sábado, 31 de outubro de 2015

Hoje é como se fosse um sonho

Já sonhei os sonhos mais lindos que alguém já sonhou,
Despertei em dias coloridos, entre abraços e perfumes
De beijos que pareciam nascidos da primavera...
Com gosto de amor, como se este fosse uma planta
Semeada com sementes de carinho, ternura e a doçura
De um sentimento eterno em cada olhar que dizia: te amo.
Nunca houve um talvez entre as palavra ditas com a alma,
Gritadas com o pulsar forte de nossos corações...cheios
De nós e de nossa certeza de sempre os amanhãs
Serem ainda mais cheios de ternura e de entrega...amamos....
Amamos sem medo de vazios, nem de lágrimas, sem medo
De adeus ou de saudades. Amamos intensamente...
Numa entrega de vida, de coração e alma, nos fizemos
Apenas um, sorrimos o mesmo sorriso, sorrimos
Com as mesmas lágrimas quando, alegres, gritavam
Em nossos olhos um sentir que nossas palavras
Não sabiam dizer. Navegamos nos navios de sonhos
Que percorriam mares sem rumos, na beleza única
De nossos horizontes que o amor pintava pra nós dois.
AMAMOS COMO NINGUÉM AMOU - grita minha alma -
Numa tristeza, cheia de vazios, curvada sob o peso
De um dolorido e inesquecível adeus. Chorando,
Em desespero, uma saudade...sem fim

José João
30/10/2.015





quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O desespero de um grito

Ah! Como te amei! Te amei em silêncio,
Dizendo baixinho pra tua alma de um amor infinito,
Não gritei para ninguém ouvir, não valia a pena,
Era nosso segredo, apenas tu deveria saber...
O silêncio de um segredo entre dois corações
 É o grito mais lindo que a alma pode  ouvir,
Assim fizemos, nossos olhares eram palavras
Soltas, confissões cheias de ternura, coisas nossa...
...As vezes nos tomam o que temos sem nos perguntar
Se já sabemos ou podemos viver com a ausência...
Sem perguntar como seriam as manhãs, a saudade...
Se seria uma saudade triste, como sempre é toda
Saudade, quando um adeus rompe, rasga  de repente
Os sonhos que se desejava coloridos por toda vida.
Ficam pedaços perdidos correndo entre pensamentos
Cheios de vazios, martirizando uma alma desesperada,
Que em espasmos e convulsões grita um nome em prantos,
Ajoelhada no tempo, mãos postas em orações rezadas
Em perdida fé e vãs palavras... e que não venha o destino
Fechar o ouvido pra minha revolta, e que minhas blasfêmias
Sejam ouvidas como eco de meus desesperados gritos
De dor que desde aquele adeus... só sei chorar...
E... em silêncio...sentir


José João
28/10/2.015








domingo, 25 de outubro de 2015

Para apenas doer mais

Minha tristeza parece deixar o tempo sonolento,
Se arrastando entre as horas, com preguiça de passar.
Assim, minhas lágrimas se permitem pintar meu rosto
Mais lentamente, se fazerem marcas, como fossem 
Caminhos que meus olhos deixam, para levar
Ao mundo, todas as angustias de minha alma.
A noite então, o tempo se faz bem mais lento,
Parece caminhar com passos trôpegos de um velho
Ancião sem forças para ir, mas sem poder ficar,
A noite fica como fosse uma vida, onde todas
As histórias vêm, as vezes vêm só dor e lágrimas,
Em outras, vem a saudade gritando com o silêncio
Momentos que nunca esqueci, que ficaram
Dentro de mim... nem sempre só como recordações...
Algumas vezes se fazem cruéis castigos marcando
As horas, martirizando a alma com lembranças
De adeus, de olhares chorosos de despedidas,
De palavras que não passaram de breves soluços
Mas que ainda assim pareciam desesperados gritos,
Pedidos de clemência que se perdiam no tempo...
Esse mesmo tempo que se arrasta lento, apenas...
Para a dor ser mais doída.

José João
25/10/2.015





  

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Uma saudade que é só minha

Já não importam teu silêncio nem a mudez de teu olhar...
Já não importam mais. Nem as palavras ditas um dia,
Faladas sem verdade, com uma voz sussurrante 
Como se o medo de dize-las fosse mais forte, 
Ou, talvez, fosse a incerteza do que seria dito.
Me resumi a ouvir o silêncio gritando nos teus olhos
Coisas que não queria ouvir, e parado dentro de mim,
Um soluço, que insistia em se fazer a voz da alma,
Mas sem nada saber dizer. O peito arfava no explodir
Descompassado de um coração que pulsava em prantos,
E os olhos! Ah! Esses se faziam fontes, as lágrimas,
Qual orações perdidas, buscavam  em vão uma clemência,
Que não chegava nunca, tanto foi o pecado cometido...
Amei, amei como se a vida nada fosse além de amar,
Amei como se assim o amor se fizesse tanto
Que a eternidade se faria pouco e o infinito pequeno
Pra nós dois. Meu louco, terno e divino pecado...amar
Mas não há arrependimento. Hoje, essa saudade,
Que um dia doeu mais que qualquer dor, se fez
Placida companheira a lembrar-me, serena,
Dos momentos vividos, e mansamente me diz
Sente o prazer de sentir essa saudade que é só tua.


José João
21/10/2.015




Quem sabe um dia...

