domingo, 21 de janeiro de 2018

Ainda hoje

Já caminhei por estradas vazias, perdido no nada,
Até mesmo perdido de mim, estradas sem margens,
Chão de pedras, cheio de solidão, suspiros tristes,
Passos reticentes, e a tristeza, como fosse poeira
A levantar-se soprada pela dor, sufocava a voz,
O grito, que a alma queria que a vida ouvisse.
Estradas frias, sem rastros, vazias de sentimentos
Onde os ontens sucumbiam num atroz esquecimento,
Os sonhos que foram sonhados se esvaziavam
Do pensamento e os sonhos novos não se criavam.
Caminhei por estradas assim, teimando na loucura
De sonhar que a vida era apenas um espaço meu, 
Levava comigo pedaços de saudades, de momentos,
De palavras soltas que as vezes ouvir doía tanto!
Mas tinha a estrada para seguir, mesmo sozinho...
Ainda hoje a estrada é a mesma mas a dor é bem maior,
O tempo já não é só meu, está ficando tão pesado!
O pranto ficou mas fácil, a solidão... morbidamente
Mais zelosa comigo...  a estrada continua a mesma,
Meus passos é que estão mais velhos, e a vida
Mais difícil de sonhar! Ainda mais quando se sonha
Sozinho.

José João
21/01/2.018

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

As duas faces da minha solidão

As vezes eu tenho medo da solidão e corro...
E chegando a lugar nenhum, lá está ela, braços abertos,
Alguma coisa de ternura em seu silêncio, e meu medo
Fica incoerente. Vou lá dentro de mim, ela permite,
Trago sonhos, viajo nas asas do tempo me levando
A momentos vividos, como se o passado fosse
Um lugar de onde vim trazendo saudades do que vivi,
E, o hoje, se faz um lugar cheio de dores e de medos.
Ela, a solidão, me ensinou a me ouvir, a me dizer
Verdades de mim mesmo sem medo de chorar...
E se choro, e se soluço minhas palavras mudas,
E se me entrego ao pranto, ela guarda segredo...
Não deixa que me achem ridículo e chora comigo.
Mas as vezes ela dói tanto! Chega a machucar
A alma da gente! tanto que os olhos se cansam
De chorar, se cansam de olhar, se cansam de gritar,
E a alma, que sem isso não é alma, se perde, e ...
Perdida, dentro da dor que sente, sem que os olhos
Por ela chorem... se entrega a dizer blasfêmias
Que não cabem nos versos que ela escreve sozinha.

José João
18/01/2.018

sábado, 13 de janeiro de 2018

Sonhando contigo

As vezes preciso ficar só, dentro da solidão,
Parece que no seu silêncio ouço o divino cantar
Dos anjos cantando canções com teu nome,
E no meu mais perfeito sentir, entre lágrimas,
Te dou meu pranto como confissão do que sinto.
Nesse momento não existe distância, nem tempo,
Estás dentro de minha alma, como se dela
Fosses dona, e num prazeroso quase dormir
Faço que seja vida esse sonhar que me permites.
Ah! Quanta saudade! Quantos desencontros!
Essa ilusão de estar perto, de que não te perdi,
De que apenas ainda não te encontrei. Estou aqui...
De olhos fechados, imaginando caminhos 
Que possam me levar a ti ou te trazer a mim...
Nesses meus sonhos, colho flores para te dar
Quando chegares, fico escolhendo palavras
Bonitas... mas eu sei... quando te encontrar
Minha voz se perderá em soluços reticentes
Mas verás meus olhos te dizerem: bem vinda
E meu coração pulsando alegre, gritando:
Te amo, sei que entenderás.

José João
13/01/2.018

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Saudade, minha companheira!.

Ora, saudade, porque calas? Diz o que queres!
Queres lágrimas? Diz. Agora, coitadas, tão poucas!
Ontem chorei todas elas fingindo escrever poemas
Gritando em silencioso soluço com palavras roucas

Refiz histórias, brinquei sozinho de escrever versos
Fui muito, muito além das lágrimas, chorei prantos
Que molharam poesias, molharam até o silêncio
Se fizeram nada, poesias rotas sem nenhum encanto

Agora me vens cobrando que chore! Me olha saudade,
O que vês? Tem nos meus olhos tristezas para chorar?
Trouxeste contigo algum rosto ou sonho para eu lembar?

Não?!! Porque então vieste? Vieste apenas me visitar!
Ora quem diria!!! Vieste sem trazer nada do que vivi?
- Sim, te gosto tanto que não sei mais viver sem ti

José João
12/01/2.018


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...