terça-feira, 30 de agosto de 2016

Versos tristes ...não é minha a culpa

A culpa não é minha se meus versos são tristes
E cheios de mim. Não é minha a culpa, é da poesia
Que se permite ser escrita assim. A culpa ...
Também é das palavras que escrevem tristezas,
Não sabem ficar alegres, não sabem sorrir
Nos versos, não sabem correr, brincar de inocência,
Se fazem poucas, se fazem tímidas, só gritam
Se alguma tristeza, trazida por algum adeus...
Ou uma saudade maior que todas as saudades
Precisem ser gritadas, para que até o eco dos gritos 
Sejam tristes e, voando ao tempo, se façam prantos.
Não me culpem se os versos se escrevem tristes,
Se as poesias choram com suas próprias lágrimas,
Se as rimas se perdem entre o meio e o final do verso,
E as entrelinhas sejam pedaços escondidos de mim
Que contam vazios, em versos que não têm fim.
Não me culpem se a solidão constante e plena,
Se o silêncio tão comum num coração carente
Façam essa dor por maior que seja uma dor serena
Como se dor não fosse dor, fosse um sentir diferente


José João
30/08/2.016


Nem sempre amar é só amar.

Minhas palavras se perdem dentro do meu silêncio,
Não que elas não tentem gritar, voar em liberdade,
Como fazem meus pensamentos, mas é que a voz,
Se perde entre os soluços que insistem em chorar
O nome dela. A alma, como passageira dos sonhos,
Voa entre os horizontes, por caminhos sem chão,
Em desesperados e perdidos volteios, e vai...
Se perde, volta, sem nenhum lugar onde possa estar.
Onde possa esconder-se da tanta dor que a aflige.
As lembranças, como cascatas de sonhos perdidos,
Correm no tempo  como se a dor, delas precisasse
Para doer mais. O tempo pára, os olhos ardem,
O coração dispara, e uma saudade, dessas que dói,
Se faz do tamanho da vida, como se nunca mais
Fosse passar. E uma angustia, dessas que faz
A loucura falar em delírios o que não se quer falar,
Diz baixinho pra alma da gente, o que não se quer
Ouvir: Que amar...também é chorar.


José João
30/08/2.016

sábado, 27 de agosto de 2016

Um museu de solidão

Há quem fale em solidão, como se ela fosse
Apenas solidão. Ah! Se soubessem como sei...
Suas tantas faces, suas tantas maneiras de chegar,
De ser, de ficar. Até mesmo de fingir, sim, a solidão
Finge, é como se fosse uma atriz, as vezes bela,
Até alegre, dadivosa, outras... sufoca, quase mata.
Ah! Se soubessem de solidão como eu sei!
Por exemplo, aquela solidão que fica depois de um adeus,
E finge-se dar um tempo, mas na verdade,
Ela, a solidão, é o medo de se sofrer outra vez.
Aquela, quando o adeus é tão pouco, que no momento
Se faz solidão, mas só até o amanhã ou até outro olhar 
Que faça o ontem ser apenas uma lembrança.
Ah! Mas que dolorosa solidão! Malvada e vilã,
É aquela que nos toma mesmo dentro da multidão
Onde o silêncio na alma grita mais que qualquer voz,
Onde tudo e nada se confundem, em ir ou ficar.
Onde até a alma se perde dentro de infinda tristeza.
Mas tenho minha solidão preferida, terna solidão,
É aquela em que escolho estar, minha, só minha...
Tão prazerosa como fosse um ópio divino...
Me fazendo sonhar, sonhos que a vida não tem.
Só tem uma solidão que tenho medo, é aquela
Que não sei se saberia sentir.
Ah! Se soubessem de solidão como eu sei!!!

