segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Assim me fiz lágrimas

Não me fiz versos, me fiz lágrimas
Me escrevi em meu rosto minha dor
Não me fiz palavras me fiz pranto
Soluçando soluços como fossem canto

Não me fiz eu, me fiz o resto de mim 
Até brinquei de me enganar, de fingir
Fiz sorrisos que nuca soube sorrir
Mas tentei, como se soubesse mentir

Desenhei sonhos que nunca pude sonhar
Esculpi meu rosto em pedras de solidão
Amarrei a saudade numa nuvem a flutuar

Feito pipa de papel que chega perto do céu
Mas ela se foi se perdendo sem caminho, 
Me fiz versos pra poder chorar baixinho


José João
05/12/2.016


Apenas uma canção

Quero cantar, mesmo entre lágrimas, uma canção,
Em acordes que meus soluços sabem de cor,
Em melodias que minha alma aprendeu chorando
Com as tantas saudades ainda vivas e sentidas,
Com os vazios que ficaram depois dos adeus.
Quero cantar uma canção de versos completos
Que digam a dor que a alma sente e sozinha chora,
Digam dos sonhos que se fizeram perdidos, sem volta.
Quero cantar uma canção como fosse uma oração...
Divina, que sai do coração como um eco triste,
Num desesperado grito, que até o silêncio se perde
Em prantos soluçando palavras que não pode dizer.
Falar das histórias mais vividas, das dores mais doídas,
Dessas que doem desde os olhos até a alma,
Que passam por sobre o tempo, ironizam o esquecer,
E se fazem sempre, como se toda dor fosse de ontem.
Quero cantar uma canção, e se chorar... vou fingir
Que estou tentando um acorde que a tristeza...
Está me ensinando agora,


José João
05/12/2.016


sábado, 3 de dezembro de 2016

Hoje as lágrimas me traíram

Hoje minhas lágrimas estiveram cansadas,
Deitaram-se apáticas em meu rosto, sem brilho,
Sem força de chorarem a saudade que sentia.
Ficaram adormecidas como se estivessem 
Perdidas entre as dores que a alma chorava.
Nem os adeus mais doídos, trazidos do tempo,
Foram capazes de faze-las prantos avulso
Como sempre fazem quando a alma chora.
Não entendi minhas lágrimas, tudo estava
Como sempre, a solidão brincando de vazio,
A tristeza se desenhando em sorrisos fingidos,
A angustia me fazendo rezar orações que não sei,
Tudo como sempre, e as lágrimas... preguiçosas!
Os olhos pareciam se contorcer em silenciosos
Gritos que o olhar levava como eco perdido,
Num mórbido silêncio de um nada dizer...
Até os versos se fizeram pedaços inacabados
De poesias incompletas, rotas, secas.
Ainda bem que não precisam de lágrimas
Para contar da tristeza que a alma sente.

José João
03/12/2.016

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Nunca mais fiquei sozinho

Quando a solidão fazia festa em mim,
Quando calava meu pensamento e minha voz
Para fazer-se única... tudo era tão triste...
E eu... tão só, caminhando pelos vazios
De caminhos que se faziam apenas veredas,
Onde lugar nenhum era um lugar para chegar.
Apenas lembranças perdidas, sonhos mortos
E um gemido como se fosse um canto, iam comigo,
Cantarolando uma canção que nunca tinha fim,
Um dia, um anjo, desses anjos que do "nada"
Entram em nossa vida, se aninham na alma,
Fazem afagos, nos tomam pelas mãos
E carinhosamente nos ensinam a viver e amar.
Nos tiram o medo, nos lavam com o inocente
Prazer de nos fazer sempre mais amantes...
Mas depois... se vão, sem rastros, sem estradas
Mas ficam dentro de nós, não nos deixam...
E nunca mais me senti só, sempre esse anjo...
O que era solidão, hoje se faz saudade,
Não essa saudade triste que faz chorar...
Mas uma saudade risonha, que até as lágrimas
Enfeitam os olhos como crianças brincando
De ser feliz...

José João
02/12/2.016

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