quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O silêncio... nem sempre é ausência

 Sentado, na beira da tarde, fico conversando com o tempo.
Passamos horas a conversar, só nós, num gostoso silêncio
Ele traz coisas que havia esquecido, já quase perdidos
Por vezes diz o que, por mim, havia passado despercebido

As vezes, penso, me acham louco por conversar sozinho
Não sabem que o tempo, vestido de saudade, é companhia,
Também não sabem que o silêncio nem sempre é ausência
O silêncio é tão suave... tem a perfeição de uma sinfonia

Com o silêncio, escuto a alma a me contar suas histórias,
A brisa suave, a me roçar o rosto, como fosse carícias,
Sem precisar de palavras, irônicas e cheias de malícias

A mim, o silêncio, sempre quieto, não quer dizer ausência
Ele apenas emudece para que a vida  diga o que é preciso,
Nem sempre estar só, em silêncio, ouvindo a alma é carência

José João
01/01/2.025

Tu em mim... és maior que eu

Amo-te tanto... até esqueço de viver e não me assusto
Porque haveria de querer minha alma se ela já é tua?
Meus sonhos! Para que os quero se sonho com os teus?
Palavras para dizer tanto, não as tenho, são poucas e cruas.

Tu estás em todos os sonhos que me fazes sonhar contigo
Em todas as saudades que sinto a derramar-me todo em ti
Na brisa, que passa cantando teu nome, tem teu perfume
Gritando a lembrar de tudo, como se esquecesse o que vivi

Para ti, tenho que buscar palavras se não o fizer, não digo...
Quem dera pudesse encompridar o tempo, do hoje e amanhã
Fazer apenas um dia, mas que passasse lento, cantando alegria

Não essa de risos soltos que se mostram no rosto e nada dizem
Mas aquela em que alma se faz casta, pura, indecente e nua
Mas imaculada e bela. Como fosse um anjo brincando na rua

José João
01/01/2.025

domingo, 28 de dezembro de 2025

Um só aceno... deixa a poesia viva

 Que querem que eu faça de mim? Que eu grite?
Que vá pelas ruas gritando que meu pranto secou?
Isso não interessa a ninguém, é só meu o pranto
Ou finja dizendo que minha alma nunca chorou?

Se nas poesias que faço os versos choram por mim,
Que culpa tenho? São as palavras que se fazem vivas
Se as linhas se misturam costuradas entre rimas rotas
Não é culpa minha, é a tristeza trazendo palavras soltas

E assim vou, sem me preocupar se a poesia é triste,
Se os versos são longos, são curtos ou são costurados
Com tristezas, saudades, se ficam perdidos no tempo

Se são chorados, se nos versos encontram lágrimas,
Saudades que nunca foram esquecidas ou... estão vivas
Um só coração que me ouça já me deixa a contento

José João
28/12/2.025

Para ter belos sonhos... é preciso ter chorado

 Ah! Como é fácil sonhar! Buscar sonhos no tempo!
Fazer que sejam coloridos, cheios do que se quiser,
Ternas carícias, doces beijos, palavras que a alma fala
A ternura de ouvir os olhos dizerem o que ela não cala

Ouvir o silêncio contando histórias que se quer lembrar!
O sussurro do pensamento trazendo lembranças vivas!
Tudo fica tão perto, tão dentro da gente, o mundo para
E a vida grita dizendo que viver é o mesmo que amar

Tenho meus sonhos guardados, os que sonhei estão aqui
Os que vou sonhar estão nascendo da saudade que sinto
Saudade e tristeza fabricam belos sonhos, isso eu aprendi

Para sonhar belos sonhos é preciso um dia ter chorado
Que alma tenha feito que os prantos pintassem a vida
Assim nascem sonhos coloridos todos por ela moldados

José João
18/12/2.025

Hoje não tem poesia... volte amanhã

 Tirei o dia de hoje para não fazer nada... NADA,
Opa! Estão batendo na porta. Quem é? O que quer?
Se for açúcar, não tem. Não tem café também.
- Não, vizinho, não vim lhe pedir nada disso...
Vim apenas pedir uma poesia, o que custa, não é?
-UMA POESIA!!!!! Hoje não vou fazer nada,
Nem poesia.... volte amanhã, amanhã...
- Mas vizinho... - AMANHÃ, hoje não posso.
Ora vejam... ontem a saudade veio cheia de prantos,
Chorei sentado no jardim conversando com o tempo.
A tristeza e a solidão chegaram cheias de ironia...
Trouxeram com elas, um silêncio que doía na alma,
Um vazio que me tomava todo, me fazia tremer, 
As palavras, as rimas todas á minha disposição
Como se brincassem comigo de bem me quer...
Uma angustia cheia de conflitos e incertezas...
E... ninguém veio pedir poesia... hoje, logo hoje
Que não quero fazer nada... pedem poesia..
VOLTE AMANHÃ... hoje não sei fazer poesia.
-E eu que pensava que poeta só sabia fingir...

José João
28/12/2.025

Hoje não quero fazer nada... nem poesia.

 Hoje, quero não fazer nada, sim não fazer nada.
Quero apenas sonhar... é fazer alguma coisa?
Correr entre jardins, mesmo sentado no tempo,
Brincar de fazer  o pensamento buscar histórias...
Saudades, sonhos, só isso, não quero fazer nada...
Hoje, decidi, hoje o dia é só para não fazer nada...
Nem poesias. Pensei ir conversar com as flores...
Mas ir, já é fazer alguma coisa, conversar com flores
É fazer uma outra coisa e não quero fazer nada...
Vou imaginar poesias que devem estar soltas por aí
Volteando com a brisa, passeando no horizonte,
Brincando de se completar em versos com rimas...
Até que chegue o amanhã e nele faça alguma coisa.
Por enquanto, vou apenar ficar aqui, sem fazer nada.
Ah! Se virem uma poesia solta por aí... diga-lhe
Que venha amanhã. Só amanhã vou estar disponível.
Hoje ... não quero fazer nada... nem poesia.

José João
28/12/2.025