sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Alguém vive assim?



Quem já respirou espinhos quando um adeus lhe feriu
Todo o peito, lhe rasgou a carne, lhe tomou o coração 
E deixou a alma caída num canto da vida, perdida
Entre os próprios escombros?
Quem se sufocou nas próprias lágrimas que caiam
Como pétalas de flores mortas a rolarem no chão
Sem vida e sem perfume?
Quem já ouviu o silêncio do mundo que calava
O grito desesperado de uma alma perdida no nada
Chorando suas angustias em orações rezadas
Com a aflição dos pecadores  que sabem
Nunca vão ter perdão?
Quem já engoliu seu pranto para enganar os olhos
E faze-los ver apenas uma miragem de horizontes
Que se faziam desenhos numa imaginação de loucura
Criada pela demência de uma dor forte, cruel
Como a espada de um carrasco que lhe sangrava,
Do peito até a alma, numa dolorosa e impiedosa incisão?
Quem já correu sozinho por praias desertas
Buscando no horizonte, pelo menos vultos, 
Ou até sombras difusas, confusas de nuvens passageiras
Que lhe fizessem pensar não estar só?
Quem no silêncio frio da solidão angustiosa da noite
Esfregava freneticamente as mãos adormecidas
Fingindo que eram carinhos de alguém?
Quem já pediu clemência para a morte, e como resposta
Ela diz apenas: Mas já estás morto! Apenas...estás.
Quem, como eu, vive assim?


José João
30/11/2.012


Um comentário:

  1. Belíssimo,João!

    Penso que não se trata de um texto sobre vc,pois muitos dos que escrevo não são a meu respeito e sim observações de outras vidas.

    Mas na vida real,muitos passam poe essa situação de dúvidas e perguntas sem respostas.

    Digo isso pq sou psicóloga e esse problema de indagações consigo mesmo,é muito comum.


    Parabéns pelos blogs e seus trabalhos escritos.


    São belíssimos! Todos!


    Um excelente fim de semana


    Bjs


    Donetzka

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