terça-feira, 29 de março de 2016

Ah! Como ainda sei sonhar!!

Sim, ainda posso sonhar, ainda posso sentir,
Ainda acho a primavera linda, as flores,
Os caminhos que levam ao horizonte...
Ainda sei dizer as palavras que a alma
Nunca esqueceu, mesmo já tanto sofrida
Mas entre sonhadora e carente sabe dizer.
Meus olhos ainda falam silenciosos 
Sentimentos ainda vivos dentro de mim,
Ainda sinto a ansiedade dos que amam,
O tremor na voz pela emoção da espera.
O tremer das mãos, o pulsar do peito,
Quando o tempo faz questão de se arrastar
Lento para que o prazer de esperar faça,
Do momento, a infinitude de uma entrega.
Ainda sei sonhar, ainda sei sentir a emoção
Da alma a tremer-se toda, em doce espera,
Sei ainda caminhar com passos lentos,
Mãos dadas, olhar perdido em outro olhar
Fazendo a mudez das palavras perfeito
Para ouvir os corações dizendo, te amo
No silêncio divino que só amantes entendem.
Ah! Como ainda sei sonhar!

José João
29/03/2.015






As vezes assim sou eu

Eu!! Eu sou artista, sou até boêmio,
Como boêmio sou poeta, faço versos,
Fiz versos pra lua, dela fiz minha amante,
As vezes inocente, outras misteriosa,
As vezes pura, outras devassa, indecente
Eu o boêmio, ela, despudorada.. a lua
Minha amante a deitar-se silenciosa e nua,
Embora promiscua, é com qualquer um
Bêbado que caia com ela na lama da rua.
Mas é ela que nas noites, me escuta em silêncio.
Me afaga, chora comigo, me ouve declamar
Versos vazios de poemas inacabados.
Sou artista, também sou palhaço, sei fingir...
Olhem meu rosto, olhem! Sempre alegre.
Se rio, se choro, quem sabe? Que importa?
As vezes sou mendigo, pedindo restos
De risos que não me deram, de olhares
Que fugiram, até por medo, As vezes
Imploro migalhas que sobraram de beijos
Que foram trocados sem emoção...
(Ah! quanta falta me fazem hoje!!)
As vezes estico as mãos, pedindo...
Pedir é uma prece que sempre se reza só.
É uma prece que ninguém reza junto...
Mesmo um pedido da alma... mas quem daria
Um pedaço de carinho, mesmo por esmola?

José João
29/03/2.016

segunda-feira, 28 de março de 2016

Por quê?

Minha  alma já nasceu assim, carente,
E entre tristezas, angustias e saudades,
Todas desconhecidas, se fez uma história,
Descabida, sem começo e já sem respostas.
Não sei como me chega essa vontade 
De querer ficar só, se o medo da solidão
Me aflige tanto que busco saudades
Que nem sei de quem ou de onde veem.
Me perco dentro da minha própria
Incoerência, no contraste de mim mesmo,
Como se eu fosse feito de sonho perdidos, 
As vezes, sinto falta de momentos
Que nunca vivi, saudade de amores 
Que, se amei, já esqueci ou nunca vi.
Minhas lágrimas, sem nenhuma razão,
(que eu saiba ou que sinta) inundam
Meus olhos, encharcam minha alma,
Afogam minhas palavras que sairiam
Como se fossem rezas perguntado:
Por quê? Já sem respostas!


José João
29/03/2.016









sábado, 26 de março de 2016

Bastava apenas um...eu te amo

Se um dia tivesses me dito, te amo,
Eu jamais iria além que ser totalmente teu,
Faria ajoelhar-se a teus pés minha própria alma
A fazer-se submissa à tua vontade,
Entregar-se toda e sem reservas e, de ti,
Fazer-te única e toda razão de viver.
Se tivesses me dado um olhar, apenas um,
Cheio de ternura, no sublime silêncio
Que só as almas dos amantes podem entender,
Que só elas sabem ler, sentir e se fazer vida,
Eu me faria um pedaço de ti. Te faria
Meus motivos de sorrir, de estar e ser.
Te faria minha mais fervorosa oração...
Rezaria teu nome, vestiria  teu perfume,
Me esqueceria dos meus sorrisos, todos
Para sorrir com os teus, faria dos teus,
Os meus sonhos e os levaria comigo
Dentro da alma, cheios de ti, para sempre.
Ah! Se um dia me tivesses dito, te amo
Não estaria te amando como te amo agora
Abraçado com a solidão chamando teu nome.

José João
26/03/2.016

sexta-feira, 25 de março de 2016

...é do que preciso

Eu preciso viver, amar, viver sonhos verdadeiros
Fazer da vida o milagre de viver...viver...viver
Amar intensamente e me esquecer de mim...
Preciso de alguém, não precisa ser perfeito,
Que se faça para mim...mais importante que eu.
Que entre em minha alma, que me desnude,
Descubra meus segredos...é do que preciso.
De alguém que minha alma olhe nos olhos,
Ainda que seja com os meus olhos e...
Lacrimejantes, com luzidias e alegres lágrimas,
Digam, em divinal silêncio: Te amo, e...
Que as mãos se juntem, se entrelacem os dedos
E sigamos pela vida como se fosse nossa estrada.
Percorrer caminhos distantes, até além de nós.
Preciso dizer, com a certeza da divina loucura
Dos amante que nuca fui e nem irei além
De ser todo, completamente e para sempre...teu.
Preciso que me tomem de mim, que me façam
Ser apenas alguém que ama loucamente... 