Meus versos se derramam hoje ao tempo
Como fossem pétalas banhadas de lágrimas
Brilhando sob um sol de triste brilhar.
Vão sem rumo a debater-se num muro de silêncio
De corações vazios que não sabem mais amar,
E se fazem ecos perdidos de um grito dado
No vazio do tempo sem montanhas para reverberar.
Me perdi dentro de um mundo onde o vazio
De cada um é do tamanho de sua própria solidão,
Como estão todos, mesmo dentro de uma multidão 
Que caminha apressada numa algazarra de almas
Carentes que não sabem mais nem do que precisam.
Meus poemas caem tristes num chão de pedras
Frias, pisados pelo desprezo de quem fez do amor
Apenas uma história do era uma vez...
Ah! Meus versos! Mas continuam sempre indo,
De dentro de mim para o tempo, um dia
Um coração, apenas um que seja, se senti-lo
Em sua plenitude, der um sorriso largo, aberto
E lembrar que  o amor existe...fiz minha parte.

José João
21/10/2.015


terça-feira, 20 de outubro de 2015

As vezes o tempo é tão ridículo!

Lá vai o tempo, passando por dentro de mim...
As vezes rápido - se estou feliz - outras vezes,
Cruel e monotonamente lento - se estou triste -
Mas lá vai o tempo, transformando os amanhãs
Em ontens,  histórias em lembranças, algumas
Se perdem no esquecimento, que o próprio tempo
Se encarrega de apagar como se não houvessem existido.
Mas em mim ficou uma, que se renova a cada dia
Quando muito, quando o tempo insiste, 
O mais distante que ela se faz de mim, é como
Fosse ontem e... uma saudade (dessas que doer
se faz de menos) se faz tão viva que as lágrimas,
Num doar-se a vulso, não se fazem apenas pranto,
Se fazem gritos, que a alma em desespero chora
Com meus olhos,, prazeirosamente emprestados,
Porque quero chorar também. Um instante
Eternizado dentro de mim...que ontem se fez saudade,
Que hoje se faz tristeza e que amanhã se fará lágrima.
É sempre assim, Existem momentos que fazem
Do tempo tão ridículo!!! Que até parece dor de ontem
A saudade que não passa


José João
20/10/2.015

O que havia dentro de mim

Dentro de mim já existiu uma terna paisagem,
Cheia de lírios perfumando minha alma...
De azaleias colorindo caminhos, largos caminhos,
Lá na frente, ainda dentro de mim, um horizonte,
Que no por do sol me enchia de ternura...
Fazia meu coração pulsar mais forte, mais vibrante
Como se fosse uma canção, uma melodia
Com um só nome. Dentro de mim já morou
Um sentimento como se fosse uma primavera...
Lindo, cheio das mais diversas matizes e cores...
Colorindo versos e poesias que se faziam confissões,
Se faziam orações, ladainhas divinas, sussurradas
Ou ditas na eloquência de um silencioso olhar quando,
Cheio de divinal doçura, dizia suave: Eu te amo.
Dentro de mim havia um mundo só pra nós dois.
Hoje, os escombros desse mundo, jazem atirados
Ao relento de dias sombrios e escuras noites,
Ficam inertes caídos dentro de uma triste saudade
Que apenas se faz fragmento de um tempo perdido.
As flores murcharam com o sopro de um adeus,
Que deixou apenas tristeza, solidão e carência
Como fossem flores sem cor nem perfume,
Apenas restos...de tudo...até de mim.

José João
20/10/2.015




sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Coisas que não se sabe porque.

Meu mundo?! Era aquele que você brincava de ser tudo...
Se lembra? Como se fosse minha luz... a canção 
Que a brisa me ajudava  cantar chamando teu nome.
Tinhas o perfume e a beleza da mais bela primavera,
Meus olhos te olhavam com uma alegria lacrimejante,
Tanto era o sentir, o amar, a verdade verdadeira
Da existência perfeita de um sentimento infinito,
Que fazia eterno cada momento cheio de nós dois...
Como era fácil falar de amor...não com palavras,
Coitadas, tão poucas, mas com a força de nossas almas,
Com o gritar dos nossos olhos em eloquentes olhares,
Gritando: Eu te amo...e sorrindo, cheios de amanhãs
Coloridos, pintados cor da mais perfeita esperança.
Mas não sei como, nem porque, as flores da primavera, 
Que achava perene, murcharam, e um adeus...
Desses que não se tem tempo de dizer, de repente se fez
Verdade e um melancólico outono se fez vivo,
Nossos sorrisos, como se fossem folhas, envelheceram,
Caíram  e se foram ao tempo...sem caminhos,
Sem saber pra onde...apenas se foram, naquele adeus,
Que nenhum de nós disse...apenas existiu.

José João
09/10/2.015


Coisas de minha alma

Foi num tempo, que sinceramente não sei quando,
Te encontrei entre minhas vontades e meus sonhos...
Foi num lugar distante, cheio de flores
Que se deitavam nas margens de uma estrada
Que parecia ir dar no horizonte, num distante horizonte,
Onde um por do sol, o mais lindo que já existiu,
Parecia sorrir com teu sorriso, terno, doce e único.
Foi num lugar onde não se chega nunca, que te vi...
Que senti teu perfume perfumando o tempo, 
Meus olhos foram contigo, num caminhar lento,
Como se flutuassem num te seguir para sempre...
Tanto, que minha alma, sem te conhecer, se entregou,
Se fez parte de ti, te fez versos que não sei declamar,
Te fez uma verdade que só sei sentir, te fez uma saudade
Que só sei chorar, uma saudade estranha, 
Uma saudade do que nunca aconteceu...de um dia
Que nunca existiu.  Só sei que sem te ver, te amei, 
Sem te conhecer te senti, sem nunca ter estado contigo 
Senti teu beijo. Não sei se é loucura mas ... sem nunca 
Ter te visto te amo, como se fosses a essência de mim.


