quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Eu, dentro de mim


Já andei sobre pedras pontegudas, afiadas
Dilarecendo pés, alma, coração e pensamentos,
Duras pedras e amorfos fantasmas, vestidos
De pesadelos de perdas que a alma chora.
Caminhei sobre as sombras do que fui,
Caminhei sobre meus próprios escombros
Carregando solidão, dores e lágrimas
Mas ia sempre sem saber se o vazio
Estava dentro de mim, ou no mundo.
Caminhei por dias, por noites, por vidas até,
Sem me importar com a distância do horizonte,
Para mim todos os horizontes estavam bem ali...
Ali, onde ninguém foi, ali em lugar nenhum
Onde só meu pensamento doentio pela dor
Dilacerente que me rompia a alma podia ver.
Deitei com as estrelas me cantando canções
Que não ouvia, com o luar me dando banhos,
Me afagando o corpo e eu não sentia.
Tudo foi ficando ainda mais triste, sem cor...
Minha voz se tornou um sussurrante gemido,
Ou a súplica de uma oração que ninguém ouvia,
Até tentava gritar, mas como num pesadelo
Nem eu mesmo me escutava, mas ia seguindo sempre
Até chegar aqui... aqui onde estou... aqui dentro de mim

José João








sábado, 27 de agosto de 2011

Minha noite

Lá fora a noite brinca de esconder o mundo e mostrar estrelas,
Brinca de fazer silêncio para trazer sonhos e mistérios.
Aqui, comigo, trazida por ela e acomodada dentro de mim
A solidão maliciosamente me chega como se fosse preciso,
Me olha bem dentro dos olhos e apenas diz: Cheguei.
Volto ao tempo em busca de lembranças perdidas
Meu desespero em encontra-las se faz tão forte que a saudade,
Como louca, busca no pensamento até amores que não vivi.
E a noite lá fora continua misteriosamente silenciosa e fria
Como se quizesse me dizer coisas que não quero ouvir,
Como se quizesse me fazer voltar os medos que pensei  mortos,
Até as lágrimas se fazem vivas contando histórias antigas
De dores já passadas, de feridas que pensei cicatrizadas,
Tudo fica vazio, sem cor, como se até mesmo a noite
Bincando de macabra magia se fizesse desaparecer.
A solidão se torna viva, cria corpo, se torna densa,
A tristeza, entre as estrelas, brincando de fazer chorar,
Num raio de luar que distraido passava ela se faz passageira
Comodamente deitada sabendo que em mim ela pode morar.
Assim em mim fica a noite, ou na noite eu fico
Olhando para o nada, bucando sonhos que não pude sonhar






Minha pobre alma

Meus versos gritam a dor que vem da alma
Por que a voz seria pouco, coitada, nada diria
É tanta  dor que o peito arfa no desejo de gritar
Mas permite apenas que os soluços possam falar

Vou ao mundo andando triste, passos bebados
O horizonte, parece, que de mim se escondeu
E a alma louca, alucinada, aos versos pede:
Grita essa dor que em mim nunca não morreu

Os versos  fazem das lágrimas tristes gritos
E deles o eco mudo, aflito corre o mundo
Tropeçando no vazio como pobre moribundo

A angustia toma vida e de companheira se faz
Da alma que, coitada, de viver nem pode mais
Mas senta no tempo e vê que nem de morrer é capaz.



sábado, 20 de agosto de 2011

Sem surpresas, por favor

Não me chegue de surpresa por favor.
Avise quando vai chegar,
Tenho que me preparar, me aprontar,
Tenho que me desfazer, tenho
Que me refazer, tenho que  jogar fora
Aquele sorriso esquálido, amarelo e doente,
Tenho que jogar fora aquela saudade
Que ainda não passou.
Tenho que apagar, e calmamente,
Aqueles pensamenetos que insistem em voltar,
Que insistem em ficar.
Tenho que me desnudar de uma grande
Parte de mim, do que fui,
Ou do que, talvez, ainda sou.
Não me faça surpresa podes  não me querer
Se me encontrares assim, dividido em mim.
Tenho que me lavar, tenho que procurar
Nos meus guardados aquele sorriso colorído
Que não sei onde guardei, se não encontra-lo
Ser livre para fazer outro. Tenho que reaver
A ansiedade de estar indo e a volupia
De te encontrar, tenho que gritar
Forte com a solidão, fazer-me superior,
Manda-la embora. Tenho até que chorar
Algumas lágrimas tristes, paar que
Só as lágrimas alegres possam te encontrar.
Não me faça surpres, por favor me avise
Quando vai chegar, tenho ainda que encontar
Aquele brilho no olhar para que meus olhos
Alegres te dêm boas vindas. tenho que reaprender
Levantar os braços e abraçar outra vez,
Tenho que limpar os lábios de tantas injúrias
Para poder te beijar e... se me sentires desajeitado
Desculpa, tem calma, é que já faz tanto tempo,
Que beijar é um sonho, como é um sonho estar contigo.
Por favor não me faça surpresa,
Me avise quando vai chegar,
Mas se não fores chegar... não diga nada
Deixe que continue sonhando.

