domingo, 31 de julho de 2016

E se minhas mentiras forem mentiras?

Há sempre quem queira explicar minhas lágrimas,
Alguns dizem que não é dor, são meros fingimentos,
Outros dizem que choro dores alheias, com se fosse
Um plagiador de lágrimas e sentimentos... mas outros...
Dizem que são mesmo minhas as lágrimas com que choro
As dores que também são minhas. Meus versos...
Dizem alguns, não são ditados pelo que minha alma sente,
Outros dizem: Coitada dessa alma triste e... tão carente!
Não importa o que digam, se finjo ser dor, 
A dor que não sinto, ou se "finjo que é dor a dor que sinto".
Dentro de mim há um vale de lágrimas, um rio de prantos,
Mas quem acreditaria?!! Há uma fábrica de saudades,
Um deposito de tristezas, há, tipo um caixinha de musica,
Pela metade, de sorrisos, há um pequeno "jarrinho",
Desses que cabem na palma da mão, também pela metade,
De esperança, que já está de cabelos brancos...
Voz reticente, e... sem mais esperança de ser esperança.
Rio-me de quem quer decifrar minha alma e sentimentos,
Sou um escrevedor de versos, que das tantas saudades
Que sente, pelos tantos adeus que ouviu...aprendeu
A chorar, com cada um dos olhos uma dor diferente,
Enquanto a alma chora uma dor que ninguém vê...
Quem sabe sejam mentiras ... as minhas mentiras


José João
31/07/2.016

Impossível viver sem te amar

Talvez devesse calar meu pensamento 
Quando o pensar não fosse todo e somente em ti,
Não me vale qualquer querer, a mim, vale apenas
O teu. Não me importam pensamentos ou sonhos,
Vontades ou devaneios que não me levem a ti
Ou não te tragam toda, de qualquer tempo ou distância.
Não importam os caminhos pelos quais minha saudade
Te busque, que minha alma percorra aos prantos,
Ou em sofridas lágrimas, te procurando em desespero.
Tua ausência aumenta os vazios, as angustias...
Essa toda solidão que me toma a própria vida...
Viver sem ti... não é viver, é apenas existir, estar...
E nada ser. Me perco dentro de mim mesmo...
Ora te chamo em orações inocentes, ora blasfemo,
Quando a dor se faz maior que a saudade...
Quando a tristeza faz que a dor doa mais ainda.
Não me importam mais os caminhos que percorra,
Se cheios de sombras tristes, ou de silêncios...
A saudade é sempre a mesma, onde quer que esteja,
Só a dor aumenta, como se em cada dia que passa
Te amar fosse sempre mais que viver.


José João
31/07/2.016



segunda-feira, 25 de julho de 2016

Uma solidão só minha

Minha alma em incoerente alegria se alvoroça
Com a solidão e o silêncio, se toma de incontido
E descabido prazer e vai buscar momentos, sonhos
E até detalhes do que fomos e ainda és.
Faz morada na solidão, se deita comodamente
Dentro dela e faz que o pensamento te traga de volta
Por caminhos que só ela, a alma, conhece.
No silêncio, o tempo parece gritar teu nome,
Me tomo de mim e como em transe, te sinto
E um lívido tremor me invade... e até me assusta,
Tanto é tua presença. Fecho os olhos pra te ver melhor
E te vejo toda, minha alma te toca, o coração pulsa
Em desespero, a distância se perde... existe só o tempo,
Onde tua ausência aumentou o vazio, mas quando,
Em qualquer lugar, a solidão se apieda de mim,
Quando o silêncio se faz parte de minha alma,
Que grita estridente teu nome, os olhos choram alegres,
Como se te olhassem dentro de mim ...
Nessa saudade toda e... só minha.


José João
25/07/2.016
(Fortaleza - CE)

Essa louca ilusão

As vezes o mar parece dizer coisas 
Que não consigo entender. Outras vezes murmura
canções que não sei se cantam alegrias ou tristezas,
Mas sempre se faz caminho, estrada luminosa
Para o sonhos, as buscas, a vontade de encontrar
O que não sei o que é... mas de que preciso.
Lá, naquele horizonte, aquele bem ali,
Onde os olhos alcançam, fica um pedaço da rota
Onde começam os sonhos, muito além desse,
Um outro um outro e mais outro, tantos horizontes!
Um pensamento desesperado voa por cada um
Na ansiedade de encontrar, ou de ver voltar,
Ou ir entre brumas, sonhos e tristeza 
E uma vontade descabida de chorar uma saudade
Que nem sabia que ainda existia em mim.
Tudo fica entre as vontades, sonhos, um rosto 
Desconhecido e ausente, mas que sei:
Existe. Tudo isso além-mar... sem talvez...
Nem saber que existo.