José João
20/08/2.016



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Nem parecia um dia

Hoje o dia se fez ridículo, parado, cheio de vazios,
Um pedaço de tempo sem forma, sem cor, 
Perdido entre horas que passavam sem querer passar,
Se arrastavam preguiçosas, zombando de todas
As dores, saudades, gritando num silencioso gritar
Cantos de tristeza que eu nem queria ouvir.
Nem parecia ser dia, parecia pedaços esquisitos
De horas quebradas, tortas, rotas, compridas, mortas,
Me perdi dentro delas, corri gritando blasfêmias,
Até o eco dos meus gritos caiam em estapafúrdio cair,
Ensopados, pesados pelo peso do pecado de blasfemar.
As palavras se desencontravam no clamor de pedir,
E o dia, que pra mim nem era dia, zombava rindo,
Fazendo de cada hora um gargalhar tirano, irônico.,.
Debochado e irreverente, alheio a angustia que a alma
Chorava sozinha entre as lembranças e sonhos 
Que lentamente iam se desvanecendo, se fazendo nada...
Mas provocando as lágrimas para chorarem essa dor.
E o dia, que pra mim nem era dia, num mórbido cio
Com a solidão, paria horas ainda mais tristes,
Mais preguiçosas que se arrastavam como lentas
Procissões sem querer fazer o amanhã chegar.


José João
24/08/2.016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

É só o que sei fazer ... amar

Amo, apenas porque é o melhor que sei fazer,
Sei amar antes e depois de amar, parece loucura!
Sei te amar sem te conhecer e sei sentir tua saudade
Antes que me digas adeus, porque é só o que sei...
Amar. Sei amar desde a vontade de te conhecer,
Amar teu nome sem nem saber quem és,
Desde agora, chorar essa saudade dos amanhãs
Enquanto não vens. É só o que sei... amar.
Te espero sonhando sonhos que amo sonhar,
Porque neles te amo, tanto que o prazer de te esperar
Me faz sentir o coração bater mais forte e a alma
Cantar Ave Marias imitando a voz dos anjos.
Amo porque é só o que sei fazer... amar
Amo te esperar, sentado no meio da tarde,
Com os olhos olhando pra lugar nenhum,
Com o olhar perdido entre os tantos silenciosos
Caminhos que minha mente cria, apenas e apenas
Por amar. Te confesso meus segredos, todos eles,
Nas verdade, meus segredos de nós dois...
Amo  amar, esse amor que se chora sozinho,
Sem se ser triste, amo, até a inquietude
De te esperar...é só o que sei fazer... amar.

José João
23/08/2.016


...e se não existissem lágrimas!!

... e se não existissem lágrimas!? Como viveria?
Como minha alma gritaria com meus olhos?
Como os versos de saudade se escreveriam
Em meu rosto? Se não existissem lágrimas!
Como eu poderia rezar, em divino silêncio, 
Orações saídas de dentro de mim como fossem
Meus pedaços pedindo clemência ao tempo?
Lágrimas! Pedaços completos de mim...
Serenas, brilhantes, inocentes, puras e livres...
Se não existissem lágrimas... eu as criaria,
Teceria pedaços do por do sol, o mais lindo,
Em pequenas contas coloridas, cor de saudade,
Misturava, nas mãos do tempo, com o orvalho
Do alvor do dia quando se prendem nas pétalas,
No lindo e preguiçoso despertar das flores,
Subiria na mais alta montanha ... a mais alta,
Aquela que mais  chegasse perto de Deus,
Poria aos seus pés e diria: Eis aí Senhor...
Eis aí do que precisas para fazer lágrimas...
Mas elas existem, não sei como foram feitas...
Mas se fizeram tão minhas que, acho até,
Deus me deu de presente ... todas elas.

José João
23/08/2.016


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O desesperado grito das lágrimas

As vezes chorar é preciso... é quando o sol
Vai indo lentamente lá para o fim do mundo,
Vai abrindo caminhos, levando sonhos...
E fazendo a saudade, no silêncio da alma,
Brincar com os olhos que choram as angustias
De adeus que ficaram como marcas vivas,
Como histórias e segredos que só sabe
Quem, nesse momento, chora sua dor...
Quase sempre, chorar é uma oração rezada
Sem palavras, (quando é muito a dor
As palavras são inúteis) é quando a alma
Ergue os braços ao céu, deixa o olhar perdido
Na busca de qualquer luz que a faça crer
Estar sendo ouvida e, submissa a um sentir,
Que vai muito além da própria vontade,
Chora aos cântaros, prantos que nem sabia
Estavam ali, prontos para se fazerem voz.
As vezes chorar é preciso, quando é muito
Grande a dor do adeus, tanto que comprime
O peito, os soluços engolem a voz é, nessa hora,
Que as lágrimas se fazem palavras...
Sem idiomas e sem tradução. É apenas dor.