José João
09/10/2.015


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sorrir é outra maneira de chorar

Estranho! Dizem, essa minha maneira 
De chorar sorrindo, de fazer meu sorriso fingir
Que a dor é pouca e passageira. Ah! Meus olhos!
Não permitem mais lágrimas, ou não as tem mais
Para chorar. Muito já chorei em prantos, meu rosto
Era marcado por caminhos por onde as lágrimas
Deslizavam passivas, lentas, levando ao tempo,
A dor que sentia, secando ao vento mais deixando a dor
Que insistia em ficar martirizando a alma...
E gritando ao mundo um sofrer que ninguém entendia.
Aprendi a chorar sorrindo, ensinei meus olhos 
A se vestirem de nada, de nenhuma emoção,
Ensinei a alma a falar baixinho, chorar baixinho,
E aos lábios, ensinei a voz da alma, deixei o olhos
Calados e nos sorrisos, deixava que o pranto
Se fizesse voz, que se enfeitasse com uma alegria
Que o sorriso tanto sabe fingir. As vezes
Nem sabem que estou chorando, assim como é
Com os pássaros. Aquele canto maravilhoso e belo,
Que todos acham divino e alegre, quase sempre
É uma dor que ele está chorando...não fosse
Não seria tão belo...é o chorar do pássaro...
Assim como é meu chorar...um sorriso

José João
01/10/2.015

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Um dia...não sei mais o que ia dizer

Sonhei os sonhos mais lindos, até os impossíveis
De serem sonhados. Cantei canções nunca ouvidas,
Criadas pelos sentimentos que enchiam minha alma
Da divina doçura de um existir perfeito e único.
Declamei as mais ternas poesias, tanto era a perfeição
Que até perfume tinham (os anjos  perfumam as poesias
que o amor escreve) amei... muito além de mim.
Me entreguei sem medo, fiz caminhos de sonhos
Pra nós dois. Inventei primaveras para enfeitar 
Nosso mundo, criei estradas floridas até o por do sol,
Aprendi com os pássaros a declamar o amor
Em acordes desconhecidos, entendidos apenas pela alma,
Que exultava gritando em douradas e alegres lágrimas
Que meus olhos, entre chorar e sorrir, faziam delas
Crianças marotas brincando  de ser feliz.
A eternidade de cada momento fazia o tempo parar,
E tudo se fazia infinitamente belo, cheio de nós.
................................................................................
Hoje...hoje não quero conversar, e nem posso.
Não me lembro do que fazer amanhã, minhas palavras
Saem perdidas, sem nexo, parece loucura...
Ah! A primavera nunca mais apareceu...os pássaros...
Agora não sabem mais cantar é só voar, voar, voar...
São tantas flores caídas indo ao vento...amanhã...
Acho que vai chover a tarde...não sei, mas parece
Que perdi um pedaço de mim! Não sei...será que...

José João
28/09/2.015



sexta-feira, 25 de setembro de 2015

...se existisse metade de dor, de tristezas, de...

Não sei em quantas metades se dividem a dor,
A saudade, os medos, as angustias, e todas as tristezas,
Ou se elas são todas inteiras e completas em cada adeus,
Em cada vontade indefinida de ir ou de ficar por não saber
Onde o sofrimento será menor, suportável, sufoque menos
E se faça estrada perdida dentro do vazio que se sente.
Se todas elas se dividissem em pedaços, em metades
Que fossem, seria menor a tentação de gritar blasfêmias,
De desesperar-se, de se fazer restos, escombros caídos
De joelhos entre os sentimentos pelos quais chorar
Se faz oração que se reza com dor e sem nenhuma fé.
Quem dera cada adeus fosse apenas um pedaço de dor,
Um pedaço de saudade, de tristeza, do medo que se sente
Quando se está só...quem dera! Mas em cada adeus,
Em cada perda...dor, saudade angustias, tristezas, se fazem
Inteiras, completas, como se quisessem ser infintas
Enquanto vivemos, como se quisessem se fazer eternas
A cada instante que se olha dentro de nós e choramos
Porque tudo passou e só as lembranças ficaram
Como restos de histórias para uma alma que, de joelhos,
Inventa orações buscando nelas, em vão, consolo
Para as tantas dores que sente.

José João
25/09/2.015



segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O canto e o pranto

Porque cantas tão belo em divina alegria?
São as flores que te inspiram esse canto?
É a primavera que te permite essa melodia?
Diz-me desse teu tanto prazer e encanto!

