segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Um pássaro ferido

Pobre ave que no chão caída a debater-se em vão
Lhe quebraram a asa e dor insana lhe toma o tom
Um canto sem melodia, dor em forma de canção
Sai da alma em silêncio, gorjeio sem ter um som

Um olhar vazio ao infinito azul agora distante
Lhe chega ao peito tristeza infinda não poder voar
Queda-se o triste pássaro em infinito instante
E pede aos céus... antes da morte lhe fazer sonhar

Sonhar voando, liberdade plena, perto do céu
Brincar com o vento, faze-lo estrada e nele ir
Ao sabor do nada por entre nuvens e indo ao léu

Mas de repente uma dor maior lhe toma todo
Lembrar do ninho, dor cruel pior que a morte
E num gorjeio triste chora baixinho a triste sorte.

José João
08/02/2.016








domingo, 7 de fevereiro de 2016

Uma lágrima para cada saudade

Em cada amor que vivi, deixei a melhor parte de mim,
Em todos eles sonhei os melhores sonhos. Vivi.
Intensamente vivi cada um deles, me entreguei
Sem reservas, falei as palavras que queria dizer,
Disse, te amo, em verdades que a alma sentia.
Meus olhos, em olhares carinhosos, em silêncio,
Ou aos gritos da alma diziam do sentimento
Que me tomava todo. Ia muito além de mim mesmo
Para me fazer a medida certa, nem muito, nem pouco,
Dentro de corações que se faziam minhas relíquias,
As mais preciosas dadivas de minha existência.
Com cada um deles vivi momentos divinos,
Por isso essas minhas tantas saudades vivas
(muitos acham que saudade não tem plural) 
Mas as minhas, se fazem uma saudade completa
Para cada lágrima que choro, minhas lágrimas
Falam de minhas saudades, mas meu pranto!
Ah! Meu pranto! Esse me faz chorar todas as saudades
Como apenas uma. Mas o pranto é tão singular!
Prefiro lágrima por lágrima, chorar saudade 
Por saudade, pois são tantas as saudades
Que junta-las em apenas um pranto seria injusto.

José João
07/02/2.015

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Eu, guardado dentro de mim.

Me guardo desesperadamente dentro de mim,
Me escondo dentro dos fragmentos que restam,
Faço-me história, faço-me livro de páginas vivas...
Cheias de saudades, tristezas, de poesias inacabadas,
Contando sonhos de contos de fada em versos
Cheios de risos fingidos, palavras sem sentido...
Mas ainda assim me guardo ou, me escondo de mim.
Para que não se vá, perdido no tempo, as relíquias
Que ficaram...beijos, alguns nem foram dados,
Palavras que esqueci de falar e se as disse
Não disseram o que eu sentia ou queria dizer.
Guardo lágrimas, coitadas, caducas, já reticentes
Por não saberem se foram ou por quem foram choradas.
Saudades perdidas que se arrastam lentamente
No tempo, cabelos brancos, ombros curvos,
De tão velhas, mas sempre serão saudades...
As vezes até me roubam um sorriso triste...
Algumas trazem uma melancolia que não sei dizer
Sei apenas sentir e me perder em devaneios....
Me guardo dentro de mim, para não esquecer...
De mim mesmo.


José João
06/02/2.015



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Eu...hoje

Hoje  me perdi dos sonhos, me perdi no tempo...
Apenas segui, passos lentos, entre solidão e lágrimas,
Percorri caminhos que não conhecia, caminhei sozinho
Entre meus temores conversando em silêncio comigo,
Dizendo palavras sem sentido, palavras dementes...
Apenas minhas lágrimas afagavam ternamente meu rosto,
Brincavam de me enfeitar os olhos, que tristes, fingiam
Olhar um horizonte que nem existia, que nem estava ali.
Angustia e tristeza se faziam anfitriãs de minha alma,
Ocupavam todos os lugares, todas as horas. E ao vazio!
Esse de dentro de mim, que fazia a carência gritar
Escandalosa, ia me tomando todo, me fazendo mudo,
Se fazendo tanto, como se dele eu fosse feito.
A saudade, que nessas horas sempre me socorria
Trazendo sonhos antigos que encontrava nem sei como,
Acho que se perdeu dentro de minha própria ausência,
Sim, minha própria ausência, tanto era a solidão...
Que eu, de mim mesmo, me perdi. Ah! Que dia!
Nem ao menos um ai que fosse, quis ser um verso,
Um verso sem rima, sem sentido, um ...eu ...hoje.


José João
05/02/2.016








domingo, 31 de janeiro de 2016

Meus motivos para viver.

O que me conforta e me motiva viver é saber-me
Desperto para os tantos sentimentos que a alma ainda
Se permite sentir, para os quais tantos estão dormindo,
Perdidos, mergulhados em seus vazios, por terem deixado
A  ternura ir-se de dentro de seus corações.
Sempre estarei desperto para deixar que me invada
As sensações que me façam sentir a vida pulsar
Dentro de mim, sentir a beleza de amar intensamente,
Mesmo que num depois o adeus me faça chorar,
(ser ridículo - como tantos dizem - chorar por amar!)
Mas chorar também é viver, é sentir a vida plena,
É saber-me capaz de sentir emoções que quase 
Ninguém sente mais. Me conforta saber-me
Ainda capaz de sonhar, de buscar caminhos novos,
De ainda admirar a beleza do por dos sol, de ter a vontade
De caminhar na direção de outros horizontes, sem medo.
O que me conforta e me motiva viver, é saber-me capaz
De ainda amar, por apenas amar. É saber-me capaz
De ainda sentir saudade...isto me motiva viver...
E me conserva no olhar a doçura de dizer: Amo