José João
22/08/2.016

Por tanto chorar

Caminhava por estradas vazias, entre angustias
E mórbido silêncio a me acompanharem,
Sussurrava orações perdidas no vazio de mim,
Sentia nos ombros, curvos, o peso de saudades
Doídas, choradas com pedaço completos
De uma solidão tão densa que sufocava a alma.
Passos trôpegos, chão molhado pelas lágrimas
Que chorava em convulsivo e descabido pranto.
Noites a se arrastarem lentas em amargas horas,
Como se ruminassem minha própria dor,
Como se fosse preciso repeti-la para doer mais.
Minha alma se marcava por cicatrizes...tantas
Que se faziam bordados de retalhos de mim.
Caminhava assim, sem uma saudade nova
Para enganar o tempo, para enganar a alma.
Em orações gritadas em desespero, rezava...
Como rezam os loucos esperando divino milagre.
E rezava...rezava na espera de um acontecer...
Até que a alma explodiu em gritos e blasfêmias
E perguntou: Deus não vês esse meu sofrer
E os tantos pedidos que fiz? Não me ouves?
E uma suave voz me respondeu em silêncio:
Vês aqueles passos, lá ao longe? Aqueles indo
Na direção do horizonte? São os passos dela...
Eu a trouxe pra ti, mas estavas tão ocupado 
Em chorar tua dor que não a viste passar...
Que pena!

José João
22/08/2.016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

É melhor o vazio dos loucos

Não sei, até hoje, o que teria sido melhor pra mim,
Ter te conhecido, ou nunca ter te visto, não sei.
Se nunca tivesse te conhecido, a monotonia da vida
Continuaria a mesma, os vazios, as tentações
Mórbidas se fariam tantas e tão fortes que um dia
Já não seria ninguém. Não teria sonhado,
Não teria caminhado por estradas desconhecidas
Como se fossem minhas, mas estaria dentro
De minha loucura, na comodidade de nada ser,
De nada saber, nem de chorar, nem de querer,
No vazio dos loucos não existe dor nem sofrer.
Qual o melhor pra mim? Não sei. Te conheci.
Comecei a ver outros horizontes, a sonhar,
A olhar os amanhãs muito além do que eu era.
Aprendi que não existe vazios numa entrega
Plena, intensa quando duas almas se permitem
Fazer-se uma, quando se aprende que amar
É nunca se está só, é a magia de saber que
A eternidade não está no tempo, mas dentro de nós.
Aprendi a sentir tua saudade a cada instante
Que não estavas. Aprendi a amar...mas também...
Aprendi chorar essa dor, essa saudade,
A viver esse vazio que um adeus faz sentir.
No vazio dos loucos não existe essa dor...
Acho que vou voltar.

José João
19/08/2.016


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Eu... os restos de mim

Finalmente descobri do que sou feito!
Sou feito de restos... restos de mim mesmo.
Minha saudade é resto de momentos vividos,
De amores que se foram em doloridos adeus,
Que também foram restos de sentimentos
Que o tempo não permitiu que se eternizassem.
Minhas lágrimas... (rsrsrs) também são restos
Porque nos prantos que já chorei, como fossem
Fortes chuvas de cruel inverno, se gastaram todas,
Hoje são lágrimas raquíticas, como são todos
Os restos, nem me molham mais o rosto,
Contam histórias inacabadas e descabidas,
São mesmo restos, não são como as antigas...
Fortes brilhantes, escreviam em meu rosto
Histórias completas, poesias inteiras, hoje...
Coitadas! Meus sonhos!? Também hoje
São restos, são pedaços perdidos de mim
Que se arrastam penosamente no tempo,
Cansados, nem fazem mais a alma chorar.
Na verdade não sei se sou feito de restos
Ou sou o próprio resto, o fantasma de mim

