terça-feira, 8 de março de 2011

A tarde





Todos os dias
A tarde se faz um verso diferente.
Sempre belo. As vezes melancólico,
Outras vezes triste,
As vezes com cheiro de mato,
Outras vezes com cheiro de saudade,
As vezes o vento canta,
Outras vezes o silêncio chora.
A tarde se faz sempre um verso.
As vezes infinito, outras vezes eterno,
As vezes se prepara como noiva
Com grinaldas de jasmins nas cercas,
Com damas-da-noite se abrindo em véus,
Com pássaros cantando alegres
Valsas que ninguém conhece.
E eu sentado no quintal,
Na raiz de um ipê florído,
Também me sinto um verso na infinita
Beleza de um sertão atrevido.


José João

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