sábado, 22 de julho de 2017

De onde vêm as poesias que faço?

As vezes, sozinho, me pergunto em silêncio
De onde me vêm essas poesias que faço?
E sem respostas, murmurando, me digo
Talvez de um anjo poeta, solto aí no espaço.

Desses anjos que, pacientes, ensinam amar,
Escrevem no tempo divinas histórias de amor
Fazem delas belos sonhos, lindos de se sonhar
E a bem da eternidade faz a saudade chegar

Talvez um anjo poeta brincando de me falar
De saudade, de prantos, de dor, do seu chorar,
De  angustias que sente e que não pode contar

Anjo que, da minha modesta alma, pede a voz
E grita poesias que me vêm sem que eu peça
Assim me permito, humilde, me chamar de nós.


José João
22/07/2.017


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Talvez amanhã escreva uma poesia.

Não sei porque as palavras estão fugindo de mim,
Os versos se escondendo, as poesias correndo 
Por entre as lágrimas sem se fazerem poesias.
Os sentimentos parecem perdidos, confusos,
Fazendo dos pensamentos apenas sombras
Que se escondem num silêncio que não escrevi.
O papel se deita em minha frente, o lápis...
E uma borracha, do tamanho de uma imensa
Tristeza, dessas que não apagam palavras,
Mas apagam sonhos, apagam vontades,
Até  mesmo a vontade de se buscar momentos 
Que um dia vividos, cheios ainda de sentido,
Tentam ficar dentro de nós lembrando sempre
O que fomos um dia. Hoje, os versos, as rimas
Se perderam no tempo, ou dentro da alma,
As poesias, como se escrevessem o vazio de mim,
Ficaram silenciosas, inertes, nem se fazerem, 
Pelo menos, poesias inacabadas, que fossem.
Nem fragmentos de mim quiseram ser hoje...
E por tanto, peguei saudades, tristezas, angustias,
Até a solidão, pus dentro de uma gaveta e...
Quem sabe amanhã escreva uma poesia?!


José João
21/07/2.017

Hoje é tão fácil dizer: te amo!

As vezes me perco em pensamentos distantes,
Em sonhos já quase perdidos para fugir da dor de agora,
A saudade do que fui, mesmo angustiante, ainda dói menos.
Meu medo, o temor do que não quero sentir, se faz forte,
Por mais que tente ver, sentir, viver o que gostaria de ser
Parece tudo muito distante, perdido no vazio do tempo.
Meus sentimentos se alvoroçam, vem a vontade de amar
E a alma se faz viva, se faz desperta para entregar-se,
Mas se esconde dentro da incerteza, desse medo 
Que se sente quando as palavras ouvidas nada dizem.
Um, eu te amo, quando não é dito com alma, um dia
Se faz angustia, depois tristeza, e... depois, nem 
Se faz saudade se faz decepção e dor, muita dor...
Queria apenas sentir a saudade do que já fui,
Saudade de mim mesmo, até dos arrependimentos
Do que não fiz, sinto saudade, bem mais doida,
Mas hoje a dor é maior, é sentir-se que o falar
Não é verdadeiro, que o olhar não busca a alma,
Só vai até ali, onde é tão fácil chegar... lugar nenhum
Porque não existe amar, só um mero querer.

José João
21/07/2.017

O beija-flor

Havia um beija-flor sempre alegre em meu jardim, 
As vezes, juro, me olhava sorrindo e como
Uma estrela cadente aqui perdida, voava
Tão rápido que nem levava meu pedido,
E ele se perdia aqui mesmo, bem perto de mim.
As vezes meu beija-flor brincava de pousar
Nas flores, me olhava e, sempre risonho,
Parecia  me mostrar como beijar, tão carinhoso,
Tão leve, tão meigo, tão divino que as vezes...
Vejam minha loucura, jurava que era um anjo.
As flores, quando ele chegava, se alvoroçavam,
Até se enfeitavam, pediam para a brisa
Lhes luzir as pétalas, pediam para  o sol 
Lhes deixar mais brilhantes, e dançavam 
Ao som do vento sob o olhar doce e meigo
Do beija-flor, (pretensioso) do meu beija flor.
E ele, como se num ritual, ia em cada uma delas
E lhes beijava suavemente a todas, e elas,
Num despertar de sonhos, pareciam desfalecer
Tanto a emoção. Mas um dia, meu beija-flor
Nunca mais voltou, as flores ficaram tristes,
E choramos juntos. Nunca mais soubemos dele
Só ficou a saudade ...acho que seu nome era, Amor.


José João
21/07/2.017

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Ontem, queria apenas sentir saudade.

Ontem escrevi versos que não queria escrever...
Só queria sentir a saudade que sentia, apenas isso.
Buscar sonhos a tanto sonhados, momentos que vivi
Na plenitude de uma entrega em que até a alma
Se entregava toda e plena, sem reservas e sem medos.
Ontem queria apenas não fazer nada, só pensar,
Sentado na frente de mim mesmo, mas ... percebi... 
Eu era o único que poderia se ocupar de mim,
Então escrevi versos tristes de histórias que perdi
De viver. Me entreguei aos ontens e aos amanhãs,
Esfreguei as mãos como se uma fosse de um amigo,
Me encostei no meu ombro e chorei, e fiz versos,
E me escrevi sem rima, com palavras soltas, perdidas,
Cheias dos vazios que nem percebia existirem.
Me fiz versos incompletos, versos rasgados, rotos,
Soltos pelo tempo indo sem me levar, apenas indo.
Eram poesias sem alma, mesmo cada palavra
Doendo como fosse um açoíte perverso da solidão
Que riscava os versos cheios com minhas lágrimas.
Ontem, escrevi dores que não queria escrever.
Queria apenas sentir saudade...

