terça-feira, 27 de setembro de 2016

Meus pecados

Ah! Alma minha que em tantos pecados se perdeu!
Que há de pagar as penitências em orações cheias
De lágrimas e saudades... como fossem doloridas preces
Que o tempo ensinou rezar. Oh! Alma minha, que triste,
Chora, grita, se perde em reticências mudas quando a voz,
Entre gemidos e sussurros, sobe aos céus e desaparece
Sem  lá chegar. Alma minha, sofrida e triste amante
Que o maior pecado foi amar sem medidas, como se o amor,
Um dia, não se fizesse dor, não se fizesse saudade,
Nem angustia, nem tristeza, como se não estivesse
Em permanente cio com a solidão, quando o amar
Se torna dor, ela, a solidão, se faz espaço, se faz tempo,
Se faz blasfêmias, tanto que a alma, aflita, pergunta:
Deus onde estás? Tão grande o desespero que peca outra vez.
Mas haverei de pagar meus pecados nas penitências dadas,
E se a mim for permitido paga-los em lágrimas, prantos
E saudades, não me farei rogado, pagarei até os centavos...
De dor pelo prazer de um dia ter amado, como amei.


José João
27/09/2.016


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Ah! Essas minhas loucuras!

Você ainda está aí, não está? Então apresse-se!
Que estou te esperando, sim. Te esperando.
Com todas as folhas novas de outono,
Com flores de todas as primaveras.
Com sonhos novos que me fizeste sonhar,
Tenho até um olhar novo, diferente,
Um olhar só teu, que nunca olhou ninguém.
Vem, te apressa, me limpei de todas as saudades,
Desfiz prantos, dei um novo sorriso às lágrimas,
Me fiz canto...me fiz canção... tudo pra ti.
Reinventei rimas em versos completos,
Te escrevi nas linhas, te amei nas entrelinhas
Apaguei todos os pontos...ponto final,
Meu verso não tem fim, comecei com teu nome,
No meio do verso gritei te amo e o verso...
Ah! O verso ficou infinito, cheio de ti
E entre os tantos sonhos que me fizeste sonhar
Em um, te carreguei no colo, te beijei a fronte,
Te fiz dormir, busquei um anjo, sim, um anjo,
Para embalar teu sono, e eu, te ver criança
A me fazer sorrir...te amo e não sei quem és.

José João
26/09/2.016

Não sei qual dor maior

A mim não sei ainda se me importa os caminhos
Que percorri, as dores que senti, as lágrimas...
Os tantos prantos chorados nas ruas, nas noites,
Na minha demência de caminhar sem ser ninguém
No vazio do tempo, em turvas imagens cheias
De nada. Me perdi. Perdi sonhos e esperanças.
Tropecei em meus próprios pedaços caídos no chão,
Não esse chão que se pisa, esse é fácil cair e levantar
Mas um chão onde só a alma se deita em flagelos.
Minha sombra vagava com passos perdidos,
Minha voz se perdeu em reticências, em silêncios
Que quase perenes tomavam conta de mim...
O agora!? Também não sei se ainda me importa!
Sonhos novos nascem moribundos, quase mortos,
A esperança se perde nas amarelas folhas da ilusão
Onde os amanhãs se mesclam de dores e duvidas,
Onde a saudade se faz mais forte por ser saudade...
Do que nunca vivi. Não sei qual angustia maior.
Se das dores que já senti...ou essa que sinto agora,
De sentir o perfume e ... não ver a flor.

José João
26/09/2.016



sábado, 24 de setembro de 2016

Eu e tua saudade

Ontem, amor, te juro, ri-me tanto da solidão.
Estava na noite, num preguiçoso quase dormir,
Num acontecer que não se sabe dizer, se é pensar
Ou sonhar, num prazeroso e até divertido silêncio,
Quando, esgueirando-se pelas sombras da noite,
Atravessando paredes como se fosse um fantasma,
Ela vinha, num leve  flutuar, entre sombras e vazios,
Pela réstia da porta, um outro vulto, espreitando
Sutil, com mais dúvidas que certeza... era a tristeza,
Mas como se tivesse entendido o momento, se foi,
Correu por entre os nadas e se perdeu na escuridão.
Mas ela, a solidão, mais por prazer que talvez maldade,
Insistia em me chamar a atenção, em me tomar,
Em se fazer dona de mim, como se eu fosse sua posse.
Amor ri-me tanto! Quão ridícula ela ontem se fez!!
Estava tão zelosa em me invadir a alma, que, coitada,
Nem percebeu que eu não estava só. A tristeza percebeu,
Mas a solidão! Insistente como é! Custou tanto!
Foi preciso que a saudade, vestida de te, me abraçasse,
Me deitasse no colo, me afagasse a alma... só assim,
Ela, cabisbaixa, como se pedisse desculpas...
Quase sem acreditar, se foi. Eu e tua saudade
Rimos tanto ... e passamos a noite juntos... falando de ti.


José João
24/09/2.016


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