quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Meus sonetos

Escrevo sonetos quando minhas lágrimas
São poucas, cambem em versos curtos
Quando a saudade declama versos mudos
Quando o tempo e meu sentir se fazem surdos

Escrevo sonetos quando a dor brinca comigo
Quando finge que é de tristeza, mas é saudade
Vem sozinha, cambaleando em passos bêbados,
Se fazendo dor de chorar, mas... é só arremedo

Meus sonetos, alguns inacabados por falta de mim
Outros, por vezes, nas entrelinhas gritam tristes
Coisas que, nem sei porque, ainda em mim existe

Mas se são poucas lágrima ou se a dor é menor
Se cabem dentro de um soneto que se escreve
Ele que se faça assim, livre, solto e leve.

José João
15/11/2.017



Noite

À noite, sob os acordes de uma canção silenciosa
E triste que a saudade canta dentro do peito,
As lágrimas, tal pingos de luar, brilham no rosto
Como divinos versos que a alma declama 
Em plena solidão, como se esta fosse o palco,
A inspiração e a ouvinte. O luar se derrama,
Carinhoso, sobre a relva, o vento brinca
De fazer dueto com o farfalhar das folhas,
A saudade se faz maior, traz uma ausência
Que sufoca, apesar do carinho da noite
Em trazer sonhos antigos e fazer sonhar
Sonhos novos. Me perco num devanear
Choroso, as vezes cheio de saudade de mim,
Outras vezes em sorrisos tímidos lembrando
O que já vivi e senti. Um raio de luar,
Passando por entre as folhas das árvores
Se chega perto de mim, e fica em silêncio,
Deitado comodamente me convidando
Para contar estrelas, levanto os olhos
E... lá longe, lá no alto, uma estrela cadente
Passa risonha querendo levar meus pedidos,
Mas só lhe contei meus segredos. Ah! Noite!
Sempre se fazendo espaço para a solidão
De cada um

José João
15/11/2.017
     

sábado, 11 de novembro de 2017

Coisas nossas que o por do sol nos conta.

Gosto muito de ver o alarde silencioso 
Do por do sol, de ver a efusiva melancolia
Das nuvens pintadas em cores mágicas
Por não existir tinta que possa imita-las.
Gosto de ver o sol brincando de brincar,
Sozinho,  lá no alto, com a solidão que,
Por milagre, não se faz dor, embora os olhos
Se umedeçam, tanto a nostalgia da hora
E de uma saudade que vem e não se sabe
De onde. Nessa hora, quando tudo
Parece divino, as lembranças vêm...
Algumas risonhas, outras arredias,
Sem querer chegar, para que lágrimas
Tristes não estraguem o momento...
Gosto de sentar na beira do tempo
Quando o dia, sonolento, se espreguiça
E um bocejar com jeito de brisa
Se estende sobre as horas, que lentas,
Parecem pedaços de versos invisíveis,
Contando segredos da gente pra...
Gente mesmo.

José João
11/11/2.017


Eu... me levando por aí.

Hoje saí por aí, procurando olhares
Que não me olham, tentando ouvir
Palavras que ninguém nunca me diz,
Saí tentando encontrar sorrisos
Que ninguém nunca me dá, até mesmo
Restos de sorrisos me serviriam...
Pedaços de sorrisos que ninguém quis,
Mesmo sorrisos falsos, ah! Quem dera!
Saí hoje por aí, passos pesados, trôpegos,
Tropeçando nos pedaços de sonhos
Que caim como caem as flores murchas,
Chorei entre tantos e... ninguém viu,
Sussurrava meu nome baixinho, 
Com medo de me esquecer de mim.
E andava, e ia, sem saber onde ir,
Apenas ia, outras vezes voltava...
Me perdia entre a multidão vazia...
Os sorrisos, se é que eram sorrisos...
Nenhum era pra mim, e assim fiquei
Fitando o vazio que a solidão trazia.

José João
11/11/2.017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Meu jardim de sonhos

Plantei um jardim de sonhos, tantos sonhos!!!
No começo foram regados com sorrisos,
(quando se ama os sorrisos são mágicos)
Depois, foi passando o tempo, os sorrisos
Foram murchando, ficando sem brilho...
Até que um dia ficaram tristes e se foram.
Mas os sonhos continuavam plantados,
Até plantei outros sonhos novos no jardim,
Precisavam ser regados, mas os sorrisos,
Os sorrisos mágicos tinham ido embora.
Um quase desespero tomava conta de mim,
Como regar meus sonhos? Coitados...
Iam ficando tristes, lentamente iam 
Ficando murchos, foi  quando a saudade
Dos sorrisos mágicos me tomou todo,
Mas era uma saudade triste, angustiante,
No começo apenas umedecia os olhos,
Mas depois se fez lágrimas, depois prantos,
Tanto que hoje rego o meu jardim de sonhos,
Com prantos que a saudade me ajuda chorar
Com a esperança que um deles se faça verdade


José João
10/11/2.017


Champanhe... merecemos

Champanhe, champanhe para brindar o hoje,
Champanhe para brindar a ... mim mesmo.
Hoje me fiz arte, me fiz poesia, me escrevi
No tempo. Dos ontens fiz versos completos,
Do hoje me faço história recente e viva,
Para o amanhã me faço sonhos, sonhos bêbados,
Impossíveis, mas cheios da vontade de sentir
O gosto de amores que nunca vivi, só sonhei.
Hoje saímos nós dois, caminhamos sem rumo,
Contando histórias malucas de nós mesmos,
Rimos, choramos, lembramos de coisas antigas,
Já quase perdidas no tempo, mas hoje? Hoje...
É um dia especial, dia de lembrar saudades 
Que senti a tanto tempo, mas que me seguem,
Uma, de cabelos bem brancos, me olhou
Dentro dos olhos, me deu um terno abraço 
E perguntou: lembras desde quando estamos
Juntos? Lembras que quando eu era jovem
Tu choravas quando me sentias? Hoje, querido,
Fazemos aniversário, champanhe pra nós dois.


