terça-feira, 2 de abril de 2013

Escombros

O tempo correu entre meus sonhos e minhas vontades,
Fez-se viajante em minha vida, fez-se verdugo,
Desmanchou meus castelos, reescreveu minha história,
Foi passando por sobre minhas verdades, sentimentos,
Como um mar revolto, furioso a se fazer dono do mundo,
Destruindo até mesmo as ilusões que guardava em segredo.
Tudo ficou triste, sem cor, em silêncio, como resto. Escombros,
Frios, caídos como nada, tão pequenos eram os fragmentos
Que se faziam, como trapos rotos de sonhos mortos, apenas pó.
O chão se molhava em lágrimas que regavam sementes secas
Por que a dor, por ser apenas dor, fez murchar a esperança
Que se atrofiava cada vez mais escondida num canto da alma
Que soluçava em murmúrios rezando orações desconhecidas.
Escombros, apenas isso, escombros a se fazerem chão,
A se fazerem estradas onde ninguém pode passar,
Por que a angustia se fez pedra, pontiagudas, cortantes,
Afiadas navalhas a cortar até os sonhos que iam nascer.
A tristeza, como limo, subia, crescia,  cobria os escombros,
A se fazer carinhosamente de adubo ao que ali nasceria.
O tempo queria mostrar que sobre os escombros
Pode nascer até uma flor. E a fez nascer, forte, vaidosa
Arrogante, prepotente, cruel e triste. Uma flor que o tempo,
Chama de solidão.Única flor que pode nascer sobre sonhos...
Que se fizeram, pelo tempo, apenas... escombros.


José João
02/04/2.013




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