José João
19/07/2.017


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Me deixaram só

Me deixaram só... a solidão tomou conta de mim
Chegou toda e plena, escolheu onde ficar e... ficou.
Até o silêncio se fez mais denso. mais profundo,
A casa foi toda invadida de vazio, de ausência...
A alegria saiu aos prantos pela porta dos fundos,
E a tristeza, companheira inseparável da solidão, 
Com um sorriso irônico, me olhou nos olhos,
Como se quisesse chegar em minha alma...
Umedeceu-os, sem cerimonia, e gritou mais alto
Que qualquer palavra, mandou que meus olhos
Chorassem e... choraram, primeiro lágrimas,
Que escorreram lenta e timidamente pelo meu rosto...
Depois prantos, que se fizeram sussurros da alma
Como pedidos de clemência. Não sei se é dor
Ou saudade, talvez nem seja, talvez seja
Só mesmo dor, essa dor que doí quando tudo
Parece tão nada, quando a voz se faz soluço,
Quando se clama por um sorriso e não se tem,
Quando se insiste em não chorar mas...
A vontade é mais forte, afinal, são ordens
Da solidão, da tristeza, da angustia e da...
Ausência... me deixaram só.

José João
13/07/2.017

terça-feira, 11 de julho de 2017

Em nós, a eternidade começou agora

Sonhos... já sonhei tantos, alguns vivi intensamente,
Outros foram apenas sonhos, alguns se perderam
No tempo, outros ficaram como sombras em vazios
Que se fizeram entre angustias, solidão e o nada.
Mas de todos os que vivi, um se fez mais, muito mais...
Se fez vida, se fez verdade, tão intenso que, hoje,
Se faz essa saudade que me acalenta a alma, me deixa
Desperto, ainda me faz sentir as lágrimas fazendo
Da saudade passageira, indo buscar no tempo,
Momentos que, depois de tanto tempo, parecem
De ontem como se a eternidade começasse agora.
Um sonho e nós como se fossemos apenas um
Quando éramos dois, agora, sozinho, sonho
O mesmo sonho por nós dois, tanto estás dentro
De mim, de minha alma, que esta te deu ternamente
O mais confortável espaço que guardamos só pra ti.
De dentro dela, te ouço o murmurar doce e sereno
A dizer-me: ainda estou aqui. Choro ao te ouvir
Me dizer no silêncio dos amantes que ainda sou teu,
Como se a eternidade começasse agora... Vida

José João
11/07/2.017


Amar... sempre vale a pena.

Não me lembro de alguma vez ter amado pouco,
Sempre me entreguei, intensamente, todo e pleno,
Sempre fiz do amar um oceano, límpido, puro,
Um mar diferente, cheio de lindas estrelas,
Flores, beijos, carinhos, palavras cheias de zelo,
Belos sentimentos. Um mar, onde mergulhava 
Sem medo, nos sonhos coloridos e risonhos,
Nos olhares cheios de ternura que gritavam
Te amo, na certeza de que cada amanhã seria
Maior a vontade de ser mais, ser mais completo.
Sempre amei assim, como se viver fosse isso.
Não me lembro de alguma ver ter chorado pouco,
Sempre me entreguei, intensamente, todo e pleno
Sempre fiz do adeus, das despedidas um oceano
De lágrimas de prantos, um mar diferente
Cheio de estrelas cinzentas, caídas como fossem
Pedaços de dor. Um mar onde se mergulha
Na saudade que fica como doloridas lembranças,
Cheio de solidão, de silêncio, onde as carícias
Se perdem e se vão se como sombras mortas.
Não me lembro de alguma vez ter amado pouco,
Ter chorado pouco,ter sofrido pouco... mas
Opa! Acho que estou amando outra vez... 
Vale a pena.


José João
11/07/2.017


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Viver, o outro nome da saudade

Quantas vezes tomaste minha mão e seguimos juntos!!
Nossas almas, como apenas uma, sonhavam 
Nossos sonhos, brincavam de se fazerem gêmeas 
Num só sentir, num só falar ou ouvir coisas 
Que nossos corações confessavam nas noites, 
Quando nós dois, em nossa doce e terna solidão
Brincávamos, sentados na relva, de fazer inocentes 
Pedidos às belas e misteriosas estrelas cadentes,
E elas, coitadas, se confundiam pelos pedidos
Serem tão iguais. Nunca soubemos se fomos
Atendidos mas por tudo que vivemos... ...
Quantos por do sol! Outra vez, em terna, doce
E plena solidão brincávamos de dar nome
As nuvens, de inventar nomes para suas cores,
Tão divinas, tão suaves a flutuarem leves!
Quantas vezes tomaste minha mão e caminhamos
Pela areia branca sentindo a brisa cantar canções
Que só ela sabe os acordes e as melodias,
Quantas vezes pegaste minha mão, com carinho,
Para me ajudar seguir ... mas hoje sei que era
Tão pouco, tanto que nessa saudade que sinto,
Essa que deixaste, me tomaste a vida... porque
O outro nome dessa saudade é...viver.


José João
06/07/2.017


Mas... o mais importante é amar

As vezes, em descabidas lembranças, me vêm,
Não sei de onde, beijos que nunca recebi...
Amores que nunca vivi e saudade do que não sei.
As vezes me perco entre sonhos que não sonhei
De momentos que não lembro ter vivido.
Mas chegam tão intensos, tão cheios de mim
Que, dentro deles, me faço eu, todo e pleno.
Flutuo por horizontes distantes que nunca vi, 
Sigo caminhos que meus pensamentos criam,
Sentindo o gosto do vento, das flores...
Ouvindo, num divino silêncio, as flores 
Contando a história de suas pétalas e perfumes,
Outras chorando por não ter o cheiro de flor,
Assim como se fossem pessoas, algumas
Se fazem vivas no amor que sentem e vivem,
E deixarão no tempo sua história e existência,
Outras, coitadas, sem saber o que é o amor,
Se fazem flor sem perfume, sem se fazerem
História, ficarão, coitadas, no tempo esquecidas.
Assim, essa a saudade doída que sinto não sei de quem
Me faz pensar, que, pelo menos, amei intensamente,
Sei o que é o amar, mas quem amei...não sei.