José João
18/08/2.016

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Só eu sei de mim

Quando estiver na solidão, não me busquem,
Pode nem ser solidão, talvez seja eu dentro de mim,
Me dizendo coisas que só eu sei me dizer.
Quando meus olhos estiverem em lágrimas,
Não perguntem se é tristeza, pode ser um sorriso
Da alma contando uma saudade que só eu sei sentir.
Quando estiver em silêncio, me deixem ficar,
Talvez nem seja silêncio, seja o encantamento
De um momento que quero lembrar, reviver,
Deixar ficar dentro de mim em terna harmonia
Com a vontade de eternizar o que foi tão intenso
Que até hoje vive na alma, passou pelo tempo
Sem ranhuras, sem se fazer pedaços, completo,
Como se tivesse sido  bordado pela perfeição.
Se estiver gritando, não me escutem, quem sabe
Nem sejam mesmo gritos, sejam orações rezadas
Numa alucinante vontade de que voem por aí
Por sobre horizontes ... sentimentos, corações,
E sejam, um dia, ouvidas como um pedido
De clemência...  e quando estiver chorando,
Não chorem comigo... me deixem só.

José João
17/08/2.016



terça-feira, 16 de agosto de 2016

Nós... para sempre

Ontem, te vi nos sonhos que sonhava acordado,
Teu rosto brincando de chamar minha saudade,
Teu perfume solto ao vento perfumando o tempo,
Até senti tuas mãos em meu rosto, macias, suaves,
Como se fosse uma leve brisa de primavera.
Senti as mãos tremerem, o coração pulsar mais forte,
Senti os olhos, escrevendo com lágrimas, teu nome
Em meu rosto. Flutuei dentro o tempo, te busquei,
Lá, bem dentro de minha alma, de onde nunca saíste,
A saudade veio correndo, em desesperado chegar,
Como se fosse preciso, como se fosse um pedaço
Da vida que ficou no tempo vivido por nós dois.
Fiquei em silêncio para não espantar meu pensar,
Não deixar o sonho, que me fazias sonhar, ir-se
E me deixar essa falta de ti, essa louca carência
Que me toma, que me invade, como se tua ausência
Fosse o mesmo que não viver. Não me permito
Ir além de sonhar contigo, te deixar dentro de mim,
De te fazer minha, para sempre, mesmo em sonhos.

José João
16/08/2.016


sábado, 13 de agosto de 2016

"As vezes eu me levo para passear"

Quando estou só, quando a solidão grita estridente,
E minha alma, aos pulos, faz o coração correr
Dentro do peito, num pulsar descompassado,
Como fosse soluços que sufocam minha voz,
Quando o vazio ocupa o pensar, a dor fica viva
Fazendo que fugir seja estar em nenhum lugar,
E o olhar se perde na vazia imensidão do nada,
Quando até os restos dos sonhos que sonhei
Se fazem pedaços perdidos do que vivi...
E quando o cansaço da alma triste me permite,
As vezes eu me levo para passear, apenas ir...
Mesmo por caminho tantas vezes percorridos,
Mas a alma voa por horizontes que nunca fui,
Me conto histórias de mim como fossem
Verdadeiras, vivo os sonhos que nem sonhei,
Mas que estão ali, dentro de mim, vivos,
Reais como se fossem saudades do que nem sei
Se vivi. As vezes eu me levo para passear,
Para me me ouvir contar histórias, 
Declamar versos perdidos, poesias inacabadas,
Mas sigo comigo de mãos dadas com a alma
Contando coisas de mim...

José João
13/08/2.016
(participação especial
de Silvia Tereza)

Almas sozinhas

- O que nos separa não é a distância
   E na verdade, nem os caminhos
  O que nos une não é a vida...
   É simplesmente sermos sozinhos

   Minha busca é árdua...onde estou?
  Talvez tão longe e de mais ainda vim
  Entretanto nada sob o céu tem fim
  A esperança é eterna e existe em mim

  Quem sabe possas me fazer um sonho
Me encontra ela e eu te proponho
Uma vida livre, de cantar risonho
E em belos versos em ti me ponho

- Há quanto tempo tens essa busca?
Não sei quem és e a mim não dizes
Se dela falas...me diz seu nome
Me diz ao menos se foram felizes

