segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O provedor de lágrimas

Quanta dor ao peito aflige em triste angustia!
Quanto pranto, por tristeza, derramado!
Mas que seria da alma... muda e silenciosa
Não fosse, por sorte, o prazer de ter chorado?

Chorando um pranto, que mesmo triste ainda é belo
E nela, na alma, que bom a saudade ter ficado
Assim o tempo não se faz cruel carrasco
E da alma, o pranto, é prazer por ter amado

Por destino, o tempo para a alma, não é passageiro
Nem tão pouco a alma, para o tempo, é viajante
As duas existências se confundem e por tanto
De eterno, para a alma, também será o pranto

E eu, da alma, pequeno espaço a contentar-me
A ser somente provedor de lágrimas e de pranto
Que em soluços e tristes ais se vão ao tempo
Apagando lembranças do que um dia me foi encanto


José João
reedição (04/10/2.011)


sábado, 24 de dezembro de 2016

Poesia...um pedaço de nós



"Minha" poesia não tem cor, talvez tenha gosto,
Para alguns o gosto da dor, para outros de saudade,
"Minhas" poesias são versos de palavras soltas,
Livres, nem dono têm, são de todos, de reis,
De mendigos ... "minha" poesia apenas conta histórias,
Umas vividas outras sofridas, choradas, paridas
De saudades, de dores, de adeus, angustias...
Na verdade, "minha" poesia é promiscua, se entrega...
Sem pudor , para quem, com ela se parece.
"Minha" poesia, essa que me toma, se arranca de mim,
E vai como louca, e corre, e voa, se faz pedaços,
(as vezes só querem um verso) mas ela ri,
Nem se importa, as vezes um verso conta uma vida.
Muitas vezes as palavras dos versos caem no chão...
Como lágrimas, as palavras se fazem lágrimas
Para que a alma possa dizer sua dor, seu martírio...
E alma , quem não a tem? Se não tiver a poesia cria.
"Minha" poesia é um pedaço de todo mundo...
Do rei, do mendigo, do vagabundo...sem orgulho,
Porque ela é assim... simplesmente uma poesia.
Um pedaço de todos, um pedaço até de mim.


José João
23/12/2.016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Gorjeando prantos

A mim só me restou um canto triste
Como fosse um gorjeio sofrido
De um pássaro que moribundo
Chorava não mais poder voar,
Quebraram-lhe as assas, mataram-lhe
Os sonhos e o céu... onde tão perto chegou
Em volteios soltos, alegres, sem rumo,
Se fez agora distante mundo, beleza triste
Que não mais pode alcançar.
Qual pássaro no chão caído, gorjeando
Prantos tão doloridos, se fez a alma,
Lhe arrancaram os sonhos,
Lhe calaram os pensamentos, 
Estes, que como asas lhes permitiam, ir...
Ao longe, em distantes horizontes, 
Fazendo rotas para poder chegar
Onde lhe seria o céu, um coração,
Que em inocente cio pudesse amar.
Qual triste pássaro, coitado, 
Agora assim... tão distante do céu, 
Se parece com minha alma
Tendo os sonhos indo sem rumo, 
Quase mortos... perdidos... ao léu


José João
23/12/2.016


Feliz Natal

É Natal... os corações se abrem em risos, o mundo parece ter outra cor. A esperança por um mundo melhor brilha nos olhos daqueles que amam. Os pedidos ao bom velhinho são feitos, como se fazem para as estrelas cadentes. É Natal, há uma magia solta no ar que nos faz sonhar os mais belo sonhos, desenhamos o futuro como gostaríamos que fosse, e vamos nós a caminho dele, cheio de certezas que dias melhores virão, que as conquistas aconteçam, que a felicidade seja uma fiel companheira para todos nós nesse ano que parece vir sorrindo, cheios de coisas novas, coisas boas que desde já nos acalentam a alma. É o que desejo para todos. Mas também que os corações se abram e amem, que olhemos o próximo com amor, carinho, afeto e a vontade de vê-lo feliz. Que nos seja fácil dar um sorriso, um abraço, uma palavra de carinho ou até de conforto para quem dela precisar. Pedimos, queremos e desejamos tudo de bom, mas os desígnios de Deus vão muito além de nós, portanto, devemos plantar boas sementes para colher bons frutos. 
Espero que, neste Natal, a poesia entre em todos os corações, se faça uma Ave Maria que cheia de graça permita que a bondade, o amor, a esperança e as realizações se façam tantas que não sobre tempo para nenhuma tristeza e que, se prantos houverem, sejam alegres, risonhos, porque os sorrisos  das grandes conquistas, são lágrimas alegres a gritarem ao mundo. 
Que neste Natal os sinos toquem como se fossem orações divinas, cantadas por anjos que  beijarão cada um dos corações deixando em cada um...um mundo de felicidade. Que Deus abençoe a todos. São os votos de Poesias e Poemas.