José João
06/07/2.017


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Que pena! Sou apenas gente!



Ah! Como invejo os artistas! Pintores, poetas,
Escultores, compositores. Um dos meus pecados:
A inveja. Os pintores, seus pincéis e sua paleta mágica,
Em que misturam suas tintas e, como milagre, 
Nos quadros que pintam, mostram a própria alma.
Os poetas, esses então! Fingem gargalhando
Que não é deles a dor que choram nas poesias!
Fingem tanto que enganam a si mesmos, até dizem
Que as lágrimas que choram são risos que os lábios
Não souberam sorrir. Os escultores e o cinzel mágico!
Pegam a pedra inerte, dura e fria e lhe corta,
E  lhe sangra as mãos e com seu sangue lhe dá
Um pedaço da alma nos olhos risonhos da pedra
Esculpida e, ali, se faz eterno como sua criação.
Os compositores! Aprendem até a ouvir o silêncio!
Dele tiram notas que só os divinamente loucos
Podem ouvir e, com as mãos,  traduzir em acordes
Que se vão como fossem sonhos, inocentes anjos
Passeando na alma de quem ouve. Esses divinos
Artistas!! E eu!? Apenas seguro a paleta do pintor,
Dou o lápis para o poeta, busco a pedra do escultor
E, do compositor, faço de seus acordes lágrimas
Para chorar minha saudade... não sou artista...
Sou apenas gente.

José João
05/07/2.017


terça-feira, 4 de julho de 2017

Cada adeus é uma dor

Adeus! Quantos por mim foram ouvidos!
Quase todos eles foram sentidos... chorados,
Alguns até agora eu choro como se fossem
Ditos ontem. Ouvi muitos adeus por partir...
Outros por ficar, mas todos doloridos...
De alguns a saudade se faz prazer em sentir,
De outros, os olhos se encharcam em prantos,
Gritam desesperados, se perdem no vazio
Das lembranças que insistem em me dizer
Que a solidão existe, que a tristeza é viva
E que a dor da ausência é a alma que sente.
Tem adeus que, mesmo depois de tanto tempo,
Me acompanham nas noites, se fazem poemas
Molhados de lágrimas, poesias inacabadas
Porque a saudade se faz de tudo, até de vida
Mas há sempre um adeus que dói mais que todos,
Que até as lágrimas ficam mais frias, mais tristes,
É aquele adeus que não se queria ouvir,
Mas quando dito, a alma sente tanto desespero
Que orando, no rosário que reza, as contas são 
De lágrimas.


José João
04/07/2.017

Eu, a brisa e nossas lágrimas

No silêncio que o vazio da solidão deixa no tempo,
Quebrado apenas pelo sussurro de uma brisa que,
Em notas soltas, em sustenidos breves de acordes
Desconhecidos, parece chorar a mesma dor que sinto,
E uma nota mais grave, parecendo um amargo soluço,
Voa desesperada como se quisesse traduzir
Toda minha angustia é, como se fosse da brisa,
Um lágrima de minha alma que, calada, murmura
Desafinada a canção que o vento canta fazendo dela
Uma oração rezada aos gritos suplicando o milagre
Para que a dor não seja tanta, mesmo que a saudade
Se faça plena, me tome todo, me faça aos prantos,
Mas que não doa tanto como essa tristeza que se faz
Viva como se nada mais fosse preciso pra viver.
Me atiro a esmo em busca dos sonhos que já sonhei,
Ou mesmo outros sonhos ainda não sonhados
Que me permitam, pelo menos, fingir viver 
Momentos nunca antes vividos, mas que se façam
Pedaços de mim como se fossem verdadeiros,
E assim me perco dentro de uma saudade
Que se faz de sempre, uma sombra de mim mesmo
Vagando sem ir a lugar nenhum.


José João
04/07/2.017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Uma saudade para sempre

Meus sonhos se fazem saudade quando lembro de nós,
E assim, tu fucas  como se nunca tivesses ido,
Aí então, meus olhos, se emprestam a alma
E num incessante piscar, como se estivessem
Batendo palmas para a saudade se enchem de prantos
Que, em meu rosto, deslizam leves como fossem
Carícias me enganando, dizendo que são tuas mãos
A procurarem meus lábios que, em soluços tristes,
Balbuciam teu nome, num terno dizer: te amo.
Um torpor toma conta de mim, no peito. batendo forte,
O coração dispara, como se esse incoerente pulsar
Fosse orações gritadas para a dor não doer tanto.
Para tua ausência não se fazer de tanta angustia...
Para que a tristeza dê um tempo e a solidão
Não traga esse tão dolorido  e mórbido silêncio.
As lágrimas, voz entristecida da alma, caem
Avulsas, sem nenhum pudor, sem que eu queira,
Porque essa saudade de te, esse sentir tua falta
Está muito além de mim...está na eternidade
Da própria alma, como se fosse seu destino,
Sentir essa saudade para sempre

José João
03/07/2.017

terça-feira, 27 de junho de 2017

Que a saudade se faça destino

Depois de tantos momentos tão intensamente vividos,
Guardados dentro da alma, como se a eternidade
Ali também estivesse, guardando como se fosse divino
Os que a vida permitiu. Depois de tantos sonhos
Que se fizeram apenas um como verdades de dois,
Depois dos detalhes que de história se fizeram,
O viver de agora, sem essa saudade, não seria viver.
Me perco em vagos devaneios nos buscando
No tempo, te trago para perto como se tudo
Ainda estivesse tão aqui, como se os ontens
Fossem hoje e tudo estivesse em volta de mim,
Até a brisa se perfumou com teu perfume doce,
Único, como se apenas ele existisse no tempo.
Não seria vida não fosse essa saudade, viva,
As vezes cheia de risos, outras de lágrimas
Mas a te trazer, a te fazer, apesar do tempo,
Minha maior verdade. Te amar tanto assim
Me ensinou que o que o destino não permite
Ser para sempre, que para sempre seja a saudade
A lembar o que vivemos e ainda ...amamos.
Talvez seja isso a eternidade.