José João
10/11/2.017

Um dia especial pra sentir saudade

A chuva lá fora canta uma canção triste.
Uma saudade muda, com gosto de lágrimas,
Corre de dentro da alma e chega aos olhos
Esculpida em lágrimas, o pensamento
Corre solto, quase voando,  buscando
Momentos que ficaram para  trás, pedidos
Dentro de quase apagadas lembranças.
Uma mistura de angustia com carência
Me faz sonhar sonhos impossíveis.
Me apego em buscar palavras que nem sei
Se cabem na poesia, procuro rimas em versos
Soltos, que ficam reticentes como se a poesia
Estivesse soluçando uma dor que não sabe
Escrever, ou não cabe nela por ser maior
Que os versos, que a saudade, que o tempo.
Num murmurar demente, balbucio um nome
Que nem escuto, apenas sinto e ...as lágrimas
Se preocupam em escreve-lo no meu rosto,
E lá ficam, como fossem um grito que,
De dentro da solidão a alma grita dizendo:
Te amo ... e, de joelhos, cai aos prantos.


José João
10/11/2.017


sábado, 4 de novembro de 2017

Não sei que dor é essa...

Não sei se é saudade o que sinto, desde a alma,
Mas sei que dói, é uma dor de chorar, gritar,
Correr, mesmo que saiba que em qualquer lugar
Será o mesmo sentir. A angustia se faz tanta,
Que apenas chorar não basta, a solidão,
Grita de dentro mim, repetindo sempre
Que não faço falta pra ninguém, silêncio, 
Só meus soluços me buscam em tempos
Em que eu era eu e, agora, no vazio 
De mim mesmo, me procuro onde nem sei
Se estou. De longe, de um sonho distante,
(Nem sei como se guardou por tanto tempo!)
Pedaços de ontens chegam tímidos, arredios,
Como se tivessem medo de chegar
Porque ainda estão cheios dessa carência
Que, ainda hoje, me deixa dentro do nada
Que sufoca, cala a voz, mata os amanhãs,
E faz tudo assim... triste

José João
04/11/2.017

É melhor brincar de chorar

Hoje quero brincar de chorar, sim brincar...
Assim engano a alma, faço das lágrimas
Brinquedos, como pedaços de luz
Correndo dos olhos, como palavras
Que voam ao vento brincado de contar
Histórias de amor, como: era uma vez...
Uma saudade parida por um adeus
Que não era para ser dito. Uma lágrima
Silenciosa escorreu pelo rosto e riscou
Um nome que a alma gritava em vão,
Um soluço, tal um grito, rasgou o silêncio
E em frenesi entrecortava as palavras
Num incontido esforço de se fazer voz.
Um murmúrio que só o pensamento
Podia ouvir, soletrava, entre prantos,
Um nome, assim como se rezasse
Uma oração. As mãos como em súplica,
Se abriam na direção do céu como se lá
Chegasse seu clamor e... no silêncio
Da resposta que não vem, só resta...
Brincar de chorar.


José João
04/11/2.017


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Nem sempre amar é ... sorrir

Um dia, alguém chorava em minha frente
E as lágrimas eram tão tristes... tão tristes
Que nem vi a cor dos olhos que choravam,
Vi apenas a dor da alma que parecia 
Se contorcer em dolorida convulsão, 
Pedindo, com os tantos prantos, apenas
Uma palavra, um abraço um sussurrar
De: estou aqui. Ah! Essa minha alma!
Também carente, se propôs chorar junto
E chorou, com lágrimas vivas a outra dor.
E juntas, abraçadas naquele doloroso
Sentir, não viam cor, apenas se entregavam
Sabendo que as lágrimas se misturavam,
Se abraçavam num inocente abraçar,
E as almas pareciam mais alividas
Se faziam uma só, sem medo, sem temor,
Sem se olharem com os olhos, tão poucos!
Preferiram se tocar com a plenitude
De suas existências. Até que um dia...
Outra vez as lágrimas, mas dessa vez,
A saudade não era doída, era só mesmo
Saudade, e as lágrimas se misturaram,
Mas sem dor, ficava um pedacinho de cada
Coração dentro do outro...


José João
30/10/2.017.


Pelas lágrimas?! Seria eterno

Há como se medir a vida... a minha o fiz
Pelos tantos adeus, pelas tantas saudades
Sentidas, um dia pensei em medi-la
Pelas lágrimas choradas, me surpreendi,
Se assim pudesse e fizesse... seria eterno,
Chorei quase todos os adeus, quase todas
As saudades. Minha alma brincava de fingir
Se fazendo em risos, mas coitada, tão falsos
Que não enganava nem a mais sutil tristeza,
A menor das angustias percebia o seu fingir.
E... as lágrimas vinham, algumas brilhantes
Enganadas pela alma que a elas dizia...
É só uma saudade. Outras vinham frias,
Tristes, preguiçosas, como se meu sentir
Lhes fizesse lentas para mais encharcar
Os olhos, para chorarem realmente a dor
Que a alma chorava, outras vinham 
Finos fios a caírem  no rosto como regatos 
Cristalinos que chora a falta de chuva, 
Outras vinham como correntezas, eram 
Tantas lágrimas que sufocavam até a voz. 
Foi aí que vi...se medisse a vida por lágrimas,..
Seria...eterno

