quarta-feira, 31 de maio de 2017

Minha solidão

Diz-me, solidão infinda, porque tanto me tens?
Porque me fazes perder-me de mim e vagar?
Porque sempre, sem que eu peça, a mim vens
Com tristezas e esse tanto pranto para chorar?

Porque me cercas com esse mórbido silêncio
Que se faz vazio espaço a me tomar o tempo?
Porque me deixas a mercê de tanta angustia
Que nem rezas, nem saudades trazem alento?

Perco-me dentro de te em comovido sentir.
Dou-me a fazer de mim descabido resto
Do que fui e, mudo, oro sem saber o que pedir

Talvez, se houvesse sobrado resto de saudade,
Uma lembrança, um momento, um lembrar,
Assim, talvez, solidão, até eu pudesse sonhar.


José João
31/05/2.017


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