José João
31/01/2.016




sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O cisne e a dor de um adeus

Qual cisne a debater-se em dor dolente
No convulsivo estertor que a ele toma
Com tristonho olhar ao mundo grita
Que a dor é dádiva apenas de quem ama

Tropeça nos próprios passos e o tremor
Que lhe aflige a vida a toma-lo em pranto
Lhe faz perder-se em sonhos mortos
Pois que a própria morte a ele é o encanto

Pobre cisne a rodopiar sobre o vazio!
A deitar-se na relva, lhe chega o cansaço
Abre triste as asas, implorando um abraço

Quanta dor! Sacrifício de almas carentes
Se toda essa aflição é dada por um adeus
Então belo cisne... sei a dor que sentes


José João
29/01/2.016






quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Minha loucura

Não sei de onde vem essa falta de ti...não sei.
Nem te conheço, nunca te olhei nos olhos,
Nunca ouvi tua voz, mas não canso de ti pensar,
E uma dor descabida...uma saudade sem sentido
Me toma, me leva para dentro de sonhos
Que apenas eu sei sonhar. Nunca me senti assim,
Tão perdido, dentro de um vazio que essa tua falta,
(E nem sei quem és) me invade  e me enche
Com essa agustia, como se tua ausência fosse de ontem
E não de sempre, mas que ausência? Nunca ti vi!
Me toma um cansaço doente, uma vontade de dormir,
Não sei se pra sonhar ou te esquecer? Só sei que
Essa vontade sem razão, esse querer sem esperança
Me invade a alma e uma tristeza, maior que
Qualquer  tristeza que já possa ter havido, me toma,
Desde mim até a alma, que cativa a essa loucura
Te desenha em versos incompletos, mas cheios,
Transbordantes desse sentimento que se faz
Maior que eu. Não sei quem és, nem te conheço,
Mas preciso, de pelo menos, essa saudade de ti.


José João
28/01/2.016

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Para viver não é preciso...

Com todas as dores que se há de sentir
A vida continua. Com todas as tristezas
Que se há de sentir...a vida continua...
As vezes a saudade alivia a dor...outras...
Acentua, tanto, que as lágrimas gritam nos olhos
Palavras que só a alma sente...e faz versos...
Versos mentirosos, cheios de risos, para enganar
A própria tristeza que, sem cerimônia, se faz
Inquilina do tempo, dos pensamentos,
E até dos sonhos, uns apenas sonhados,
Outros vividos, alguns que se queria sonhar
Mas a alma tão dolorida não se permite mais
E tudo fica apenas dor, não essa dor que se chora,
Que as lágrimas massageiam e logo se vai...
Mas uma dor insistente, incoerente, descabida,
E por isso se faz muito mais forte muito mais dor.
Mas a vida...a vida continua e o tempo diz:
Para viver ... não é preciso ser feliz.

José João
25/01/2.016

Quero apenas amar

Quero apenas amar, sem motivo e sem medidas,
Amar por amar, me entregar por me entregar...
Amar intensamente sem medos e sem reservas
E gritar esse amor sem nenhum medo de chorar

Amar com o amor mais louco até o mais profano
Um amor que  pode ser até mesmo incoerente
Como é todo amor inconsequente e sem razão
Tão amor que por mais devasso, seja  inocente

Não quero pensar, nem devo, pensar é buscar razão
E amar é uma divina loucura nem precisa se explicar
Como explicar?! O coração sabe sentir mas não falar.

Quero amar sem medidas, até voar se preciso for
Criar sonhos, estradas, criar caminhos, inventar
Sim...inventar... outra maneira infinita de amar.


José João
25/01/2.015

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Minha poesia em flor

Um dia, muito além do meu próprio pensamento,
Muito além de todos os sentidos, sonhei uma poesia...
Uma poesia viva, divina em toda sua plenitude...
Tão perfeita que os sonhos eram poucos para sonha-la.
Na verdade, talvez até fosse mais que uma poesia,
Talvez fosse a própria vida vestida de beleza,
Eu a fiz uma flor, divina, bela, pura, inocente, infinita,
Plantada num jardim em que ela era a única,
Tão rara sua divinal beleza que, sem ter palavras,
Não lhe pus um nome. Era  a mais bela flor
De todas as vidas...e só minha. A brisa lhe tocava
Suavemente as pétalas e perfumava todo o prado,
E a mim perfumava a vida, me fazendo flutuar
No mais belo universo criado por uma poesia perfeita.
Minha flor sem nome (nenhum nome era digno dela)
Por ser eterna ainda hoje existe, única no jardim...
Tão única, tão bela, que ao lembra-la me vêem as lágrimas
Gritando meu desespero de perde-la, num adeus dolorido,
Silencioso, que apenas´se sentiu sem nunca se dizer.
Ela, com certeza, continua bela no jardim em que estiver.


