segunda-feira, 30 de abril de 2012

Tua ausência


Fiquei perdido dentro da saudade que deixaste,
E vazio, por que levaste contigo pensamentos e desejos,
As horas ficaram mais lentas por tão tristes,
E as lágrimas fizeram  festa em meus olhos.
Teu adeus doeu tanto, que me fez sentir o mundo parar
Mas tua ausência. Esta parece querer parar a vida.
Tudo ficou triste, sem razão e sem cor,
Parece que tudo reclama tua falta, e faz doer mais
Tudo ti faz ficar tão perto... até teus hábitos
Insistem (lágrimas) em me falar de ti
Com se me quisessem perguntar porquê.
Sem respostas, apenas meus olhos choram.
Como ainda tua presença é tão forte?
Nas manhãs, lembro bem, teu café com pouco açúcar.
No banho, o sabonete, tuas curvas e a vontade...
No almoço, o garfo de cabo branco, não entendia
(teu lugar parece ainda hoje ti esperar)
No jantar colocavas teus pés sobre os meus (gostoso)
Nossos olhos falavam nossos desejos, e que desejos!
Inocentemente indecentes e ardentes...
Teu lado da cama, teu cheiro...Meu Deus!
Não aguento mais essa dor, essa saudade, essa ausência.
Acho que vou chorar... desculpem. Depois continuo.


José João

Talvez um dia


Talvez um dia ainda ti encontre
E outro horizonte seja para nós dois
A busca em que um dia nos perdemos
Pois antes de encontra-lo a nós era depois

Quem sabe nas estrelas eu encontre
A luz que ficou do teu olhar
Então no refletir de luz tão inocente
Ainda possa mesmo longe ti encontrar?

E se após tanta procura me perder
No vazio da solidão que me persegue
Serei atento em jamais ti esquecer

E por mais que a lembrança se dissipe
E por mais insistente que seja o esquecer
Estarás sempre presente, afinal quero viver.

José João

Saudade amiga


Oh! Saudade aflita, amiga que chegaste,
Porque tanto assim em mim hoje tu custaste?
Já é quase aurora e o sol à noite desperta
Com a primeira estrela já estava a porta aberta

Quantos sonhos tua falta me fez não sonhar!
E assim nem vida, ao pranto, eu pude dar
Saíram preguiçosos com não querendo falar
Pela tua falta não conseguiram se alegrar

Mas espera, saudade, em mim ainda resta
Um pranto escondido que paciente ti esperou
Também tristonho se escondeu dentro de mim
E só agora, ao ouvir a tua voz, ele despertou

Deixa que me prepare, não tenhas pressa
Espera que as lembranças chamem o meu pensar
Espera que o tempo me traga o meu passado...
Agora, saudade, me abraça e deixa o pranto chorar

Ah! Saudade amiga, querida, mas que tristeza!!
Como pôde o destino, sem razão, de mim toma-la?
Se havia de sonhar um sonho verdadeiro eu sonhei
Ninguém, sei com certeza, jamais amou como eu amei.


José João



Meu sonho mais real


Tenho tudo de que preciso, tenho a noite,
Com quem confidencío minhas angustias.
Tenho o silêncio que me deixa cantar minhas tristezas,
Tenho tuas lembranças que me fazem sorrir
(embora um sorriso triste)
Tenho a saudade que me faz lembrar de ti,
(como se fosses minha razão de existir)
Tenho tudo de que preciso.
Tenho os sonhos que me fazem ver
Que ainda posso ser feliz.
Tenho as flores que perfumam meu espaço,
Sem me pedir nada em troca - a não ser -
Minhas lágrimas para rega-las,
Tenho até o som da brisa que em meu pensamento
Imita tua voz para dizer: Te amo.
Tenho tudo... tudo de que preciso.
Tenho as estrelas que me emprestam o brilho
Para nelas ver teus olhos.
Tenho ainda no corpo a marca de tuas carícias
Que se acendem quando meu pensamento é teu.
Tenho ainda, e certamente não sabes,
Aquele beijo que me deste e que guadei
Naquele mesmo por-do-sol
Para que todas as tardes eu o tenha comigo.
Tenho tudo de que preciso, na verdade,
Tenho, até ainda, o calor do teu copo
Que guardei carinhosamente no meu corpo,
 Para me aquecer se a noite é fria.
Tenho o sol que todos os dias me dá
Um novo alvorecer com se dele tu viesses,
Tenho até a visão do teu corpo desenhado em silhueta
Quando vejo o horizonte. Como vês
Tenho tudo de que preciso.
Mas... mais forte é a ansiedade de te conhecer,
Tenho até mesmo loucura para te encontrar...
Te encontrar e te dizer: Finalmente nos encontramos!
Há quanto tempo nascemos um para o outro,
E até agora ainda és um sonho!!!

José João



Um anjo me ensinou amar

Me ensinaram o que é amar,
Mais ainda, me ensinaram amar,
Não com aquele amor que grita fácil: Te amo
Mas aquele amor calmo por ser eterno,
Silencioso por ser único, forte por ser rocha
Conferindo impassível o tempo.
Como aprendi amar!!
Um amor que transcende o corpo e o tempo,
Um amor sublime em seus milagres,
Transforma a dor da renúncia em prazer.
Difícil entender, as vezes, só a alma entende.
Me ensinaram a amar, foi um anjo.
Os anjos existem, com certeza existem,
Muitos não acreditam por não verem asas,
Seria ridículo se aqui eles as tivessem!
Cada um tem seu próprio anjo
Mas o meu é mais doce, mais terno,
Me toma todo, me enebria,
Faz minha realidade maior que os sonhos,
Meu anjo me ensinou que a plenitude do amor
Não está no dar, no receber ou no trocar,
A plenitude do amor está em renunciar
- se for preciso - Foi assim que meu anjo
Me ensinou amar. Com a alma. Por ser eterna.
E amei... amei muito mais até do que podia amar.
Mas meu anjo não me ensinou a dizer adeus...
Nem chorar a dor da saudade...
Estas aprendi só... e tão bem...
Que até hoje ainda sei.


