segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O provedor de lágrimas

Quanta dor ao peito aflige em triste angustia!
Quanto pranto, por tristeza, derramado!
Mas que seria da alma... muda e silenciosa
Não fosse, por sorte, o prazer de ter chorado?

Chorando um pranto, que mesmo triste ainda é belo
E nela, na alma, que bom a saudade ter ficado
Assim o tempo não se faz cruel carrasco
E da alma, o pranto, é prazer por ter amado

Por destino, o tempo para a alma, não é passageiro
Nem tão pouco a alma, para o tempo, é viajante
As duas existências se confundem e por tanto
De eterno, para a alma, também será o pranto

E eu, da alma, pequeno espaço a contentar-me
A ser somente provedor de lágrimas e de pranto
Que em soluços e tristes ais se vão ao tempo
Apagando lembranças do que um dia me foi encanto


José João
reedição (04/10/2.011)


sábado, 24 de dezembro de 2016

Poesia...um pedaço de nós



"Minha" poesia não tem cor, talvez tenha gosto,
Para alguns o gosto da dor, para outros de saudade,
"Minhas" poesias são versos de palavras soltas,
Livres, nem dono têm, são de todos, de reis,
De mendigos ... "minha" poesia apenas conta histórias,
Umas vividas outras sofridas, choradas, paridas
De saudades, de dores, de adeus, angustias...
Na verdade, "minha" poesia é promiscua, se entrega...
Sem pudor , para quem, com ela se parece.
"Minha" poesia, essa que me toma, se arranca de mim,
E vai como louca, e corre, e voa, se faz pedaços,
(as vezes só querem um verso) mas ela ri,
Nem se importa, as vezes um verso conta uma vida.
Muitas vezes as palavras dos versos caem no chão...
Como lágrimas, as palavras se fazem lágrimas
Para que a alma possa dizer sua dor, seu martírio...
E alma , quem não a tem? Se não tiver a poesia cria.
"Minha" poesia é um pedaço de todo mundo...
Do rei, do mendigo, do vagabundo...sem orgulho,
Porque ela é assim... simplesmente uma poesia.
Um pedaço de todos, um pedaço até de mim.


José João
23/12/2.016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Gorjeando prantos

A mim só me restou um canto triste
Como fosse um gorjeio sofrido
De um pássaro que moribundo
Chorava não mais poder voar,
Quebraram-lhe as assas, mataram-lhe
Os sonhos e o céu... onde tão perto chegou
Em volteios soltos, alegres, sem rumo,
Se fez agora distante mundo, beleza triste
Que não mais pode alcançar.
Qual pássaro no chão caído, gorjeando
Prantos tão doloridos, se fez a alma,
Lhe arrancaram os sonhos,
Lhe calaram os pensamentos, 
Estes, que como asas lhes permitiam, ir...
Ao longe, em distantes horizontes, 
Fazendo rotas para poder chegar
Onde lhe seria o céu, um coração,
Que em inocente cio pudesse amar.
Qual triste pássaro, coitado, 
Agora assim... tão distante do céu, 
Se parece com minha alma
Tendo os sonhos indo sem rumo, 
Quase mortos... perdidos... ao léu


José João
23/12/2.016


Feliz Natal

É Natal... os corações se abrem em risos, o mundo parece ter outra cor. A esperança por um mundo melhor brilha nos olhos daqueles que amam. Os pedidos ao bom velhinho são feitos, como se fazem para as estrelas cadentes. É Natal, há uma magia solta no ar que nos faz sonhar os mais belo sonhos, desenhamos o futuro como gostaríamos que fosse, e vamos nós a caminho dele, cheio de certezas que dias melhores virão, que as conquistas aconteçam, que a felicidade seja uma fiel companheira para todos nós nesse ano que parece vir sorrindo, cheios de coisas novas, coisas boas que desde já nos acalentam a alma. É o que desejo para todos. Mas também que os corações se abram e amem, que olhemos o próximo com amor, carinho, afeto e a vontade de vê-lo feliz. Que nos seja fácil dar um sorriso, um abraço, uma palavra de carinho ou até de conforto para quem dela precisar. Pedimos, queremos e desejamos tudo de bom, mas os desígnios de Deus vão muito além de nós, portanto, devemos plantar boas sementes para colher bons frutos. 
Espero que, neste Natal, a poesia entre em todos os corações, se faça uma Ave Maria que cheia de graça permita que a bondade, o amor, a esperança e as realizações se façam tantas que não sobre tempo para nenhuma tristeza e que, se prantos houverem, sejam alegres, risonhos, porque os sorrisos  das grandes conquistas, são lágrimas alegres a gritarem ao mundo. 
Que neste Natal os sinos toquem como se fossem orações divinas, cantadas por anjos que  beijarão cada um dos corações deixando em cada um...um mundo de felicidade. Que Deus abençoe a todos. São os votos de Poesias e Poemas.