José João
22/03/2.016




Hoje não tenho mais medo de ser ridículo

Hoje sinto graça das tantas vezes que chorei escondido!
Depois, em silêncio, conversava comigo mesmo
Até os olhos se fazerem meus outra vez, 
Até que ninguém mais pudesse perceber que choraram,
Até que  os soluços se aplacassem dentro do vazio
Das palavras escondidas no meio da dor que sentia.
Quantas vezes, chorei sozinho entre as flores
Que pareciam me ouvir caladas, mudas 
Como se respeitando a dor que chorava trazida 
Por uma saudade que não sabia dizer, 
Só sabia sentir e, escondido, chorar ...sozinho
Como se para isso apenas eu me bastasse...
Ah! Quantas e quantas vezes!! Até me perdi.
Hoje rio de mim do que fui, de como eu era
Por que hoje meus olhos perderam o pudor...
Minhas lágrimas perderam o temor de saírem
Ao tempo contando minhas angustias e medos,
Aprenderam a contar meus segredos e os da alma,
Hoje os prantos saem efusivos, em qualquer lugar,
Sem se importarem que me achem ridículo.

José João
23/03/2.016




sábado, 19 de março de 2016

Quem sabe da alma do poeta???!!!!

Oh! Pobre criatura, a mim dizes, e que ridículo,
Conhecer do poeta sua alma! Será que pensas
Que o poeta é esse que tu imaginas que vês?!
A mim farás rir, se pensares assim outra vez.

O que sabes do poeta  dessa dor de agora?
Ora cala-te. Põe-te a ver tua própria alma
Que essa dor talvez sejas tu quem chora
E o peta te trás, nos versos, essa doce calma

Diz-me, olhando nos olhos, será que acreditas
Quando dizem que os poetas têm medo de amar!
Coitada! Ainda ouves essas mentiras malditas!?
Ora, vês! Ao poeta também é prazeroso chorar

Razão de viver?! Isso as pobres almas buscam
Essas que se entregam às passageiras paixões,
Os poetas vivem pelo tanto que eles amam
Até fazem de pousada infinda seus corações

E se um dia a mim vieres com tuas dores?
E se meus versos, te aplacarem o dissabores?
Se for esse teu sentir, essa tua dor, uma tragédia?
Quem sabe o poeta te faça dessa dor uma comédia!

Ora! Pobre criatura, a mim dizes, e que ridículo!
Conhecer do poeta sua alma! Será que pensas
Que o poeta é esse que imaginas que vês?!
De te sentirei pena se pensares assim outra vez

José João
19/03/2.016

sexta-feira, 18 de março de 2016

Não sobram lágrimas pra mim!

Essas minhas lágrimas! As vezes se recusam chorar
Dores que sinto, saudades tardias, sonhos quase perdidos,
Que vez ou outra chegam fortes. Se recusam e dizem
Que têm outras dores, saudades novas, adeus de ontem,
Mas na verdade elas querem chorar uma outra saudade,
Uma que a alma nunca se permitiu esquecer e às lágrimas
Ela mente, diz que é dor de ontem, para serem sempre novas,
As lágrimas que choram essa saudade. Minha alma!!
Alicia meus prantos, engana meus olhos, chorando triste,
Diz que eles, os olhos, são suas mais puras  e luminosas
Janelas, por isso têm o dever de chorar uma dor que é só dela.
Assim, não posso chorar momentos que foram meus...
Minha alma, egoísta, pega o pranto só pra ela,
Me deixa vazio para chorar as dores que me afligem.
A mim cabe apenas alugar as noites, sentar em silêncio
Com a solidão, as vezes caminhar com minha sombra,
Isso quando um raio de luar, que foge por entre as estrelas
Fica comigo até a noite madrugar, e tudo, lentamente,
Começar acordar e...me console dizendo que são minhas
As lágrimas da madrugada quem vêm como orvalho.

José João
18/03/2.015





Brincando com a solidão

Começo com uma letra no começo de cada verso,
Assim como se fosses tu, que nem conheço...
Roubando-me momentos que nunca vivemos
Levando meus sonhos a sonharem contigo!
Ah! Essa carência! Parece mágica!

Já, um outro momento me dá outro nome,
Oceano a fazer-se lembranças dentro de mim,
A invadir-me em desconhecido prazer
Na ansiedade incontida de viver a vida,
As horas, com quem... não sei, mas viver.

Mas que loucura é essa agonia insana!
A me encher de angustias que me fazem
Rabiscar nomes de quem nem conheço
Indo a esmo no começo dos versos
A escrever poemas que nem sei pra quem!

Nem sei de quem são esses nomes...
E nem me preocupo em sabe-los
Nada dentro de mim me faz chama-los
Hoje, foi essa carência incontida da alma,
Uma vontade de sorrir, de ser feliz,
Me fez buscar nomes e rostos que nunca vi
A viajar nessa loucura que a carência faz.

José João
18/03/2.016







quarta-feira, 16 de março de 2016

Ontem

Ontem ouvi tua voz dentro do meu silêncio,
Te carreguei nos meus sonhos, te fiz estrada,
Te fiz caminho, para encontrar outra vez minha alma,
Perdida dentro do angustiante vazio de mim.
Ontem te fiz canções, chorei tuas lágrimas, me busquei
Em tua lembrança, nos momentos que ficaram
Dentro da saudade que não se vai nunca.
Brinquei de esconde-esconde com nossos sonhos,
Ia busca-los lá dentro da alma, guardados com carinho,
Como se fossem pedaços únicos de um passado
Que não passa, está sempre como se fosse ontem,
Para que a demência do esquecimento se esqueça
De encontra-lo. Ah! Ontem, até escrevi poesias!
Fiz rimas de nós dois, rimei coração com paixão,
Rimei flor com primavera, tão mágico foi o ontem!
Os poemas brincavam nos olhos, no tempo,
Brincavam de se fazer criança e correr dentro de mim
Na ansiedade de se fazerem ainda nossa história,
Ontem, foi um ontem mágico em que um sorriso 
Flertou com a tristeza e nasceram lágrimas ...
Brincando de te desenharem no meu rosto.