Eu...não vejo motivos para cantares tanto,
Só porque te envolve esse  silencioso perfume?
A mim só trazem saudade, angustia e pranto
Mas toda tua alegria o teu cantar já resume

- Ora a mim dizes cantar alegrias e encantos
Que me embevece o terno e silencioso perfume
Vê, sou um pássaro, esse canto é meu queixume

Quem dera pudesse chorar em copioso pranto!
Assim como choras tuas perdas e saudades
Ninguém vê meu pranto... choro com meu canto


José João
21/09/2.015






domingo, 20 de setembro de 2015

É como eu vivo agora

Um imenso mundo de tristeza rouba minha alegria.
Meus momentos, cheios de divinal beleza,
Se perderam no tempo, correram para o vazio do nada...
Mas não posso esquece-los, nem aos meus sonhos,
Mesmo perdidos, mesmo sem poder encontra-los
E vive-los outra vez...mesmo assim, ainda são meus.
Muitas vezes me perco em lágrimas dentro da solidão
E não consigo ver os caminhos que devo seguir...
Me perdi dentro de mim, mesmo que a saudade
Me lembre quem fomos, Me escondo entre os medos
De ir ou de ficar, não há lugar em que possa estar,
Que essa dor, que não passa, não vá comigo, lembrado
Que um dia existimos, nos sentimos. Ah! Essa dor!
Me faz não querer estar em lugar nenhum, sem que,
Pelo menos, tua saudade não esteja comigo, enganando
Essa amargura que se faz tanta...que em mim parece
Estar viva como se já morasse dentro de minha alma.
Mas é preciso seguir, viver outros momentos...
Sentir outras dores, chorar outras lágrimas...e lá vou eu,
Feito ave ferida, que por cansaço pára nos campos...
Pedindo forças para voar, sem saber até onde chegar
Triste, como se a tristeza fosse o mesmo que viver

José João
20/09/2.015


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Uma saudade com teu nome

Meus olhos sorriram em lágrimas quando a saudade,
Em silêncio, começou chamar teu nome ternamente,
E os sonhos, correndo entre os pensamentos,
Te traziam na leveza, no flutuar dos meus anseios,
Até a solidão que era plena se fez pequena...
Se escondeu atrás de tua presença, e minha alma,
Gritava cheia da vontade de dizer, ainda te amo.
Meu coração pulsou mais forte, ansioso de ti,
Parecia correr em meu peito feito criança alegre
Que vive intensamente a felicidade do existir.
Tudo se fez divino, até a ilusão se fez verdade,
Se fez plena, repleta dos momentos vividos
Que se fizeram eternos pela plenitude do sentimento,
Que na simplicidade do amar, fez morada em nós
Como se cada um  fosse do outro a própria vida.
Minha saudade! Essa saudade que tem teu nome,
Teu perfume, que me afaga com ternura, 
E me deixa assim...como não sei dizer...

José João
16/09/2.015

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

As vezes não sei nem de mim.

As vezes eu não sei quem sou, me sinto perdido de mim,
Algumas vezes ouço canções desconhecidas, por vozes
Que nunca ouvi...e a vontade de chorar me chega
Como se ela, a canção, embalasse minha alma,
Que se deita na divindade da melodia, e sonha,
E sente como se já existisse, há muito, dentro dela.
Outras vezem me perco a ouvir a voz silenciosa
Do silêncio a me encher da nostalgia de um existir
Que não sei... buscar um tempo que nem sei se vi,
E pedaços de pensamento que, num caminhar tropego
Dentro de meus devaneios, me chegam, e as lágrimas,
Vêm aos olhos choradas pela alma que parece conhecer,
Desde muito, a voz carinhosa do silêncio, a lembrar,
Meigamente, que um dia existiu alguém que não sei,
Nem onde, nem de onde, e nem como conheci.
Há momentos que não sei quem sou, me perco,
E uma saudade desconhecida, e por não saber,
De onde vem, lhe acho descabida, mas com ela,
Vem a voz que não conheço, uma angustia 
Que não sei dizer, só sei sentir, e um pranto
Que nem sei se já não foi por mim chorado.

José João
11/09/2.015

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Minhas... nem sempre boas lembranças

Ah! Essas minhas lembranças! Vêm de tão longe,
Sem que espere, sem que peça, chegam sozinhas,
Depois chega, sorrateira, a saudade, e muitas vezes,
Apesar do tempo, chegam tão vivas que as lágrimas
Não resistem, primeiro umedecem meus olhos...
Depois escorrem pelo rosto, se fazem caminhos na face
E logo, sem nenhum pudor, se derramam como prantos
Que se vão ao tempo, por caminhos sem chão,
Com pensamentos quase sempre tristes, perdidos,
E sem saber onde vão. Outras vezes me vêm os sonhos,
Sonhos já caducos, que até pensei perdidos no tempo,
Mas chegam como fossem labaredas, quase sem cor,
Moribundas que se apagariam com qualquer brisa,
Mas começam a lembrar histórias, momentos...
Pedaços de mim, restos de beijos, olhares que não dei,
Palavras que não disse, que poderiam ter mudado
Os caminhos, as dores, talvez até essa saudade 
Que sinto agora. Aí vem a dor, a pior das dores
A do arrepender-se, do ter perdido sem dizer nada.
Essa é a saudade mais doída, poque existe
Sem que exista momentos para lembrar, 
Consolar a alma que sempre acha que seria feliz.

José João
08/09/2.015

Hoje...apenas um olhar e um sorriso

Hoje  eu queria apenas um olhar, um sorriso...
Não precisariam palavras, nem cantos, nem encantos...
Apenas um olhar que em majestoso silêncio...
Me dissesse: Te amo. Um olhar que encontrasse
Em meus olhos a beleza de minhas lágrimas alegres e mudas
Dizendo: Obrigado. Apenas isso. Um olhar e um sorriso...
Um sorriso que me fosse terno, cheio de verdades,
Perfumado de primavera, lindo como as flores...
A me fazer delirar sem nada dizer, apenas sentir
E deixar aquele frio me tomar o corpo, minhas mãos
Tremerem, o coração pulsar mais forte, contente,
Como se seu pulsar fosse um grito eloquente da alma,
Em estase, ajoelhar-se em perene agradecimento
Aos céus. Hoje, apenas isso, seria tanto, seria vida,
Seria tanto que faria esse momento eterno dentro de mim.
Como custam um olhar e um sorriso! Como custam!!!
Mas uma tristeza, uma solidão, uma qualquer angustia...
Essas sempre estão perto como fossem pedaços
Essenciais de mim.