José João

Meu silêncio, minha voz


O silêncio não está em volta
Está dentro de mim, como único.
Como apenas meu, calando meus soluços
Quase morto pelo cansaço
De tanto a saudade me fazer chorar.
Meu silêncio não é um silêncio qualquer,
É a doação do meu vazo à minha existência.
Os risos se calam, se apagam em volta de mim,
Talvez por temerem espanta-lo, ou talvez,
Por ser o silêncio mais forte, e de tão verdade
Me faria sorrir um sorriso falso,
Num rosto triste de um alma distante,
Vestida com os  retalhos do passado
Que de tão rotos não podem ser remendados
Me deixando incompleto, como se meu intimo,
Se tivesse perdido dentro dos meus conflitos.
Sou único para meu silêncio que nasceu comigo,
E tão amigo que se confunde comigo mesmo
Me fazendo não saber se é meu este silêncio
Ou se sou eu o meu próprio silêncio,
Calo por ser mais forte a duvida de nossa existência
Assim nos faço de uma fusão contínua.
Silencío até meus pensamentos
Para que o silêncio tome vida dentro de mim
Só não deixo que  me faça não pensar mais
Que um dia ainda posso, sem ele,
Continuar vivo, como sonho ainda.

José João

Doce beijo da saudade


Dos lábios da saudade sorvo teu beijo
Pela ânsia incontida de tanto desejo
Que tão eterno em mim se faz sentir
Que até na alma, assim se faz existir

Desejo que em mim jamais se fez...
Arrebata alma e coração de uma só vez
Me leva a mistério ainda tão desconhecido
Que  o próprio tempo se faz surpreendido

Que saudade tão forte que  agora me tomou
Essa ansiedade que como chama me despertou
A vontade, de pelo menos, com teu beijo sonhar
E que desse sonho não mais precise acordar.

Ah! Esse teu beijo que a saudade me deu!
Alegrou minha alma, que até se pôs a cantar
Assim nela a tristeza toda se desfez
Que sorrindo ela pede: Beija ele outra vez

José João



Meu novo rosto de cada dia


O tempo traz o lápis e a borracha,
Cada ruga que aparece em meu rosto
É de ontem... ou de hoje de manhã.
Minha juventude é apagada pelo tempo
Que sempre me desenha no rosto
Uma ruga mais jovem, perfeita até
O tempo, em mim, busca sua própria perfeição
Como artista que é.
O tempo com seu lápis e sua borracha
Apagam meus sinais dos velhos quinze anos,
Rosto que não precisava mais,
E me dá o rosto de hoje, com rugas novas
Bendito tempo que atualiza minha feição.
Todos os dias me dá um rosto novo,
Sem que gaste, sem que peça.
Por quanto tempo ainda
O tempo me dará esse prazer?
Até quando vai deixar meu rosto
Diferente a cada dia?
Sempre com uma coisa nova,
Um jovem ruga para se ver,
Como esta jovem e charmosa ruguinha
Que está nascendo no canto dos meus olhos,
Ainda ontem ela não estava aí.
Ah! Tempo, obrigado.
Que  ridículo seria aquele velho rosto
De tanto, tanto tempo atrás!

José João

Caminhos perdidos


Caminhos marcados por passos cansados
E até já molhados por prantos chorados
Que caídos  de olhos que nunca sorriram
São gotas de angustia que tormentos pariram

Caminhos perdidos, parados no tempo
Se já percorridos não dizem por quem
E os rastros, que mudos, se deixaram ficar
Até faz pensar não ser de ninguém

São idas vencidas ou vindas perdidas
Talvez percorridas em tempos distantes
Quem sabe talvez até se procuram
Mas fez o destino diferentes  instantes

São passos marcados que de retas se fazem
E os donos dos rastros se buscam chorando
Em tal desespero como quem tudo perdeu.
E se conto a história tão bem é por que
De um desses rastros o dono sou eu.

Melancolia


Em moribundo soluço a tarde silencia
Em uma triste esquina do tempo dolorosa agonia
Que o próprio sol no horizonte, triste, agoniza
E nesta hora, a saudade, minha alma escraviza

Até o mar tão sereno, hoje calmo mais que triste
Em onda, como beijos, a areia suave acaricia
E em leves sussurros como triste melodia
Minha alma inunda em triste melancolia

Deixo a vontade, que meus pés, as ondas molhem
Como caricias que há muito já não sentia
E deixo que me abrace a brisa saudosa e fria
E beijo o tempo na mais demente nostalgia

Me entrego assim ao mar profundo do silêncio
Murmuro um nome mas... quem sabe seja o vento
Que me engana mas dela, ele sabe, e sabe onde
Por mero ciume, coitado, ela de mim ele esconde

Que dia! Que sol! Mas que tarde como todas!
Leva bem distante o pensar, mais que o olhar,
Deixa à toa o pensamento, nas asas do vento voar
E deixo livre meu pranto para à vontade chorar

José João

domingo, 29 de abril de 2012

Minha poesia perfeita


Depois de tantas buscas e tentativas,
Após tantos sonhos transformados em prantos,
Tantos anos, se não perdidos, pelo menos
Chorados e tristes. Encontrei.
Encontrei minha mais perfeita poesia,
Tão perfeita que escreve-la nunca pude,
Meras palavras tirariam sua beleza,
Assim também lhes tirariam a perfeição.
Minha poesia é viva, sublime e palpitante,
Se entrega toda em forte desejo,
Paixão ardente. Em belas cores pinta a vida,
Pinta a alma. Cor de ternura, de meiguice, de amor.
Minha poesia é tão perfeita
Que antes de se fazer ouvida, se fez sentida
Tão ternamente, que me abraçando docemente
Dentro de mim se escreveu.
Não com palavras, coitadas, tão poucas,
Mas com tanta doce ternura,
Que só quem pode senti-la sou eu.
Tão perfeita é minha poesia
Que me custa te-la em segredo
Minha perfeita poesia não tem nome
Fica inocente guardada dentro de mim
Minha poesia perfeita tem começo...
Mas não tem meio e não tem fim..