José João
15/03/2.016


Eu e a tristeza, hoje choramos juntos

Minhas mãos, tremulas, acariciam meu rosto, 
Tateiam suas marcas sofridas e choram juntos,
As mãos parecem querer, no rosto, escrever poemas
Com as lágrimas que como versos vazios se fazem
Silenciosa história que a alma conta sozinha e triste,
Sem nada fazer, além de chorar sua própria angustia.
As mãos, nervosas, percorrem um rosto que nem mostra
A dor que sente, tanta é, que se contorce num esforço
De fingir, num sorriso, tudo que sente e nada diz.
Um olhar foge na demência do tempo... e vai,
Perdido entre caminhos que nem exitem, na imensidão
De uma solidão tão grande que até o silêncio se faz grito,
Estridente, fazendo eco entre os pensamentos perdidos.
Parece que todas as saudades se fizeram um só dor,
E uma estranha vontade de chorar mais e sempre mais
Até se faz descabida pelas tantas lágrimas que já chorei,
Foram tantas que meus olhos se inundaram, se afogaram,
Que até a tristeza, compadecida, me ajudou chorar,
E dividiu comigo essa tanta dor.

José João
16/03/2.016





segunda-feira, 14 de março de 2016

As vezes o passado é tão presente!

De muito, muito, muito longe, uma canção
Vem cantada no silêncio da saudade
Dizendo nomes que nem lembrava mais,
Mas agora, cada um nome se faz uma lágrima
Cada um se faz uma história,cada história um adeus.
Tudo se confunde, são tantos, os momentos,
Alguns se desenham inteiros no pensamento,
Fazendo a dor ser mais doída, Outros se fazem 
Fragmentos, sonhos quebrados em pedaços,
Na desordem do lembrar, do sonhar e do chegar.
Quantas vezes tentei aumentar essa distância
Fazendo do tempo, espaço para correr. fugir,
Me escondendo atrás de outras histórias novas, 
Mas nada apaga o que foi tão verdadeiro,
Tudo se acende na nitidez da existência
De cada um nome, cada olhar, cada sussurrar...
Tudo se faz tão vivo, que as vezes até duvido
De que são apenas lembranças.

José João
13/03/2.016

sábado, 12 de março de 2016

Coisas e dores avulso

Restos de poesias atiradas num chão invisível
Onde só o poeta pode ver, palavras aflitas
Querendo ser ditas, escritas, gritadas
Mas se fizeram silêncio, não cabiam na dor do poeta.
Não naquela dor que ele chorava agora.
Talvez até coubessem em outra dor, em outra poesia.
Poesias inacabadas, guardadas numa gaveta mágica,
Que só o poeta pode abrir, estavam misturadas
Com velhos sonhos, lágrimas antigas...
Até mesmo poesias que nunca foram escritas
Porque não contavam a dor completa sentida pelo poeta,
Estavam também adeus, cheios de rancores...
Saudades doídas, sorrisos mortos, olhares sem cor
Tudo guardado na gaveta mágica, sem trancas
E só o poeta sabe buscar seus guardados, 
É quando a alma precisa chorar dores antigas,
Não que ela queira, é o pensamento que trás...
Por que agora, o que foi a mais extravagante rotina
Se faz uma saudade muito difícil de sentir!
Tão difícil que o poeta não sente sem chorar.

José João
12/03/2.015


terça-feira, 8 de março de 2016

Eu e os outros ...eu

Sempre que me pergunto quem sou... vejo
Que não sei quem sou. As vezes me pareço um menino,
Olhar pedido no tempo, com pensamentos inocentes,
Jurando que vai ser feliz, ter sonhos coloridos,
Brincar de viver sorrindo entre momentos infinitos.
Outras vezes me sinto um homem com medos
Descabidos, em desespero quase incontido,
Por não saber se ainda saberá sorrir se um dia precisar.
Um homem que caminhou por tantas estradas...
E em cada uma deixou um pedaço da própria alma...
Deixou palavras soltas sem saber o que diziam...
Deixou adeus ditos sem razão e sem certeza... mas...
Foram ditos, feriram tanto quanto o que foram ouvidos.
As vezes me sinto até poeta...poeta de poesias tristes...
De rimas soltas e versos inacabados, de sonhos mortos
Que não se fazem mais história, poeta das horas vazias.
As vezes até me sinto um livro...páginas amareladas,
Empoeirado por ser uma história que ninguém quer ler,
Outras vezes me sinto eu...cheio das tantas duvidas...
De perguntas sem respostas. Cheio de vazios e tristezas...
De saudade doídas, de remorsos que machucam...
As vezes doem tanto que sinto as lágrimas, em incontida
Vontade, chegarem aos olhos...mas aí...aí chamo o poeta
Ele que chore minha dor nos seus versos. 

