Para mim, a vida continua tendo pausas e seus momentos
Os meus, são os mesmos, não mudaram, ficaram em mim
Ainda sinto a ternura do primeiro beijo, foi num jardim
Ainda vejo a primavera, sempre florida, com novas flores
De cada uma, ainda lembro o sabor doce de seus perfumes
A algazarra dos pássaros no alvor do dia, cantando hinos
A alegria das borboletas e beija-flores, ainda é costume
Nas noites, os vagalumes, como nossas estrelas luminosas,
Iluminavam, cintilantes, o campo numa orgia de luzes.
O rio, cantando uma canção que ninguém sabia, só ouvia
Lua e estrelas refletidas no rio era outro céu, a gente via
Agora dizem, antes a vida tinha pausa e momentos únicos,
Se tudo isso era uma pausa que vida dava para vivermos
É de lamentar, não mudou, essa pausa ela continua dando
Nós é que nos perdemos, a tudo isso não estamos olhando
Aí dizem, o tempo fica mais lento, se se vive coisas novas.
Coisas novas, para quê? Não se ama mais como antigamente
Quem ainda sabe dizer: eu te amo, com a alma em risos?
Quem, hoje sabe dizer: que nosso amor viva eternamente?
Aquele lugar, esse lugar que agora chamam de antigamente,
Que bom! Ah! Quem dera pudesse voltar! Lá eu era gente,
Trouxe muito de lá, aprendi que o tempo conta os momentos
E cada momento que se vive, com certeza, é um novo presente.
José João
04/04/2.026