José João
23/12/2.016

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Brincando com o tempo

 Ontem me perdi brincando com o tempo,
Até o esquecimento se rendeu e conversamos os três
Sentados na raiz de um florido pé de flamboyant
Que nem existia mais (como disse, estava brincando
com o tempo) Tão boa a conversa que chegaram sonhos...
Tão antigos que até o esquecimento pensava
Que eu já os tivesse esquecido, acho que foi o tempo
Brincando de ser mágico e trazendo até saudades
Antigas que já havia chorado... há tanto tempo!
Conversamos sobre os adeus que ouvi, e surpreso,
Ouvi o florido flamboyant, dizer que. um dia,
Ele me viu, encostado nele, chorando um adeus
E com tantas lágrimas que lhe regou as raízes,
(achei um certo exagero) mas o tempo confirmou,
E até o esquecimento (as vezes omisso em casos
assim) disse que não havia me permitido esquecer,
E essa saudade, antes tão distante, se fez de ontem
E chorei com lágrimas novas.., ela outra vez.
Ontem, eu, o tempo, o esquecimento, a saudade,
E até o pé de flamboyant (que nem existe mais)
Falamos tantas coisas de mim, que hoje, a alma
Nem sabe mais por qual história chorar... 
Apenas chora.


José João
21/12/2.016

Essa tanta falta de ti!

Por quantos caminhos ainda terei que andar...
Quantos horizontes ainda terei que ver chorando
Sem chegar a lugar nenhum! Por não  ter como ir,
A não ser em pensamentos, onde penso que estás!
Quanto tempo ainda haverei de chorar sozinho?
Sabendo que existes sem saber onde te encontrar...
Sento, sozinho na beira do mundo, num canto
Qualquer da vida te esperando e, uma saudade
Descabida, de um angustiante sentir, machuca a alma
Que ajoelhada pede clemência para essa tanta dor. 
Lágrimas me caem no rosto gritando a carência
Que tua falta me faz, e essa tua eterna ausência
Me deixa apenas sonhos que tenho medo de sonhar.
Me perco em estradas sem rumo, sem margens,
Onde nem o eco dos meus soluços, e são muitos,
Me incentivam a ir, mas ficar... também é triste,
Onde quer que esteja, o vazio que deixas na alma
Me angustia e, a solidão se fazendo companhia,
Me leva, em silêncio, para dentro dessa saudade
Onde apenas sinto essa tanta falta de ti. 


José João
21/12/2.016

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Tua saudade me alegra a alma.

Ah! Essa distância! Essa ausência tua!
Que me comprime até a alma, que ajoelhada,
E aos gritos, te chama, na ansiedade
De uma quase loucura que me toma todo.
Sento dentro da tarde, olhar vago num horizonte
Que nem sei a cor, perdido entre os nadas
Que povoam um pensamento mais triste que vazio
Clamando em orações que se vão perdidas
Sem eco, num sepulcral silêncio de deserto
Em que os murmúrios parecem soluços perdidos
Indo a esmo a lugar nenhum. Ah! Essa tua falta!
Quando foste me deixaste apenas a sombra de mim,
E confesso, sem pudor e sem medo dos prantos:
Sou tão carente de ti, sinto tanto tua ausência
Que tua saudade quando chega, traz euforia
Pra minha alma, traz alegria para as lágrimas
Que brincam soltas nos olhos, escrevendo
Teu nome carinhosamente em meu rosto.


José João
19/12/2.016



Talvez um dia...

Talvez um dia, quando o tempo se cansar
De te fazer essa tão dolorida saudade,
Quando as lágrimas choradas pela alma
Se fizerem poesias livres em meu rosto
Contado nossa história, em divinal doçura,
Ai me sentirei dono de uma saudade nova,
Verdadeiramente cheia de ti... de nós.
Estarei vivendo todos os sentimentos
Que deixaste vivos dentro de mim
Para que os sinta por nós dois, para sempre.
Vou me perder nos teus guardados que ficaram
Dentro da alma como relíquias divinas
Como histórias tecidas carinhosamente 
Que em tão pouco tempo se fizeram eternidade.
Quando essa saudade, que parece de ontem,
Não fizer mais dor, nem prantos, nem carência,
Quando todos os meus pensamentos se fizerem
Teus na mais plena entrega de um sentimento
Sem angustias e com uma saudade alegre,
Volto a viver outra vez... o que um dia vivi.

José João
19/12/2.015



terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Pedaços completos de mim

A vida me dividiu para me deixar completo,
Me fez em partes, completos pedaços de mim,
Uma parte de mim é saudade que grita um nome
Que se fez eco na alma e de lá nunca mais saiu.
Outra parte de mim é tristeza, que me chega
Aos olhos com lágrimas que brincam fingindo
Que estão contando uma história de amor.
A outra parte de mim é solidão, que em silêncio
Me leva em lugares onde nunca fui, me faz beijar
Lábios que nunca vi, me leva para horizontes
Distantes, sem caminhos, onde só vão pensamentos,
Os mais carentes, ou talvez os mais desesperados.
Outra parte de mim são os sonhos, coitados, caducos,
Perdidos no tempo, cabelos brancos e ainda juram
Que são sonhos que aconteceram e os guardei
Como relíquias, mas nunca se fizeram verdades.
A outra parte de mim sou eu... a menor parte,
Que nada seria não fosse ter amado tanto
Pra vida me dividir em pedaços completos de...
Sentimentos que me aliviam a dor de estar só.