José João




sábado, 28 de abril de 2012

Pra viver...amar é preciso


Pensei que aquele ponto quase sem forma,
Lá distante no longínquo horizonte
Dos meus olhos, naquele distante horizonte
Onde apenas os olhos de um sonhador
Podem chegar, fosse minha saudade
Indo embora, me enganei, apenas aumentava
Vindo em minha direção, lento, mas inexorável,
Com certeza de quem, sem  precisar pressa
Encontra a caça, e eu, para a tristeza que vinha,
Era esta. Não corri por não ter para onde ir
Que adiantaria tentar fugir da tristeza
Quando a saudade são as amarras?
Apenas me aconcheguei mais ao silêncio,
Que estava em minha volta, chamei
Minhas lágrimas, que inutilmente tentavam
Se esconder e me preparei para recebe-la,
Assim como todo homem, que por ser homem,
Não sente medo, nem vergonha de chorar,
Por jamais ter tido vergonha de dizer: Ti amo.
Se, ao caírem, minhas lágrimas em meu rosto
Provocarem risos, não vou me esconder
Atrás de qualquer falso sorriso
Por não saber fugir dos meus momento,
E nem valeria a pena tentar, de tão gostoso
Que foi vive-los. Te-los comigo me faz bem,
Mais que um apenas recordar, eles me dizem
O quanto ainda posso e  sei amar,
E se por tanto vier a tristeza, e com ela a saudade,
Por tudo que fui e ainda posso ser um dia.
Certamente, elas passarão
E mais intensamente voltarei a fazer tudo outra vez.
Por que para viver... amar é preciso.


José João


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Há de haver um mundo...


Não sei de mim, de onde vim nem que amante fui
Só sei que amei, há muitas vidas, mas não lembro
Amei tanto que busquei estrelas, hoje elas me contam
Amei tanto que até hoje choro ao lembrar desse amor
Que não sei quem é, não lembro, mas sei que existiu
Sei que até hoje existe dentro de mim, assim, forte
Como se tivesse sido o ontem  infinito e eterno.
Não sei como nos perdemos, mas ainda hoje, agora
Sei que existimos. Com certeza fui a verdade do sonho
Que não sei quem sonhou, mas foi tão intenso
Que essa perda até hoje me deixa triste, ainda choro.
Não sei que amante fui, mas ainda hoje, pelo que sinto
Haveria de andar descalço no sol se ela pedisse
Haveria de tecer nuvens, dar-lhe o perfume dos lírios
Para lhe enfeitar os cabelos.; Nunca ninguém amou assim.
Sei que existiu esse amor, mas... não lembro, não lembro
Há quem diga que tudo é loucura, amor assim não existe,
Dizem.E por que choro quando lembro? Minhas mão tremem
Meu corpo se arrepia como se ela estivesse aqui.
Porquê sonho com ela, mesmo sem lhe ver o rosto?
Porquê caminhamos em caminhos desconhecidos
Sem nunca termos estado juntos. Será que não?
Amei tanto que foi mais que muito, mais que tudo
Se para sempre? Não sei mas até hoje sei...
E sei muito bem que até minha alma chora.
Talvez seja tão puro esse amor de não sei quando
Que não nos foi permitido nos encontrarmos aqui
Há de haver um mundo em que...


Meu pensamento criança

Meu pensamento virou criança, sim criança
Aquela que corre de calção pulando entre pedras,
Molhando os pés nas poças da água da chuva,
Que brinca de empinar pipa pensando leva-la ao céu.
Aquela  criança que sobe nas mangueiras,
Que pula entre as cercas sem nada pra fazer.
Aquela criança que se senta na relva, no chão
Preocupado se vai jogar bola ou brincar de pião.
Aquela criança que vai descalço nos  jardins
Procurando um mal-me-quer pra ver ansioso
Se a menina mais bonita da vila lhe quer.
Meu pensamento virou criança, essa criança
Que sai escondido pra tomar banho de chuva,
Essa criança que provoca o cachorro bravo
Depois corre e sobe na cerca morrendo de rir.
Ah! Esse meu pensamento. Que criança ficou!!
Criança traquinas que puxa a trança da menina
Que corre sorrindo, por que nunca chorou.
Que criança é esse meu pensamento agora!
Corre nas ruas, veredas, pula cercas de quintais,
Brinca de bola, de roda, de bandido e mocinho
Brinca de pega-pega se escondendo nos bambuais
A criança que pega os sapos, mostrando pra mocinha
Quão corajoso ele é. Esse meu pensamento!
Que de repente virou criança, que pega minhocas
E vai com o anzol no rio pescar.
Pular lá pedra de ponta cabeça sem medo de errar,
Mergulhar entre os mururus sem precisar respirar.
Aquela criança de sorriso maroto, de olhar irrequieto,
Que corre, pula e vai sem se importar e pra que
Não precisa saber se o amanhã está longe ou perto
Ah! Esse meu pensamento virou criança!
E se foi no tempo pra brincar outra vez e me deixou
Sim, me deixou aqui sozinho, sem nada, esperando
Acho que quando ele voltar vai voltar chorando
Coitado do meu pensamento! Ainda não se acostumou
Em viver agora esse outro momento.
Em que as cicatrizes da vida não sararam com o tempo.


