quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Alguém já viu o rosto do meu silêncio?

Diz-me, a mim, como é o rosto do meu silêncio?
Já o viste alguma vez? Ele existe mais forte,
Bem mais forte que eu e nele não acreditas!
Ah! Esse meu silêncio de imperturbáveis traços!
As vezes um rosto sereno, outras vezes duro,
Rígido nos traços, mas não o vêm. Quem, por favor,
A mim me diga, como é o rosto do meu silêncio!
Meu silêncio que, sem palavras, explode em verdades
Faz-se a beleza de gritar para a alma o que sinto,
E o que só ela ouve. As vezes confundem meu rosto
Com o rosto do meu silêncio, muito mais forte,
Muito mais elegante, muito mais plácido e verdadeiro,
Muito mais confiável, ele diz tudo melhor que eu.
Mas não o vêm, não conhecem o rosto do meu silêncio
E por isso pensam que não existe. Mas coitados, e rio.
Acreditam facilmente em minhas palavras, ouvem-nas
E apenas por isso as pensam verdadeiras. Palavras rsrs
Qual delas tem apenas uma face? ?Quem jura que disse
O que queria dizer? Mas acreditam nas palavras
Porque a elas lhe dão o meu rosto. Mas o silêncio
que tem seu próprio rosto, e talvez por isso...
Não o entendam. Alguém já viu o rosto do meu silêncio?


José João
23/02/2.017

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Perdi as lágrimas que guardei ontem.

Não achei mais as lágrimas que havia guardado ontem,
Estavam enroladas em em alguns versos tristes e incompletos,
Presos com um sutil pedaço de saudade cheio de sonhos
Que se desprendiam facilmente quando perdia o olhar
No horizonte. Estavam dentro de um envelope verde...
Mais ou menos cor de esperança, eu acho. Perdi...
Perdi as lágrimas que não pude chorar ontem...
Culpa das palavras que se faziam perversamente gritos,
Como as lágrimas são tímidas, delicadas e inocentes,
Guardei-as com a poesia inacabada, queria mais saudade
Para sentir, queria buscar sonhos, momentos...ah! Esse eu!
Queria um lugar em silêncio, onde apenas o som do tempo
Se fizesse espaço para as lágrimas se fazerem voz 
No meu rosto. Até pensei juntar pedaços de poesias soltas,
De solidão e completar a poesia que deixei ontem,
Como se não soubesse que poesias inacabadas 
Não se completam com o mesmo sentir, nem o mesmo chorar.
Perdi as lágrimas, perdi a poesia, perdi o ontem e a
Vontade de me completar nas entrelinhas que quase
Ninguém entende, só a alma sabe ler nas entrelinhas.


José João
22/02/2.017

Silêncio e solidão me bastam

Hoje não preciso de ninguém...
O silêncio e a solidão me bastam...
Talvez nem amanhã...nem amanhã...nem amanhã
(quero que me amem, não que me precisem)
Tenho tanto pra me contar,,, alma pra me ouvir,
Que hoje, não preciso ouvir ninguém,
Apenas a mim mesmo me contando histórias
Das minhas dores, das ausências, dos adeus...
Não que eu me baste, mas a solidão e o silêncio
Me convenceram que nós somos apenas um e,
De mãos dadas, choramos na poesia lágrimas
Só nossas, nos olhamos ternamente, o silêncio
Nos permite sermos só nós, ninguém nos ouve
Nem nos fala e nem é preciso. As vezses me veem
Pedaços de saudades, mas nem de saudade nova preciso,
Todas as minhas saudades, mesmo as de muito tempo,
Choro com lágrimas novas é claro, entre o silêncio
E a solidão (nunca me deixam só). Quando alguém
Me diz adeus, ou não têm tempo pra mim,
Não me deixam no desespero de não saber quem sou,
Me abraçam, as vezes até me acalentam o sono...
A verdade é que hoje não preciso de ninguém
 E talvez nem amanhã, nem amanhã, nem amanhã.


José João
22/02/2.017

Um quase sem por do sol.

Lá no horizonte, um horizonte que a gente quase alcança,
O sol brinca de esconde-esconde com uma nuvem criança
(que nasceu agora a tarde), ou talvez, quem sabe, esteja
Se embelezando para um lindo se por? Só que minha alma
Ansiosa e cheia de saudade se alvoroça toda, se senta lá,
Bem alto, numa brisa que vem brincando com o mar
Desde não sei onde. E o sol?! Brincando com a nuvem
Que insiste em ficar, que insiste em se fazer parte
Do por do sol (acho que é o primeiro dela dado a teimosia)
O vento chega, tenta empurra-la e ela ... nada,
Insistiu em se fazer história, em se fazer pintura,
E o sol, por respeito ou...até mesmo carinho, apareceu
Timidamente por trás da nuvem, saudou o mar,
Até uma estrela em descabido estar, acho que saudou
Até minha alma com uma "piscadinha" (eu a senti
muito eufórica). Tentou desenhar um caminho no mar,
Desses "caminhos" que fazem o pensamento voar,
Deixa um olhar demente e um vazio sem pensar...
Mas minha alma, atrevida, cobra e cheia de saudade
Diz: Nuvem, amanhã não venha, quero meu caminho
Feito de por do sol para poder...sonhar e... voar.

José João
22?02/2.017


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