José João
08/09/2.015

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Quero meus sonhos de volta

Pedi ao tempo que devolvesse meus sonhos,
Entre lágrimas, em sussurros silenciosos, chorados,
Pedi meus sonhos de volta, os que sonhei,
E se foram, e os que ainda quero e preciso sonhar.
Preciso viver, e os sonhos, para quem perdeu tanto,
É uma maneira de estar vivo, buscar lembranças 
Nos sonhos antigos e nos novos buscar esperanças.
Com meus sonhos antigos estão minhas saudades,
Minhas histórias, amores vividos que mesmo perdidos
Se fizeram intensos quando os vivi, mesmo depois,
Quando os adeus foram ditos, ainda assim eram meus,
Ficaram guardados onde o esquecimento se esqueceu
De, por algum tempo, buscar, depois os levou
E agora os quero de volta, com toda a saudade
Possível de sentir...mesmo que venham com prantos
Com dores novas ou as mesmas dores que já chorei.
Os sonhos novos viriam para aliviar meu pesar,
Mesmo que não se fizessem verdades, seriam sonhos,
Enganariam minha alma e me fariam fazer do amanhã
Um novo dia, sentir prazer no esperar...
Um novo acontecer

José João
04/09/2.015






quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Não era rotina...eram detalhes

 Aprendi viver depois das perdas, da carência...
Dos vazios que me sufocaram quando fiquei só.
Aprendi  viver depois de todas as angustias.
A vida, como ela é, me ensinou a ver que detalhes
São maiores do que se pensa, por vezes são maiores,
Bem maiores que os dias, e como reclamava deles!
Pareciam todos iguais, manhãs, olhares, noite, sono,
Lamentos sussurrados, palavras perdidas ou não ditas,
Beijos que pareciam ser de ontem, apenas lábios,
Cansaço do dia, olhares que se encontravam ser rir,
Sem quase dizerem nada, um silêncio que não entendia,
Que apenas ouvia sem sentir, carinhos cansados
Pelo cansaço do dia, tudo era igual, até os lugares
Na mesa, os talheres, a toalha... a mesma de ontem,
O mesmo sabonete, o mesmo perfume na fronha,
Os carinhos, os abraços e beijos de tantos anos, 
Um bom dia, sempre no mesmo horário...
Tudo parecia tão igual, que não valia mais a pena...
Agora sinto como a vida ensina, como o detalhes
São cheios de vida, de sentimentos, mas dor mesmo
É sentir a rotina que tanto reclamei...se fazendo saudade...
Uma angustiante saudade, dessas que dói na alma.

José João
02/09/2.015




Essa é outra dor...outra saudade...


Quantas vezes amei? Sinceramente? Não sei.
Não sei quantas vezes chorei! mas foram muitas.
Lembro-me de adeus que em mim doeram tanto
Que chorei com a alma quase todo meu pranto

Houve uma saudade, dessas que não quer passar,
Que nas noites me acordava, em silêncio me olhava
Dizendo para não dormir,  era apenas para lembrar
E lembrando... ora, que me consolasse chorando

Uma  vez, uma ausência que me encheu de vazio
Me trouxe prantos, solidão, angústias, carência...
Doeu tanto que pareceu a tristeza vivendo no cio

Mas tudo isso agora é passado, e seria diferente
Não fosse essa dor de agora, essa outra saudade
Tão doída que pareço mais dor que mesmo gente.

José João
02/09/2.015



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Vivo tua saudade

Eis-me aqui, prostrado aos pés do teu silêncio
A fazer-me mudo gritando com a pobre alma
Essa tanta dor que não vês, por ser tão minha
E que dentro de mim cruelmente ela caminha.

Com os restos de teu olhar me banho todo
Com as migalhas de teu sorriso me consolo
Oh! Amor! Louco e febril a fazer-me demente
A esquecer-me sem orgulho se ainda sou gente

Atiro-me ao pensar, ao sonhar em vago tédio,
Mas te busco como fosses vida e não me nego
A ver-te como fosses da morte o meu remédio

Nessa loucura, em toda ela, existe uma verdade
Que não calo e grito no mais íntimo de mim
Que vivo ainda estou...  por viver tua saudade

José João
31/08/2.015








domingo, 30 de agosto de 2015

As orações que rezei

As Ave-Maria que rezei, acho que se perderam...
Se foram ao vento, se foram com as nuvens...
Se foram com a minha desesperança, por entre caminhos
Perdidos, rotas sem rumo, se perderam talvez,
Até mesmo dentro da minha pouca fé, acontecida
Depois de tantas perdas, tantos adeus, tantos sonhos mortos!
As orações, as antigas, foram rezadas em perene contrição,
As orações novas foram ditas, como ladainhas
Que se canta quase que num murmurio, rezei...
Até orações inventadas, pela tanta angustia de vazios
Deixados por ausências que até agora se fazem vivas.
Rezei recitando nomes que até hoje marcam a alma...
Rezei com olhares perdidos em pensamentos idos
Por horizontes que se fizeram apenas lembranças...
Rezei com gritos que se faziam eco entre minhas dores...
Rezei, no silêncio de mim, entre convulsivos soluços,
Por saudades sentidas na alma, marcando o tempo,
Contando histórias que nunca foram contadas
Com palavras, foram apenas sentidas e caladas
Como se assim enganasse a dor para não doer tanto.