José João
30/10/2.017



Tua ausência...minha loucura

Nos meus sonhos, loucos sonhos, trazidos
Por essa carência mórbida e tão doída,
Dessa tanta falta de ti, dessa ausência
Que me toma todo, e me invade a alma,
Nas manhãs, acordo, acaricio teus cabelos,
Te beijo a fronte, te admiro toda e cuido
Para que teu sono, que te faz parecer criança,
Te traga sonhos, belos sonhos e... choro...
Não estás, me vejo sozinho quando desperto,
E. nessa minha loucura, te vejo sempre,
Até nos detalhes, como cobrir teu corpo
Nas manhãs frias e tu, tão inocente, linda,
Dormindo como se anjos guardassem
Teu sono. Até meu respirar se fazia silêncio
Para não espantar teus sonhos, hoje...hoje
Essas imagens me vêm, nítidas, do tamanho
Dessa infinda saudade que me toma,
Desse vazio de dentro de mim, dessa vontade
De gritar, até blasfêmias, pela angustia
Que me faz que viver seja apenas...chorar.

José João
30/10/2.017

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Hoje, chorei sem lágrimas

Hoje, o que queria mesmo era apenas 
Algumas lágrimas, nem precisava 
Que fossem muitas, não precisava que fosse
Pranto, me bastariam algumas lágrimas.
Mas elas, parece, se esconderam de mim,
E assim, a dor dessa saudade se faz mais doída,
As lágrimas me serviam tanto! Aliviam a dor,
Mas ontem, acho, chorei todas elas... todas...
Por tão forte ter sido a dor dessa saudade
Chorei todas elas, chorei aos gritos,
Gritei gritos estridentes no silêncio de cada
Lágrima que, suave, saía dos meus olhos
Para molhar a saudade que doía tanto...
Hoje me sinto vazio, de mim e de lágrimas,
Os olhos, em triste procura do que nem sabe,
Dançam irrequietos buscando imagens
Que se perderam no tempo e ... hoje...
Mesmo sem lágrimas, continuam chorando,
Gritando teu nome como oração divina,


José João
26/10/2.017


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Confissão?! Não sei

Desculpa se as tantas vezes que te disse
Te amo foram poucas. Se meu olhos
Não souberam dizer, gritar, tudo que minha
Alma sentia. Ela se entregou tanto a te
Que até esqueceu meu nome. Desculpa, amor...
Se não sentias meu coração gritando, 
Num louco pulsar, quando estava contigo,
O suor frio a me percorrer o corpo, os arrepios
Quando estavas perto, e minhas mãos?!
Trêmulas, ansiosas mas... tímidas, assim
Como se tocar em te fosse profanar teu corpo.
Desculpa se te amei tanto e não percebeste,
Foi minha culpa. A vezes somos tão pouco
Que nos damos todo e ninguém percebe...
Te confesso que nem sorrir com meu sorriso
Eu sabia mais, tinha que ser com o teu...
Meus sonhos! Mas que meus sonhos?
Sonhava os teus sonhos e os meus, juro,
Sonhava contigo. Desculpa,  amor...
Se te amei tanto e...não soube te dizer.


José João
19/10/2.017




quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Pedaços completos de saudades

Sentado dentro de uma solidão teimosa,
Com a tristeza fazendo festa em volta de mim...
Com uma angustia como se chorasse comigo
A perda de sonhos que se foram por aí,
Sem rumo, perdidos, levados por entre vazios
Que mais pareciam pedaços de mim. A alma
Se desfazendo em prantos chorados a vulso
Me trazia uma saudade partida em pedaços,
Tantos, que pareciam pétalas caídas no chão
Rolando entre os nadas, na vã tentativa 
De consolar um coração que, sozinho, fingia
Deitar-se comodo sobre a face dura da vida
Que, em silêncio, lhe dizia quanto dói a solidão.
Uma luz, sutil, vindo talvez de algum pedaço
De esperança, deitava-se sobre a saudade
Que fingia-se flor para enganar a alma
Que jurava ser um perfume que nunca
Esqueceu.

José João
17/10/2.017


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Por minha culpa

Hoje, hoje eu tenho todo o tempo que não dei.
Todo o tempo que não quis ou não pude te dá,
Hoje ele é todo meu, tanto e só meu que, sozinho,
Nessa solidão tão doída, não tenho com quem dividi-lo,
Se arrasta lento nas horas, se faz caminho sombrio
Indo a lugar nenhum apenas indo te buscar na saudade.
Hoje o tempo, a mim, se entrega todo e não sei
Se por ironia, por mero desejo de me ver chorar
Sozinho essa saudade de nós dois que só agora
Eu sei, é minha culpa. Hoje, o tempo é meu,
O silêncio, a solidão é minha,, a vontade
De te ter nos braços é só minha. A necessidade
De gritar essa angustia que me toma, invade a alma,
E a faz gritar: desculpa... ainda te amo, como se
Não fosse tarde para isso. Hoje, ombros curvos,
Cabeça baixa. passos trôpegos, voz reticente...
Quase sem ser voz, vou indo, olhando os amanhãs
Como se a esperança, desde ontem estivesse morta,
Porque eu não soube que o tempo que não dei
Hoje, se faria eterno para essa tanta tristeza
Para essa tanta ausência tua...por minha culpa


José João
13/10/2.017

Não me amas mas... eu te amo

Ora, se a mim dizes não mais querer-me
Dou-me ao prazer de sentir tua saudade
Te permites por direito não mais ser minha
A mim permito que sejas tu minha verdade