José João














quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sem horizonte



                                      Marcar o caminho
                                      Com passos e lágrimas
                                      Entre o mundo e nada.
                                      Chorar bem baixinho
                                      Por ser tão pequeno
                                      Ou por ser tão sozinho.
                                      Cair de joelhos,
                                      Em prantos, confuso,
                                      Fazer qualquer sonho
                                      Ser apenas intruso
                                      E olhar a esperança
                                      Num prisma difuso.
                                      Correndo no tempo,
                                      Um grito perdido,
                                      Montado nas ondas
                                      De um eco atrevido
                                      Que sem asas voando
                                      Como fantasma dançando
                                      Ao redor de uma luz
                                      Onde alguém está rezando.
                                      Assim fico eu mas...
                                      De dedo em riste
                                      Apontando pra mim
                                      Entre raiva e angustia.
                                     Ou talvez por tristeza
                                      Por ser ... tão... assim


                                       José João

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O estio dos meus olhos


Estio. O sol arde, as folhas se abanam e , sem vento
Choram os pássaros em seu cantar de queixume
Sussurram agonizantes os lírios em doloroso tormento
E as flores num suor insano esquecem seu perfume


Estio. Dor da seca, até os olhos ardem em opaco brilho
E se fecham na espera de uma sombra que não vem
A voz se faz seca quase rouca como um eco andarilho
Que de estrada em estrada busca o som que não tem

Eu? Fico a sentir-me parte de um momento que virá
Qual estio para o tempo de eterno tenha se feito?
Um dia virá a chuva molhando com aquele  jeito

De inundar ruas, encharcar campos e molhar jardins
Assim como o estio da chuva foi o estio dos olhos meus
Que hoje se encharcaram tristes ao lembrarem o teus.




Sejas o que preciso


Não ser aquilo que quero que me sejas
Seja talvez, aquilo que preciso que me sejas
E sendo o que preciso que me sejas
Não precisa que me sejas
Aquilo que quero que me sejas.
Sendo o que preciso que me sejas
É ser parte do que preciso pra viver
Se fosses aquilo que quero que sejas
Serias apenas vaidade do meu ser.
Diria: És o que quero que sejas
E tanto serias que ti cansarias de ser
Eu me cansaria, portanto, de apenas querer,
Mas se preciso do que sejas
Precisar já é sentir falta do que sejas,
Sentir falta do que preciso que sejas
Já é ti sentir faltando em meu viver

terça-feira, 24 de abril de 2012

Momentos




Definição de mim

Eu? Sou artista. sou verdadeiro
Para cada um que me conhece,
Sou minha multiplicidade fingida,
Sou um para cada um
E não sou eu mesmo pra mim
                                             
                                              Ocupando o vazio

                                               Dentro do vazio
                                               Daquele sonho que não sonhei
                                               Coloquei uma saudade.  
                                               Do que não sei.
                                               Talvez de mim
                                               Por tudo aquilo que não fiz
                                               Ou dos momentos que pude viver
                                               E por medo não quis

O cale-se

Haverá um dia o cale-se
De derramar-se em pranto.
Haverá um dia o cálice
Entornado num canto,
Haverá de a poesia um dia
Ser a dona de todo encanto
E eu? Eterno.
Na poesia que canto

                                              Pedaços

                                              Peguei um pedaço do nada
                                              Que estava dentro do vazio
                                              E comecei uma canção.
                                              Peguei palavras perdidas.
                                              As palavras não ditas
                                              E enganei o coração.
                                              Peguei pensamentos aflitos,
                                              Sonhos esquisitos
                                              Que rolavam no chão
                                              E com eles fiz uma história
                                              De loucura, de desejo, de ilusão.
                                              Hoje a canção de pedaços
                                              Se fez oração
                                              Só não sei se as palavras ditas
                                              Alcançaram perdão

José João


As flores ficam tão banais!!


Margaridas, tulipas, açucenas, zimias, rosas
Vergaram-se à tua passagem, envergonhadas,
Lírios e jasmins, se entreolhavam maliciosos
Com suspiros de desejos, até tanto belicosos

Os pássaros, ajeitaram a plumagem e cantaram
Cantos desconhecidos que as flores não sabiam
E a brisa, alvoroçada, e por tanto já quase vento
Dava volteios e volteios em malicioso pensamento

Até a relva se ajeitava de mansinho a si fazendo
Macio tapete perfumado de essências naturais
E à tua passagem, as flores se sentiam tão banais

Com tua beleza o mundo se faz vivo e colorido
Pobre mundo que só é belo por que estás a enfeitar
Até as nuvens do ocaso te olham loucas pra te imitar.

José João

A poesia que não fiz


Há muito ela me espreitava sutilmente
Escondida dentro de um-não-sei-o-quê,
Depois, lentamente se aproximou...
Entre cautelosa e desconfiada,
Como se estivesse me estudando,
Como se não tivesse certeza
De que era eu o poeta a quem ela,
A poesia, queria se entregar.
Sentou-se em minha frente.
Ou dentro do meu sentimento...
... Não sei... e ficou ali
Como se fosse apenas uma ideia,
Ainda sem forma, sem todas as palavras.
Com um olhar distante ou...
Quem sabe... de dúvida
Como se me achasse pequeno
Para sua tamanha beleza.
De repente ela foi embora.
Não era minha a poesia.
A poesia escolhe seu poeta. E eu!
Vou esperar a minha.
Tomara que ela seja bela também.

José João

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Um caminho qualquer


Mudo. assim como o silêncio,
Está meu pensamento
Que se recusa até mesmo falar comigo
Como se não me quisesse lembrar,
Ou talvez querendo me fazer de vazio,
Para que eu não volte sobre meus passos
Que marcaram o tempo com se fosse estrada,
Como se o destino fosse um caminho qualquer
Que saiu lá de traz  de um horizonte distante
À um outro que talvez nem exista,
Tão pálidas estão as cores do tempo.
Luto contra o silêncio. Luta tenaz
Para ouvir meu pensamento, ou que ele
Me permita um momento de loucura, que seja,
Por vezes estar louco é melhor que viver.
Quem sabe a loucura grite o que já esqueci?
Ou com ela eu sinta o que nunca senti?
Não me ocupar com receios ou medos.
Fantasmas paridos dos meus pesadelos
Pensamentos que a angustia apagou
E se restos ficaram, punhais afiados,
Sangraram o vento que um dia passivo
Meu pranto secou.
Mas ficaram marcas presas na face.
Tatuagens da vida que o tempo marcou
Que até o esboço de um sorriso criança
Nem por caridade em meu rosto ficou.

