quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Deus, a dor e o poeta

Por mim, meus olhos choram frias lágrimas
E recitam versos que só a dor faz escrever
Calo no silêncio que a solidão em mim produz
E chamo a saudade,  doce amante que me seduz

Escrevo versos que nem sei de onde vêm.
Nos prantos, que a alma chora com meus olhos,
Escondo sorrisos que um dia, juro, já sorri
E nas entrelinhas dos versos conto o que vivi

Chorei dores, tantas, que nem sei como contar
Mil poemas escrevesse seriam poucos pra dizer
Essa angustia tão doída e dores assim tão sentidas,
Chorando orava aos céus em orações não ouvidas

Me sentei ao pé do tempo imaginando o porquê,
Porque o amar sem tino traz assim tanto sofrer?
Porque será, Meu Deus? Diz-me a mim, agora peço
Porque disseste um dia que é o amor que faz viver?

Não quero contradizer ao que no mundo ensinaste
Mas me ver assim aos prantos, somente porque amei
Me vem,  e até te peço perdão, pelo que eu falei,
Foram blasfêmias que disse, como orações que rezei.

Mas que queres? Olha-me e à minha pobre alma!
Correndo entre vazios para se esconder da tristeza,
As vezes uma palavra que ela, a alma, pensa ouvir
Fica atenta, muda, imóvel, mas cheia de incertezas

Porque há muito tempo quando sonhos a povoavam
Sonhos coloridos pintados com as cores da natureza
Ela, aos pulos, gritava ao tempo, gritava ao mundo
Sua euforia, sem nunca pensar da vida tanta crueza

Por isso te pergunto, oh Deus! O que a mim fizeste?
- Ora, porque perguntas, filho? Não percebestes ainda?
Te fiz que saibas amar, sofrer, em poesias completas,
Que Deus Eu seria se não deixasse a dor para os poetas?


José João
07/12/2.017

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