Viver sem sofrer? Como?

Oh! Saudade que me alivia a dor
Com pequenos pedaços de perdido sonhos
Que de longe me chega cavalgando o tempo
Tímidos. lentos mas sempre risonhos

Que me trazem um tempo ou a ele me levam
Em brigas sutis com o esquecimento
Como se estar vivo fosse sempre lembrar
Assim, como se viver fosse sempre sonhar

Me vêm com o sonhos, pedaços de mim
Um dia arrancados por mero prazer
Agora me chegam como se a vida diessesse
O que até o destino se esqueceu de dizer

Que tudo é preciso e se tem que sentir
Chorar ou sorrir é resumo do próprio viver
Bem alto nos fala e não guarda segredo
Que impossivel é a vida sem ter um sofrer

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A eternidade dos espinhos

 

Vidas que se perdem em desvios ou estradas
Levadas por tempestades de dores nascidas
Ou parídas, sem parto, sem sonhos, sem cor,
Quem dera tudo fosse sempre tão bonito
Na ternura de cores singelas, cor de amor
Com o frescor da alvura do lirio no campo nascido.
Ah! Quem dera ser toda beleza eterna!
A brisa cantando valsas desconhecidas
Embalando folhas, flores e sonhos,
Gorjeios em sinfonias desencontradas,
Em sons graves, agudos, mágicos
Como se todos os belos sons do universo
Nascessem de uma orquestra divina!
A beleza do mar cativo deitado na areia
Sussurrando versos que não se sabe onde aprendeu
O nascer do sol, lá no fim dos olhos, brincando de criança.
Quanta beleza! Cada dia um por do sol diferente,
E ele falando sorrindo: Amanhã vou voltar.
Mas que vida e que mundo! Quantas contradições!
Porque tem que existir a solidão? A dor? A saudade?
Mas já que existem por que não são passageiras?
Muitas vezes são eternas dentro da gente.
Sempre penso a vida igual a uma roseira
Como se a flor fosse o amor, a dor os espinhos,
As flores precocemente murcham, secam e caem
Mas os espinhos? Esses parecem não morrer nunca,

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Almas e vidas

Almas que se encontram, e se desencontram
Que se perdem em idas,  em vindas,
Que percorrem caminhos infinitos
Entre tempo e espaço desconhecidos,
Almas que se viram, que viveram momentos,
Que se perderam em tristses desencontros
Como se tudo não tivesse que acontecer,
Será que essas almas na infinitude do tempo
Se lembraram uma da outra? Almas choram?
Não sei. Sei que a minha loucamente procura
Uma outra que deve estar a minha procura,
Não sei como nos perdemos, não sei se vivemos,
Muito menos se nos beijamos, mas com certeza,
Nos amamos, ainda hoje não a esqueci,
Sem mesmo nunca te-la visto.
Onde será que ela está? Em alguma estrela?
Ou bem perto, bem ali, quase chegando?
Ou será que ainda é cedo? Ainda não é tempo.
Ah! Essas vidas que não se pode explicar!
Que não se pode entender! Que  as vezes
Nem se pode viver. Ah! Essas vidas tão vidas.
Essa maravilha do amor eterno que não sabemos viver.
Essas lágrimas que choramos por dores tão da gente,
Dores que nossa alma fala e não sabemos entender.
Se pudessemos ver um pouco além de nós!
Se pudessemo ver bem ali onde nossa alma mostra
E não sabemos olhar, muitas dores, quem sabe,
Seriam tão descabidas e muitos amores seriam
Verdadeiramente eternos.




Esses meus sonhos!!!

Esses meus sonhos, coitados, se perdem
No vazio deixado pelos nãos, se perdem
Nas promessas vãs de amores que nem existem,
E se vão perdidos entre dores e lágrimas,
Que caem soltas na mais triste das tristezas
Por que é a alma que chora a dor da solidão
Que chega de mansinho sem pressa de chegar.
Á! Esses sonhos que teimam em serem sonhados
Me levando à ilusão de que ser feliz é possivel,
Depois fogem, se perdem, me deixam só
Entre pensamentos perdidos, buscando horizontes
Que se perderam em estradas sem fim,
Sem chão, sem cor, sem luz e sem céu.
Assim os desejos morrem também
E tudo fica como se mais nada fosse preciso.
Perdas que se fazem de sempre na infinitude
Do tempo por ser, a dor, eterna em cada momento
Lembrado, chorado em prantos que só a alma,
Coitada, sabe chorar. Ah! Esses sonhos!
Que sempre me enganaram, me fizeram chorar vidas
E ainda não aprendi, mas que pelo menos,
Minha vontade de ser feliz seja para sempre





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