Apenas... amei


Não importa qual revolto esteja o vento,
O mar, o tempo. Não importa.
Não importa qual revolta esteja a vida,
A dor, qualquer dor que seja, é apenas dor.
Como se fosse um pedaço eterno  de tempo
Ensinando chorar, sentir, ensinando viver.
E as lágrimas? Pedaços de luz a brilhar nos olhos,
Como se fosse a alma que por eles refletisse
O íntimo de quem sabe que chorar é estar vivo
E traduz em soluços, de sonora pureza,
Uma saudade que não é dor... é apenas saudade,
Assim como um sonho que volta do sempre
Ou de momentos que insistem em ficar
Como se fossem pedaços eterno de tempo
Ensinando sorrir, cantar, lembrando de amar.
Entrar num mundo que um dia existiu,
Numa volta em que o tempo é apenas uma estrada
Marcada por rastros vivos que a saudade deixou
Como se fosse ontem o que há tanto se foi.
Assim, não há por que querer definir,
Nomear o que nem é preciso falar.
Basta apenas dizer em silêncio: Amei.


José João


Quando se perde um...


Chorando se foram esperanças perdidas
Por vagos caminhos no tempo esquecidas
Acenos tristonhos perdidos na sombra
Da sombra furtiva da dor que espreita
E dor não seria se sozinha  viesse.
Mas dor que se preza, para realmente ser dor,
Jamais vem sozinha, em confortável angustia
Traz a solidão como companhia.
E eis que então, na alma o pranto,
Afagando os olhos que já nem mais sorriem
E se luz refletiram que dor tão mesquinha
Que ao brilho apaga e reina sozinha,
E se há de ser canto o sussurro que vem
Num triste gemido no peito escondido
O canto se cala e chora também.
O verde se apaga como luz moribunda,
Como luz no ocaso, que quase não tem,
E um sino aflito chorando tristonho
Seis lágrimas que tinem se perdem no espaço
E não caem no chão.
Chorando ficaram coração e saudade.
Num triste abraço se juntam em hum,
E até se confundem no pequeno espaço
Que por caridade a vida deixou.
Um peito vazio onde o tempo não passa
E por mais que se faça a solidão acha graça
E brinca de esconde entre dor e sofrer.


José João

Pago em lágrimas


Oh! Dor, tão sagaz que me engana tanto
Se veste de saudade e me derrama o pranto
Se mescla com a tristeza e me devora o canto
Me deixa que a vida já não tenha mais encanto

Me sufoca, me oprime, e cruel dilata o tempo
Que vagaroso se arrasta se fazendo de tormento
A cada segundo se faz eterno por ser tão lento
Como se em mim a vida nada mais fosse que lamento

Quem dera fosse como o amor, sempre  tão fugaz
Que se vai ao tempo, se perde, e não volta mais
Porquê dor não és, pelo menos, igual ao vento?
As vezes uma leve brisa passeando ao tempo?

Porquê ti fazes tão forte nas pobres almas tristes?
Que em si até a vida já nem sabe se existe
Porquê dor? Que ti fiz? Que fiz contigo?
Será o destino que a mim ti impõe como castigo?

Que castigo a mim o destino tem para impor?
Se em remoto passado ele mesmo de mim tirou
Sonhos verdadeiros de tão forte sentimento
Que a alma, com prantos, penso que já pagou

Se por ventura ainda hoje haja saldo a resgatar
Não me imponho a todo débito, e bem pagar
De dividendos a alma sabe o que queres aceitar
Então dá um tempo para prantos ela criar

E assim, destino, a sentença que me impuseste
De pagar até em dobro essa dívida, não faço rogo
E nem tão pouco pedir para esse débito aliviar
Pago os milhões e os tostões em lágrimas que vou chorar

Já não sei o que procuro


Oh! Distância infinda que nos separa
Talvez nem o tempo a nós separe tanto
Talvez por isso, em mim, minha saudade
Corre em minha alma e nela busca meu pranto

Oh! Cruel distância! Mais de espaço que de tempo
Oh! Angustia, vinda em entristecido pensar
Que me leva a quanto tempo em mim passado
Fazendo que o desespero ande sempre do meu lado

Que em conflito com a saudade me desperta
Pranto que pensei, há muito, já haver chorado
Mas que renasce mansamente e em silêncio
Como se em minha alma os tivessem tatuado

Oh! Dor que imposta pela distância
Em sofrimentos me fala a vida a verdade
Me tiraria da alma a vontade de existir
Não fosse o aconchego da saudade

Ainda assim vai meu grito em desespero
Como se da alma partisse tão forte apelo
Entre passos pedaços de mim ao tempo atira
Como se a mim mesmo me deixasse uma trilha

Para buscar tão longe, já o que não sei
tanto de mim perdei em horizontes já passados
Que sorrateira se aproxima lentamente a loucura
Que já não sei se  estou à minha ou a tua procura


Paixão ou loucura


Quem sabe te encontre ontem
Num sonho que amanhã vou sonhar?
Quem sabe te encontre sempre
Na minha loucura de te amar?

Louco esse sentimento incontido
Ou louco sou eu que te trago comigo?
Loucura da alma desde muito vagar
Que não vive sem ao menos contigo sonhar

Louca é a vida que me faz de mendigo
Implorando migalhas, um olhar sem sentido,
Até um beijo, apagado, sem gosto de nada
Um sorriso, ainda que seja de compadecido

Aponta meu rosto com dedo em riste,
Com olhar de rancor, raiva ou até piedade
Pisa meu corpo, faz de inseto, se quiseres
Não importa, meu sentimento não tem vaidade

Trocaste a palavra é orgulho e não vaidade
Assim me dirão, assim vou ouvir - mentira
Também vou gritar - tanto por ela vivi
Até finjo que orgulho jamais conheci

Vai, me vira as costas mas vai devagar
Assim como se o tempo não fosse passar
A dor, se vinda de ti é carinho
Feliz é meu pranto que por te vai chorar.