Se ironizas meu querer, meu jeito de amar
Se afirmas ser ridículo meu modo de sentir
Que te dê a vida todo esse direito que é teu
Mas te amar esse é um direito todo e só meu 

Te amar não quer dizer que sejas minha,
Não quer dizer que te obrigue a aceitar-me
Nem também que deveria estar contigo

Te amar e não querer-me que posso eu fazer?
Apenas calar, mas a mim não  podes proibir
Que pra onde eu vá, sempre te leve comigo


José João
13/10/2.017


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

No adeus...é melhor calar

Tristes são todos os adeus, mas alguns...
Ah! Alguns são mais doídos que todos,
Até mais que aqueles que foram gritados
Com os olhos no silêncio das lágrias,
Alguns, nem o tempo permite esquecer
Porque se fazem mais que dor, se fazem
Remorso que a alma chorará para sempre,
É no adeus onde as palavras vêm do nada
E nada dizem, a não ser aumentar a dor
Que no momento não passa disso, mas...
Depois, essas palavras fazem eco na alma,
Se fazem um grito sonoro do tempo e,
O arrependimento do ter dito, a angustia,
Se fazem tão vivas que os olhos se enchem
Com as lágrimas que não foram choradas
Quando as palavras que vieram do nada
E nada disseram foram ditas... aí a dor
É maior e, uma vergonha, como se fosse
Tristeza, invade até a alma, e se chora
Como se fosse um pedido de perdão
Que não pode mais ser ouvido.

José João
12/10/2.017

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Amar... amar ...

Apenas o amar me basta, amar é como viver...
É estar pleno, vivo, cheio de sonhos e sonhar
É  fazer a beleza estar em todo e qualquer lugar
E deixar na alma quem só você pode guardar

É  saber-se livre mesmo preso a um só pensar
Na prazerosa inquietação de apenas se entregar
Ser a medida certa, nem ser muito nem ser pouco
É o prazer incontido de por tanta alegria chorar

Amar... é como se viver fosse além de sonhar
Assim, como uma magia que faz a gente flutuar,.
Voar, ir além, muito além sem nem sair do lugar

Amar, é brincar de dar nome a cada estrela, 
De poder vê-las, todas, refletidas num olhar
É... hoje a solidão me cobrou esse lembrar


José João
11/10/2.017



terça-feira, 10 de outubro de 2017

O que tua falta me faz

Me perco de mim quando tua saudade
Chega gritando, estridente, se fazendo
De único acontecer para a alma.
As palavras se perdem nos versos,
Correm sem encontrar um lugar
Em que digam o que querem dizer.
Um adeus fica gritando lá atrás do tempo
Querendo ainda ser dor, um eu te amo,
Dito a tanto tempo quer se fazer de ontem,
Um sonho correndo entre os versos
Tropeça numa vírgula que separava
Um ontem de um sempre. Um ponto
No fim de um verso, queria por força
Acabar com uma saudade que acabava
De chegar, que nem ainda tinha 
Se feito lágrima. Me perco, os soluços
Que querem se fazer voz, nos suspiros
Que querem se fazer gritos da alma
E eu... nessa toda confusão...
Apenas choro tua falta.


José João
10/10/2.017


Aprendi chorar sorrindo

Rio, atá nas horas tristes, dentro da solidão,
Sentado em frende da tristeza, rio-me ...
E as gargalhadas, apraz-me ver a solidão
E a tristeza aparvalhadas, sem nada entender,
Jurando que estão a me trazer angustias e eu...
Delas rindo! Que meus olhos chorem...
Até permito, afinal não são minhas lágrimas,
São lágrimas da alma, mas eu... rio sempre
Até da dor, com aquela cara fechada de rancor,
Com a morbidez de mais se fazer doer...
Até dela rio-me a vontade, e ela também
Não entende tão surpresa fica que por si só
Se faz mais amena sem que nem ela mesma
Perceba. Rio da solidão, da tristeza, da dor,
Rio-me quando a saudade vem trazendo
Coisas antigas de muito já esquecidas, 
Das coisas ou de momentos que doe lembar,
Eu rio, é  minha maior expressão de chorar
Tristezas, solidão, angustia e até saudades
Nunca saberão desse meu segredo.
Quando, mesmo chorando, eu sorrio
Ninguém me pergunta se estou triste.

José João
10/10/2.017

O vício de ser sonho

Minha saudade cavalga sobre meus sonhos
Que, já cansados, vão sem querer ir, vão lentos
Quase não indo mais a lugar nenhum,
Mas ainda assim são viajantes no tempo, viajam
Desde os ontens até não sei em quantos amanhãs.
Me deixo levar como se nada mais fosse preciso,
Sem sonhar sonhos novos, sem olhar além 
Do que agora me é permito olhar e sentir,
Me faço história perdida de momentos esquecidos,
De poesias inacabadas, agora vazias, sem sentido...
Poesias que ninguém mais quer ler, nada dizem
Por nada terem pra dizer, tudo se fez tão pouco
Que o tudo que havia dentro de mim...sumiu
Se resumiu em restos, em pedaços tão pequenos
Que ninguém vê, nem sente, nem percebe, nem lê
E assim deixo que a saudade cavalgue 
Nos sonhos que ainda exitem apenas
Pelo vício de serem sonhos.

José João
10/10/2.017


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Um triste despertar.