José João
23/12/2.016

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Brincando com o tempo

 Ontem me perdi brincando com o tempo,
Até o esquecimento se rendeu e conversamos os três
Sentados na raiz de um florido pé de flamboyant
Que nem existia mais (como disse, estava brincando
com o tempo) Tão boa a conversa que chegaram sonhos...
Tão antigos que até o esquecimento pensava
Que eu já os tivesse esquecido, acho que foi o tempo
Brincando de ser mágico e trazendo até saudades
Antigas que já havia chorado... há tanto tempo!
Conversamos sobre os adeus que ouvi, e surpreso,
Ouvi o florido flamboyant, dizer que. um dia,
Ele me viu, encostado nele, chorando um adeus
E com tantas lágrimas que lhe regou as raízes,
(achei um certo exagero) mas o tempo confirmou,
E até o esquecimento (as vezes omisso em casos
assim) disse que não havia me permitido esquecer,
E essa saudade, antes tão distante, se fez de ontem
E chorei com lágrimas novas.., ela outra vez.
Ontem, eu, o tempo, o esquecimento, a saudade,
E até o pé de flamboyant (que nem existe mais)
Falamos tantas coisas de mim, que hoje, a alma
Nem sabe mais por qual história chorar... 
Apenas chora.


José João
21/12/2.016

Essa tanta falta de ti!

Por quantos caminhos ainda terei que andar...
Quantos horizontes ainda terei que ver chorando
Sem chegar a lugar nenhum! Por não  ter como ir,
A não ser em pensamentos, onde penso que estás!
Quanto tempo ainda haverei de chorar sozinho?
Sabendo que existes sem saber onde te encontrar...
Sento, sozinho na beira do mundo, num canto
Qualquer da vida te esperando e, uma saudade
Descabida, de um angustiante sentir, machuca a alma
Que ajoelhada pede clemência para essa tanta dor. 
Lágrimas me caem no rosto gritando a carência
Que tua falta me faz, e essa tua eterna ausência
Me deixa apenas sonhos que tenho medo de sonhar.
Me perco em estradas sem rumo, sem margens,
Onde nem o eco dos meus soluços, e são muitos,
Me incentivam a ir, mas ficar... também é triste,
Onde quer que esteja, o vazio que deixas na alma
Me angustia e, a solidão se fazendo companhia,
Me leva, em silêncio, para dentro dessa saudade
Onde apenas sinto essa tanta falta de ti. 


José João
21/12/2.016

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Tua saudade me alegra a alma.

Ah! Essa distância! Essa ausência tua!
Que me comprime até a alma, que ajoelhada,
E aos gritos, te chama, na ansiedade
De uma quase loucura que me toma todo.
Sento dentro da tarde, olhar vago num horizonte
Que nem sei a cor, perdido entre os nadas
Que povoam um pensamento mais triste que vazio
Clamando em orações que se vão perdidas
Sem eco, num sepulcral silêncio de deserto
Em que os murmúrios parecem soluços perdidos
Indo a esmo a lugar nenhum. Ah! Essa tua falta!
Quando foste me deixaste apenas a sombra de mim,
E confesso, sem pudor e sem medo dos prantos:
Sou tão carente de ti, sinto tanto tua ausência
Que tua saudade quando chega, traz euforia
Pra minha alma, traz alegria para as lágrimas
Que brincam soltas nos olhos, escrevendo
Teu nome carinhosamente em meu rosto.


José João
19/12/2.016



Talvez um dia...

Talvez um dia, quando o tempo se cansar
De te fazer essa tão dolorida saudade,
Quando as lágrimas choradas pela alma
Se fizerem poesias livres em meu rosto
Contado nossa história, em divinal doçura,
Ai me sentirei dono de uma saudade nova,
Verdadeiramente cheia de ti... de nós.
Estarei vivendo todos os sentimentos
Que deixaste vivos dentro de mim
Para que os sinta por nós dois, para sempre.
Vou me perder nos teus guardados que ficaram
Dentro da alma como relíquias divinas
Como histórias tecidas carinhosamente 
Que em tão pouco tempo se fizeram eternidade.
Quando essa saudade, que parece de ontem,
Não fizer mais dor, nem prantos, nem carência,
Quando todos os meus pensamentos se fizerem
Teus na mais plena entrega de um sentimento
Sem angustias e com uma saudade alegre,
Volto a viver outra vez... o que um dia vivi.

José João
19/12/2.015



terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Pedaços completos de mim

A vida me dividiu para me deixar completo,
Me fez em partes, completos pedaços de mim,
Uma parte de mim é saudade que grita um nome
Que se fez eco na alma e de lá nunca mais saiu.
Outra parte de mim é tristeza, que me chega
Aos olhos com lágrimas que brincam fingindo
Que estão contando uma história de amor.
A outra parte de mim é solidão, que em silêncio
Me leva em lugares onde nunca fui, me faz beijar
Lábios que nunca vi, me leva para horizontes
Distantes, sem caminhos, onde só vão pensamentos,
Os mais carentes, ou talvez os mais desesperados.
Outra parte de mim são os sonhos, coitados, caducos,
Perdidos no tempo, cabelos brancos e ainda juram
Que são sonhos que aconteceram e os guardei
Como relíquias, mas nunca se fizeram verdades.
A outra parte de mim sou eu... a menor parte,
Que nada seria não fosse ter amado tanto
Pra vida me dividir em pedaços completos de...
Sentimentos que me aliviam a dor de estar só.