José João

Outra vez o passado


De muito atras o tempo me chama
Com palavras já quase esquecidas
Com sonho de datas vencidas
Despertando lágrimas adormecidas

De muito longe o tempo me lembra
De momentos já quase perdidos
Que minha alma relutava em lembrar
Que meu pranto não queria chorar

Mas agora me chega em tormentos
Como se o tempo não quisesse passar
Como se hoje não fosse a verdade
Do ontem que insiste em voltar

Assim, em mim, a saudade desperta
Como se não fosse preciso esquecer
Como se lembrar momentos passados
Fosse o mesmo que voltar a viver

Então em conflito minha alma se perde
Sem saber o que deve, do tempo, fazer
Se ficar no passado e com ele sonhar
Ou ficar no agora, e agora chorar

José João



Eu?... Sou apenas...


Eu? Sou apenas um vagabundo
Que se senta no nada
Fazendo poesia pra lua,
Bebendo sonho e solidão
Deitado com ela na lama da rua
Como boêmio que na noite
Desnuda a poesia para vê-la nua.
Sou um contador de histórias,
Histórias que não existem,
Que ninguém conta,
Por que ninguém quer ouvir.
Histórias alegres, histórias tristes,
Poesias sem rima que para entender
Se tem que viver, se tem que sofrer.
Sou um sonhador, inveterado até.
Sou também inventor...
Invento sonhos, cantos e contos,
Invento sorrisos, sou até fingidor,
Finjo que choro, finjo sorrir,
Finjo até sentir dor.
Vagabundo, sonhador e fingidor
Entre eles sou apena uma história
Que ninguém conheceu... nem contou.

Se um dia...


Se um dia
Um milagre acontecer
Dos teus olhos
Olharem os meus e neles ver
Que, querida
Não existe neste mundo
Amor maior que o meu.
Se um dia
Você me perceber
Vai ouvir um anjo ti dizer
Que ti amo, querida
Como nunca amei ninguém.
Se este dia ...
De milagre então chegar
Os meus olhos...
De alegria vão chorar
E assim saberás, querida
Que meu amor é maior
Que o céu e que o mar.
Mesmo sendo o universo infinito
Por ti meu amor vai crescendo
E aflito
Por não saber... por não saber...
Se no universo vai caber

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um quadro vazio


Buscar sorrisos em sonhos mortos,
A dor cavalgando a alma em cruéis galopes,
Lágrimas rolando soltas no rosto triste
E a solidão gritando estérica, num silêncio mórbido,
Que as cicatrizes da alma se fizeram chagas.
A tristeza canta canções em sussurros largos,
A angustia em frenético gozo, num indecente coito
Com o nada, pare indolente sonho que nasceu morto.
E o pensamento corre em lembranças tropegas
A procurar momentos que se foram ao tempo.
A alma em desespero,  grita orações perdidas
Que se fizeram eco em horizontes que ninguém vê.
E patético, um suspiro clama entre os  soluços
Que se fazem canto, que se fazem reza,
Que quer fugir do peito que agora arfa sem poder gritar.
O tempo se pinta em cinza, a alma se pinta em dores,
Assim um quadro se faz pintado em tom sobre tom.
Tentando um fiel retrato, num espaço que o tempo
Se faz cinza... se faz preto... se faz marrom


José João





quarta-feira, 18 de abril de 2012

A valsa da flores


Do vento, a voz, me cantando hinos que não conheço
E até caricias me faz o vento nem sei se mereço tanto
E diz o vento que é tanta a solidão que vê em mim
Que por solidário, prepara a voz e me canta um canto

Nas árvores as folhas como mãos erguidas a mim acenam
Balançam como um convite para com elas eu ir dançar
Mas como? É outro canto o que o mundo me permite ouvir
É um canto tão diferente que uma só nota me faz chorar

Insistem as folhas, as flores num inocente valsar alegre
E o vento como maestro de si mesmo tira alegres cantos
Mas dançar com eles quem insiste são os meus prantos

Lágrimas que em orgia de festa infinda me tomam o brilho
Dos olhos que ainda ontem como estrelas brilhavam tanto
Hoje, da voz do vento, se  fazem apenas rouco estribilho

José João







Por tudo que não fiz


Buscar os pensamentos que ficaram perdidos no tempo
Procurar rastros já apagados nos caminhos que percorri
Aguçar a alma procurando ouvir o eco de gritos que gritei
E rezar outras ladainhas com orações que não rezei

Ir buscar lá dentro, onde o esquecimento guarda as coisas
Em baús empoeirados, invisíveis, rotos por tantos guardados
Lá bem dentro, onde só se alcança com a dor da saudade
Os tantos sonhos que hoje caducos se fazem  eternidade

Busquei entre dores e remorsos os eu te amo que não disse
Os sorrisos que não quis sorri e os acenos que não dei
Procurei tudo isso. A falta que  me faz... só agora eu sei

Talvez se eu não tivesse negado tanto hoje tivesse algum
Sorriso para receber, beijo pra dividir, abraço para aquecer
Talvez não sentisse agora toda essa tristeza... esse  tanto sofrer.

