quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sem mundo


Me sinto perdido
Num escuro vazio
Como vento chorando
De triste no cio
Como lírio murchando
Na margem do rio
Tão seco que está
Por tão forte estio

Me mandam que cante
Para a alma alegrar
Meu canto é tão triste
Que mesmo cantando
Me ponho a chorar

A vida perdida
Na alma sentida
Que hei de fazer?
Qual ave caída
No chão tão ferida
Esperando morrer

Me perco de mim
Num mudo tão grande
Que parece sem fim
E o tempo tão lento
Parece zombando
Zombando de mim

Então desespero
Choro e não quero
De mim me lembrar
Pois de mim
Quando lembro
Por todos os poros
Me ponho a chorar

E dor bem mais forte
Tão intensa e mais
Que até mesmo a morte
Me deixa vazio
De mim esquecido
É como se fosse o tempo
Que tivesse morrido

Então eu me calo
No espaço me sento
E choro comigo
Meu sempre tormento
E até me confundo
Por tão fortes prantos
Então os ais que eu choro
Não são só lamentos

De sonhos passados
Já quase perdidos
Que deixam na alma
Tão tristes gemidos
Que em mim se fizeram
Gritos mortais
Por tão doloridos


José João



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