- Há muito tempo, passado distante
Quis o destino que mais não a visse
E em triste loucura me perdi no tempo
E ao me encontrar, me veio o tormento

Que mais faço? Desespero eterno?
Até no infinito amar é preciso
Traduz meus versos, canta o que sinto
Que amo e amo, sou amante contrito

Grita comigo a beleza do amar
Grita bem alto, nos versos, na vida
Grita que amar é mais que viver
Grita que amar é nunca morrer

Grita que a morte ao amor não resiste
Grita que a sorte é amar não ser triste
Grita que a vida é luta incontida
E que sem amor jamais é vivida

Não calo! E se choro meu grito
Que pela perda é até mesmo aflito
Não calo, não paro no tempo
E haverás de fazer acabar meu tormento

Escreve meu nome e o dela também
Que até no infinito eu a quero bem
Se hei de chorar por não a encontrar
Me ajuda! E chora comigo também

Há quanta procura e vãs tentativas
De encontrar no caminho uma alma cativa
Que me faça falar, falar nessa vida
Que de muito pra mim já é esquecida

Diz que para um segundo de amor
De doação tão terna quanto infinita
Se fores chorar o resto de vida
Vale a pena, faz a vida ser bem mais bonita


José João
publicada em
14/08/2.011
(reedição, a pedido)

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Lágrimas ... para florir

Se "é preciso chuva para florir" meus olhos...
Sim, meus olhos, estão prestes a serem jardins,
Tanto são os prantos que saem como chuva,
Por vezes orvalho, quando a dor é menor
Que a saudade, outras é tempestade, quando
Uma dor maior que todas atropela a saudade
E se faz dona de mim. Por tanta carência...
Pelo vazio que ficou com aquele adeus, triste,
Dito no silêncio de palavras apenas murmuradas,
Por essa ausência que insiste em se fazer viva,
E até pelos sonhos mortos, um dia, minha alma,
Que não se cansa em fabricar lágrimas...
Fará nos meus olhos, uma verdadeira primavera,
Se "é preciso (apenas) chuva pra florir"...
Meus olhos vão além, fazem das lágrimas,
Prantos e dos prantos, chuva forte, e a alma,
Semeia, as sementes de um flor que só nasce
Nos olhos dos amantes, por isso quase ninguém vê.
É uma flor linda, talvez com um semblante triste,
Mas de pétalas luzidias, uma flor de nome saudade
Que floresce nos olhos de quem, por amar,
Só precisa de lágrimas... para fazer florir

José João
12/08/2.016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Copias os versos, mas ...e as lágrimas?

Tu sabes a dor que chorei para escrever
Esses versos que me tomas dizendo que são teus?
Tu sabes do grito estridente que minha alma
Gritou em lágrimas quando a saudade se fez dor?
Essa dor que nunca sentiste. Copiaste os versos,
Mas a dor...essa é só minha e só eu sei chora-la.
Não sabes chorar, com certeza não sabes...
Como tua alma fria e vivendo sem sentido
Poderia, sem prantos, chorar uma saudade?
Vejo tua alma um triste deserto árido, seco,
Sem saber parir palavras, quanto mais versos.
Talvez tenhas até zombado de minha tristeza,
Ela não te importa, pra ti importa, muito mais,
Os versos que escrevi, os versos que são meus,
Que te importa a dor que chorei nas noites
Ruminando uma solidão só minha? Pra ti,
Já é muito a cópia de mim. Copia mais,
A poesia pra mim é como um rio que corre, 
Caudaloso, extenso, sem paradas e sempre mais,
É como um infinito de sentimentos que a alma
Não cansa de sentir, e me dita nos versos
Palavras que só ela sabe dizer. Mas se queres,
Por pena, e apenas por isso, te deixo
Que chores com minhas lágrimas um dor
Que é minha. Rio-me, um riso triste...
Por pena de ti.