José João
29/08/2.015


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A dona de mim

                             A casa está tão deserta! Não fosse essa saudade
Estaria vazia...tua ausência se acomoda nela toda,
Se faz sombra, entra nos quartos, no jardim,
(agora sem flores) Brinca com a solidão,
Atiça o silêncio a calar-se ainda mais, e mudo
Fica até o pensamento, como se estivesse demente,
Sem uma lembrança para trazer, um fragmento
Que não se tenha ainda perdido no esquecimento,
Mas nada, apenas o vazio, uma vontade de chorar,
Como se apenas isso, nesse momento, fosse preciso
Para viver. As lágrimas, atrevidas, se atiram no chão...
Parecem loucas, como se quisessem voar,
Gritar, marcar meu rosto em caminhos molhados
Como se assim despertassem os sonhos que...
Coitados, se perderam dentro dessa ausência
Que se faz tão viva, tão grande, como se apenas ela
Pudesse habitar em mim, como dona, ou senhora.


José João
28/08/2.015


Loucura? Talvez

Te amei, com ternura em doce anseio,
Te dividi em minha vida, meio a meio
Metade de mim és tu, a outra metade...
A outra metade é essa toda tua saudade

Te vejo nas luzes de estrelas distantes
Como fossem lembranças que nunca perdi
E essas dores agora bem mais constantes
Me deixam ainda... bem mais perto de ti

As vezes, em sonhos, te vejo voltando
Numa estrada de nuvens, vindo brincado
Tudo é tão verdadeiro... acordo chorando

Converso com a noite, com tua saudade
Já, no alvor da aurora, ainda sonho contigo
E na minha loucura...te vejo comigo


José João
28/08/2.015










sábado, 22 de agosto de 2015

Nunca estive só...sem uma saudade


Ah! Como  vivi! Como amei! Como gritei te amo,
Sem medo dos amanhãs, nem das lágrimas...
Amei muito e intensamente, sem medo de ouvir adeus,
De me perder em estradas vazias quando tivesse
Que caminhar sozinho, quando o eco do meu próprio
Silêncio me acompanhasse e o tempo dizendo baixinho
Que, outra vez, estava só. Caminhei meus passos...
Fiz marcas nas estradas, as vezes de mãos dadas
Colhendo as flores das margens, olhando o tempo
Nos olhos de quem amava. Outras vezes sozinho...
Com medos e incertezas mas flutuando nos meus sonhos
De amanhã ser um outro dia... mas amei...amei tanto
Que o amor me fez assim, como se fosse uma poesia,
Que nem alegre, nem triste...apenas uma poesia
Que voava ao tempo por vezes entrando em corações
Vazios, outras vezes como um mero pensar...
Mas sempre amei, intensamente, sem deixar vazios,
E quando sentia-os perto vinha a saudade...
As vezes, chorando com minhas lágrimas 
Outras fingindo sorrir com meus sorrisos...mas
Nunca fiquei só, sempre havia alguém dentro... 
Da saudade, dessa saudade que é só minha 


José João
22/08/2.015

Ah! Como brinquei de viver!

...Já brinquei de viver, trocando carinhos com o tempo,
Brincando de ser criança, depois brincando de ser amante...
Brinquei de viver, vivendo entre tantos amores, 
Sem medo dos dias, sem medo de ser, de ir ou de vir.
Brinquei de fazer esperanças, fazer promessas...
De jurar momentos ou sentimentos que nunca senti.
Ah! Como brinquei!! Hoje vejo o tempo passando
Sem pena de mim, meus olhos buscando sem ter onde ir,
Voz reticente sem saber dizer as palavras que um dia,
Talvez por vaidade,  não sei, nunca quis falar.
Hoje é esse medo de mim...esse medo dos amanhãs...
Desse vazio que deixei ficar, que me cerca, sufoca,
Que grita em silêncio o que perdi, o que deixei para traz.
Os caminhos que percorri envelheceram, se perderam
No meu próprio esquecimento, ficaram sem rastros...
Que se apagaram na memória, se foram como vento...
Agora perdido, sem palavras para ouvir ou dizer,
Sem  mesmo saber para onde ir, que horizonte seguir,
Me perco nas recordações  do que tive e...perdi.

José João
22/08/2.015





sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Hoje as palavras fugiram de mim

Não sei o que está acontecendo comigo, com as palavras,
Chegam saudades, chegam lágrimas, o vazio se faz infindo
Dentro de mim, se faz maior que eu, os momentos 
Se arrastam preguiçosos, histórias vividas, hoje perdidas
Me chegam em tantos fragmentos que misturo lembranças,
Troco nomes, choro dores que já não eram para ser choradas,
E as palavras...essas se perdem no tempo, fogem de mim,
Se escondem da minha vontade de escrever versos...
Contar essa angustia que sinto agora, gritar na poesia
Essa tristeza que preciso esconder para, pelo menos, fingir,
Mentir pra mim mesmo que isso não é dor...é só saudade.
Meus pensamentos se perdem na confusão do tempo,
Me perco nas datas, nos dias, e as angustias sentidas
Se fazem de sempre... a alma chora qualquer dor...
Como se importante não fosse chorar a dor que sente
Mas apenas chorar, como se assim, no meus rosto,
As lágrimas escrevessem em silêncio, as poesias
Que as palavras se recusam  escrever


