sexta-feira, 19 de maio de 2017

Maior que a dor da saudade

Não é de saudade a dor maior a ser sentida,
Dor maior é essa ausência que se faz de sempre,
Que deixa a vida como um simples existir,
Os sonhos são apagados por mórbida tristeza,
Os pensamentos se perdem no vazio do tempo,
Apenas fragmentos de momentos que existiram
Se deixam ficar lutando contra o esquecimento.
A saudade, por mais que se faça, até mesmo vida,
Não preenche o vazio da ausência que marca a alma
Deixando-a a mercê da dor, ajoelhar-se e, 
Aos prantos, rezar orações inventadas, choradas,
Que nem se sabe até onde vão, se são ouvidas
Ou se perdem no vazio, indo a lugar nenhum.
A solidão chega frenética, sem pudor, indolente,
Toma conta do tempo, faz tudo ficar vazio...
Até o silêncio aumenta sua demente mudez
E um soluço da alma, como se fosse um grito,
Desses gritos que até o eco é estridente...
Se espalha como um pedido de clemência
Que nunca é ouvido.

José João
19/05/2.017



terça-feira, 9 de maio de 2017

O palhaço e o poeta...poeta?!!

Me atenho a escrever-me entre versos e sonhos,
Entre dores e verdades, algumas verdadeiras,
Outras fingidas, como são algumas das lágrimas 
Que choro sorrindo, como se o riso fosse o palhaço...
O palhaço triste que escreve nas entrelinhas da vida
A angustia que sente e gargalha uma tristeza mórbida
Que ninguém entende ou percebe, apenas acham
O palhaço alegre, e ele, gargalhando estridente pranto,
Vai seguindo, vai escrevendo versos que contam
Histórias vividas, ou sonhando com os amanhãs
Risonhos que ele ainda ousa, apesar de tudo, sonhar.
As vezes lhe vem uma saudade gostosa de sentir,
Lhe beija a alma num carinhoso beijar, outras vezes,
Vem a brisa lhe acariciando o rosto, sussurrando
Coisas que esqueceu de lembar, algumas vezes
Se confundem, palhaço e poeta e abraçados 
Fazem versos, o  palhaço em piruetas de palavras
Conta sorridentes histórias tristes, e o poeta...
Bem, este, aos prantos, mas sem deixar de sorrir,
Finge que é ele o palhaço que não sabe chorar.


José João
09/05/2.017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Divina lembrança de nós dois.

Me atiro no tempo, na liberdade da saudade
Que me fazes sentir, com ela caminho entre os sonhos
Que sonhamos, e os que ainda vou sonhar, cheios de ti.
Ah! Essa saudade! Me faz livre pra te buscar,
Te deixar dentro de mim como se fosses uma oração
A ser rezada num cantar suave de uma Ave Maria
Na voz de um anjo, que brincando de fazer rima,
No fim de cada verso, escreve apenas o teu nome.
Me recrio dentro desse sentir, me entrego todo,
Corro entre horizontes, faço poesias com a brisa,
Brinco de pintar flores, de voar com os pássaros,
Em serena loucura, brinco de fazer infindas rotas
Entre as estrelas indo sem rumo entre elas
Cavalgando um pensamento que vai te buscar
Lá dentro do tempo, lá, bem dentro de mim,
Onde a alma servil e amante te guardou sorrindo.
E assim, essa doce saudade tua, perene por ser sempre,
Me permite viver entre lagrimas alegres, sonhos,
E a divina lembrança de nós dois.


José João
08/05/2.017


terça-feira, 2 de maio de 2017

Saudade ou dor? Não sei.

Me perco no silêncio de tua ausência, mesmo a solidão
Gritando em estridente mutismo teu santificado nome.
Me deixo levar pela saudade, numa louca busca de ti,
Por ontens que se fizeram dor, e os amanhãs, sem forma,
Apenas cheios de lágrimas que brincarão em meu rosto
Escrevendo histórias que, para sempre, ali ficarão
Como se fossem a própria vida chorando tua falta.
Calo parado dentro dos sonhos que não sonhei,
Mas repletos de ti, tanto ficaste dentro de minha alma
Que até os sonhos que não sonhei... são todos teus...
Cheios de ti, dos momentos que se farão de sempre.
Fico parado no tempo, numa demência! Num vazio!
Balbucio palavras desconexas numa voz reticente...
Sem sentido, sem um não-sei-o-que-dizer e, choro...
Lembro os segredos (a dor é maior) não devia
Te-los pra ti, mas calei, não os disse e agora...agora
A dor é mais que apenas dor é o remorso contante,
Maior que eu, maior que a saudade, que a tristeza,
Maior que a angustia que fica martirizando a alma.
Hoje, o silêncio foi maior, tanto foi, que ouvi
O pensamento chamando teu nome baixinho...
Como se sentisse pena de mim.


José João
02/05/2.017

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