José João
27/06/2.017

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Pobre sombra de mim!

Pobre sombra esvaecida de mim mesmo
A caminhar num vazio que se fez mundo
A ir sem saber onde, caminhando a esmo
Como se fosse estrada abismo tão profundo

Sou aquele a quem os olhos já não vêm mais
Aquele a quem chamam pobre alma perdida
Que faz de arrimo qualquer pedra de cais
Como se fosse o mar sonho que o leve a vida

Talvez seja este meu sonho mais verdadeiro
Esse que se sonha torpe em demente medo
Desses que se faz de hediondo pesadelo 

Sou, talvez, alma que procura em desespero
O que um dia o tempo ou destino lhe tomou
E aos céus blasfema porque nunca encontrou 


José João
26/06/2.017


sábado, 24 de junho de 2017

Perdoa se fui tão pouco.

Perdoa se não soube te amar, me entregar mais.
Perdoa, mas foi tudo que pude fazer... tudo...
Se achaste pouco, que seja eu a sentir essa angustia,
Que me doa na alma ter sido tão pequeno, mas te amei,
Te amei como se fosses a própria vida a fazer-me
Flutuar entre os momentos, todos teus, sem reservas.
Perdoa, se me fiz tão pouco mas dentro de minha alma
Só tu existias, todos os meus pensamentos eram teus.
Perdoa se minhas palavas, abraços, beijos e carinhos
Não traduziram meus sentimentos ou, talvez...
Não os tivesses percebido, mas eram todos teus...
Sozinho, rezava orações com teu nome, meus olhos
Desaprenderam a ver tudo que não fosse tu...
Respirava o teu ar, sorria teus sorrisos e até...
Sonhava teus sonhos, nunca fui além de ser
Todo, pleno e totalmente teu. Não percebeste...
As vezes somos tão pouco que o tudo que se dá
Não é percebido. Que pena não teres visto
Meus olhos gritarem mais que as palavras
Quando, em lágrimas alegres, diziam te amo
Com a ternura que minha alma te olhava.
Perdoa, pelo tanto ter sido tão pouco, Perdoa.

José João
24/06/2.017


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Gritos que a alma não ousa gritar.

A saudade, corria na noite, alucinada, louca,
Tentando encontrar sonhos disponíveis
Que trouxessem pedaços vividos dos tantos
Ontens que se fizeram viver, se fizeram poesia,
Os tantos momentos que se fizeram de sempre
Mesmo que agora se pareçam poesias inacabadas.
A noite, não sei se por maldade, se arrasta lenta
Sem nenhuma pressa de passar, sem quer ir-se,
A solidão, cor de treva, de gosto amargo,
Num escuro sem brilho, com um olhar demente
Desnuda a alma cabisbaixa, carente, ajoelhada
Em contrita oração pedindo baixinho que ela,
A solidão, não doa tanto. E a noite, sem
Nenhum alvor, se deixa ficar vazia e...
O escuro vazio da solidão grita em mórbido
Silêncio que não é preciso ser feliz para viver.
Mas a saudade, sempre prestimosa, fica ali,
Parada no pensamento, fazendo o coração
Bater mais forte e a alma fingir sorrisos,
Cheios de lágrimas que sofrem nos olhos
Como se fossem gritos que ela não ousa gritar.

José João
22/06/2.017

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Talvez... brincar de ser feliz.

Hoje quero gritar, correr entre quintais,
Correr no tempo sem ter onde ir, mas ir...
Correndo por caminhos sem rumo, por veredas,
Descobrir horizontes, ouvir o eco de minha voz,
Mesmo sem saber o que digo, quero apenas gritar.
Não é raiva, talvez seja um descabida angustia,
Talvez buscando uma saudade que não senti ainda,
Um sonho que ainda não sonhei. Procurar sorrisos
Que ainda não foram dados, palavras não ditas,
Escrever poesias no chão, conversar com o tempo,
Ouvir a brisa de um lugar onde nunca fui,
Hoje quero fazer diferente, até gritar, te amo,
Mesmo sem ninguém ouvir. Não importa.
Quero ver outros mares, andar na multidão
Cheia de palavras diferentes, sem sentido,
Não sei se é loucura, se é solidão, se é medo,
Ou se é essa vontade de viver, de amar, não sei.
Mas hoje quero gritar, correr, até brincar...
Brincar de ser feliz, é isso,. Brincar de ser feliz.


José João
21/06/2.017


Quantas vezes já te esqueci!

Quantas vezes, te juro, já te esqueci!
Mas sempre voltas, viva e mais forte
A atirar-me nos momentos que vivi
A fazer-me chorar por tudo que já senti

Te esqueci ontem quando chorei sozinho
Te esqueci a noite, dormi sem te lembrar
Esqueci palavras, detalhes, esqueci carinhos
Até vires, sorrateira, dentro de um sonhar

Até a saudade, que também quis esquecer
Te traz sem que eu queira, sem eu pedir
As vezes, com raiva, finjo que te esqueci

Mas a bem da verdade, finjo quando minto
Quando juro te esquecer, a saudade sorri
E faz de sempre essa loucura que sinto.