José João









O fingidor


Dizem que sou poeta, mas será mesmo que sou?
Não sei se falo verdades ou se sou um fingidor
Não sei se o gosto do beijo aquele que não te dei
Talvez tenha sido dado, a outra que não neguei

E este meu sorriso largo no meu rosto tão alegre
Juras que é de tanta felicidade, se dizes deves saber
Mas o que digo eu? Se este sorriso dizes que é teu
Embora minha alma diga ser de um amor que já morreu

Dizem que sou poeta, mas poeta! Não. Será que sou?
Se choro digo: É a dor que ontem alguém me contou
Dizia que doía tanto que até agora choro essa dor

Se rio as vezes nem sei porque, e rio mesmo porquê?
As vezes choro sem ter nada sem sentir nenhuma dor
Dizem que sou poeta, hahahahaha eu sou mesmo é
                         FINGIDOR

José João





terça-feira, 17 de abril de 2012

Os dois lados de mim



Um lado de mim é colorido como viçoso jardim
É estrada e horizonte em campos que não têm fim
As pedras da outra margem é o outro lado de mim
São marcas de tristezas que o tempo deixou assim

Um lado de mim é luz em poemas que a amar induz
Sou a rima mais perfeita do verso que ainda não fiz
O outro lado de mim escreve estrofes sem ter rima
Canta versos sem motivos coisas que a alma não diz

Um lado de mim é verdade a mais pura que pode existir
O outro lado é mentira, é a melhor caricatura de mim
Um lado de mim te olha nos olhos o outro só sabe fingir


Um lado de mim são sonhos mais belos que podem sonhar
O outro lado de mim é pesadelo que te faz medo dormir
Um lado de mim faz sorrir o outro sorrindo só faz ... mentir.

José João

Um desenho de mim



Minha vida é assim como escreve o destino
Lágrimas, risos, sonhos, voos pelo tempo
Passos deixados por caminhos que não passei
Mas, não sei porquê, caminhos que eu sonhei

Minha vida é assim "colorida" em preto e branco
Em pinceladas duras, frias, pintada sem pincel
Em ranhuras profundas marcadas na alma
Como cicatrizes abertas feitas com um cinzel

Assim o destino, brincado, minha vida escreve
Molhando com minhas lágrimas a ponta do cinzel
Desenhando na alma como se ela fosse papel

Dores, lágrimas, risos, até sonhos não sonhados
Poesias sem rima, quantos versos inacabados!
Pelo destino, como verdade, todos foram pintados

José João










sexta-feira, 13 de abril de 2012

Estranha maneira de te amar




Estranha, essa maneira de minha alma te amar!
Chora, ri, é feliz,  sente medo, passa horas pensando em ti,
Me faz rir sozinho, numa sublime loucura, olhos lacrimejam
Quando lembro dos momentos que só contigo vivi.

Estranha, essa maneira de minha alma te amar!
Amor ou loucura? Uma vontade louca de estar contigo
Um sorriso me lembra o teu, uma voz me lembra tua voz
Qualquer brisa que me acaricia me lembra de nós

Ah! Essa minha alma! E essa estranha maneira de te amar!
Me faz homem, me faz menino, me faz seguro de viver,
Me deixa inseguro, até por ser feliz, me ponho a chorar...

Essas lágrimas alegres que nos pintam o rosto de ternura
Esse jeito de ver a beleza do mundo e por nada cantar
Ah! Que estranha maneira essa de minha alma te amar!

José João

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Soneto do amor maior




Hei  de te amar por toda vida, e ainda mais
Se outra vida me permitirem de viver
Haverei de beber no oceano do teu corpo
Todo teu gosto, todo teu sabor a meu prazer

Hei de te fazer a mais sublime e divina oração
Te farei a cada segundo um mundo de eternidade
E a te permitirei ocupares todo meu coração
Como se fosses, da vida, a única necessidade

Te farei que sintas o mundo todo a teus pés
E até me farei, se quiseres, tua estrada
Me farei que eu seja tua vontade encarnada

Te amo tanto que me atentarei ao teu sentir
Do menor desejo que possas um dia querer
Nele me transformarei só pra te fazer viver

José João

A dor da noite


Lentamente a noite esvaindo-se vai,
Com ela uma a uma as estrelas obedientes
Também vão dormir ou esconder-se. Onde?
Talvez em outros sonhos tristes e carentes


Quem dera com a noite fosse a dor
Essa minha dor tão forte e solidária
Que me deixa no pensamento dores cruas
E na alma dolorosas  cicatrizes nuas

Noites em que sonhos são resquícios mortos
De momentos que se foram e ... se vividos
Foram simples pedaços de vida no tempo perdidos

São noites em que a solidão toma forma viva
Condensa-se, e  tão forte que lhe ouço o respirar.
Se aproxima tanto, que lhe sinto o abraçar

domingo, 8 de abril de 2012

Eu e João




-Hoje não vou chorar, não faz mais sentido.
Lágrimas,. lágrimas. E se eu cantasse?
-Mas cantar o que João? você nem sabe cantar.
-É. Não sei cantar, então o que posso fazer?
-Quem sabe escrever uma poesia, alegre, claro.
-Mas como vou escrever uma poesia alegre?
Tudo que vejo é um mundo preto e branco,
Um mundo de lágrimas, sem horizontes, olha as flores.
Sem cor, sem brilho, parecem sem vontade,
Até mesmo de serem belas, perderam a vaidade.
-João, só você esta vendo o mundo assim,
Eu estou vendo tudo diferente, bonito, alegre
Ouve a brisa, sente a caricia dela no rosto e...
-Ouvir a brisa... estou ouvindo, até ouço o que diz,
Ela está dizendo: João, mais lágrimas, anda,
Mais lágrimas, João. E o que dizes de caricia no rosto
É um sopro dela para que as lágrimas
Voem mais longe. Em que mundo você está
Para ver tudo belo?
-Estou num mundo de amor, de poesias, de sonhos.
Estou num mudo colorido onde o sol brilha,
Onde os amanhãs com certeza virão brilhantes
Convidando para serem vividos, estou num mundo assim.
-Eu não estou vendo esse mundo.
Você, com certeza, está sonhando, um mundo assim? Ra!
-Sim, é num mundo assim que estou, cheio de vida,
Por falar em vida, João, tu estavas nas nuvens outro dia.,
O nome da "nuvem" era Amarilis, não era? Onde ela está?
-Não sei e não quero saber, passou, nem deixou saudade e...
-João, vira pra mim, você está chorando?
-Você é louco cara? Eu chorar! É o vento.
-Está bem,. é o vento...mas e Amarilis?
-Chega cara, chega.