José João
22/07/2.016
(Fortaleza - CE)

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Sem tempo para sonhar

Hoje não tive tempo de sonhar,
Apenas minha saudade foi buscar momentos
Que haviam se escondido no tempo
Em algum lugar perdido dentro da alma.
Sentei comodamente em frente ao nada
Deixando a saudade ir, voar, perder-se
Nos tantos horizontes onde poderia ter,
Pelo menos, teus rastros ou...um pedacinho de ti.
Deixei que os olhos fingissem, em exagerada ternura,
Te verem entre as tristezas, e a incontida vontade
De te ver voltar. Sorri um sorriso triste...
Desses que se sorri para enganar as lágrimas.
Murmurei nomes, blasfêmias, rezei orações vazias,
Orações que a alma inventava como se as rezas
Se fizessem estradas, caminhos no tempo
Para que não te perdesses de mim...
Já tão perdido nos vazios que deixaste,
Mas como não haviam mais sonhos pra sonhar...
Como não haviam mais horizontes pra te procurar...
Como só haviam lágrimas, deixei que escrevessem,
Docemente, teu nome em meu rosto...


José João
21/07/2.016
(Fortaleza - CE)

Meu silêncio

De repente minha alegria ficou triste
Os sorrisos ficaram sérios,
Não quiseram mais conversar com o tempo.
Nos olhos, a umidez da tristeza começava a se fazer viva
Chamando sutilmente as lágrimas que se alvoroçavam
Em descabida agonia, loucas para se fazerem prantos.
O silêncio não se fazia tanto mas lutava por fazer-se senhor
Como se nada mais precisasse ser ouvido.
Não era saudade, era uma angustia esquisita
Dessas que não se sabe de onde vem ou porque veio,
Apenas chega, se acomoda e se faz dona do momento.
Também não era carência, era a falta de um não-sei-o-que
Tão intensa (e nem havia adeus) que a solidão brincou
De me fazer festa mesmo dentro da multidão...
Que parecia surda...porque não havia silêncio...
Talvez ele estivesse dentro de mim...não sei.


José João
21/07/2.016
(Fortaleza - CE) 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

É preciso viver os sonhos

Vou sonhar meus sonhos e vivê-los todos
Pra que um dia não sinta a mais doída das dores...
Saudade daquilo que sonhei e não vivi.
Sentir a angustia do arrepender-se por não ter feito
É dor maior que todas as dores choradas por um adeus,
Sentidas por uma saudade, que vem e acalenta a alma
Por ainda estar o gosto dos momentos vividos...
Quero sentir o prazer de chorar os amores perdidos,
De deixa-los dentro de mim como relíquias vivas,
Quero viver todos os meus sonhos, sem deixar vazios
Para o futuro, deixar os manhãs repletos de histórias,
Quer sejam de sorrisos fingidos, de lágrimas tristes,
Mas que se façam, ainda que dentro da saudade,
Verdades que prazerosamente me encheram os dias.
Se após sonhar e viver meus sonhos, as perdas e adeus
Se fizerem verdadeiras, se lágrimas molharem o rosto
E escorrerem ao tempo, se a alma em prantos derramar-se,
Ainda assim teria valido a pena: Afinal, ser feliz
É tão difícil! Vale a pena a saudade lembrar
Que vivemos tudo o que sonhamos...vale a pena.


José João
13/07/2.016


terça-feira, 12 de julho de 2016

Não sei qual saudade é maior.

As vezes meus olhos me traem em risos chorosos
De lágrimas entre alegres e tristes, por lembrar
Momentos que ficaram guardados dentro da alma
E se fizeram saudades gostosas de sentir,
Assim meus olhos se iluminam, brilham em prantos,
Algumas vezes mostram sutilmente uma leve tristeza,
Que logo se perde num disfarçado sorriso maroto,
Desses que sabe a hora de sorrir para enganar a dor.
Ah! Essa saudade! Quando vem só mesmo saudade,
Sem angustias, sem solidão nem tristezas fortes,
Quando apenas a carência se avizinha de mansinho,
Não dói tanto, e dá certeza do que fomos e vivemos,
A saudade, sempre faz ficar junto de nós, outra vez,
Quem partiu mas não se foi, faz que a ausência
Se perca na confusão do sentir uma presença
Que fica dentro da gente. Ah! Essa doce saudade!
 As vezes se faz tanta, que não sei a maior que sinto
Se a tua ou ... a de nós dois.