José João
21/08/2.015


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Que esse hoje...seja apenas hoje

Hoje, não sei porque... meu olhar está cor de tristeza,
Meu sorriso com gosto de lágrimas, os pensamentos
Perdidos no vazio de mim...na demência de uma saudade,
Uma saudade que grita, que sufoca, que silencia
Até os soluços que choro. Uma ausência do tamanho
Do mundo me tomou o tempo, invadiu minha alma,
E lembranças de um adeus dito sem palavras,  
Apenas com um olhar cheio de nãos, cheio de nunca mais,
Gritavam eloquentes um adeus que não podia ouvir...
Só sentir. E uma dor, maior que qualquer dor...
Dessas que não se sabe dizer, que não tem  palavras
Para explicar, brincava de fazer doer até a vontade
De viver. Silêncio e solidão se faziam donos do tempo,
Num cruel brincar de fazer os lábios se contorcerem
Num arremedo de riso que mais parecia um chorar,
Um clamar, um pedir em desespero, até em orações
Perdidas, orações que não se sabe nem rezar,
Que o hoje, fosse apenas hoje, não se fizesse de sempre.

José João
17/08/2.015









quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Para amar...basta estar vivo


Na noite silenciosa, a solidão, acostumada com a escuridão,
Caminha calmamente sem medo de se perder de mim.
Como se para me proteger, a saudade corre a buscar sonhos,
Buscar pensamentos povoados agora por pequenos pedaços,
Fragmentos que ainda não se perderam no tempo...
E me chegam como restos de primavera onde as flores
Se despedem tristes, se vão ao vento e só o perfume
Sutil, suave e frágil fica perfumando o prado, 
Assim como essa saudade que fica na alma, coitada,
Suave, frágil e sutil querendo espantar a solidão.
E uma dor que chega... e nem sei se é mesmo dor 
Traz uma ausência que me faz ser ninguém, me faz ausente
De mim mesmo em um pensar demente de não querer ser eu.
Mas em um suave vagar, como fosse uma bruma 
Leve e silenciosa, me chega aos poucos uma imagem...
Vem vindo lentamente enchendo a noite, tomando forma,
Alegrando a alma, me fazendo escrever versos
Com lágrimas, me fazendo o silêncio gritar um nome...
E o coração recitar poesias que nunca escrevi
Num pulsar eloquente como fosse um grito de dentro
De mim dizendo: Ainda estou vivo...ainda amo.

José João
13/08/2.015






sexta-feira, 31 de julho de 2015

Ah! Essas palavras!!!

Te perdi entre meus medos, descabidos e ilusórios,
Te perdi por razões que nem sei se existiram...
Te vi ir sem nenhum adeus, sem nenhum olhar...
Na verdade nem te vi ir...apenas senti te perder...
Não ficaram caminhos...nem passos, só marcas...
De profundo pesar e pesada tristeza na alma,
Que viveu dias de pesadelo intenso e dor sem fim...
Te perdi quando eram mais perfeitos os sonhos,
Quando a necessidade de ser feliz se fez mais forte...
Não entendi as palavras que eu mesmo disse...
Não entendi as insensatas razões, hoje sei, loucura.
Hoje os dias ainda são cheios de tua presença...
Já não dói tanto a tua ausência, mas tua saudade!
Continua trazendo dias, momentos, e que momentos!
Não os deixei ir, embora não os viva mais...
Algumas vezes, é bem verdade, se fazem lágrimas, 
Outras vezes ouço palavras que penso tuas...
Tudo, hoje vejo, foi tão divino que só uma saudade
Como essa que as vezes sinto, poderia ser
O fim de uma história que ainda hoje, em mim,
Continua viva, cheia do que ainda não passou.

José João
31/07/2.015


Estranho...esse estranho amor

Louco amor esse, me desperta na madrugada
Me ensinando poesias que nem sei escrever
Me faz que seja dor o que tanto choro e minto
Me faz que seja riso, chorar essa dor que sinto

Estranho amor que me marca a vida e a alma
Me faz ser sonhos que nunca ninguém sonhou
Me toma todo de mim em perdidos devaneios
Que  fazem sombrios, os medos e meus anseios

Em perdidas razões que se fizeram descabidas
Como se tudo fosse nada mais que nada ser
Como se só a alma visse o que não se pode ver

Estanho amor que insiste em não ser adeus
Que  perdido no tempo nem sabe se aconteceu
E entre tantos esquecidos o mais perdido sou eu


José João
31/07/2.015






quinta-feira, 30 de julho de 2015

Uma história que não sei

Te amo, tanto que não sei como dizer
Te preciso, tanto que não sei como viver
Se porventura houvesse tempo a conferir
Não  lembraria, desde sempre te conheci

A que tempo e de onde o que importa?
És uma oração, a Ave Maria que aprendi
Se te vi? Em sonhos...não sei, não lembro
Mas me sinto todo, completo e repleto de ti

Se sofro por tanta falta, diz-me o que resta?
É a Ti, ó Deus, respeitoso... mas pergunto
Se escreves todos os destinos, que fizeste?
Nos separaste, não nos deixaste ficar juntos!

É justo sofrer assim? Pelo tanto que eu amo?
Beber as próprias lágrimas, juro, não reclamo
Mas fazer-me amante, órfão do próprio amor
Sem que escutes meu desesperado clamor!

