quinta-feira, 22 de junho de 2017

Gritos que a alma não ousa gritar.

A saudade, corria na noite, alucinada, louca,
Tentando encontrar sonhos disponíveis
Que trouxessem pedaços vividos dos tantos
Ontens que se fizeram viver, se fizeram poesia,
Os tantos momentos que se fizeram de sempre
Mesmo que agora se pareçam poesias inacabadas.
A noite, não sei se por maldade, se arrasta lenta
Sem nenhuma pressa de passar, sem quer ir-se,
A solidão, cor de treva, de gosto amargo,
Num escuro sem brilho, com um olhar demente
Desnuda a alma cabisbaixa, carente, ajoelhada
Em contrita oração pedindo baixinho que ela,
A solidão, não doa tanto. E a noite, sem
Nenhum alvor, se deixa ficar vazia e...
O escuro vazio da solidão grita em mórbido
Silêncio que não é preciso ser feliz para viver.
Mas a saudade, sempre prestimosa, fica ali,
Parada no pensamento, fazendo o coração
Bater mais forte e a alma fingir sorrisos,
Cheios de lágrimas que sofrem nos olhos
Como se fossem gritos que ela não ousa gritar.

José João
22/06/2.017

Um comentário:

  1. Adorei o poema, passa angústia, mas ao mesmo tempo beleza.
    bjss

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