terça-feira, 27 de outubro de 2026

O sacrifício do outono...

 O outono se foi. Se disse envergonhado por estar nu.
Toda sua bela roupagem caiu e, ele despido, se foi
Cantando uma canção triste, como se fosse um pranto
Se sentiu sem beleza, sem folhas, nu, e sem  encanto

Folhas enfraquecidas, perdem a cor e se vão ao vento
Caindo no chão como se lágrimas que o outono chora
Os ramos, desalinhados, se vergam ao peso do vento
É tanta tristeza que se desprendem querendo ir embora

Triste outono. Se sacrifica para a vida outra vez florescer
Poda a si mesmo, perde a beleza, se desnuda, chora triste
Mas sabe que é preciso, perde as folhas para poder viver

Não sei se o outono sonha um céu risonho e quimeras,
Talvez até se faça triste endereço que ninguém procura
Mas, sem outono, será que um dia haveria primavera?

Cruz Filho
27/10/2.026

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