José João
12/07/2.016


Um dia essa dor será saudade.

Pensei fosse saudade... mas era dor... dor...
Dessas que se chora em lágrimas, em gritos,
Que sufoca, comprime a alma, faz blasfemar,
Faz não ter lugar para ir ou ficar, não importa,
É a mesma dor. Os prantos caem avulso
Como fosse sangue da alma indo ao tempo
Em desesperada angustia, em infinda tristeza,
Tanto que parece fazer arrastar-se lentamente
Para tudo ficar mais triste e cruelmente vazio.
O pensamento, por só saber gritar em silêncio,
Murmura um nome como se rezasse uma oração,
Voa em tantas direções! Onde haja um horizonte.
Passa por sobre distâncias, e vai como louco,
Desvairado, a procura de rastros que não ficaram.
Tudo é silêncio, só não aquela palavra que...
Dita baixinho, reticente, quase sem se ouvir,
Se fez tão forte que um tremor súbito, a lividez
Sutil de um quase desmaiar, um pulsar descabido,
Vestiu de tristeza a eternidade desse momento.
Agora só resta esperar que um dia, não sei quando,
A saudade se apiede da alma e tome o lugar da dor,
Dessa dor que teu adeus deixou e tua ausência...
Insiste em deixa-la viva dentro de mim.


José João
12/07/2.016


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Essa saudade que ainda me faz ser teu...

Que minha alma sempre esteja atenta 
Ao teu sentir. Que esta saudade infinda
Sempre seja oração a ser rezada com teu nome
Numa entrega que vá até além do tempo,
Muito além do que possa a vida ser vivida,
Apesar da dor, essa dor que toda ausência faz,
Desse vazio que fica como se tudo fosse menos,
Como se até viver nem mais fosse preciso...
Ainda assim...dentro dessa angustia sufocante,
Meus olhos, em prantos, sorriem mesmo triste, 
Quando um sonho, que fugiu do esquecimento,
Me chega cheio de ti, e como se fosses um anjo,
Desses que ensina a amar e faz morada na gente,
Se deita comodamente dentro da alma, que cativa,
A ele deixa ficar e cuida pra que nunca se vá.
Assim, a mim tu fazes. Te fizeste maior que tudo,
Me tomaste de mim e te fizeste tão maior 
Que me hospedei em ti, dentro dessa saudade
Que insiste em dizer que ainda sou teu.

José João
06/07/2.016

terça-feira, 5 de julho de 2016

A flor do cacto e ...

Sob o sol do deserto e entre espinhos,
Com o calor a afogar-lhe a existência
Ainda assim, viçosa e bela nasce a flor
Mostrado doce e sublime incoerência 

Brilham as pétalas se abrindo ao tempo
Parecem sorrindo a um estranho mundo
Erguem-se ao céu como se por encanto
Parece que sol lhes molha com seu pranto

Bela flor do cacto que vive entre espinhos
Que faz até do sol um amante submisso
E dos espinhos?! Faz fonte de carinhos

Para ela se ajoelham em solene contrição
Se fazem servos e até lhes rezam oração
Para mim...é como fossem farpas de solidão


José João
05/07/2.016


sábado, 2 de julho de 2016

As faces da solidão

As vezes a solidão me assusta, em outras...
Me completa. As vezes me enche de vazios
E pensamentos perdidos no nada, me deixam
Inerte entre sonhos distantes, quase mortos, 
Se torna densa, sufocante, fazendo que respirar
Se faça soluços e faz chorar ser tão fácil!
Faz que lágrimas caiam no rosto como marcas
De histórias doloridas impossíveis de esquecer.
Faz o olhar vazio, como se nada houvesse para ver,
Disforme, do tamanho do silêncio, assusta até a alma.
Outras vezes, ela vem risonha, escolhe até o lugar
Para nos contar histórias que a gente viveu,
As vezes nos permite um silêncio gostoso de sentir,
Traz, prazerosa, momentos que vivemos, sonhos...
Sonhos que nunca cansamos de sonhar,  
Até sorrisos, tímidos é certo, mas são sorrisos
Que se desenham no rosto. Lembranças chegam
Como se fossem filmes. E ela, a solidão,
Nos abraça tão ternamente, que nem parece solidão,
As vezes ela completa a gente...


José João
02/06/2.016


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