terça-feira, 8 de março de 2011

A noite





Não há de ser a noite
Apenas inspiração,
Lua, bar e boemia,
Mistérios, versos e rimas,
A noite é também poesia.
Silenciosa dama prostituta
Deitada no tempo
Despudoradamente nua,
Gozando nos versos do poeta
Que se deita bêbado na rua,
Com voz pastosa rimando estrófes
Sussurrando blasfêmias da vida crua.
E a lua? Louca ouvindo aflita
Um verso frio que o poeta grita
Como se a poesia fosse hipocrisia
Se não fingisse, ao dizer com ela,
Que amar a puta é uma eresia.
A beata? Triste é que se consome
Num sonho morto de um amor sem nome,
E o rijo corpo de suaves curvas
Sofregamente o tempo come.
Assim se faz da noite um poema ardente
Que abre o ventre tão docemente
Ao poeta bêbado e indecente
Que em seu colo dorme tão inocente.

José João

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