José João
21/06/2.017

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Se a solidão tivesse cor...

De que cor seria a solidão, se cor ela tivesse?
Seria cor de tristeza? Ou cor do vazio?
Seria da cor das lágrimas que se chora sozinho?
Que cor teria a solidão, se cor ela tivesse?
Não teria a cor da saudade, nem de lembranças,
Não teria a cor dos sorrisos, mesmo fingidos,
Talvez tivesse a cor do tempo, desse tempo
Que não passa, quando a dor é mais doída
Pintada com a cor da solidão por serem parecidas.
Que pintor pintaria a solidão? E com que tinta?
Talvez fosse cor da ausência que dói dentro da gente,
Ou seria da cor dos prantos que a alma chora,
Quando sozinha, em mórbido silêncio, se entrega
Submissa à própria solidão? A cor da solidão...
Será que parece com a cor daquela lágrima
Que sofre nos olhos sentindo a dor demente
Que faz viver ser tão difícil, tão sem viver?
Quem dera a saudade soubesse a cor da solidão!
Mas penso que solidão que se preza não tem cor...
Se tivesse não seria solidão, e ela é apenas
Aquilo que não se sabe dizer, só se sabe sentir.

José João
19/06/2.017


domingo, 18 de junho de 2017

Sempre atento para amar-te

Apraz-me essa saudade tua, mesmo estando toda
Entre alegres sorridos fingidos e lágrimas tristes.
A ela me entrego todo, como se senti-la
Fosse viver outra vez a plenitude de estar contigo.
Me faço criança a sonhar-te, me faço poeta 
A buscar-te entre as poesias ainda não escritas
Mas cheias de ti. esperando inocentes e passivas.
Dou-me ao tempo no prazer de pensar-te minha,
Ainda minha, sem distâncias, sem medos,
Por saber que os amanhãs, ainda cheios de ti,
Não me permitirão nunca pensar em ausência.
Entrego-me a cativar-te em minha memória,
Te deixo toda, plena e comodamente  habitar
Minha alma, no espaço mais divino dela,
Onde apenas os sentimentos mais puros
Se fazem história, se fazem vida, se fazem nós.
Não me permito, e nem mesmo ao tempo, 
Que o esquecimento se faça voz em mim
Fazendo de nós um passado esquecido.
Minha alegria é triste, mas é essa saudade tua
Que me faz estar sempre atento para amar-te...
 e ... viver.


José João
18/06/2.017
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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ah! Essas divinas poesias!

Que seria de minha alma não fosse a poesia!
A doce e terna poesia, mesmo escrita em lágrimas,
Gritando saudades... mesmo fazendo versos
Chorados pela dor da solidão, versos tristes,
Que até despertam prantos, mas se fazem poesias,
Histórias vividas em que corações se juntaram,
Se confessaram e se amaram, as vezes em segredo,
Outras vezes como versos inacabados, em que sobram
As saudades, as lembranças e até mesmo a angustia.
Ah! Essas poesias que me deixam a alma viva,
Transbordante de sentimentos, buscando palavras,
As vezes soltas, outras vezes versos sem rima...
Mas brincando de pintar histórias, qualquer história,
De risos, de prantos, de dores as vezes tão doloridas
Que são escritas com risos fingidos mas fazem pulsar
Corações, fazem a vida ter tantos sentidos
Que loucura e razão se confundem, se cruzam,
Se trocam, se tocam numa insensatez divina.
Ah! Essas poesias que me fazem a alma brincar
Seriamente de ser livre, de ser viva...
De ser eterna..

José João
16/06/2.017


segunda-feira, 12 de junho de 2017

A dor que a alma sente

Grita, minha pobre alma, tua dor
Reza blasfêmias ou santas orações
Ajoelha-te, submissa em clamor
E pede aos céus, pede com fervor

Que as tantas cicatrizes mal saradas
Estas que a solidão lambe sem pudor
Se façam dores passadas, esquecidas
Como histórias no tempo já perdidas

Cuida que se em ti chegarem prantos
Deixa que em mim todo se derrame
Que deles farei versos, farei cantos

Que as lágrimas, pela tua dor parida
Corram em meu rosto como alento
Que a ti sempre, juro, estarei atento


José João
12/06/2.017

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Minha amiga... saudade

Lá fora, a noite brinca de esconder fantasmas,
A chuva cai como se fosse prantos chorados,
Não se sabe por quem, talvez pelo tempo
Que, coitado, eterno, deve ter muitas dores 
Para chorar, muitas histórias tristes pra contar.
No quarto, sozinho, sentindo meu próprio vazio,
Os fantasmas não precisam de portas nem janelas
Para entrar, apenas se fazem donos da noite
Ocupam todo o espaço, sufocam meus momentos,
Já mesmo quase todos perdidos num torpe esquecer.
A solidão, silencioso fantasma a fabricar silêncios,
A angustia,, a esgueirar-se sorrateira em volta de mim,
A tristeza, sentada comodamente no canto dos olhos,
Em louca frenesi fabrica lágrimas, muitas lágrimas,
Tantas que se atropelam, esperam um soluço apenas
Para explodirem, como em convulsão pelo rosto
Escrevendo nomes que não esqueço. Só a saudade,
Num comovente esperar, me traz um sorriso,
Num fingido sorrir, e me diz baixinho:
Não te aflijas, estou aqui para chorar contigo

