sexta-feira, 25 de abril de 2014

Meus tão doloridos prantos

Sufocante essa dor que sinto agora,
Como se dentro de mim, labaredas ardentes
Quisessem atirar-se ao mundo, queimando meus pedaços,
Do corpo até a alma que se queda triste a envolver-se
Num abraço da solidão que faz da vida apenas um viver.
(Para viver não é preciso ser feliz).
Meu corpo se contorce em espasmos, em convulsões
Avulsas por serem tantas, como se ele chorasse,
Por cada poro, um pedaço da dor que me toma agora.
Tudo parece correr dentro de um vazio, sem horizontes,
Toda dor parece ser sentida agora, como se fosse
Apenas hoje o dia de senti-la. Me guardo dentro de mim,
Me contorço na tentativa de me fazer menor, 
Para ela se fazer pequena, mas é de dentro de mim,
É de dentro da alma, como se ela estivesse parindo
Prantos feitos de pedra, pontiagudas farpas,
Afiadas calmamente pela angustia de há muito tempo.
Assim se faz essa dor de agora, onde lágrimas e prantos
São tão pouco para chora-las que grito em orações
Desconhecidas e nunca rezadas, perdão, pelo pecado
De ter amado tanto.


José João
25/04/2.014

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