José João
08/03/2.015

Minha estrela cadente... é mesmo estrela

Não sei por que chamam de meteoro 
As estrelas cadentes! Pra mim serão sempre estrelas...
Minhas estrelas cadentes. Lindas, mergulhando na escuridão
Como flechas flamejantes, me enchendo de desejos...
Me fazendo ser outra vez a criança alegre, olhar risonho,
Perdido no espaço a procura de uma. Elas me fazem
Viver momentos que apenas em sonhos posso viver...
Deixam esperanças vivas dentro de mim a cada pedido,
Com palavras atropeladas, como se fosse um menino
Correndo atrás da felicidade, correndo com um olhar
Ligeiro atrás de uma  que, lá longe, lá perto do céu,
Parece, por um segundo, ouvir meus anseios, 
E lá vai ela, como um anjo de luz, guardando meu segredo,
Ninguém pode saber, só nós dois, senão o pedido
Não se realiza. Muitos ficaram perdidos com ela,
Ainda não aconteceram, mas é que minha estrela cadente
Voou tão longe que ainda não voltou com os pedidos que fiz,
Mas um dia ela vem de volta e meus pedidos satisfeitos...
É assim que minha estrela faz, ela é  como fada mágica  
Me enche de sonhos lindos, cada pedido que ela leva
É um sonho que deixa comigo...até que se realizem e...
Se não acontecerem, que importa? Logo vem outra 
Estrela cadente...e outros pedidos..outros sonhos... 
Outra esperança e...

José João
08/03/2.015


segunda-feira, 7 de março de 2016

Quando é só tristeza.

Ontem não quis saber de nada, nem de pensamentos.
Fui apenas, entre os sonhos, me buscar..não sabia de mim.
Apenas ouvia a alma cobrar, entre soluços, minhas histórias
Vividas em momentos que nem lembrava mais...
Sei que o tempo se perdia entre os espaços vazios
Que insistiam em se fazer berço para a carência
Ser mais doída, tanto que nenhuma saudade chegava
Para enganar o pranto, que chorava por tristeza mesmo.
As vezes a saudade ternamente se mistura no rosto... 
Aos olhos dá lágrimas, aos lábios um sorriso, diz ela
Que é um sorriso, mas dessa vez era de tristeza que chorava.
Quase enlouquecia com o silêncio, ficava patético
Sussurrando em meus ouvidos coisas que não entendia,
Como se quisesse me deixar desperto para dor ser mais dor.
Por vezes até pensava ser a solidão aliciando minha alma
Com promessas que não se cumprem nunca... a solidão!
A solidão é tão mentirosa e imprevisível!!
As vezes, quando existe um adeus que dói pra sempre,
Até entre a multidão ela nos toma, e fica, e o silêncio,
As vezes inocente, por vergonha se esconde no tempo
Em volta da gente.

José João
07/03/2.016




quinta-feira, 3 de março de 2016

A dor de uma ausência

Tua ausência, nas noites, fica mais doída,
Aumenta os vazios de dentro de mim...machuca,
Faz as horas se arrastarem lentas, sem pressa...
Faz a angustia se sentar no tempo, faz a tristeza
Espreitar ansiosa a porta entreaberta da alma, 
Que, coitada, aflita se senta no nada pra poder chorar.
E a saudade, reticente, muda, com passos incertos
Se aproxima como se estivesse com medo de chegar,
Como se não tivesse certeza de poder sentar-se
Dentro de mim e se fazer oração rezada com os olhos
Em um rosário de lágrimas que avulso, se atiram
No meu rosto como se fossem carícias tristes
Na vã tentativa de me fazer pensar que não estou só.
A solidão grita, estridente, dentro da alma, como louca,
Como se estivesse em pleno cio com a noite...
A parir pedaços de sonhos que não se criam mais,
A parir pedaços de nada para a dor ser ainda maior.
De repente um suspiro, como se fosse um lamento triste
Acorda o silêncio...era o eco de meu pensamento
Tentando gritar teu nome.

José João
03/03/2.016





Te amo e não sabes! Que importa?

Ora mais... que egoísmo! Insano! louco e vergonhoso!
Não me permito senti-lo se é tão verdadeiro o que sinto.
Se te amo (e te amo) sem que de mim tu saibas...
Que importa? Isso se faz tão pouco...apenas te amo.
E me basta. Te ponho em meus sonhos, em todos eles,
E em cada um te fazes o mais importante de mim.
Que importa que não me conheças e de mim não saibas?
Se me tomas todo, me preenches os momentos...
Meus pensamentos, cheios de ti, acariciam minha alma,
Que culpa tens se é minha alma que precisa da tua!?
Se é minha alma que se faz passiva a essa vontade...
Essa tanta vontade de apenas te amar...te amar.
A beleza do amor é apenas amar...é assim, tão simples.
A saudade que sinto de te é mais completa, perfeita, até,
Por que me fazes sonhar sonhos que nunca vão acontecer
E o que nunca acontece não pode ter imperfeições.
E se um dia te olhar nos olhos?! Os meus vão morrer de rir!
Por esconderem um segredo que não imaginarias nunca...
Depois, quando estiver sozinho, eles se abrirão comigo,
Com minha alma e com o sentimento, e suas palavras...
Em forma de lágrimas...gritarão aflitas em meu rosto. ..
E o que te importaria isso?

José João
03/03/2.016



quarta-feira, 2 de março de 2016

Eternamente

Recordações, sentimentos, sonhos...pensamentos,
Me fazem pensar que sempre vais estar aqui...
Em minha frente, brincando de se fazer saudade,
Brincando de fazer eterno os momentos vividos,
Sem permitir que outra história aconteça, por que tudo...
A plenitude do viver, a existência do sentir, se fez você,
Só existe você na beleza plena, no sentir incontido
Que explode de dentro da alma para fazer viver outra vez
Todos os momentos, todos os olhares e confissões 
Que a alma, em perene oração, rezava sussurrando teu nome.
Não me pergunto mais por mim...e nem me importa saber
Se toda essa saudade não te trouxer de volta,
Num sentir único de momentos que nunca passaram,
Ficaram aqui dentro de mim, sempre fazendo
Uma saudade nova, com lágrimas novas para chorar
A plenitude de uma entrega infinita, sem detalhes.
Sem pedaços. Porque esse sentimento, por tanto eterno
Se fez completo...em mim...até nos sonhos.


