sábado, 6 de agosto de 2016

Não digo nada ...apenas choro

Além, muito além do tempo, lá num horizonte,
Perto do infinito, no mais belo céu de por do sol,
Além de qualquer distância, fiz meus pensamentos
Te buscarem, fiz meus sonhos voarem nos rumos
Mais incertos, até mesmo em perdidos desertos
De caminhos vazios, sem maracas e sem chão.
Fiz meus olhos, coitados, em perene desespero,
Te procurarem por caminhos que nem existem
Além dessa saudade que deixaste, desse vazio
Que tua ausência traz. Te busco nas histórias,
Que a vida nos escreveu, na ternura dos beijos...
Até beijos que não trocamos, nas tantas palavras 
Que não dissemos. E uma mistura de angustia,
Saudade, solidão e carência me toma todo,
Tanto, que lágrimas, contra a vontade da alma,
Saem avulsas em indecorosa liberdade de mostrar
O que deveria ser segredo. Na frente do tempo,
Sento cansado, ombros curvos, caídos...
Como se tua falta tivesse o peso do mundo...
Não digo nada... apenas choro.


José João
06/08/2.016



Um comentário:

  1. Poema forte, intenso. Muito bom. Fala de carência, de ausência, da falta que faz dividir uma simples pizza, num sábado qualquer, por exemplo. Ora é só ir à padaria mais próxima, num supermercado e comprar, a prateleira tá cheia, mas, não é a mesma coisa... Há momentos com sabor eterno, únicos, quando uma coisa corriqueira, ao lado de alguém, vira um acontecimento memorável, que nunca mais esqueceremos. Não é pela coisa em si, é por tudo, que se enche de significados. A pizza é só um pretexto, a mesa, alguém passando, a TV ligada que nem estamos assistindo, a vida sem pressa, esperando, o mundo ao redor que a gente ta nem ai, temos tudo, temos o mundo. Belíssima composição, gostei! Abraços!

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