quarta-feira, 5 de julho de 2017

Que pena! Sou apenas gente!



Ah! Como invejo os artistas! Pintores, poetas,
Escultores, compositores. Um dos meus pecados:
A inveja. Os pintores, seus pincéis e sua paleta mágica,
Em que misturam suas tintas e, como milagre, 
Nos quadros que pintam, mostram a própria alma.
Os poetas, esses então! Fingem gargalhando
Que não é deles a dor que choram nas poesias!
Fingem tanto que enganam a si mesmos, até dizem
Que as lágrimas que choram são risos que os lábios
Não souberam sorrir. Os escultores e o cinzel mágico!
Pegam a pedra inerte, dura e fria e lhe corta,
E  lhe sangra as mãos e com seu sangue lhe dá
Um pedaço da alma nos olhos risonhos da pedra
Esculpida e, ali, se faz eterno como sua criação.
Os compositores! Aprendem até a ouvir o silêncio!
Dele tiram notas que só os divinamente loucos
Podem ouvir e, com as mãos,  traduzir em acordes
Que se vão como fossem sonhos, inocentes anjos
Passeando na alma de quem ouve. Esses divinos
Artistas!! E eu!? Apenas seguro a paleta do pintor,
Dou o lápis para o poeta, busco a pedra do escultor
E, do compositor, faço de seus acordes lágrimas
Para chorar minha saudade... não sou artista...
Sou apenas gente.

José João
05/07/2.017


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