José João
19/01/2.016




A poesia que não pude escrever

    Meu Deus...onde estão o lápis e o papel?
Estavam aqui, eu os coloquei aqui, agora que preciso
Não encontro e...a poesia está quase completa
No pensamento, mas...ah! Sim o caderno...está aqui...
Mas não!!... Não tem uma folha limpa! Não é possível!
O que faço? Onde estão o papel e o lápis? Por Deus!
A poesia começa a ir embora, começa a apagar-se
No pensamento, logo essa poesia, que vinha gritante,
Eloquente, cheia de sentido contando em versos completos,
Todas as minhas aflições, saudades, falando de mim.
Decepção e tristeza, não encontrei lápis nem papel,
E a poesia se foi...aumentou o vazio de dentro de mim,
Uma sensação de perda. Ah! Um misto de angustia
E ...será raiva que estou sentindo por perder uma poesia?
Ela dizia tudo que sinto, do desespero da saudade,
Dos adeus que ouvi e disse, sem  querer dizer, nem ouvir.
Minha poesia se foi, e nunca mais volta, perdi.
As poesias não voltam. Como agora vou lembrar
Tudo que senti, toda essa falta de mim mesmo!
Toda essa necessidade de escrever essa poesia!
Que tristeza...não consegui escrever minha poesia!


José João
19/01/2.015

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Eu...comigo mesmo

Há quanto tempo não me lembro de mim?!!
Não busco mais os sonhos que sonhei
(para lembrar de mim). Há quanto tempo
Não sonho sonhos novos (para me lembrar
que vivo). Até   meu nome se perde
Em vazios, desses que não sei de onde vem.
(mas que estou sentindo agora, não sei porque)
Acho que estou sem lugar para pousar a fronte
Estou na minha frente sem ter o que me dizer.
Será que eu devia ficar aqui, dentro desse nada?
Ah! Essas noites! Tão cheias de silêncio!
Até me pediram (hoje) para fazer uma poesia...
Mas como? Acho que me esqueci de ser poeta!
Ontem não, ontem eu era poeta, fingi sorrir...
Chorei, brinquei com as lágrimas, com a saudade,
Até fiquei triste. Será que devo ir ver o por do sol?
Não sei, acho que não preciso ir chorar tão longe,
Choro aqui mesmo. Vou arrumar minhas coisas,
(ocupar meu tempo e pensamento, é preciso)
Armário, gavetas...será que devo? Não, não vou...
Posso encontrar coisas que aumentem meu vazio,
Que me faça o dia ser maior, mais lento...mais triste
O que faço agora? Tem o violão, tem...tem...
Essa vontade de chorar...ah! Que dia!!

José João
18/01/2.016


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Lágrimas e champanhe

Um dia brindaram com champanhe as minhas lágrimas,
Riram delas e da dor que elas choravam. Assim é a vida.
Lágrimas e champanhe. Lágrimas...as minhas,
Champanhe pela festa de um encontro, culpa minha...
Brindei com lágrimas a minha perda, no silêncio de mim,
Escondido dentro de uma angustia que gritava comigo
O desespero de um adeus que não queria.
Não sei como pulsaram os corações em festa...
Sei como chorava o meu, sufocado pela tristeza,
Porque a festa apenas me dizia: Adeus  para sempre,
Uma festa que não era minha, minha...só a dor
Dela estar acontecendo. Outros olhos se miravam
Nos olhos que um dia foram meus. Braços entrelaçados,
Trocas de taça, sorrisos de inocente malicia,
Olhares que gritavam eloquentes um novo desejo,
É assim, a vida tem dessas coisas, amores perdidos,
Lágrimas de quem perdeu, champanhe, champanhe
Para os amores, que quase sempre sobre dores,
Recomeçam alegres, assim é a vida, lágrimas e...
Champanhe.

José João
14/01/2.015

Agora sei para que servem as lágrimas

Talvez eu tenha sonhado demais, amado demais,
Muitas vezes, acho, entreguei-me todo e pleno,
Sem reservas, sem medo e sem ouvir a alma,
Que em sussurros, já em aflição, me dizia: 
Cuidado, você se entrega tanto mas sou eu
Quem vai chorar depois. Mas quem se importava
Com lágrimas? Nem sabia se elas existiam.
E lá ia eu navegando na liberdade dos sonhos...
E ouvindo apenas a falsa doce voz do prazer...
De ser, de me entregar... e me entreguei tanto...
Amei tanto, fazia de cada adeus uma história antiga
E pensei em viver a vida sempre amando.
Ah! Mas que ledo engano! Nessa loucura
De amar tanto e intensamente, fui deixando
Os vazios para depois, até, de repente, me ver
Tomado de mim, cheio de histórias perdidas
De saudades infindas e sem sonhos para sonhar...
Já havia sonhado todos eles... assim aprendi...
Para que servem as lágrimas


José João
14/01/2.016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Ainda ficou um olhar

Minha maior tristeza é que teus olhos apagaram
A minha imagem, e minha dor maior, é saber
Que neles não me verei mais. Chorar!? É a vida.
A quem estarás sorrindo com o olhar?
A mim, me restaram lembranças, mas ainda ficaram
Guardados alguns sonhos, restos de momentos,
Pedaços de nós dois. Ainda guardo teu sorriso,
Com certeza é um sorriso que nem lembras mais,
E nem devias, tão pouco pra ti, e um mundo pra mim,
É um daqueles momentos que fica eterno na alma,
Que se guarda como relíquia e se adora como oração?!
Um dia me deste um olhar e fiz dele apenas meu...
Pra onde eu for levo-o comigo, pedaço vivo de ti
Que me ajuda a levar-me pra dentro de tua saudade.
Agora, não sei se ainda sabes de mim, que te importa?
Mas foi eu quem te ensinou amar, lembras?
Por isso, sempre vou lembrar de nos fazer vivos,
Mesmo que seja só pra mim!