Outro dia, como se fosse ontem, eu era jovem,
Brincava de zombar com o tempo, os amanhãs
Eram tão distantes, as saudades... saudades!!!
Perguntava de onde ela vinha e o que era.
O mundo parava pra mim e eu sorria...
Tudo era tão bem ali, ao alcance das mãos.
Os sonhos se pariam avulso e, todos eles,
Tão perto que se podia esperar acontecer.
Zombava das lágrimas, que ridículo os prantos!
Ah! O tempo! passa fingindo para os jovens
Que vai sempre espera-los, mas de repente,
Ele mente e..passa, só aí se percebe, assustado,
Que é ele quem zomba, os amanhãs se fazem
Incertos, as saudades ficam vivas e cada uma
Tem um nome. Tudo fica tão distante que o medo
De não ter mais tempo se faz tanto 
Que as lágrimas se fazem prantos, os sonhos,
Que ontem se pariam avulso, quase não 
Acontecem mais e... chorar não é mais ridículo,
É viver na lembrança com o que se brincou e... 
Não  se viveu e agora... 


José João
03/10/2.017

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Não sei mais do que preciso

Já não sei mais do que preciso, me perdi.
Fiquei procurando caminhos, horizontes,
Procurando sonhos que não podia sonhar,
De repente, tudo ficou tão triste, tão vazio
Que até as lembranças se foram, perderam-se
Entre meus tantos perdidos e os caminhos
Se fizeram veredas que vão a lugar nenhum.
Os versos se repetem sem palavras novas,
As rimas se esconderam, se fizeram sombras
Como se fossem pedaços soltos da alma
Dizendo  o que ninguém mais quer ouvir.
Não me escrevi mais nas poesias, até elas,
Pela falta de mim, se calaram, emudeceram,
E nesse silêncio que dói tanto me procuro.
Tudo se foi e não vi. Só agora percebo..
Estou só e, um temor, quase um desespero,
Me toma quando me pergunto e, sem resposta,
Por medo de me ouvir, calo, olho para o nada,
Um soluço sai sutil da alma e... não sei...
Não sei mais do que preciso.

José João
29/08/2.017

sábado, 23 de setembro de 2017

A magia dos sonetos

Que santificada magia tem os sonetos?
Contam vidas inteiras em pucos linhas
Fazem amores e tristezas pares perfeitos
Até fazem que outras dores sejam minhas!!

Tão mágico são, que neles cabem saudades,
Cabem espinhos e flores no mesmo verso,
Cabem sonhos, mentiras se fazem verdades
Onde nem a dor pari sentimento tão perverso

Sempre brincam de brincar com os momentos
Buscam sonhos e pensamentos tão distantes
Que faz ser saudade o que antes eram tormentos

Que magia santificada é a magia dos sonetos!!
Tão pequenos que, olha, cabem na palma da mão
Mas tão grandes que fazem de mundo um coração


José João
23/09/2.017


Meu mais perfeito alento

Se essa saudade se fizer de sempre, te juro
Que em mim a farei divina, eterna e tanto
Que me farei, lavado em lágrimas, tão puro
Para te rezar anjo mulher de infindo encanto

Te rezarei em orações na mais perfeita prece,
Tua imagem, em mim será perfeito templo
Serás a mais perfeita dadiva que a vida oferece
E gritarei aos anjos que deles és o exemplo

De braços abertos em clamor vindo da alma
Aos céus peço que nunca faça ir essa saudade
Que se faça, pra sempre, vida e perene verdade

E dentro dessa saudade do tamanho do tempo
Te amarei como se nada mais fosse preciso
E serás com ela o meu mais perfeito alento.


José João
23/09/2.017


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Eternamente saudade

Ah! Esse movimento inconstante da vida!
As vezes traz tristezas, outras vezes, sonhos...
Mas quase sempre traz saudades, 
Algumas risonhas, outras em lágrimas, 
Mas sempre traz e ... onde se estiver.
Algumas vezes,  palavras ditas não sei por quem,
Apenas ouvidas no que seria um simples ouvir
Te trazem tão intensamente, que vens com prantos,
Com dor, com a imensidão da falta de ti,
Tão grande que me faz o menor de mim. 
As vezes, sem que eu peça, tu me vens, lentamente,
E vai chegando.... e vai crescendo, me tomando,
Me invadindo, tanto que te apossas de mim
Como se minha alma vivesse por nós dois,
Aí não sinto dor, nem tristeza, apenas sinto
Nossas vidas pulsando dentro dessa saudade
Que se fosse sempre assim, doce, sem dor,
Sem angustias, pediria em orações
Para que fosse eternamente saudade.


José João
21/09/2.017

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

... pago com lágrimas...

Ah! Essas mágoas que tanto me afligem agora!
Quem me dera voltasse a paz de tempos idos!
Em que tudo era alegria ser feliz não tinha hora
Não havia tristeza, não havia sonhos perdidos

Livre a envolver-me em saudades passageiras
Brincando de escrever versos em rimas soltas
Sabendo que das saudades não havia derradeira
Com todas elas brincava dizendo ser a primeira

Que belos tempos! Há muito perdidos de mim!
Hoje caminho só, tropeçando em passos lentos
Cantando cantigas rotas que me servem de alento

Se hoje choro sozinho o vazio das ilusões perdidas
Foi minha culpa, brincava fingido, dizendo amar
Portanto, só lágrimas para redimir esse meu pecar


José João
20/09/2.017


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Brincando de solidão.

Não que não queira ouvir o que me dizem
Mas sempre repetem: Porque és tão sozinho?!
Mas como sozinho? Me pergunto em silêncio.
Pra que serve a solidão? Não é para dar carinho?

A mim ela me ouve como se fosse toda minha
Se entrega por horas sem lugar, sem escolher
Não sei de nós dois, um ao outro quem busca
Só sei que, paciente, me escuta até o alvorecer

Me faz que eu seja história, até me faz sonhar
Me deixa livre no tempo para eu ir me buscar
E se venho com lágrimas, ela me ajuda chorar

Não sei porque dizem que sou tão sozinho!!
Até firmam, que esse vazio me toma de mim
Mas a solidão, pra mim, brinca de ser carinho 


José João
11/09/2.017


domingo, 10 de setembro de 2017

Para te amar...

