sábado, 24 de setembro de 2016

Eu e tua saudade

Ontem, amor, te juro, ri-me tanto da solidão.
Estava na noite, num preguiçoso quase dormir,
Num acontecer que não se sabe dizer, se é pensar
Ou sonhar, num prazeroso e até divertido silêncio,
Quando, esgueirando-se pelas sombras da noite,
Atravessando paredes como se fosse um fantasma,
Ela vinha, num leve  flutuar, entre sombras e vazios,
Pela réstia da porta, um outro vulto, espreitando
Sutil, com mais dúvidas que certeza... era a tristeza,
Mas como se tivesse entendido o momento, se foi,
Correu por entre os nadas e se perdeu na escuridão.
Mas ela, a solidão, mais por prazer que talvez maldade,
Insistia em me chamar a atenção, em me tomar,
Em se fazer dona de mim, como se eu fosse sua posse.
Amor ri-me tanto! Quão ridícula ela ontem se fez!!
Estava tão zelosa em me invadir a alma, que, coitada,
Nem percebeu que eu não estava só. A tristeza percebeu,
Mas a solidão! Insistente como é! Custou tanto!
Foi preciso que a saudade, vestida de te, me abraçasse,
Me deitasse no colo, me afagasse a alma... só assim,
Ela, cabisbaixa, como se pedisse desculpas...
Quase sem acreditar, se foi. Eu e tua saudade
Rimos tanto ... e passamos a noite juntos... falando de ti.


José João
24/09/2.016


Um comentário:

  1. A descricao perfeita dos sentimentos, e um brincar suave com as palavras, jose joao, reflete tanto tua alma!! Essa saudade q nos acalenta como se fossemos meninos gosta de nos fazer amantes da vida, como se soubessemos os segredos da mesma, como se tivesse fe em nos. Lindo poema, como todas as suas palavras!!!

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