José João

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A poesia que a tristeza escreveu

Pensamentos se vão perdidos voando soltos,
Seguindo rastros em caminhos entre nuvens,
Como se  estas pudessem ser marcadas
Por passos, por lágrimas ou saudades.
O espaço se comprime dentro do peito,
Que se faz mundo para suportar a dor,
Essa dor que invade a alma, que fica
E faz morada como se dona do tempo ela fosse.
Tudo é triste, a casa vazia se enche de silêncio
E uma angustia tão grande quanto densa
Toma conta  de um coração em que o pulsar
É apenas uma outra maneira de chorar.
A casa se faz imensa, as portas se fazem grades
E as janelas são como meus olhos, abertos,
Mas sem nada ver... olham para o nada...
Dentro de mim como se eu fosse uma casa vazia
A solidão aplaude os versos que a tristeza recita
A angustia pede bis, mas a tristeza diz não,
Quer recitar versos novos, diz que tem tantos,
Como se cada uma de minhas lágrimas
Fosse luz em sua inspiração. Ah! Saudade!
Vou olhar estrelas, talvez assim, quem sabe,
Uma me grite alegre: Me olha ... me olha
Sou o reflexo dos olhos dela.

     José João








quarta-feira, 4 de abril de 2012

Muito além



Muito além de qualquer desejo, de qualquer sonho,
Muito além das estrelas, muito além de qualquer vida
Tu estás. Além, muito além das lágrimas, das lembranças,
Tu estás muito além. Ti vejo num mundo colorido,
Num horizonte distante onde flores brincam de cantar
Teu nome, como se fosses anjo brincando de ser o sol.
Muito além do tempo, desse tempo onde a eternidade
Se fez tão pouco, desse tempo que  eterno foi ontem
Quando eramos nossas próprias vidas.
Tu ficaste além do esquecer, além, muito além
Que qualquer ontem, que qualquer passado,
Que qualquer existir. Tu ficaste muito além da vida.
Sei que me esperaste, sinto agora teu desespero.
Perdoa. Não voltei. Ah! Se naquele sonho
O mundo parasse! Se naquele sonho o tempo voltasse!
Mas tudo está tão além de...mim, tão além de tudo,
Choro sempre, minha alma grita tua ausência,
Chama teu nome reclamando tua presença
E tu estás além, muito além do que não vivemos,
Dos sonhos que sonhei. Muito além de tudo
Só não das lágrimas que ainda não chorei


José João











segunda-feira, 2 de abril de 2012

A perfeição.



Na luz de teus olhos as estrelas se fazem tão pequenas,
E não pela distância, é que teus olhos são de uma luz
Mais que divina, angelicais portas de tua própria alma
Que se mira no por-do-sol, deixando-o rubro, sem jeito
Quando percebe que ele rouba tua beleza para se fazer
Ocaso. Belo, puro, inocente, assim como és.
As flores, coitadas, se curvam se perto delas tu passas,
Baixam os olhos, não sei se por inveja ou vergonha
Tentam se banhar com seu melhor perfume ...
Mas o teu é enebriante, divino, perfume dos deuses.
Lustram suas pétalas e luzidias todas se envaidecem
Mas tua pele macia como nuvem de verão,
E brilhante como o olhar de um deus amante
Se faz muito mais bela que qualquer flor
Tanto que os passarinhos ti fazem festa,
Cantam  canções criadas pra ti, doces canções
Que as flores nunca ouviram, e assim
Se escondem nos cantos dos jardins, tristes,
Chorosas, mas que fazer? Um dia talvez entendam
Que tu és ... tudo de belo.


                 José João


domingo, 1 de abril de 2012

Não queria dizer adeus



Ah! Como não queria dizer adeus!
Mas as vezes é preciso, se não houvesse adeus
De que serviriam as lágrimas, a saudade,
As lembranças e as recordações?
De que serviriam os sonhos?
Ah! O adeus, sempre triste mas sempre presente
Como se se fizesse necessidade da própria vida.
Adeus. tão difícil de dizer e tão fácil de sentir,
Deixa aquela dor doida que fica sempre.
Deixa aquela solidão que não se perde da gente
Como constante presença em qualquer lugar
E em todos os momentos.
Como o adeus fica dentro da gente!
Mentindo, gritando que é saudade,
Chamando lágrimas, chamando angustias.
Passeando comodamente no pensamento
Como se fosse dono da verdade e da razão.
Como a gente sente o adeus!
E nunca se pode dizer se ele é maior
Em quem fica ou quem parte.
Porque o adeus não é apenas uma palavra?
Porque o adeus se faz de tanto?
De distância, de saudade, de dor, de lágrimas,
Se faz até de um vazio tomando conta da gente
Como se um aceno fosse um grito da alma.
Tomara que para nós seja só uma palavra
Que se diz... apenas por dizer.

José João

Pelo teu perdão

Perdoa, Te diria, se a voz me permitisse
Diz-me o que fazer para teu perdão conseguir
Se queres, ajoelho aos teus pés e sem orgulho
Te farei bem mais do que possas me pedir

E se ainda for  pouco os muitos e os tantos
E se te contenta perdoar-me pelos prantos
Se por copiosos me faltarem, terás meu sangue
E ainda, como lágrimas, terás triste o meu canto

Que queres que te diga? Que te faça? Diz agora
Que este agora farei, se quiseres, para sempre
E atento estarei por toda vida a  contentar-te
Que ti farei de oração sempre pronto a rezar-te

Se ainda o que pedires ti for pouco a perdoar-me
Te imploro que imagines o que mais possas querer
Por impossível que pareça, jamais me trará rancor
Se pedires meu coração, se te contenta, eu te dou

Se me fechares os olhos por tamanha perda vital
Ainda assim, pega-o com carinho e nele presta atenção
Que com certeza logo hás de me dar o teu perdão
Ao vê-lo tão contente, saltitando alegre em tua mão

José João
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