa dor por maior que seja uma dor serena
Como se dor não fosse dor, fosse um sentir diferente


José João
30/08/2.016


Nem sempre amar é só amar.

Minhas palavras se perdem dentro do meu silêncio,
Não que elas não tentem gritar, voar em liberdade,
Como fazem meus pensamentos, mas é que a voz,
Se perde entre os soluços que insistem em chorar
O nome dela. A alma, como passageira dos sonhos,
Voa entre os horizontes, por caminhos sem chão,
Em desesperados e perdidos volteios, e vai...
Se perde, volta, sem nenhum lugar onde possa estar.
Onde possa esconder-se da tanta dor que a aflige.
As lembranças, como cascatas de sonhos perdidos,
Correm no tempo  como se a dor, delas precisasse
Para doer mais. O tempo pára, os olhos ardem,
O coração dispara, e uma saudade, dessas que dói,
Se faz do tamanho da vida, como se nunca mais
Fosse passar. E uma angustia, dessas que faz
A loucura falar em delírios o que não se quer falar,
Diz baixinho pra alma da gente, o que não se quer
Ouvir: Que amar...também é chorar.


José João
30/08/2.016

sábado, 27 de agosto de 2016

Um museu de solidão

Há quem fale em solidão, como se ela fosse
Apenas solidão. Ah! Se soubessem como sei...
Suas tantas faces, suas tantas maneiras de chegar,
De ser, de ficar. Até mesmo de fingir, sim, a solidão
Finge, é como se fosse uma atriz, as vezes bela,
Até alegre, dadivosa, outras... sufoca, quase mata.
Ah! Se soubessem de solidão como eu sei!
Por exemplo, aquela solidão que fica depois de um adeus,
E finge-se dar um tempo, mas na verdade,
Ela, a solidão, é o medo de se sofrer outra vez.
Aquela, quando o adeus é tão pouco, que no momento
Se faz solidão, mas só até o amanhã ou até outro olhar 
Que faça o ontem ser apenas uma lembrança.
Ah! Mas que dolorosa solidão! Malvada e vilã,
É aquela que nos toma mesmo dentro da multidão
Onde o silêncio na alma grita mais que qualquer voz,
Onde tudo e nada se confundem, em ir ou ficar.
Onde até a alma se perde dentro de infinda tristeza.
Mas tenho minha solidão preferida, terna solidão,
É aquela em que escolho estar, minha, só minha...
Tão prazerosa como fosse um ópio divino...
Me fazendo sonhar, sonhos que a vida não tem.
Só tem uma solidão que tenho medo, é aquela
Que não sei se saberia sentir.
Ah! Se soubessem de solidão como eu sei!!!

José João
20/08/2.016



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Nem parecia um dia

Hoje o dia se fez ridículo, parado, cheio de vazios,
Um pedaço de tempo sem forma, sem cor, 
Perdido entre horas que passavam sem querer passar,
Se arrastavam preguiçosas, zombando de todas
As dores, saudades, gritando num silencioso gritar
Cantos de tristeza que eu nem queria ouvir.
Nem parecia ser dia, parecia pedaços esquisitos
De horas quebradas, tortas, rotas, compridas, mortas,
Me perdi dentro delas, corri gritando blasfêmias,
Até o eco dos meus gritos caiam em estapafúrdio cair,
Ensopados, pesados pelo peso do pecado de blasfemar.
As palavras se desencontravam no clamor de pedir,
E o dia, que pra mim nem era dia, zombava rindo,
Fazendo de cada hora um gargalhar tirano, irônico.,.
Debochado e irreverente, alheio a angustia que a alma
Chorava sozinha entre as lembranças e sonhos 
Que lentamente iam se desvanecendo, se fazendo nada...
Mas provocando as lágrimas para chorarem essa dor.
E o dia, que pra mim nem era dia, num mórbido cio
Com a solidão, paria horas ainda mais tristes,
Mais preguiçosas que se arrastavam como lentas
Procissões sem querer fazer o amanhã chegar.


José João
24/08/2.016