terça-feira, 28 de junho de 2016

Quando não sei se existo

Sou um quadro em branco, um quadro vazio
Que ninguém pintou, uma moldura perdida,
Pendurada no tempo, um pedaço de solidão
Mesclada com uma tristeza que ninguém vê.
Sou isso. Uma quadro que nenhum pintor
Encontrou tinta para colorir. Mas existo.
As vezes até me sinto uma poesia, com versos
Incertos, rotos, alinhavados com angustias
Que se fazem, algumas vezes, costura, outras
Remendos. Poesias que nunca ninguém lê
Porque não contam histórias, nem de saudade,
Vazias de sonhos para amanhã, repletas apenas
De um sentir que dói dentro da alma...
Mas não se faz versos porque as palavras
São poucas para tanta dor. Mas existo
Algumas vezes me sinto uma melodia triste,
Uma melodia que ninguém pode ouvir...
As notas musicais foram feitas de silêncio
E os acordes se perderam no vazio de mim.
Mas existo. Algumas vezes o pranto...
Me lembra quem sou... é a única vez que...
Não sei se existo.


José João
28/06/2.016

2 comentários:

  1. Muito bom!!!um poema que transcende nossa solidão...nosso vazio. Os poetas em sua dualidade, nessa alternância mágica de personas rsrs..indecifráveis e inspiradores, nos dão consistência ... instigam... nos revolvem por dentro e sem pedir licença extraem o que temos de melhor.Olha, poeta!!!mais uma vez me rendo! Bjos...rsrs

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  2. Olha, quem se rende a tanta sensibilidade sou. Obrigado e me sinto honrado por receber um comentário tão bonito, digno de quem tem uma alma poética. Um beijo nesse coração lindo e muito obrigado

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