José João
11/01/2.016


Manias da saudade

As vezes a gente sente saudade sem saber porque,
Ela chega do nada, entra e fica dentro da gente, e dói.
Vai a alma procurar nos guardados, até distantes,
Os caminhos pelos quais ela chegou, ou que adeus
Foi lembrado...mas não encontra nenhum momento
Que fizesse essa saudade tão descabida e fora de tempo
Chegar tão forte, se ao menos não fizesse chorar,
Não sufocasse tanto, não fizesse os olhos, lacrimejantes,
Procurarem em caminhos, em horizontes distantes...
Sonhos que nem existiram, verdades que nunca se fizeram.
Mas ela chega ...dona do tempo e da gente, dona dos olhos,
Sem cerimônia nos comprime a alma, traz a tristeza...
Que sempre vem acompanhada da angustia, faz morada,
E chega também uma tanta amargura como se faltasse
Uma parte de nós, como se um imenso vazio
Estivesse dentro da gente, se ao menos se soubesse
Por qual adeus ela chegou!...Mas as vezes, acho,
Ela vem mesmo apenas por ser saudade

José João
11/01/2.016


Sorrir, minha outra maneira de chorar

Hoje não quero chorar com lágrimas, são tão frias,
Tão previsíveis. Hoje quero chorar diferente,
Quero chorar sorrindo, esse sorriso de soluços largos
Que ninguém sabe se é dor. Hoje quero ser palhaço,
Brincar de gargalhar entre as saudades e sonhos
Que ficaram para trás, cheios da angustia de um adeus
Que nunca disse, mas que se fez verdade, cruel verdade.
Mas resolvi fazer de mim, pelo menos hoje, um poeta,
(Poetas e palhaços se parecem, mentem a dor que choram)
Desses que dizem as verdades tristes e ninguém acredita,
Desses que fazem da verdade uma mentira fingida...
Cheia de falsos risos, de risos mentirosos que dizem
Na alegre tristeza de um rosto (hoje sou um palhaço)
Ah! Como cansa essa alegria de ser feliz! 
Na mais perfeita e mentirosa verdade da alma.
Hoje, apenas meus olhos não conseguem chorar,
Estão cansados e lhes proibi o pranto, chega de lágrimas
Deixa que os sorrisos se preocupem em chora-las
Para alguma coisa eles têm que servir.
Mas até os sorrisos ficaram tristes!

José João
11/01/2.016



sábado, 9 de janeiro de 2016

Aos meus divinos amigos

A aprovação do meu nome, por unanimidade, para fazer parte do Plenário do  Corpo de Acadêmicos Titulares da Litterata Academiae Lima Barreto, é, sem sombras de duvidas, uma grande honra. Estar entre os imortais daquela Acadêmia ocupando a cadeira 81, faz de qualquer sonhador, ou de um "escrevedor de versos",  que é o que eu sou, sentir-se maravilhado. Ver as poesias que minha alma, ingenuamente, inocentemente, compõe e as deixa irem aninhar-se em tantos corações, até assentar meu nome entre esses já consagrados poetas, é uma emoção que as palavras não definem. A todos os que confiaram em mim e me puseram em seu seio : UM MUITO OBRIGADO.
Mas como chegar a tanto não fosse aqueles que, por generosidade, leem o que escrevo? Tiram do seu tão atribulado tempo, um pedaço dele, para me darem a força espiritual que todo poeta precisa, até os "escrevedores de versos" como eu. A todos esses, minha alma de joelhos, agradece, beija-lhes o coração e respeitosamente diz: Muito obrigado. Que seria de mim não fosse, repito, a generosidade dos seus corações?! Não fosse essa beleza poética que faz cada um de vocês uma parte vital de mim? A complementação de minha alma na leitura de cada verso, de cada estrofe, que lhes possa fazer alegres ou melancólicos, ou até mesmo buscar momentos ou saudades que se punham no esquecimento. Não digo leitores, digo AMIGOS, e lhes agradeço com o coração e com alma, por saber que esse "escrevedor de versos" nada seria sem vocês, meus anjos da poesia. Um beijo no coração de cada um. OBRIGADO.


José João
09/01/2.015

Minha doce e eterna amante

  A ti me entrego, olhos vendados por tanto amar-te,
Teu servo a se fazer fiel em infindo sentimento
Sempre a te buscar, fazendo de te a minha arte,
Como fosses essência de todo e qualquer momento

Fazer-te a mais perfeita companheira, eterna amante
Em teu colo, repousar a cabeça e me permitir sonhar
Te por em  minha alma em carícias ternas e cativantes
E sem medo, todo e pleno, completo, a te me entregar

Te ouvir em silêncio e nele, sem palavras, te falar
Coisas minhas que nunca ninguém me ouviu dizer
Te escrever em raros versos e ao mundo te declamar
Gritando  nas entrelinhas o doce gosto de te amar

Fazer-te riso, fazer-te lágrima, ou canto, ou oração,
Te fazer escultura de palavras sem precisar de cinzel
Apenas te contar as coisas que saem do meu coração
E nela fazer-me história e deita-la, passiva, no papel

Minha toda vida! Terna, doce e inocente companheira
A fazer-me homem, criança, em verdades e fantasia
Sem hora para chegar me toma, se faz passageira
E baixinho me sussurra: Sou eu, tua amante, tua poesia.