José João
10/08/2.016



domingo, 7 de agosto de 2016

Almas que não se encontram

Me deixa, por favor, Deus, pelo menos sonhar,
Me permites essa saudade que as vezes dói tanto,
Me permites, na mansa brisa, sentir seu perfume,
Me permites que meus pensamentos, todos eles,
Sejam pra ela, permites até, que nos horizontes...
Ao por do sol, na melancolia dos tantos devaneios
Trace rotas para busca-la por caminhos que não sei...
Que talvez nem existam. Permites que na angustia,
Nessa minha angustia que se faz dona de mim,
Invente orações que nem sei se escutas, mas deixas,
Que com o nome dela, crie rezas que só eu 
Sei rezar. Me permites que traga lembranças
Como fossem relíquias que o tempo nunca apaga,
Que a saudade escreva em meu rosto o nome dela
Bordado em lágrimas, desenhado em prantos...
Me permites até senti-la dentro da alma...
E fazes que esse sentir seja infinitamente eterno,
Me permites tudo, então permita que os sonhos
Venham... que sejam ternamente sonhados 
Para que possa, pelo menos ... conhecê-la, 


José João
07/08/2.016

sábado, 6 de agosto de 2016

Não digo nada ...apenas choro

Além, muito além do tempo, lá num horizonte,
Perto do infinito, no mais belo céu de por do sol,
Além de qualquer distância, fiz meus pensamentos
Te buscarem, fiz meus sonhos voarem nos rumos
Mais incertos, até mesmo em perdidos desertos
De caminhos vazios, sem maracas e sem chão.
Fiz meus olhos, coitados, em perene desespero,
Te procurarem por caminhos que nem existem
Além dessa saudade que deixaste, desse vazio
Que tua ausência traz. Te busco nas histórias,
Que a vida nos escreveu, na ternura dos beijos...
Até beijos que não trocamos, nas tantas palavras 
Que não dissemos. E uma mistura de angustia,
Saudade, solidão e carência me toma todo,
Tanto, que lágrimas, contra a vontade da alma,
Saem avulsas em indecorosa liberdade de mostrar
O que deveria ser segredo. Na frente do tempo,
Sento cansado, ombros curvos, caídos...
Como se tua falta tivesse o peso do mundo...
Não digo nada... apenas choro.


José João
06/08/2.016



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Além de ti... só o infinito

Colhi no tempo alguns pedaços de mim,
Ainda repletos de ti. Busquei na alma
Minhas todas razões de sentir essa saudade,
Vieram sonhos vestidos de ti, perfumados...
(Só o amor faz sentir o perfume dos sonhos)
Minhas lágrimas me culparam dessa angustia
Que elas choram, dessa tristeza que gritam
Em meu rosto, como se fosse minha a culpa
De tua ausência, como se não doesse em mim
Essa falta que fazes, como se o vazio,
Esse que me toma todo, não se fizesse 
Afiadas e pontiagudas farpas de solidão
A me ferir a alma que em sutis e doloridos
Gemidos chora em silêncio essa tanta dor.
Restos de sonhos que sonhei contigo,
E foram tantos! Nunca me permiti sonhar
Outros sonhos, todos eles foram sempre teus,
E bem sabes, como minha própria vida,
Que te dei e que essa santa saudade de ti
Me faz ainda senti-la pulsar em mim.


José João
04/08/2.016


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Até sempre

                        
As vezes, e muitas, confundo chorar com sorrir,
Solidão com viver, silêncio, com gritos mudos
Que a alma, em alvoroço pela dor que sente...
Pela ausência que chora em desespero, grita.
Me perco nos caminhos por onde a saudade me leva,
E sem rumo, percorro horizontes que nem conheço,
Ouço o eco do meu grito moribundo chamando
Teu nome como fosse canção perdida no tempo.
Meus olhos acordam tristes, em lágrimas vivas
E vão traçando rotas entre o que não vejo
Apenas sinto. Escrevo versos perdidos,
Cheios de palavras que nada dizem, tão poucas
Para tanta tristeza, palavras sem sentido, vazias
De mim porque em mim tudo se fez nada...
Sou, talvez, um pedaço de tempo que se perdeu,
Um resto de sonho que agora se faz apenas dor,
Uma sombra que caminha com passos bêbados,
Tropeçando nos soluços que caem da alma...
Mas que, ainda assim, só sabe ser teu


José João
01/08/2.016


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