Para te amar não me bastam todos os dias,
E, até te juro, talvez uma vida seja pouco.
Para te amar me fiz alma, pura e ingenua 
Me fiz tempo, me fiz homem, me fiz louco

Para te amar, fiz da eternidade do tempo
Meu abrigo, Te fiz meus sonhos divinos
Busquei nos teus olhos a beleza de viver,
Te fiz anjo pra poder te louvar em hinos

Para te amar, te fiz toda minha verdade
Te escrevi em poesias, orações e ladainhas
E pedi aos céus que fosses minha saudade

Não essa saudade que todos dizem sentir
Essa minha vem da alma, vem aos prantos,
Viva, como se ontem ainda estivesses aqui.


José João
10/09/2.017


sábado, 9 de setembro de 2017

Costurando retalhos de mim

Ah! Essa tanta dor que minha alma chora!
Essa tua ausência que me divide em pedaços
E, de mim, faz meu próprio resto, perdido,
Dentro de uma solidão que, talvez por pena,
Se desmancha com meus prantos e vai...vai
Com eles buscar uma saudade que alivie a dor.
Me perco no escrever versos que não vêm,
Risco palavras, apago pensamentos, paro,
Olho para o tempo e nada, nenhum pensar,
Nem sonhos. Costuro retalhos de mim
Para completar uma história...mas só vazios,
Reticências mudas, murmúrios incoerentes
Que se vão soltos como se fossem orações
Que não sei rezar, mas vão como eco
Do silêncio e se perdem no tempo ou...
Até mesmo dentro de mim. Alinhavo versos
Com entrelinhas mudas misturadas com rimas
Rotas, em frangalhos, assim como estou.


José João
09/09/2.017


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Eu, o passageiro

Lá, bem longe, onde o olhar quase não chega,
Lá, onde os olhos acham ser o fim do mar,
Desliza um batel ligeiro levado pelo vento,
Indo sem rumo, sem porto para ancorar,
Mas vai, sem paradas, volteando por entre ondas
Cantantes, cantando uma canção que ninguém
Sabe os acordes. Dentro dele, do batel ligeiro,
Mesmo tão longe, ponho meus pensamentos,
Ilusões e assim me faço dele um passageiro...
E vou. deixo que me leve, sinto e até ouço
A  brisa murmurando poesias que só sei ouvir
E, calado, me ponho a sonhar com horizontes
Que nunca vi, que nem sei se existem...
E dentro do batel ligeiro, sonhando sonhos
Cheios de vontades, escuto alguém dizendo:
Te amo. De repente acordo e nada vejo...
É a ilusão, enganando a mim e minha alma...
Na verdade estou só, foi apenas um sonho...
Que me deixou ainda mais vazio.


José João
07/09/2.017


Por força do silêncio

Silêncio! Tão intenso que se faz denso,
Mórbido, tanto que parece engolir
O tempo com avidez, enche a casa de vazios,
De angustias, de ausências que até a saudade,
Vindo de longe, se recusa chegar, fica na soleira,
Espiando assustada, com medo de entrar,
Os pensamentos se atropelam num tormentoso ir,
O sonhos fogem correndo em histérica algazarra
Como se nenhum quisesse ficar por último
E fazer-se vítima de um mero esquecer
Que a solidão, em prodigioso existir, faz de sonhos,
Vontades, até momentos vividos, apenas pedaços
De vida completos de tristezas, dessas que o silêncio,
Até mesmo dentro da alma, onde o vazio
É preenchido pela dor de um adeus 
Fará sempre dor... jamais chegará a ser saudade.
Tudo se faz lágrimas, até os momentos,
Que antes se enfeitavam de risos, hoje, coitados,
Se prendem no tempo como pequenos detalhes
Que nem de lembranças de fazem mais.

José João
07/08/2.017


sábado, 2 de setembro de 2017

Hoje não era dia de poesia

Estou tão vazio de mim que até a poesia
Se esconde onde nem meus sonhos podem busca-la.
Ficam arredias, fogem, me deixam só, sem razão,
Sem vontade, e nesse desesperado silêncio, 
Que o vazio de mim impõe á minha alma, me perco.
Silenciosas lágrimas fazem meus olhos brilharem,
Sussurros moribundos num reticente nada dizer
Insistem em vã tentativa de, coitados, se fazerem voz.
Olho em volta  procuro por veredas, caminhos 
Que me levem ao horizonte, lá, bem distante,
Onde quem sabe, uma poesia esperando por mim
Esteja pronta para me fazer gritar nos versos
E nas entrelinhas, mesmo em rimas soltas e tortas 
Que uma poesia se fez minha, poesias são como anjos,
Volteiam por aí até encontrarem seu poeta e a ele
Se entregam toda, cativas, falando de saudades,
De tristezas, mas hoje nenhuma poesia 
Quis ser minha. Hoje só me foi permitido chorar...

José João
02/08/2.017

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Só um coisa me importa

Que se faça a tristeza perene grito da alma,
A mim rsrsts não importa e nem reclamo
Que não me seja na vida permitido sorrir
rsrsr a mim não importa assim mesmo vivi

Que a solidão me cerque entre os vazios
E do tudo que senti faça uma história morta,
Pode a angustia se parir em mórbidos cios
Zombo do tempo e lhe pergunto: que importa?