José João
09/01/2.015


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Saudade ou remorso...não sei

Só os olhos sabem chorar a dor que minha alma sente,
São as lágrimas, os soluços e gritos... sutis e silenciosos
Que escorrem pelo rosto e vão...até onde a saudade
Se esconde envergonhada pela angustia que sinto,
São elas que levam para até muito além do tempo, 
Essa vontade de dizer, baixinho, o que nunca disse.
E me perco dentro de mim, desse desastroso vazio
Que nem sei mais sei se é dor, carência ou remorso,
Como doem as palavras que não se disse!
Os sorrimos que não demos! Como é doloroso e triste 
Sentir o desespero de não ter dito: te amo
Quando esse sentimento fervilhava no mais intimo
Da alma! Como é triste o sentir medo de se entregar!
Sentir medo de deixar alma em plena liberdade
Se deixar invadir pelo sentimentos que ela precisa, 
Muito mais que apenas querer. A saudade mais doída
É aquela que se sente pelos momentos que pudemos viver
E não vivemos. Na verdade, será que é saudade ou...
Remorso??!!

José João
08/01/2.016




Coisas da alma

Lindo...esse teu divino rosto que nunca vi,
Mas que me faz sonhar belos sonhos impossíveis,
Voar na imensidão de um desejo que está muito além.
As vezes, parece que o tempo me diz teu nome,
E em poesia muda, dele faço versos infinitos,
Cheios de momentos vivos, verdadeiros...
Embora nunca os tenha vivido, só a alma sente.
Te vejo nos meus mais sublimes pensamentos,
Tanto é tua presença que minhas mãos tremem,
Suam, e em sutis movimentos parecem acariciar
Teu rosto. Tanto te sinto que o ar me falta,
O coração pulsa descompassado, minha voz
Fica reticente, me faltam palavras, os olhos
Te buscam ansiosos, em desesperados volteios.
Ah! Essa minha loucura! Essa dor que tua ausência 
Insiste em se fazer, essa saudade que só sei sentir
Não sei falar. Essa falta que fazes, até seria descabida,
Por não te conhecer e te fazer um pedaço de mim...
Seria descabida sim...não fosse esse teu estar em mim.


José João
09/01/2.015




quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Me basta tua saudade

Ainda hoje te chamo de querida, digo... te amo
Sem nem saber onde estás. Sinto teu perfume
Na brisa que passa lentamente me abraçando,
Ouço tua voz no silêncio de tua ausência,
Me sinto contigo quando a saudade te trás
Sorrindo entre os pensamento e os tantos sonhos
Que me deixaste sonhando, sonhos que ficaram
Incompletos e...nem mesmo sei se ainda são sonhos
(sonhos que se sonha sozinho, nunca serão sonhos
completos) serão apenas pedaços de lembranças
Que se farão fragmentos de recordações distantes,
Que até passam com o tempo. Sonhar só, não é viver.
Mas também de trago dentro de mim, toda, completa
Habitando uma saudade que não passa nunca...
Fazendo meus momentos, que seriam vazios, 
Cheios de histórias, guardadas dentro de mim,
Vivas como se fossem de ontem, para sempre.
Não importaram adeus e... nem ausência,
Essa maneira de viveres dentro de mim...me basta.


José João
06/01/2.015

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Ah! Esses caminhos... cheios de ti!

Quantos caminhos! Uns percorridos com sorrisos,
Cheio de flores brincando de perfumar o tempo...
Areia solta a brincar de volteio com a brisa...
Passarinhos inventando melodias novas, alegres,
Cheias de uma nostalgia gostosa de sentir...
Folhas farfalhando ao clamor lânguido do vento,
Numa dança de anjos como se flutuassem ao tempo,
Num viçoso valsar verde com gosto de esperança.
Ah! Quantos caminhos percorri! Com passos lentos
Ouvindo o eco do grito da felicidade a correr
Por entre os canteiros que meus sonhos construíam...
Até que um dia me vi só, caminhando perdido, a esmo 
Pelos mesmos caminhos, agora cheios de flores murchas,
De passarinhos mudos, ouvindo apenas o eco
Dos soluços que a alma não cansava de chorar...
Baixinho, para  que o tempo não faça a dor ser maior.
Uma saudade irriquieta, dessas que afoga o peito,
Que espreme os olhos, e doloridas lágrimas molham
A areia que a brisa um dia brincava de abraçar.
Ah! Esses caminhos cheios de tua lembrança!


José João
05/01/2.015

De sonhos...é que sei viver



É como sei viver, eu vivo assim...de sonhos,
As vezes, dentro deles, me ponho a flutuar
Na leveza pura de um inocente só pensar.
Só viver, na transparência cálida de amar

Até a saudade me trás sonhos que já sonhei
Com os sonhos lágrimas, as mesma que chorei,
Ouras me vêm sonhos que nem vão acontecer
Mas é assim...só nos sonhos é que sei viver

As vezes sonho poesias, versos que não digo
Sonho amar, sem nem mesmo ser amante
Sonho sonhos pintados em distantes horizontes

Sonhos dos ontens misturados com os amanhãs,
Sonhos que confundem prantos que não chorei
Com prantos chorados por dores que já passei.


José João
05/01/2.016

sábado, 2 de janeiro de 2016

Ah! Essas minhas poesias!!