Assim fazes que me seja dado a rebeldia
De ousar, a Ti, levantar a voz aos gritos
Não por falta de respeito e bem sabes
Mas pelo desespero, desespero dos aflitos

Me fazes chorar dolorido e queixoso  pranto
Como fosse um pássaro perdido de seu ninho
Que é só queixume a beleza de seu canto
Chora a dor de agora cantar e ser sozinho

Não me poupes se é sofrer o que me resta
Mas não me prives de sentir essa saudade
Viver esse sonho que nem sei se eu sonhei
Ou essa história que se um dia vivi...não sei

José João
30/07/2.015

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Amor e poesia.

Amar...já amei tanto, até sei quando o amor acontece.
O amor acontece quando duas almas são a mesma poesia,
Quando escrevem seus sonhos num mesmo verso...
Quando nas entrelinhas da poesia vivida, os olhos...
Dizem, em suave silêncio, o que as palavras 
São poucas para dizer, ou falar não faz nenhum sentido.
Amar é quando o coração escreve cartas silenciosas,
Quando os olhos sorriem em alegres lágrimas,
Quando as lembranças de qualquer momento vivido
Povoam o pensamento. É sentir as mão tremerem,
O pulsar mais forte, a ansiedade se fazer sede
Quando a hora do encontro se aproxima sem o tempo
Querer passar. Amar é sentir a vontade de estar perto,
É sentir as quatro, saudade do que aconteceu as três.
Ah! Quanto amei!! Até inventei sorrisos de felicidade,
Os meus, para os tantos momentos, se fizeram poucos.
Amar é nunca estar só, é sempre estar perto...
Ou em sonhos, ou em pensamentos, mas nunca só,
É afugentar a solidão com um único pensamento...
Espantar a tristeza com um único sorriso...
Amar ...é cultivar carinhosamente um saudade,
Para amanhã ter do que lembrar, e mesmo triste...
Sorrir.


José João
27/07/2.015





sexta-feira, 24 de julho de 2015

Brincando de ser eu

Hoje não quero escrever versos, nem poesias,
Não quero buscar rimas, nem sonhos, nem saudades,
Quero apenas ver o tempo, mesmo sem nada ver,
Porque os olhos choram e o olhar não vai além de mim,
E o pensar... se fez vazio em loucura demente.
Os versos ficariam perdidos em poesias inacabadas,
Que não diriam nada, apenas se fariam lamentos
Como se as palavras fossem os prantos que choro,
As rimas se perderiam no som opaco do silêncio,
Cheio de tristezas onde nem as lágrimas brilhariam,
Nem diriam nada, pois a alma muda, só sabe chorar.
Hoje não quero escrever versos, quero ficar aqui...
Dentro de mim, sentado na esquina do tempo
Sem direção, sem sentido, sem rumo...sem ir.
Quero ouvir a brisa suave cantando uma sinfonia
Que não sei, brincar de imaginar o que as nuvens
Desenham no céu, fazer rabiscos no chão
Que nada querem dizer, sem sentido, sem razão,
Só mesmo para ter o que fazer sem nada fazer.
Hoje não quero escrever poesias, só quero brincar...
Brincar de ser...eu.


José João
24/07/2.015





sexta-feira, 17 de julho de 2015

Desde e...para sempre

Todos os sonhos que sonhei eram teus...todos teus.
Todos os caminhos me levavam a ti... todos eles
Te fiz o melhor pedaço de mim, o mais completo,
Como se fosses minha luz, meu mais perfeito sol.
Brinquei de fazer poesias...sorridentes, cheias de ti, 
Alegres como teu sorriso, ternas como teu olhar...
Me fiz poeta para contar nossa história repleta de nós,
Inventei palavras, desenhei momentos, perdi medos,
Me reinventei para ser todo e completamente teu,
Não havia distâncias, a saudade era apenas a de ontem
Que já hoje  não era mais saudade...eramos nós,
Cheios de nossas vontades, desejos, verdades...
Todos os ontens eram deixados para trás, esquecidos
Por serem muito menos que hoje, que já nascia
Sabendo que  amanhã os sorrisos eram mais...
Os olhares, a vontade de nós dois, seriam sempre mais
Porque todos os amanhãs seriam mais perfeitos,
Mais completos, mais bonitos, mais...muito mais tudo...
Te fiz minha mais doce canção, poesia de perfeitas rimas,
Me vesti de ti, desde sempre... até nessa saudade de agora

José João
16/07/2.015







quarta-feira, 15 de julho de 2015

Uma história sem fim

Se um dia me contassem minha própria história...
Sentiria pena de mim, não senti por não ter tempo, 
Estava muito ocupado com os prantos, com as dores,
Com a tristeza quase mórbida que povoava meus dias,
Ocupado com as angustias, constantes companheiras,
Com a solidão parida por um adeus que gritou alto
Dentro de minha alma. Não tinha tempo de sentir
Pena de mim...viver o momento não me permitia...
Viajei por noites...engolindo prantos, soluços...
Em tanto silêncio que respirar era um grito dolorido,
Percorri caminhos cheios de vazios e perguntas...
Povoando o pensamento com temores, revoltas,
Pedaços de dias onde esperança e lágrimas
Se misturavam e se buscavam dentro de mim.
Perdi...perdi pedaços completos  que ainda hoje
Se fazem mais que dor, que pesadelo, que ausência,
Se fazem pedaços perdidos de minha alma...
Fazendo a saudade ser igual a dor que não passa.
Ainda hoje se me contassem minha história
Sentiria pena de mim, só não sinto porque 
Ainda a estou vivendo... apesar do tempo.


José João
14/07/2.015