José João
13/12/2.016

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Meus fingidos legados

Em orações, que nem sei se são ouvidas,
Em solene contrição, joelhos postos ao chão
Peço com a humildade daqueles que sabem chorar
Que não me tire, Senhor, meu direito de sonhar

Que por mais dolorida, ou mais triste seja ainda
Deixa em mim essa saudade, mesmo em pranto
Que com ele a alma inunde o mundo, inunde tempo
Mas que o faça em mim, verdade a meu contento

Os sonhos que mesmo em lágrimas molhados 
Haverei ainda de sonhar e que não me seja negado
O direito de fingir que todos a mim foram legados

Por momentos que a alma tanto insiste ter vivido
E que nenhum em mim, jamais se faça o derradeiro
Pra que nunca ela saiba, o último ou o primeiro


José João
12/12/2.016

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Assim me fiz lágrimas

Não me fiz versos, me fiz lágrimas
Me escrevi em meu rosto minha dor
Não me fiz palavras me fiz pranto
Soluçando soluços como fossem canto

Não me fiz eu, me fiz o resto de mim 
Até brinquei de me enganar, de fingir
Fiz sorrisos que nuca soube sorrir
Mas tentei, como se soubesse mentir

Desenhei sonhos que nunca pude sonhar
Esculpi meu rosto em pedras de solidão
Amarrei a saudade numa nuvem a flutuar

Feito pipa de papel que chega perto do céu
Mas ela se foi se perdendo sem caminho, 
Me fiz versos pra poder chorar baixinho


José João
05/12/2.016


Apenas uma canção

Quero cantar, mesmo entre lágrimas, uma canção,
Em acordes que meus soluços sabem de cor,
Em melodias que minha alma aprendeu chorando
Com as tantas saudades ainda vivas e sentidas,
Com os vazios que ficaram depois dos adeus.
Quero cantar uma canção de versos completos,
Que digam a dor que a alma sente e sozinha chora,
Digam dos sonhos que se fizeram perdidos, sem volta.
Quero cantar uma canção como fosse uma oração...
Divina, que sai do coração como um eco triste,
Num desesperado grito, que até o silêncio se perde
Em prantos, soluçando palavras que não pode dizer.
Falar das histórias mais vividas, das dores mais doídas,
Dessas que doem desde os olhos até a alma,
Que passam por sobre o tempo, ironizam o esquecer,
E se fazem sempre, como se toda dor fosse de ontem.
Quero cantar uma canção e, se chorar... vou fingir
Que estou tentando um acorde que a tristeza...
Está me ensinando agora,


José João
05/12/2.016


sábado, 3 de dezembro de 2016

Hoje as lágrimas me traíram

Hoje minhas lágrimas estiveram cansadas,
Deitaram-se apáticas em meu rosto, sem brilho,
Sem força de chorarem a saudade que sentia.
Ficaram adormecidas como se estivessem 
Perdidas entre as dores que a alma chorava.
Nem os adeus mais doídos, trazidos do tempo,
Foram capazes de faze-las prantos avulso
Como sempre fazem quando a alma chora.
Não entendi minhas lágrimas, tudo estava
Como sempre, a solidão brincando de vazio,
A tristeza se desenhando em sorrisos fingidos,
A angustia me fazendo rezar orações que não sei,
Tudo como sempre, e as lágrimas... preguiçosas!
Os olhos pareciam se contorcer em silenciosos
Gritos que o olhar levava como eco perdido,
Num mórbido silêncio de um nada dizer...
Até os versos se fizeram pedaços inacabados
De poesias incompletas, rotas, secas.
Ainda bem que não precisam de lágrimas
Para contar da tristeza que a alma sente.

José João
03/12/2.016

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Nunca mais fiquei sozinho

Quando a solidão fazia festa em mim,
Quando calava meu pensamento e minha voz
Para fazer-se única... tudo era tão triste...
E eu... tão só, caminhando pelos vazios
De caminhos que se faziam apenas veredas,
Onde lugar nenhum era um lugar para chegar.
Apenas lembranças perdidas, sonhos mortos
E um gemido como se fosse um canto, iam comigo,
Cantarolando uma canção que nunca tinha fim,
Um dia, um anjo, desses anjos que do "nada"
Entram em nossa vida, se aninham na alma,
Fazem afagos, nos tomam pelas mãos
E carinhosamente nos ensinam a viver e amar.
Nos tiram o medo, nos lavam com o inocente
Prazer de nos fazer sempre mais amantes...
Mas depois... se vão, sem rastros, sem estradas
Mas ficam dentro de nós, não nos deixam...
E nunca mais me senti só, sempre esse anjo...
O que era solidão, hoje se faz saudade,
Não essa saudade triste que faz chorar...
Mas uma saudade risonha, que até as lágrimas
Enfeitam os olhos como crianças brincando
De ser feliz...

José João
02/12/2.016

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