José João
09/06/2.017

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A beleza dessa saudade tua

Ah! Não fosse essa saudade tua! Que me toma,
Me invade, me trás vida entre as tantas tristezas.
Com ela brinco de viver, de estar contigo,
Passo por sobre o tempo e me entrego todo
A senti-la como se estivesses aqui, perto de mim.
É verdade que as vezes choro, que as lágrimas,
Como crianças matreiras, brincam em meu rosto,
Nele rabiscam teu nome, e que meus soluços
Se fazem inocentes tentativas de gritar,
Ainda te amo... que o tempo pára e o momento
Se faz eterno dentro da alma que entre sorrir
E chorar se põe a guardar-te carinhosamente.
Ah! Não fosse essa saudade tua a despertar-me!
A me fazer correr entre os sonhos e buscar-te
Toda e plena e me vestir de ti! Se ainda
Sei sorrir, é essa tua saudade que me permite,
Sorrisos alegres, tristes, sorrisos que as vezes
Confundo com um silencioso confessar
A dor que sinto. Mas é ela que, quando me vem,
Te traz toda, me tomando e se apossando de mim.


José João
08/062.017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

A te ouvir me ponho atento (loucura)

O que me fazes, saudade? E porque me vens?
Deixa-me aqui no silêncio de mim, no vazio,
A oferecer-me, além da dor, o que mais tens?
Mas te fazes tanto que presumo estares no cio

Perco-me entre os sonhos, coitados, mortos,
Se não, pelo menos, pobres sonhos caducos
A me fazerem descabida e patética companhia
Companhia que, alma sã, te-los não se atreveria

Mas essa minha loucura demente, cheia de ti
Me faz buscar-te no mais escondido de mim
E brinca de saudade eterna de dor sem ter fim

Calo-me, e no silêncio que me toma o tempo
Deixo-me ficar na demência de tentar te ouvir
Se te amar é viver, a te ouvir me ponho atento

José João
07/06/2.017






segunda-feira, 5 de junho de 2017

O que não permito da solidão

Que me seja a solidão uma santa companheira
Se assim o desejarem a vida ou mesmo a alma
Que se faça em mim de hospede ou de passageira
Mas que me seja a primeira, a última, a derradeira

Que minha alma se faça forte e me faça entender
Que mesmo assim, em plena solidão, sem nada ser
Com o silêncio comum aos que sozinhos vivem
Sinta-me repleto do que sobrou de mim e...viver.

Mesmo que saudades se percam dentro de mim,
Se façam pedaços de momentos até já esquecidos
Que a alma não esqueça de um dia de te-los vividos

Dou-me todo à minha solidão, gentil companheira,
Mas só não lhe permito que mesmo em vazio estar
Não sejam minhas as lágrimas e a vontade de chorar.


José João
05/06/2.017


Saudade... é uma história

Pobre alma minha, tantos segredos escondidos!
Tantas dores guardadas, tantas angustias choradas!
Reza, pobre alma minha, pelos amores perdidos
Chora, com lágrimas que, em silêncio, gritem caladas.

Chora, minha pobre alma, nos tantos versos molhados
Alguns cheios de mim, contando coisas que escondo
Outros, talvez por pena, não sei, se deixam inacabados
Mas chora, pobre alma, chora o que a dor está impondo

Não te sintas ridícula, deixa que o sentir te tome toda,
Deixa que os soluços se façam orações rezadas
Ou faz que tuas dores se façam contos de fadas

Assim fingirás que dor é apenas brincar de chorar
Que amar é viver um sorrir e chorar um depois
E que saudade é a história que um chora por dois


José João
05/06/2.017


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Essa angustia da falta de mim.

Queria poder sorrir como tantos sorriem,
Mesmo que fosse um sorriso triste...
Desses que ninguém quer sorrir... me serviria.
Queria ter menos segredos escondidos...
Queria partilhar alegrias, cantar, brincar...
Fazer poesias com a primavera, pincelar nos versos
A beleza das flores, fazer do meu lápis um cinzel
E esculpir sorrisos, pássaros gorjeando trinados
Que só sei ouvir. Ah! Como gostaria!!
Gostaria de sentir a beleza do alvor do dia...
Declamar para o sol criança uma poesia alegre,
De sentir a brisa passar inocente entre as cercas,
Passear nos quintais, fazer dançar, suavemente,
As flores do pé de flamboyant! Mas lágrimas...
É só o que sei fazer, prantos que chegam,
Se fazem veredas em meu rosto por onde
a saudade, pálida, por também sentir a dor
Que sinto, passeia em passos lentos, carregada
Por um lágrima triste que insiste em não cair
Do rosto, pendura-se tenazmente na esperança
De que um sorriso lhe faça atirar-se sorrindo
Ao Tempo. Mas nada! Só mesmo essa angustia
Da falta de mim.

José João
01/06/2.017




quarta-feira, 31 de maio de 2017

Minha solidão

Diz-me, solidão infinda, porque tanto me tens?
Porque me fazes perder-me de mim e vagar?
Porque sempre, sem que eu peça, a mim vens
Com tristezas e esse tanto pranto para chorar?

Porque me cercas com esse mórbido silêncio
Que se faz vazio espaço a me tomar o tempo?
Porque me deixas a mercê de tanta angustia
Que nem rezas, nem saudades trazem alento?

Perco-me dentro de te em comovido sentir.
Dou-me a fazer de mim descabido resto
Do que fui e, mudo, oro sem saber o que pedir

Talvez, se houvesse sobrado resto de saudade,
Uma lembrança, um momento, um lembrar,
Assim, talvez, solidão, até eu pudesse sonhar.


José João
31/05/2.017


terça-feira, 30 de maio de 2017

Preciso de tão pouco!