José João
02/03/2.015



terça-feira, 1 de março de 2016

Minha divina loucura

Não sei por que me chegas tão forte assim!!
Não sei quem és, nem onde estás, mas me tomas
Todos os pensamentos, invades minha alma,
E comodamente ela te acolhe sem reservas,
Te entrega meus segredos em serenas confissões.
Me fazes sentir uma falta estranha como se sempre
Estivesses aqui, tão perto que se põe dentro de mim,
E toda essa saudade que nem sei se é mesmo saudade,
Me invade, se apossa do meu sentir que até ouço tua voz,
E a minha, como se fosse minha loucura, sussurra
Pra dentro da alma um nome que nem sei se é teu.
Estranho esse teu me tomar, esse teu me invadir,
Me levar, em ternos devaneios, a passear contigo,
Entre flores primaveris, entre sorrisos tão inocentes,
Como se a inocência da própria loucura me fizesse
Ser teu numa entrega plena na infinitude do tempo.
Não sei se são sonhos ou saudades perdidas
Que tomam  tua forma, te fazem minha razão,
Te dão vida nessa minha carência tão vazia

José João
29/02/2.016




quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

As vezes a vida brinca comigo

As vezes a vida me faz criança, sorrindo feliz
Por sonhos que sonhei, que aconteceram 
E ficaram dentro de mim marcando o tempo.
As vezes me faz ser menino brincando de colher flores
Nas primaveras. Chorar sorrindo na beira do rio
Por lembrar o primeiro beijo, me faz, em pensamento,
Correr por caminhos que levam ao começo do arco-íris,
E nas noites, as vezes, a vida brinca comigo, 
Me fazendo, sentado sobre a relva, esperar atento,
No céu, uma estrela cadente, e ...lá vem ela, rápida,
Luzente como um raio, me faz atropelar as palavas
Para fazer um pedido que quase não dá tempo.
Mas muitas vezes, e quase sempre, a vida...a vida
Se faz lágrimas, se faz dor, se faz essa angustia
Que fica, que mora, que insiste em fazer da pobre alma
Um canteiro de flores murchas, sem brilho, caídas
Dentro do vazio que uma ausência encheu de carência.
As vezes a vida me faz assim...algoz da criança...
Que quase já não existe em mim.

José João
25/02/2.016


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Silêncio! Por favor!

Silêncio! Por favor silêncio. Minha alma
Quer ouvir meu pensamento, que está todo nela,
Está seguindo seus passos, está indo em horizontes
Onde só eu posso chegar, com essa saudade toda,
Que também só eu sei sentir. Silêncio, por favor...
Deixem que ouça o pulsar do coração, 
Como se fosse oração perene chamando seu nome
Em divinal comédia. Silêncio que estou amando...
Os momentos que se fizeram eternamente meus,
Os sonhos que nunca deixei de sonhar...
Silêncio, por favor, deixem-me chorar em paz
Toda essa saudade que ficou em mim, na alma,
Na vida, que agora se faz um mundo só pra ela,
Chorar essa ausência que me tomou de mim,
Que me encheu de vazios doloridos, sem formas
Como se fossem disformes pedaços de nada
Que só quem sente a dor da falta pode saber.
Silêncio, por favor. Deixem essa saudade
Dormir comodamente dentro de mim.

José João
23/02/2.015



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Uma dor estranha...diferente

Hoje tem uma saudade diferente dentro de mim...
Uma saudade que a alma não sabe dizer, só sabe,
Em silêncio, chorar. É uma saudade que nunca senti.
Uma saudade dolorida...uma dor estranha...
Não é essa dor que muitos sentem...essa dor 
Apenas dor, a minha é diferente, é viva...densa
Parece ter mãos, me toca, abraça, aperta...
Parece até ter gosto...não sei de onde vem
E nem por que sinto. Não sei se é a tristeza da falta
De sonhos. Não sei se é uma falta infinita,
Do que nem sei mas que preciso. Sei que é uma saudade
Que nunca senti. Talvez seja isso. Saudade 
Do que nunca tive, do que nunca vou ter...
Isso faz a dor ser diferente, ser maior, mais triste,
E ...mais dor. A angustia vem de mansinho,
Esgueirando-se por entre a solidão e a noite,
Olhos cabisbaixos, como se fosse tímida,
Sem coragem de me olhar, mas na verdade,
Ela vem trazendo ainda mais dor escondida.

José João
19/02/2.015




domingo, 14 de fevereiro de 2016

Quando esquecer é impossível

Vivi momentos intensos, infinitos, eternos...
Momentos que faziam os sonhos serem tão pouco,
Tão pequenos, que passavam sem que eu percebesse,
Tanta era a intensidade do sentir os momentos, 
Viver um sentimento que se fazia maior que a vida,
Ou, pelo menos, a própria vida, cheia de nós dois.
Não é apenas lembrar, o que faço agora é viver...
Viver outra vez os momento dentro dessa saudade 
Que me invade, que me toma, que se eterniza, 
Que se faz viva como se tudo se fizesse sempre.
O tempo se fez passivo para esses tantos momentos,
Nem se lembrou de passar, ficou nas marcas ardentes
Que ficaram dentro de mim, como fossem cicatrizes
Mal curadas mas que não doem, apenas ficam.
Até hoje minha alma sente a ternura das caricias,
Dos beijos, que teu olhar a ela nunca negou,
Até hoje ela se deita passiva à tua vontade...
Gritada por essa saudade que não tem fim...
Que te deixa toda e completa dentro de mim.