Se lágrimas tristes brincarem em meu rosto
Algumas até gritando o desespero da alma
Haverá que quem diga com tudo isso posto

Que sou louco, até dizem, coitado de mim
Mas na verdade só uma coisa me importa
Essa saudade tua que me faz vivo e conforta

José João
29/08/2.018

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Essa tanta saudade tua!

As vezes me pergunto o que seria de mim 
Sem essa saudade tua! Nunca me deixaste,
Tento fugir de mim, para fugir de nós,
Procuro outros momentos, fitar outros olhos,
Mas dentro deles tu estás e até vejo teu sorriso.
Vivo a ilusão de que ainda estás aqui, perto de mim.
Saudades e magoas são divididas com a alma
Numa estranha maneira de ainda te amar, 
É como se o tempo tivesse dividido contigo
Minha existência, não passa, sem que nele
Não estejas a cada momento. As vezes sorrio,
Outras vezes choro, chego a fingir que estás perto,
Minhas lágrimas, num silencioso cantar triste,
(Só a alma escuta o canto de minhas lágrimas)
Cantam teu nome nome num suave murmurar 
Em que chorar é o mesmo que dizer: te amo.
Essa saudade, essa tanta saudade que vai
Até muito além de mim, é como se fosse
Preciso para que esse meu sentir se fizesse 
Perfeito, para sempre, como só a saudade
Sabe fazer.

José João
28/08/2.018

sábado, 26 de agosto de 2017

Se pelo menos soubesse onde estás...

De joelhos, em orações gritadas pela alma
Que se contorce em angustia por esperar tanto,
Em solene contrição pergunto, com voz reticente,
Onde estás? Te procurei por toda uma vida,
Já é mais de meio dia, já é quase bem tarde
E ainda não te encontrei, te mandei poesias,
Como se fossem recados que minha vida manda
Dizendo que não tem sentido essa tanta espera.
Te procurei por caminhos que nem sabia percorrer,
Como louco, busquei o reflexo de teus olhos
Nas estrelas, pedi silêncio ao tempo pra te ouvir,
Ouvir tua voz, Te mandei recados cheios de mim
Nas lágrimas que deixei cair no mar em inocente
Pedir, que te encontrassem, te falassem de nós,
Gritei tantos nomes, um deles devia ser teu,
E até, como demente amante, pedi a brisa
Que levasse, com carinho, e empurrasse o eco
De minha voz chorosa e triste até onde estás.
Estou aqui te esperando, entre lembranças
Que não tenho, entre sonhos que ainda não sonhei
Te esperando chegar para... sonharmos juntos...
Se ainda tivermos tempo.


José João
26/08/2.017


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Ah! Se todos soubessem o que é amar!

Como sinto pena daqueles que riem quando eu choro
Mas que nunca sentiram a alegria, mesmo triste,
De uma saudade, de buscarem momentos vividos,
De sorrirem sozinhos na terna loucura dos amantes
rsrsrs que parecem ridiculamente com gente que ama,
Que se entregam ao amar sem medo de lágrimas,
Sem medo dos amanhãs, e se tiver que chorar... chora.
Choro se a dor é maior que eu, mas por maior que seja,
Nunca será do tamanho do sentimento que senti e vivi.
Choro se a saudade insiste em me fazer chorar,
Aos amantes é permitido tudo isso, a eles, com certeza,
Só não é permitido não ter lembranças, não ter sonhos,
Não ter guardados na alma, beijos que nem foram dados,
Saudade de momentos que não aconteceram...
Também não é permitido que não viagem no caminho
Que o por do sol desenha no mar, estrada mágica
Que leva o amante além, muito além, até do tempo...
Que o leva onde apenas ele pode chegar. O amante
Caminha por estradas sem chão, sonha com os olhos
Abertos brincando de voar em horizontes distantes...
Sinto pena... de quem não sabem o que é estar vivo.

José João
22/08/2.017


Solidão

Solidão... sombra escondida na noite
A tomar conta do tempo, afagando tristezas,
Esgueirando-se pelas paredes, entre os vazios
Que um adeus deixou, fazendo que as lágrimas
Se atirem dos olhos e brilhem, mesmo na escuridão.
O silêncio se faz senhor, cada hora parece ser
A conta de um rosário para que a oração se faça 
Do tamanho da dor que a alma carente chora.
O pensamento corre buscando momentos
Que há muito se apagaram, buscando horizontes
Que nem existem mais, se perderam, se foram
Para onde nem os sonhos alcançam mais...
A saudade me vem, devagar, desde a alma,
Tímida, como se não soubesse a hora de chegar,
Tenta enxugar as lágrimas, traz alguns sorrisos
Que mesmo tristes insistem em ficar, brincar
De provocar os olhos que choram, como se eles,
Os sorrisos, não fossem como lágrimas também.
E a solidão... enche toda a noite e, paciente,
Espera o alvor do dia e... continua sendo solidão.