Não preciso de tanto, preciso apenas de um olhar,
Um olhar que grite docemente o que a alma quer ouvir,
O que a alma precisa ouvir. Um olhar que se faça voz,
Que até se faça lágrimas, tanto a doçura do momento.
Não preciso de tanto, preciso apenas de ternas mãos
Que conversem em terno silêncio com meu rosto,
Em carícias sinceras e cegas onde os defeitos se farão 
Versos mudos, porque só a alma sentirá o momento.
Preciso de tão pouco. Não preciso de palavras estridentes
Gritando te amo, preciso do silêncio para que as almas
Se sintam plenas e confessem seus tantos segredos 
Sem medo de erros, sem medo de acertos, apenas...
Se entregando, sem medo dos amanhãs. Preciso de pouco,
De tão pouco que as vezes me assusto comigo mesmo,
Quando vejo tantos pedirem tanto. Eu?! Preciso apenas
De um beijo com gosto de amor, com gosto de vida,
Com gosto de certezas. Um beijo que faça dos outros
Pedaços de si, para que cada um seja sempre o primeiro,
Preciso de tão pouco, que talvez, quem sabe, sentado
Na beira do tempo me venha, na brisa, o que espero...
O que preciso...

José João
30/05/2.017

domingo, 28 de maio de 2017

A dor que a alma sente

Oh! Dor que chega aos gritos martirizando a alma
Que ajoelhada e triste se entrega toda ao pranto
Se deixa ficar, demente, mostrando fingida calma
Onde esconde angustias, tristezas e desencanto

Apieda-se gentil lembrança que em saudade vem
A trazer-lhe recordações de tempo já tão distante
Que nem mais como relíquias a pobre alma tem
Mas serve, faz que não se veja uma pobre ninguém

Mas se entrega ao pranto, em tão desvairado chorar
Que as lágrimas se atropelam deslizando no rosto
Como fossem caminhos que ali a dor tivesse posto

E a alma com um olhar vazio em perdido infinito
Se entrega em dolorido pranto a pedir, talvez...
Que lhe seja permitido sorrir pelo menos uma vez


José João
28/05/2.017

Que seja apenas saudade

Essa saudade tua te recria dentro de mim,
Traz, de dentro da alma, todos os momentos,
Todos os que ficaram, que se fizeram vida,
Que se fizeram eternamente nossos...
Sem se importarem com ausência ou distância.
Quando a saudade se faz mais forte, mais viva
Tanto que as lágrimas se deixam cair no rosto
Como se fossem carícias tuas, um sussurro,
Que só a alma ouve, vem do tempo dizendo
Teu nome, soletrando, letra por letra, para fazer
Bem mais forte essa vontade de dizer, te amo.
Fecho os olhos, brinco de te buscar o sorriso,
O olhar, sempre caridoso, de um amar sereno,
Desses que faz o tempo perder-se dentro da gente...
Que faz o esquecimento ser apenas ridículo..
E faz o pranto escrever em orações, escritas
Um pedido desesperado de clemência
Para que apenas a saudade se faça sempre
Cheia de ti e ocupe o vazio de tua ausência.

José João
28/05/2.017

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Maior que a dor da saudade

Não é de saudade a dor maior a ser sentida,
Dor maior é essa ausência que se faz de sempre,
Que deixa a vida como um simples existir,
Os sonhos são apagados por mórbida tristeza,
Os pensamentos se perdem no vazio do tempo,
Apenas fragmentos de momentos que existiram
Se deixam ficar lutando contra o esquecimento.
A saudade, por mais que se faça, até mesmo vida,
Não preenche o vazio da ausência que marca a alma
Deixando-a a mercê da dor, ajoelhar-se e, 
Aos prantos, rezar orações inventadas, choradas,
Que nem se sabe até onde vão, se são ouvidas
Ou se perdem no vazio, indo a lugar nenhum.
A solidão chega frenética, sem pudor, indolente,
Toma conta do tempo, faz tudo ficar vazio...
Até o silêncio aumenta sua demente mudez
E um soluço da alma, como se fosse um grito,
Desses gritos que até o eco é estridente...
Se espalha como um pedido de clemência
Que nunca é ouvido.

José João
19/05/2.017



terça-feira, 9 de maio de 2017

O palhaço e o poeta...poeta?!!

Me atenho a escrever-me entre versos e sonhos,
Entre dores e verdades, algumas verdadeiras,
Outras fingidas, como são algumas das lágrimas 
Que choro sorrindo, como se o riso fosse o palhaço...
O palhaço triste que escreve nas entrelinhas da vida
A angustia que sente e gargalha uma tristeza mórbida
Que ninguém entende ou percebe, apenas acham
O palhaço alegre, e ele, gargalhando estridente pranto,
Vai seguindo, vai escrevendo versos que contam
Histórias vividas, ou sonhando com os amanhãs
Risonhos que ele ainda ousa, apesar de tudo, sonhar.
As vezes lhe vem uma saudade gostosa de sentir,
Lhe beija a alma num carinhoso beijar, outras vezes,
Vem a brisa lhe acariciando o rosto, sussurrando
Coisas que esqueceu de lembar, algumas vezes
Se confundem, palhaço e poeta e abraçados 
Fazem versos, o  palhaço em piruetas de palavras
Conta sorridentes histórias tristes, e o poeta...
Bem, este, aos prantos, mas sem deixar de sorrir,
Finge que é ele o palhaço que não sabe chorar.


José João
09/05/2.017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Divina lembrança de nós dois.