Minhas poesias?! São apenas palavras soltas
Caídas do tempo, vindas não sei de onde,
Talvez de saudades sentidas, de dores vividas,
E chegam em mim por caminhos que nem conheço,
Talvez até por estradas de onde não vem ninguém,
Só mesmo palavras soltas contando histórias
Que nem sei se vivi, mas elas, as poesias, se entregam
A mim como se fossem minhas. Trazem saudades
E dizem que são minhas, falam de adeus que não disse
Mas dizem que eu os ouvi. Se fazem doloridos
Prantos e dizem que são meus. Ah! Essas minhas poesias!!
Cheias de mim e de lágrimas, cheias de sentimentos
Que nem sei se um dia alguém sentiu. Mas são poesias.
São palavras que vêm avulso, mas sabem o lugar
Onde ficar, sabem o que quero dizer, sabem até de mim,
E muito mais que eu mesmo. Algumas tantas vezes,
Elas se fazem sorriso, e num sorrir inocente,
Se dizem um fingir poético, cheio de ternura...
Mas quando se fazem prantos!! Verdadeiros prantos...
Elas se desmancham em sonoras gargalhadas...
E só eu sei quão convulsivos são esses prantos...
Essas minhas poesias!! Nunca me dizem de onde vêm!
Apenas chegam!!


01/01/2.016
José João


Uma única lágrima para chorar

Para a eternidade, os anos devem ser pequenas 
E sutis lágrimas (se forem lágrimas). Para mim, 
Cada ano, é uma longa lágrima que nem sei 
Como consigo chora-la! Não fosse as tantas
Saudades feitas pelos tantos adeus que ouvi sem querer,
Não faria do ano, apenas uma lágrima para chorar 
Todas as dores de um só vez, como se fossem orações
Contantes e perenes por pecados que não têm perdão.
Talvez, durante toda essa minha longa lágrima,
Apenas um pedaço dela, o menor, seja menos triste,
É na primavera, quando as flores sorridentes alegram
A minha tristeza, deixam-na menos triste, ou pelo menos,
Essa longa e interminável lágrima fica colorida,
Fingindo pra mim uma alegria nas reluzentes pétalas
Das flores, no gorjeio dos pássaros, mas alguns,
Ouço nitidamente, são tão tristes como os meus...
Os meus se se fazem nas poesias,  que mesmo 
Sem melodias são cantos chorados pela alma...
E é ela que faz do ano...apenas uma única lágrima.

José João
01/01/2.016

Uma saudade que não dói mais.

Como essas lágrimas, em descabida insensatez,
Teimam em inundar meus olhos! Em faze-los tristes!?
Se minha alma grita a beleza da saudade que sente,
Chama os sonhos que sonhamos e deitada no prazer
De senti-los, como se fosse agora, se faz alegre
Em te-los todos, cheios de ti, como se o tempo
Tenha se arrastado tão lentamente, que pareceu
De ontem o sorriso de tanto tempo! Que pareceu de ontem
O sabor daquele beijo que minha alma nunca esqueceu.
Lágrimas insensatas que não sabem porque choram!
A não ser que sejam lágrimas alegres, efusivas,
Lágrimas crianças brincando de ser feliz. E eu...
Acostumado às tantas tristezas não esteja sabendo
Entende-las. Talvez seja isso. Ainda te sinto em mim,
Ainda me sinto um pedaço de ti. Ainda te escrevo
Na poesia completa e única que por si só se faz bela,
Em perfeitas rimas de sentimentos sem se preocupar
Com palavras, nem com os versos, que nada seriam
Não fosse esse sentimentos a fazê-los belos e completos.
Acho que minhas lágrimas...são gritos risonhos
Por essa saudade de tanto ...que agora não dói mais.


José joão
01/01/2.016

sábado, 26 de dezembro de 2015

Você...eternamente.

Não sei onde estás, só sei que estás muito além...
Do mundo, muito além de qualquer estrada,
De qualquer horizonte. Estás longe, muito longe...
Mas...nossos momentos, os que vivemos juntos...
Ainda estão aqui, dentro de mim... os sonhos
Que sonhamos, apesar de toda essa distância,
Ainda estão aqui, deixando meus dias menos vazios,
Sei que estás longe, até mesmo muito além...
Mas, não sei porque, talvez por milagre do amor,
Desse amor que tanto protege os amantes,
Ainda estás aqui, brincando de alegrar minha alma,
Brincando de fazer minha saudade alegre, cheia de ti,
Como se o além de qualquer distância, fosse bem aqui...
Dentro de mim, na infinitude de um pensar
Que nunca foi além de te, além de nós e do que sinto.
Nunca ficaste longe, até mesmo quando a distância
Se fazia maior que o tempo, as vezes até maior
Que a saudade, mas logo meus pensamentos e sonhos
Te carregam pra dentro de mim, e minha alma,
Em feliz pranto te abraçava dentro da saudade
Que nunca deixei de sentir e nos fazer de sempre.


José João
26/12/2.015

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal


É Natal! Que a Graça Divina lhes inunde os corações. Que Deus lhes ilumine os caminhos e os deixem floridos, sem tristezas, nem atribulações. Tomara os desejos sejam realizados e que as conquistas se façam muitas, que as dificuldades não se façam presente, mas se o fizerem, que Deus na sua bondade divina, façam-nas tão passageiras que nem tenham tempo de senti-las. Que seus dias sempre tenham a beleza da primavera, e que cada novo dia seja um renascer risonho, em que possam, com a família e amigos, sorrirem juntos.
É Natal! E bem aí, já está o novo ano, que venha alegre, com novas vitórias, que venha com cara de criança sorridente e feliz, cheio de coisas boas para todos. Feliz Natal.