José João
14/02/2.014





sábado, 13 de fevereiro de 2016

A saudade só é bela para os poetas

Saudade não é dor, é só mesmo saudade,
É a beleza de sentir o coração pulsar descompassado,
É sentir o sufocar de um soluço, é a beleza da volta
De momentos que foram vividos e nunca esquecidos.
Saudade são versos declamados pelos olhos,
Escritos no rosto por lágrimas reluzentes que brincam
De enganar a alma dizendo que nunca houve um adeus.
A saudade não deixa vazios, se faz de sempre,
Não escolhe momentos, está em todos eles,
Não escolhe lugar, no ir ou no ficar faz estradas 
No pensamento, eterniza o tempo, não permite
O esquecimento caminhar entre sonhos ou lembranças.
Ah! Essa saudade que nunca vai! Brinca na poesia
Que a alma, muitas vezes chorando, declama em silêncio.
Nas noites... se deixa ficar ajudando a apagar os vazios
Que a ausência deixa ao se fazer dor. Saudade...saudade
É a certeza de que o amor apenas trocou de nome,
...mas toda essa beleza, acreditem, é invenção dos poetas...
A saudade dói, arde no peito e fere mortalmente a alma.


José João
13/02/2.016



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Deus e os poetas

Ah! Se pudessem os amantes, aqueles que nem têm mais
Lágrimas para chorar. aqueles que a alma não vai além,
Que, de joelhos, desmanchar-se em orações e ladainhas,,
Que a dor ensinou chorar. Quem dera esses amantes
Pudessem falar com Deus! Quem dera pudessem ser ouvidos!
Talvez até sejam, mas que adiantaria amar tanto...
Se um dia não tivessem que, aos prantos, sentirem saudade?
Sentir, no mais íntimo do ser, a dor que lhe permite
Lembrar que um dia foi feliz. Quem seria Deus
Se não permitisse a eles chorarem tristemente alegres,
Nas poesias que a vida lhes faz  sentir, mais que escrever!
Ah! Esses poetas e amantes que brincam com a angustia,
Enfeitam a tristeza com lindos risos fingidos, e...
Com a saudade, brincam como enamorados, nas noites,
Nas madrugadas, no alvor do dia que chega!
Ah! Se os poetas e amantes pudessem falar com Deus!
Talvez até pedissem mais lágrimas, mais saudades,
Mais sonhos impossíveis para enfeitar seus versos...
Na verdade, acho que Deus entende os poetas,
Se não entendesse como poderia fazê-los tão alegres
Dentro de uma tristeza... tão risonha? (Para eles)


José João
11/02/2.016


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Não me deste tempo de...

Te foste sem esperar... apenas me ouviste dizer...
Mas as palavras eram tão poucas, tão sem sentido.
Não esperaste para que te mostrasse o que é o amor,
Não esse amor que dizem, mas o que eu sentia...
Não esperaste para ver as loucuras que seria capaz,
Tudo para te dizer: te amo, só com a alma e o coração.
Não esperaste que completasse os versos, que preparasse
As lágrimas, que as ensinasse a serem felizes
E que brilhassem em meus olhos a cada momento
Que aos teus eu dissesse. TE AMO, aos gritos da alma,
Nem esperaste que eu aprendesse a leveza das caricias
Da brisa da manhã para te envolver em sutis abraços,
Não esperaste nem que me fizesse criança para brincar
Na inocência do teu ser em infantis desejos de ser feliz...
Não me deste tempo de buscar estrelas nos sonhos,
Que também não deste tempo de sonhar, e foste...
O tempo que me deste, esse que se fez eterno em mim,
É esse de chorar tua saudade, sem mais nada poder dizer.


José João
10/02/2.015


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Dores que só sei sentir

É uma saudade estranha, essa dor tamanha
Que apenas sinto sem saber porque,
São momentos eternos de uma saudade que vem
De onde, não sei, sei apenas que dói, sei apenas sentir.
Tudo se faz tão pouco, a beleza se esvai em densa
Penumbra como fossem lágrimas que choro
Sem querer chorar...mas é mais forte, me invade,
Me toma de mim, se faz uma força que me domina,
Essa saudade louca, estranha que não sei de quem é.
As vezes me deixo ser levado a um mundo
Que não sei, e como poesia me escrevo em versos
Me desnudo, descubro outro mundo onde não sei viver.
Não sei se é a solidão, vindo talvez da carência,
Da falta de um olhar que ninguém nunca deu.
Me perco de mim em sonhos que um dia queria sonhar
Desejos ardentes, vontades dementes, até insensatas
Por tão impossíveis de acontecer. Me olho por dentro
E de dentro de mim, me vejo chorando saudades perdidas
Em dores sentidas de adeus que ouvi e não quis entender

José João
09/02/2.016


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Um pássaro ferido

Pobre ave que no chão caída a debater-se em vão
Lhe quebraram a asa e dor insana lhe toma o tom
Um canto sem melodia, dor em forma de canção
Sai da alma em silêncio, gorjeio sem ter um som

Um olhar vazio ao infinito azul agora distante
Lhe chega ao peito tristeza infinda não poder voar
Queda-se o triste pássaro em infinito instante
E pede aos céus... antes da morte lhe fazer sonhar

Sonhar voando, liberdade plena, perto do céu
Brincar com o vento, faze-lo estrada e nele ir
Ao sabor do nada por entre nuvens e indo ao léu

Mas de repente uma dor maior lhe toma todo
Lembrar do ninho, dor cruel pior que a morte
E num gorjeio triste chora baixinho a triste sorte.