Me atiro no tempo, na liberdade da saudade
Que me fazes sentir, com ela caminho entre os sonhos
Que sonhamos, e os que ainda vou sonhar, cheios de ti.
Ah! Essa saudade! Me faz livre pra te buscar,
Te deixar dentro de mim como se fosses uma oração
A ser rezada num cantar suave de uma Ave Maria
Na voz de um anjo, que brincando de fazer rima,
No fim de cada verso, escreve apenas o teu nome.
Me recrio dentro desse sentir, me entrego todo,
Corro entre horizontes, faço poesias com a brisa,
Brinco de pintar flores, de voar com os pássaros,
Em serena loucura, brinco de fazer infindas rotas
Entre as estrelas indo sem rumo entre elas
Cavalgando um pensamento que vai te buscar
Lá dentro do tempo, lá, bem dentro de mim,
Onde a alma servil e amante te guardou sorrindo.
E assim, essa doce saudade tua, perene por ser sempre,
Me permite viver entre lagrimas alegres, sonhos,
E a divina lembrança de nós dois.


José João
08/05/2.017


terça-feira, 2 de maio de 2017

Saudade ou dor? Não sei.

Me perco no silêncio de tua ausência, mesmo a solidão
Gritando em estridente mutismo teu santificado nome.
Me deixo levar pela saudade, numa louca busca de ti,
Por ontens que se fizeram dor, e os amanhãs, sem forma,
Apenas cheios de lágrimas que brincarão em meu rosto
Escrevendo histórias que, para sempre, ali ficarão
Como se fossem a própria vida chorando tua falta.
Calo parado dentro dos sonhos que não sonhei,
Mas repletos de ti, tanto ficaste dentro de minha alma
Que até os sonhos que não sonhei... são todos teus...
Cheios de ti, dos momentos que se farão de sempre.
Fico parado no tempo, numa demência! Num vazio!
Balbucio palavras desconexas numa voz reticente...
Sem sentido, sem um não-sei-o-que-dizer e, choro...
Lembro os segredos (a dor é maior) não devia
Te-los pra ti, mas calei, não os disse e agora...agora
A dor é mais que apenas dor é o remorso contante,
Maior que eu, maior que a saudade, que a tristeza,
Maior que a angustia que fica martirizando a alma.
Hoje, o silêncio foi maior, tanto foi, que ouvi
O pensamento chamando teu nome baixinho...
Como se sentisse pena de mim.


José João
02/05/2.017

sexta-feira, 28 de abril de 2017

É minha alma a essência de mim

Hoje quase não sei mais de mim, me perdi
Nas tantas decepções que me fizeram confundir
Ilusões com verdades ou meros fingimentos,
Não sei mais sentir, não sei mais me entregar
Sem medo, pois tudo que até agora vivi
Foram promessas vãs que minha alma, inocente,
Acreditava sem reservas e gritava ao mundo
Como se fossem verdadeiras as palavras ouvidas.
Me perco em sonhos que nunca passam disso
Por que nunca deixam que se façam verdades,
Me mostram como se eu não fosse mais eu,
Como se os sentimentos que me habitam
Não fossem mais preciso, não fossem mais
Parte essencial de mim. Assim, me escrevo
Em versos incompletos, em poesias inacabadas,
Em sonetos sem estrofes porque as rimas
Se fizeram vazias. |Minha alma chora em prantos
Por que dela se esqueceram, não a vêem,
Por que querem fazer o homem mais importante
Que a alma? se é ela que me faz vivo ... se é ela
A dona de mim... se ela é quem ama


José João
28/04/2.017


terça-feira, 25 de abril de 2017

Assim é minha lágrima

Hoje, grito em desespero tua triste ausência...
E pior seria se não pudesse mostrar minha lágrima,
Que se abre na beleza única de uma lágrima que chora
Minha dor como se fossem pétalas que mostram
Quanto dói a falta de ti. Nas horas em que a saudade
É apenas saudade, elas ficam ternas, puras, translucidas
Escrevendo teu nome na harmonia de um sentir divino.
Mas quando a saudade se faz dor, quando a tristeza
Grita lá de dentro de mim, ele se tinge, se toma
Da cor da dor como se a alma chorasse sangue.
E as lágrimas vão muito além do pranto, muito além,
Se fazem dor a correr entre sonhos, entre a solidão
E o vazio de mim. As vezes até acho minhas lágrimas
Belas, algumas se dobram como se não suportassem
A dor que choro, outras se pintam, numa pintura
Alegre, num fingir uma alegria que não sinto, se pintam
Em pequenos corações como se fossem pedaços
De saudade brincando de enfeita-las... outras, talvez
Pela timidez, se fazem roxas com se fosse criança
A chorar uma dor que nem sei se sente... mas é assim.
Agora sabem como são minhas lágrimas, como uma flor,
Que se apanha num jardim que não existe.


José João
25/04/2.017
imagem gentilmente
cedida pela poeta e fotógrafa 
Marissete Zanon

Sempre te levo comigo

Ainda carrego aquele olhar que um dia me deste,
Levo-o comigo onde eu for, ele vai preso na alma,
Na liberdade de ver-me quando o sinto dentro de mim.
Deixo que me veja todo e me faço desnudo do medo
De te perder para o tempo, me permito, vive-lo.
Deixo também que tua saudade me tome, me invada,
Me faça tua posse, que não permita o esquecimento
Se aproximar de nós, tu dentro de mim e eu...
Vestido de te, como se a vida fosse apenas nós dois.
Levo tudo de ti, de nós dois comigo, até o detalhes...
Esses que fazem nossa história ser bela até...
Nas entrelinhas, quando ninguém percebe o que nela
Foi dito, se fazem segredos dentro da poesia...
(Quase ninguém percebe a grandeza dos detalhes)
Te levo sempre dentro dos mais ternos sonhos,
De todos os que sonhei, ou que ainda vou sonhar,
Porque tu ocupas todos os pensamentos, os amanhãs,
Da mais fugaz à mais eterna das minhas verdades.
Te levo comigo onde eu for, dentro dessa saudade
Que me marca a alma e me deixa vivo, pra ti.


José João
25/04/2.017

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