terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Palavras que meus olhos sabem dizer

Desde muito, até já não lembro mais...
A vida permitiu que minha alma gritasse
Ao mundo com os olhos, como se falassem
E contassem toda a angustia que a ela aflige,
De cada olhar fez uma palavra, apenas algumas 
Ficaram para sempre. E hoje, meus olhos aflitos,
Em devaneios mórbidos, gritam solidão, tristeza,
Saudade e carência que não doeria tanto não fosse
A carência de mim mesmo, me esqueci do que fui.
A solidão, que meus olhos gritam em silêncio,
Se faz tão intensa que já não importa o lugar,
Onde estiver ela se faz toda, se faz viva...
Senhora de mim, a levar-me por caminhos vazios,
Sem marcas, onde o silêncio é o dono absoluto
Do tempo. E a tristeza! Esta nunca vem só,
Além de forçar meus olhos a fielmente traduzi-la, 
Me exigem lágrimas, para assim ela se fazer
Vaidosamente brilhante, querendo se tornar bela.
Ah! Não fosse a saudade, que chega correndo,
Lá de dentro de mim, trazendo um outro olhar
Para os olhos... que tristes, fingem ser um sorriso.


José João
17/01/2,017


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Eternamente nós dois

Para sempre, é o que diz o tempo, diz a vida...
Quando amar é deixar dentro de nós, dentro da alma,
Todos os momentos vividos. Te deixei toda
Dentro de mim, te fiz, desde meus mais belos sonhos,
Até a verdadeira razão de uma existência que, até agora,
Depois de tanto, ainda se alvoroça ao sentir tua saudade.
Me fiz servo desse sentir, e me entreguei, sem medos,
A essa louca insistência de ser teu, mesmo tão longe,
De sentir tua alma afagar a minha, em plena doação
De nós. Te fiz a melhor parte de mim e, ainda hoje,
Essa ansiedade de ser teu, mesmo sendo só saudade
Faz plena, cheia de ti, essa minha vontade de viver.
Quantas vezes meus olhos te gritaram, eu te amo,
Como se fosse a voz de minha alma te confessando
Minha maior verdade! Ficaste em volta de mim,
Ocupando todo o espaço, me perfumando o tempo,
Brincando de fazer eterno o infinito que nos fizemos.


José João
16/01/2.017

domingo, 15 de janeiro de 2017

Para onde foram as poesias?

Há muito não me chega nenhuma poesia,
Acho que se perderam por aí, se esconderam.
Quem sabe, dentro de sonhos que não são meus?
De saudades que nunca senti, ou talvez ainda...
Até tenham se cansado de minha solidão?
Sempre a mesma, as mesmas tristezas...angustias...
E os versos se foram... o papel em branco,
As mãos trêmulas, lágrimas hesitantes...
No pensamento um vazio... um não ser ninguém,
Nenhuma poesia, mesmo que fosse incompleta,
Que só dissesse um pedacinho de mim...nada!
Minha alma se desespera, exige gritar em versos
A dor que sente, me faz correr entre dicionários,
Buscar palavras que se façam lágrimas, que chorem
Nas linhas ou entrelinhas dos poemas a dor 
Que ela quer chorar. Mas eu, apenas sussurro um canto,
Sem melodia, sem começo, sem fim...sem mim.

José João
15/01/2.017

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Talvez o que procuro sou eu

Não  sei fazer poesia, só sei chorar versos,
Como fosse um pássaro preso, não gorjeia...
Apenas chora em notas tristes a dor que sente.
As vezes sou artesão, juntando prantos e saudades
Na tristeza de um sorrir fingido, tecendo nas entrelinhas
Histórias que finjo e até pensam não serem minhas,
As vezes sou artista, como um pobre solitário escultor, 
Esculpindo lágrimas num rosto que parece gritar de dor
Talvez uma dor de saudade, que até a alma chorou,
As vezes me sinto um pintor, desenhando num papel
Um pedaço de amor, ou um perfume de flor
Como se fosse magia, coisas de um sonhador
Que, coitado, sonha acordado alguns sonhos, 
Sonhos perdidos, que nunca ninguém sonhou.
As vezes me  sinto um louco, indo a lugar nenhum
Buscando em estradas vazias, olhar distante, perdido,
Como buscasse no tempo o que nem sabe onde perdeu,
Talvez, nessa minha loucura, o que procuro sou eu...


José João
06/01/2.017


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