José João
08/02/2.016








domingo, 7 de fevereiro de 2016

Uma lágrima para cada saudade

Em cada amor que vivi, deixei a melhor parte de mim,
Em todos eles sonhei os melhores sonhos. Vivi.
Intensamente vivi cada um deles, me entreguei
Sem reservas, falei as palavras que queria dizer,
Disse, te amo, em verdades que a alma sentia.
Meus olhos, em olhares carinhosos, em silêncio,
Ou aos gritos da alma diziam do sentimento
Que me tomava todo. Ia muito além de mim mesmo
Para me fazer a medida certa, nem muito, nem pouco,
Dentro de corações que se faziam minhas relíquias,
As mais preciosas dadivas de minha existência.
Com cada um deles vivi momentos divinos,
Por isso essas minhas tantas saudades vivas
(muitos acham que saudade não tem plural) 
Mas as minhas, se fazem uma saudade completa
Para cada lágrima que choro, minhas lágrimas
Falam de minhas saudades, mas meu pranto!
Ah! Meu pranto! Esse me faz chorar todas as saudades
Como apenas uma. Mas o pranto é tão singular!
Prefiro lágrima por lágrima, chorar saudade 
Por saudade, pois são tantas as saudades
Que junta-las em apenas um pranto seria injusto.

José João
07/02/2.015

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Eu, guardado dentro de mim.

Me guardo desesperadamente dentro de mim,
Me escondo dentro dos fragmentos que restam,
Faço-me história, faço-me livro de páginas vivas...
Cheias de saudades, tristezas, de poesias inacabadas,
Contando sonhos de contos de fada em versos
Cheios de risos fingidos, palavras sem sentido...
Mas ainda assim me guardo ou, me escondo de mim.
Para que não se vá, perdido no tempo, as relíquias
Que ficaram...beijos, alguns nem foram dados,
Palavras que esqueci de falar e se as disse
Não disseram o que eu sentia ou queria dizer.
Guardo lágrimas, coitadas, caducas, já reticentes
Por não saberem se foram ou por quem foram choradas.
Saudades perdidas que se arrastam lentamente
No tempo, cabelos brancos, ombros curvos,
De tão velhas, mas sempre serão saudades...
As vezes até me roubam um sorriso triste...
Algumas trazem uma melancolia que não sei dizer
Sei apenas sentir e me perder em devaneios....
Me guardo dentro de mim, para não esquecer...
De mim mesmo.


José João
06/02/2.015



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Eu...hoje

Hoje  me perdi dos sonhos, me perdi no tempo...
Apenas segui, passos lentos, entre solidão e lágrimas,
Percorri caminhos que não conhecia, caminhei sozinho
Entre meus temores conversando em silêncio comigo,
Dizendo palavras sem sentido, palavras dementes...
Apenas minhas lágrimas afagavam ternamente meu rosto,
Brincavam de me enfeitar os olhos, que tristes, fingiam
Olhar um horizonte que nem existia, que nem estava ali.
Angustia e tristeza se faziam anfitriãs de minha alma,
Ocupavam todos os lugares, todas as horas. E ao vazio!
Esse de dentro de mim, que fazia a carência gritar
Escandalosa, ia me tomando todo, me fazendo mudo,
Se fazendo tanto, como se dele eu fosse feito.
A saudade, que nessas horas sempre me socorria
Trazendo sonhos antigos que encontrava nem sei como,
Acho que se perdeu dentro de minha própria ausência,
Sim, minha própria ausência, tanto era a solidão...
Que eu, de mim mesmo, me perdi. Ah! Que dia!
Nem ao menos um ai que fosse, quis ser um verso,
Um verso sem rima, sem sentido, um ...eu ...hoje.


José João
05/02/2.016








domingo, 31 de janeiro de 2016

Meus motivos para viver.

O que me conforta e me motiva viver é saber-me
Desperto para os tantos sentimentos que a alma ainda
Se permite sentir, para os quais tantos estão dormindo,
Perdidos, mergulhados em seus vazios, por terem deixado
A  ternura ir-se de dentro de seus corações.
Sempre estarei desperto para deixar que me invada
As sensações que me façam sentir a vida pulsar
Dentro de mim, sentir a beleza de amar intensamente,
Mesmo que num depois o adeus me faça chorar,
(ser ridículo - como tantos dizem - chorar por amar!)
Mas chorar também é viver, é sentir a vida plena,
É saber-me capaz de sentir emoções que quase 
Ninguém sente mais. Me conforta saber-me
Ainda capaz de sonhar, de buscar caminhos novos,
De ainda admirar a beleza do por dos sol, de ter a vontade
De caminhar na direção de outros horizontes, sem medo.
O que me conforta e me motiva viver, é saber-me capaz
De ainda amar, por apenas amar. É saber-me capaz
De ainda sentir saudade...isto me motiva viver...
E me conserva no olhar a doçura de dizer: Amo

José João
31/01/2.016




sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O cisne e a dor de um adeus

Qual cisne a debater-se em dor dolente
No convulsivo estertor que a ele toma
Com tristonho olhar ao mundo grita
Que a dor é dádiva apenas de quem ama

Tropeça nos próprios passos e o tremor
Que lhe aflige a vida a toma-lo em pranto
Lhe faz perder-se em sonhos mortos
Pois que a própria morte a ele é o encanto

Pobre cisne a rodopiar sobre o vazio!
A deitar-se na relva, lhe chega o cansaço
Abre triste as asas, implorando um abraço

