domingo, 21 de janeiro de 2018

Ainda hoje

Já caminhei por estradas vazias, perdido no nada,
Até mesmo perdido de mim, estradas sem margens,
Chão de pedras, cheio de solidão, suspiros tristes,
Passos reticentes, e a tristeza, como fosse poeira
A levantar-se soprada pela dor, sufocava a voz,
O grito, que a alma queria que a vida ouvisse.
Estradas frias, sem rastros, vazias de sentimentos
Onde os ontens sucumbiam num atroz esquecimento,
Os sonhos que foram sonhados se esvaziavam
Do pensamento e os sonhos novos não se criavam.
Caminhei por estradas assim, teimando na loucura
De sonhar que a vida era apenas um espaço meu, 
Levava comigo pedaços de saudades, de momentos,
De palavras soltas que as vezes ouvir doía tanto!
Mas tinha a estrada para seguir, mesmo sozinho...
Ainda hoje a estrada é a mesma mas a dor é bem maior,
O tempo já não é só meu, está ficando tão pesado!
O pranto ficou mas fácil, a solidão... morbidamente
Mais zelosa comigo...  a estrada continua a mesma,
Meus passos é que estão mais velhos, e a vida
Mais difícil de sonhar! Ainda mais quando se sonha
Sozinho.

José João
21/01/2.018

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