quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Eu. Um resto de homem

Eu? Eu sou um resto de homem, que cheira a noite
Deitado na calçada, fazendo versos vazios e sem rimas
Para os sapos e pirilampos brincarem de não ouvir.
Sou aquele que faz amor com a lua na lama da rua
Onde ela se deita misteriosa, despudorada e nua,
Ouvindo meus poemas de palavras rotas e cruas.
Sou o espectro de um raio de luar perdido na escuridão,
Fazendo sombras entre as folhas que o vento balança,
Cantando canções sem começo, meio ou fim.
Vim de longe, lá de onde um adeus faz a vida
Ficar tediosa e cheia de defeitos, faz os olhos
Chorarem aos gritos dores que a alma sente,
Faz as mãos tremerem lívidas, carentes,
A se esfregarem sofregamente como se fosse carinhos.
Faz as lágrimas se tornarem fontes e... prantos
Se tornarem rios...e o rosto? A se contorcer em careta demente
Como se tivesse vergonha de ser...o rosto da gente

José João
06/08/2.014



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