terça-feira, 11 de outubro de 2016

Não vejo mais poesia...

Não vejo mais poesia na primavera, 
Nas flores que nascem, nas canções que a brisa
Canta acalentando os botões que se abrirão amanhã.
Não vejo mais poesia no cantar do rouxinol,
No abrir-se o dia orvalhado com o perfume do tempo,
Nem nos meus sonhos, não vejo mais poesia...
Meus versos deixaram de ser versos, ficaram mudos,
As palavras perderam a alma, se esvaziaram de sentido
E vazias, sem alma, não dizem mais nada, e caladas
Ficam no silêncio de mim. Só as lágrimas gritam...
Mas não gritam mais versos, só gritam mesmo dor,
Não uma dor qualquer, mas a dor de uma saudade...
Uma saudade, de quem não sei, e por isso dói muito mais.
De longe, de muito longe, me chega, como se viesse
De dentro de um sonho, um pedaço de vida
Que nem sei quando vivi. Fragmentos de momentos 
Confundem beijos, perdas, adeus, ausências...
E o que deveria ser verso, se fazem meus pedaços...
Não vejo mais poesia... nem nas poesias que faço.


José João
11/10/2.016


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