José João

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Não... sou apenas triste

Ah! Quanta tristeza espalhada pelos caminhos!
Folhas caídas, levadas a esmo pelo vento...
Vão indo sem ir a lugar nenhum, rolando tristes
Entre as pontiagudas pedras deitadas na estrada,
São agora pedaços rotos de ontem...são passado,
Perdidas da beleza que um dia tiveram. Coitadas...
Não são mais belas, não são mais folhas, 
Agora são apenas restos. Não sei se choram, 
Tão nada se fizeram que nem parece que viveram.
As flores, sem se importarem com as folhas mortas,
Se pintam, se lustram, abrem as pétalas orgulhosas
Como se fossem belas, como se fossem vivas
E um colorido disforme, desbotado, nem reluz ao sol...
Mas que sol?! Esse que tímido ou medroso se esconde
Entre as nuvens? E a brisa?! Chata, a voltear
Entre os galhos, a balançar as flores que parecem dançar
Num valsar ridículo, onde a melodia é um angustiante
Acorde da própria tristeza. Depois dizem, aos gritos,
Que a primavera é linda. Linda!. Não vejo nada belo!
- Não vês a beleza em tua volta? Tu és cego?
- Não. Sou apenas triste. 


José João
21/12/2.015

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Quando o por do sol se faz canção

Sentado na beira do tempo ouvindo uma canção
Cantada em triste silencio pelo por do sol,
Que só a alma em solidão plena pode ouvir
Com os olhos, em lágrimas, como se fossem acordes
Que o coração chora, cheio de saudade e ..angustias.
E continuam os silenciosos acordes do por do sol
Como se fossem sutis prantos chegando lentos,
Em volteios de brisa que não sabe a quem acariciar...
Se ao coração choroso ou a alma angustiada,
Chora a alma triste cheia dos vazios que ficaram 
E que agora, o por do sol, colorido como se fosse
Uma primavera triste vai buscar momentos...que,
Agora lembrados, fazem a dor ser mais doída.
Ah! Como é triste a saudade chorada ao por do sol!
Quando a luz se deita no mar fazendo uma estrada
Infinita em que só o pensamento pode caminhar,
Em que só os sonhos podem voar... é uma beleza 
Triste, tão triste que os olhos se fecham 
Como se buscassem, uma imagem, qualquer que fosse
Desde que trouxesse, mesmo fingido, um sorriso
Que se sabe nunca mais vai acontecer.


José João
17/12/2.015

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O pássaro...

Esse pássaro, que sozinho voa, em perdida rota
Olha triste, no fim do nada uma sombra distante
O medo lhe toma, mas sabe ele que não tem volta
Chorando, num pensar triste vai rumo ao horizonte

Lhe pesa as asas tão carregadas de solidão perene
Vê o vazio, do céu ao mar, sem um porto para pousar
Bate forte o coração como rezasse uma oração solene
Como se pedisse a um Santo Deus forças para voar

O vento, talvez por pena, as vezes se faz estrada
Lhe toma as asas num voar leve, solto e até sereno
E assim vai. mesmo sentindo-se um já quase nada
Mas vêm lembranças, e o desespero se faz ameno

Ave sozinha, chorando em prantos indo sem rumo
Porque será, pergunta, se foram os outros e fiquei só?
O vento as vezes estrada, outras lhe toma o prumo
E lhe arrasta à sua vontade sem piedade e sem ter dó

Ah! Esse pássaro que a esmo voa, chorando solidão
Que nem a brisa num  cantar divino a ele acalma,
Que nem o estar mais perto do céu lhe alegra o coração
Esse pássaro que perdido voa, seu nome é...minha alma.


José João
15/12/2.015






domingo, 13 de dezembro de 2015

Quando chorar é prazer

Deixa-me sonhar teus sonhos como se fossem meus
Deixa que me vista com o gosto do seu sentir,
Com o perfume, mesmo o resto, que deixaste aqui
Na minha tão ilusória vida, nesse meu triste existir

Deixa que me perca no tempo, esse que não se vai
Que fica parado dentro da saudade que me toma
Deixa que a solidão faça ainda mais teu os meus dias
Esses dias vazios de ti que tanto a alma reclama

Corro entre os nadas declamando versos quebrados
Versos cheios de palavras vãs, de palavras soltas
Em descabidas rimas com risos fingidos e inventados

Chamo teu nome, em terno sussurro, a me enganar
Faz que a alma se entregue toda alegre ao teu pensar
E a mim, me faz de prazer, essa saudade chorar.

José João


13/12/2.015

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A dor de um adeus...não passa

Agora sei porque a dor do adeus não passa nunca,
É que a tristeza que fica faz os dias sem amanhãs,
A saudade nos toma todo, nos carrega entre os momentos
Vividos, deixados para trás, mas nunca esquecidos,
E a vida! Sem os manhãs, faz de sempre o dia 
Em que o adeus, dito com palavras, ou com silêncio,
Não sei qual a dor maior, se faz de sempre.
Um mundo diferente, cheio de dias cinzentos, 
Repletos de incertezas, medos, angustias, perguntas,
Que sem respostas apenas aumentam a dor de viver.
Os pensamentos buscam momentos, buscam sonhos,
O desespero da carência grita até chegar na alma,
E uma vontade de chorar galopa dentro da gente,
Enche os olhos de lágrimas, aperta o peito... o coração
Dispara em desesperada e vã tentativa de se fazer ouvir,
Aí, então, orgulho cai de joelhos no chão e.. a gente chora.
Lentos, os momentos, tristemente vão passando...
Se arrastando, indo e vindo em dementes vontades.
E os versos que se queria escrever nem completam
A poesia, porque esta, toda molhada, com as lágrimas 
Que alma chora, prefere calar, por saber que... 
Essa dor não passa.

