segunda-feira, 23 de abril de 2012

Pago em lágrimas


Oh! Dor, tão sagaz que me engana tanto!
Se veste de saudade e me derrama o pranto
Se mescla com a tristeza e me devora o canto
Me deixa que a vida já não tenha mais encanto

Me sufoca, me oprime, e cruel dilata o tempo
Que vagaroso se arrasta se fazendo de tormento
A cada segundo se faz eterno por ser tão lento
Como se a vida nada mais fosse que lamento

Quem dera fosse como o amor, sempre  tão fugaz
Que se vai ao tempo, se perde, e não volta mais
Porquê dor não és, pelo menos, igual ao vento?
As vezes uma leve brisa passeando ao tempo?

Porquê ti fazes tão forte nas pobres almas tristes?
Que em si até a vida já nem sabe se existe
Porquê dor? Que ti fiz? Que fiz contigo?
Será o destino que a mim ti impõe como castigo?

Que castigo a mim o destino tem para impor?
Se em remoto passado ele mesmo de mim tirou
Sonhos verdadeiros de tão forte sentimento
Que a alma, com prantos, penso que já pagou

Se por ventura ainda hoje haja saldo a resgatar
Não me imponho a todo débito, e bem pagar
De dividendos a alma sabe o que queres aceitar
Então dá um tempo para prantos ela criar

E assim, destino, a sentença que me impuseste
De pagar até em dobro essa dívida, não faço rogo
E nem tão pouco pedir para esse débito aliviar
Pago os milhões e os tostões em lágrimas que vou chorar

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