José João
22/08/2.017

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Nada de ti falta em mim

Ontem, me permiti, sem me importar com a distância...
Nem com o tempo, te trazer de dentro dos sonhos
Pra dentro de mim, te fazer minha, na plenitude
De um sentir, de uma entrega sem medo dos prantos
Que viriam, e assim me fiz teu, como se outra vez
Fosse sempre. Percebi que em mim tu estás completa,
Nada de ti falta em minha alma, com teu sorriso
Ela sorri, se perfuma com teu perfume, até os sonhos
Que sonhavas ela fez meus para sonhar por nós dois.
Me perco dentro de uma solidão que me cativa 
Ao te trazer com a saudade que até parece alegre,
Ainda que algumas vezes meus olhos, cheios de ti,
Sorriam em lágrimas que te escrevem em meu rosto.
Nada de ti falta em mim. Até o encanto dos detalhes
Que se fizeram eternos em cada momento nosso
Te trazem inteira a me cercar entre os devaneios
Que a alma insiste em, deles, fazer verdades.
Nada de ti falta em mim, as vezes me perco de mim
Para que me ocupes todo e me fazer completo

José João
17/08/2.017


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um pedaço de tempo perdido

Minhas lágrimas parecem palavras tristes
Que os olhos gritam, caminham no meu rosto
Como se fossem histórias que a alma conta,
Se fazem poesias inacabadas escritas no vazio de mim.
Perdi os sonhos que sonhei, todos eles, foram levados,
Arrancados como se não tivessem sido meus.
Como sonhei! Sonhei com caminhos floridos,
Com noites de luar, numa terna solidão a dois,
Com sussurros de palavras que não precisavam
Ser entendidas... nem ditas! Com tudo isso sonhei!
Ah! Se eu soubesse que todos eles se fariam dor!
Ninguém disse que os sonhos, quando se vão,
Doem tanto, tanto que a saudade chega em prantos,
A solidão, num silêncio que grita dentro da gente,
Diz que chorar é uma oração, e os olhos choram...
Sem que se queira chorar e, viver (rsrs) viver ...
Se faz apenas um pedaço de tempo perdido
Que por mais que se queira... não se faz vida.


José João
14/08/2.017

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Detalhes... são como gotas de orvalho numa flor

A solidão ri em gargalhadas frias, de som estridente,
Quando a ausência se faz viva pelo adeus que foi dito,
E grita, sim, se a tristeza pergunta se pode chegar.
Fica a saudade na alma, nos olhos, o pranto e um vazio
Que toma tudo, até, algumas vezes, a vontade de viver.
A vida se espreme entre dores, entre angustias e medos,
Os amanhãs se perdem na noite mal dormida e triste,
E as poesias, escritas avulso, não precisam de beleza,
Para se fazer poesia apenas a dor precisa ser escrita
Para que não sufoque tanto um coração tão carente
Que pulsa pela teimosia de apenas pulsar, gritando
Em desespero e dizendo que blasfêmias são orações
De clamor pela tanta dor que a alma sente e chora.
E uma pressa de ir, sem saber pra onde, ou ficar
Sem ter onde estar, onde se estiver é a mesma dor,
São as mesmas lágrimas, o mesmo lembrar. 
É triste o vazio que a ausência traz, até os detalhes,
Aqueles despercebidos, com a ausência se fazem tão grandes
Que contam histórias que nem se percebia que fossem
Tão importantes, tanto que a saudade os traz primeiro,
E são sempre eles, que nos faz sorrir, mesmo tristes.
Detalhes...são como gotas de orvalho numa flor.


José João
11/07/2.017


Pra mim... isso ainda é amar.

Minhas poesias, por tanta dor de saudade,
Se fazem em versos perdidos, em rimas malvestidas,
Como fossem restos, trapos de tempo passando
Como fotografias desbotadas, sem brilho,
Pelos olhos da alma que se perde em tantos prantos.
Clamo, em rezas ou em cantos, que essa dor ...
Essa dor que tanto dói e aflige se faça menor
E, pelo menos, me deixe alguns retalhos de sonhos
Que, mesmo tristes, me permitam dizer que vivi.
Pedaços de tempo, de vida, de mim, se confundem
Em poemas silenciosos que a alma se recusa
Declamar, e em solene segredo se faz tão silêncio
Que até o pensamento se cala tentando ouvir.
Por vezes, um sorriso triste, como fosse lágrima
Que os lábios choram num fingido sorrir,
Me enfeitam o rosto e fico, demente, a perguntar
O que é dor, o que é saudade, o que é amar,
Sentir dentro de peito um pulsar convulsivo
Como se até o coração chorasse em prantos.
Para alguns isso é ridículo, para mim é ...
Amar, ainda.

José João
11/08/2.017

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Esperando acontecer

Na noite escura em choroso pensar
Buscando os sonhos que um dia sonhei
Me vem a imagem de um anjo mulher
Imagem que juro, juro, que nunca esperei
Mas chega impondo seu doce chegar
A dizer-me sorrindo que só a ela amei

Dou-me ao servir e a apenas calar
Me assento no tempo, silêncio contrito
Enquanto a alma num copioso chorar
Me deixa deveras, bastante aflito
E num furor que de onde vem eu não sei
Me toma e demente só blasfêmias eu grito

Me vem de longe, de um distante pensar
Uma história que, cheio de prantos vivi,
Foi um adeus tão doído que agora eu juro
Tão tormentoso que nego dizer que um dia senti
Mas marcas de lágrimas que ficaram no rosto
Não permitem que sobre essa dor possa mentir

Nos versos que canto, no pranto que choro
Nos poemas que escrevo completos ou não
Neles me ponho a contar uma história
Dessas que fazem vivo qualquer coração
De uma entrega que apesar de ser triste
É toda beleza e da alma, viver é a razão

Se nas noites escuras me dou ao prazer
De, na relva sentado, entregar-me ao tempo
Rezando orações que não sei de onde vêm
Mas pedindo humilde que lhes levem o vento
Mas ventos que vão não voltam jamais
Assim, escuto o silêncio e até me contento

Mas não hei de parar por aqui meu pensar
Nem hei de ficar apenas calado sem nada dizer
Vou deixar que a alma de pássaro se faça  
E em livre voar, em serenos volteios possa fazer
Que o tempo se dobre, se curve se entorte
E que possamos, eu e ela, nessa vida viver


José João
04/08/2.017


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