José João


11/12/2.015

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Minha outra maneira de chorar


Canto, não que meu canto seja um cantar,
Mas minhas lágrimas são como versos soltos,
Fingidas rimas que escondem qualquer chorar
Um canto mudo que canto pra me enganar

Ah! Esse meu canto! Vai perdido a esmo
Enganando os versos que se fazem encanto
Vão indo ao tempo, em acordes sem melodia
Por serem apenas... pobres e fingidos prantos

Não que a alma, por estar triste, não saiba compor
Versos, poesias, que falem até mesmo de amor
Que até diga que essa dor talvez nem seja dor

Talvez  contasse, da vida, toda minha verdade
Minha história toda nas entrelinhas da poesia
Dizendo que essa dor é...uma infinita saudade

José João
08/12/2.015





sábado, 5 de dezembro de 2015

A incoerente coerência da saudade

A solidão não me importa mais, nem os medos.
Não me importam mais tristezas, angustias,
Não importam mais os sonhos, quase mortos,
Tudo agora é pouco, como se não existissem mais.
Corro entre os vazios, e o eco do meu silêncio,
Como um moribundo e perdido sussurro,
Vai dentro de mim, voando solto entre os nadas
Até chegar dentro da alma, cabisbaixa, chorosa,
Olhos fitos nos olhos do tempo apenas sentindo 
O que lhe é permitido sentir e, com suas próprias
Lágrimas, escreve uma poesia de beleza triste
Em versos inacabados de incoerentes rimas.
Não importam mais as claras noites perdidas,
Onde o sono cavalgava sobre a insônia demente
Até o alvor do dia chegar, tímido e reticente...
Perguntando se a solidão ainda ficaria comigo.
Nada disso importa mais...porque agora aprendi
Que essa saudade é muito mais...senti-la
É nunca estar só. É a beleza de um tempo
Que nunca mais vai voltar, mas que... nunca foi.

José João
06/12/2.015


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O que é o tempo para o amor?

Ontem descobri que adeus, distâncias, até o tempo
São tão pequenos, quase nada quando se ama,
Quando a alma se entrega toda e plena a arte de amar,
Sem trocas, sem medos, o amar por apenas amar...
Quando acontece assim a vida toma outro sentido
Fica repleta de momentos que nunca se vão,
Cheia dos sonhos que nenhum esquecimento toma,
Que o tempo tenha se feito anos, muitos anos...
Mas ainda assim, a saudade fala suave da história
Que  fica guardada dentro da alma carinhosamente,
Sempre bela, cheia de infinita doçura, que até sorrisos,
Antes perdidos, se fazem sutis desenhos nos lábios
Que, até outra dia, só sabiam chorar, sem nada dizer.
Ontem refiz  tudo, sem me importar com o tempo,
Busquei o gosto dos teus beijos, me vesti de ti,
Me perfumei com teu perfume, sonhei com teus olhos,
Dormi em teus braços, me embalei ouvindo tua voz,
Quando a brisa passava cantando baixinho como fazias.
Foi aí que percebi que o tempo é menor que nós

José João
04/12/2.015



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Ah! Se saudade fosse flor...

Não amor, nunca mais teve primavera. As flores?
Não sei, acho que se perderam no caminho
Procurando os jardins. Nem mais os pássaros
Ouvi cantar. Aquele pé de flamboyant...aquele...
Que na primavera era o mais alegre, o mais florido,
Não se alegrou mais, não floriu mais, sempre triste.
Os pés de ipês...que deitavam suas flores na grama
Por onde, alegres, corríamos pra lugar nenhum,
Só mesmo pra dentro dos nossos sonhos...
Também não floriram mais, parecem tão tristes.
É amor, parece que a primavera se mudou daqui...
Os bem-te-vis, os rouxinóis, os pintassilgos...
Nunca mais os vi, nem ouvi, tudo ficou mudo e triste.
Que pena que a saudade não é flor. Ah! Se fosse!
O meu mundo seria um jardim, o mais florido,
O mais colorido. Se a saudade se fizesse flores
Minhas lágrimas se fariam chuva, límpida, pura,
Para rega-las todos os dias. Minha vida se faria 
Uma eterna primavera. Mas a saudade não é flor, 
Assim, minhas lágrimas se perdem no nada, 
Num mundo sem primavera, correndo a esmo 
No meu rosto só dizendo tristezas.
Tudo culpa de tua ausência...ah! Essa ausência!

José João
03/12/2.015


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Porque minha dor é maior?

Ah! Quantas histórias, despedidas, perdas...
Mas porque, então, a minha dor é mais doída?
Porque minha  tristeza é sempre a mais triste?
Tanto que minha voz se sufoca no soluço
Que choro entre as tantas lágrimas que saem,
Correm dos meus olhos no desespero dos gritos
Que minha alma não cala e, aos prantos, 
Pede em orações que não sei rezar e, palavras ditas
Mais por dor que por fé, se tornam vãs, vazias...
E por isso se perdem sem serem ouvidas.
Porque minha saudade é mais saudade
Que qualquer outra? Me toma, me aperta o peito,
Me faz não ter lugar, me perco entre ir e ficar,
E os sonhos que vêm, só me deixam mais triste,
E entre buscar lembranças e chorar, me divido,
Uma parte de mim vive lembranças, a outra
Vive a dor de uma ausência que se faz infinda.
Parte de mim te chama aos gritos (desespero)
Outra parte se contenta com tua saudade...


José João
01/12/2.015