Quanta dor! Sacrifício de almas carentes
Se toda essa aflição é dada por um adeus
Então belo cisne... sei a dor que sentes


José João
29/01/2.016






quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Minha loucura

Não sei de onde vem essa falta de ti...não sei.
Nem te conheço, nunca te olhei nos olhos,
Nunca ouvi tua voz, mas não canso de ti pensar,
E uma dor descabida...uma saudade sem sentido
Me toma, me leva para dentro de sonhos
Que apenas eu sei sonhar. Nunca me senti assim,
Tão perdido, dentro de um vazio que essa tua falta,
(E nem sei quem és) me invade  e me enche
Com essa agustia, como se tua ausência fosse de ontem
E não de sempre, mas que ausência? Nunca ti vi!
Me toma um cansaço doente, uma vontade de dormir,
Não sei se pra sonhar ou te esquecer? Só sei que
Essa vontade sem razão, esse querer sem esperança
Me invade a alma e uma tristeza, maior que
Qualquer  tristeza que já possa ter havido, me toma,
Desde mim até a alma, que cativa a essa loucura
Te desenha em versos incompletos, mas cheios,
Transbordantes desse sentimento que se faz
Maior que eu. Não sei quem és, nem te conheço,
Mas preciso, de pelo menos, essa saudade de ti.


José João
28/01/2.016

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Para viver não é preciso...

Com todas as dores que se há de sentir
A vida continua. Com todas as tristezas
Que se há de sentir...a vida continua...
As vezes a saudade alivia a dor...outras...
Acentua, tanto, que as lágrimas gritam nos olhos
Palavras que só a alma sente...e faz versos...
Versos mentirosos, cheios de risos, para enganar
A própria tristeza que, sem cerimônia, se faz
Inquilina do tempo, dos pensamentos,
E até dos sonhos, uns apenas sonhados,
Outros vividos, alguns que se queria sonhar
Mas a alma tão dolorida não se permite mais
E tudo fica apenas dor, não essa dor que se chora,
Que as lágrimas massageiam e logo se vai...
Mas uma dor insistente, incoerente, descabida,
E por isso se faz muito mais forte muito mais dor.
Mas a vida...a vida continua e o tempo diz:
Para viver ... não é preciso ser feliz.

José João
25/01/2.016

Quero apenas amar

Quero apenas amar, sem motivo e sem medidas,
Amar por amar, me entregar por me entregar...
Amar intensamente sem medos e sem reservas
E gritar esse amor sem nenhum medo de chorar

Amar com o amor mais louco até o mais profano
Um amor que  pode ser até mesmo incoerente
Como é todo amor inconsequente e sem razão
Tão amor que por mais devasso, seja  inocente

Não quero pensar, nem devo, pensar é buscar razão
E amar é uma divina loucura nem precisa se explicar
Como explicar?! O coração sabe sentir mas não falar.

Quero amar sem medidas, até voar se preciso for
Criar sonhos, estradas, criar caminhos, inventar
Sim...inventar... outra maneira infinita de amar.


José João
25/01/2.015

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Minha poesia em flor

Um dia, muito além do meu próprio pensamento,
Muito além de todos os sentidos, sonhei uma poesia...
Uma poesia viva, divina em toda sua plenitude...
Tão perfeita que os sonhos eram poucos para sonha-la.
Na verdade, talvez até fosse mais que uma poesia,
Talvez fosse a própria vida vestida de beleza,
Eu a fiz uma flor, divina, bela, pura, inocente, infinita,
Plantada num jardim em que ela era a única,
Tão rara sua divinal beleza que, sem ter palavras,
Não lhe pus um nome. Era  a mais bela flor
De todas as vidas...e só minha. A brisa lhe tocava
Suavemente as pétalas e perfumava todo o prado,
E a mim perfumava a vida, me fazendo flutuar
No mais belo universo criado por uma poesia perfeita.
Minha flor sem nome (nenhum nome era digno dela)
Por ser eterna ainda hoje existe, única no jardim...
Tão única, tão bela, que ao lembra-la me vêem as lágrimas
Gritando meu desespero de perde-la, num adeus dolorido,
Silencioso, que apenas´se sentiu sem nunca se dizer.
Ela, com certeza, continua bela no jardim em que estiver.


José João
19/01/2.016




A poesia que não pude escrever

    Meu Deus...onde estão o lápis e o papel?
Estavam aqui, eu os coloquei aqui, agora que preciso
Não encontro e...a poesia está quase completa
No pensamento, mas...ah! Sim o caderno...está aqui...
Mas não!!... Não tem uma folha limpa! Não é possível!
O que faço? Onde estão o papel e o lápis? Por Deus!
A poesia começa a ir embora, começa a apagar-se
No pensamento, logo essa poesia, que vinha gritante,
Eloquente, cheia de sentido contando em versos completos,
Todas as minhas aflições, saudades, falando de mim.
Decepção e tristeza, não encontrei lápis nem papel,
E a poesia se foi...aumentou o vazio de dentro de mim,
Uma sensação de perda. Ah! Um misto de angustia
E ...será raiva que estou sentindo por perder uma poesia?
Ela dizia tudo que sinto, do desespero da saudade,
Dos adeus que ouvi e disse, sem  querer dizer, nem ouvir.
Minha poesia se foi, e nunca mais volta, perdi.
As poesias não voltam. Como agora vou lembrar
Tudo que senti, toda essa falta de mim mesmo!
Toda essa necessidade de escrever essa poesia!
Que tristeza...não consegui escrever minha poesia!


José João
19/01/2.015