José João
13/12/2.016

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Meus fingidos legados

Em orações, que nem sei se são ouvidas,
Em solene contrição, joelhos postos ao chão
Peço com a humildade daqueles que sabem chorar
Que não me tire, Senhor, meu direito de sonhar

Que por mais dolorida, ou mais triste seja ainda
Deixa em mim essa saudade, mesmo em pranto
Que com ele a alma inunde o mundo, inunde tempo
Mas que o faça em mim, verdade a meu contento

Os sonhos que mesmo em lágrimas molhados 
Haverei ainda de sonhar e que não me seja negado
O direito de fingir que todos a mim foram legados

Por momentos que a alma tanto insiste ter vivido
E que nenhum em mim, jamais se faça o derradeiro
Pra que nunca ela saiba, o último ou o primeiro


José João
12/12/2.016

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Assim me fiz lágrimas

Não me fiz versos, me fiz lágrimas
Me escrevi em meu rosto minha dor
Não me fiz palavras me fiz pranto
Soluçando soluços como fossem canto

Não me fiz eu, me fiz o resto de mim 
Até brinquei de me enganar, de fingir
Fiz sorrisos que nuca soube sorrir
Mas tentei, como se soubesse mentir

Desenhei sonhos que nunca pude sonhar
Esculpi meu rosto em pedras de solidão
Amarrei a saudade numa nuvem a flutuar

Feito pipa de papel que chega perto do céu
Mas ela se foi se perdendo sem caminho, 
Me fiz versos pra poder chorar baixinho


José João
05/12/2.016


Apenas uma canção

Quero cantar, mesmo entre lágrimas, uma canção,
Em acordes que meus soluços sabem de cor,
Em melodias que minha alma aprendeu chorando
Com as tantas saudades ainda vivas e sentidas,
Com os vazios que ficaram depois dos adeus.
Quero cantar uma canção de versos completos,
Que digam a dor que a alma sente e sozinha chora,
Digam dos sonhos que se fizeram perdidos, sem volta.
Quero cantar uma canção como fosse uma oração...
Divina, que sai do coração como um eco triste,
Num desesperado grito, que até o silêncio se perde
Em prantos, soluçando palavras que não pode dizer.
Falar das histórias mais vividas, das dores mais doídas,
Dessas que doem desde os olhos até a alma,
Que passam por sobre o tempo, ironizam o esquecer,
E se fazem sempre, como se toda dor fosse de ontem.
Quero cantar uma canção e, se chorar... vou fingir
Que estou tentando um acorde que a tristeza...
Está me ensinando agora,


José João
05/12/2.016


sábado, 3 de dezembro de 2016

Hoje as lágrimas me traíram

Hoje minhas lágrimas estiveram cansadas,
Deitaram-se apáticas em meu rosto, sem brilho,
Sem força de chorarem a saudade que sentia.
Ficaram adormecidas como se estivessem 
Perdidas entre as dores que a alma chorava.
Nem os adeus mais doídos, trazidos do tempo,
Foram capazes de faze-las prantos avulso
Como sempre fazem quando a alma chora.
Não entendi minhas lágrimas, tudo estava
Como sempre, a solidão brincando de vazio,
A tristeza se desenhando em sorrisos fingidos,
A angustia me fazendo rezar orações que não sei,
Tudo como sempre, e as lágrimas... preguiçosas!
Os olhos pareciam se contorcer em silenciosos
Gritos que o olhar levava como eco perdido,
Num mórbido silêncio de um nada dizer...
Até os versos se fizeram pedaços inacabados
De poesias incompletas, rotas, secas.
Ainda bem que não precisam de lágrimas
Para contar da tristeza que a alma sente.

José João
03/12/2.016

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Nunca mais fiquei sozinho

Quando a solidão fazia festa em mim,
Quando calava meu pensamento e minha voz
Para fazer-se única... tudo era tão triste...
E eu... tão só, caminhando pelos vazios
De caminhos que se faziam apenas veredas,
Onde lugar nenhum era um lugar para chegar.
Apenas lembranças perdidas, sonhos mortos
E um gemido como se fosse um canto, iam comigo,
Cantarolando uma canção que nunca tinha fim,
Um dia, um anjo, desses anjos que do "nada"
Entram em nossa vida, se aninham na alma,
Fazem afagos, nos tomam pelas mãos
E carinhosamente nos ensinam a viver e amar.
Nos tiram o medo, nos lavam com o inocente
Prazer de nos fazer sempre mais amantes...
Mas depois... se vão, sem rastros, sem estradas
Mas ficam dentro de nós, não nos deixam...
E nunca mais me senti só, sempre esse anjo...
O que era solidão, hoje se faz saudade,
Não essa saudade triste que faz chorar...
Mas uma saudade risonha, que até as lágrimas
Enfeitam os olhos como crianças brincando
De ser feliz...

José João
02/12/2.016

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Ainda escuto aquele seu olhar

Havia uma estranha eloquência no seu olhar
Quando ela gritava, a plenos olhos: te amo,
Minha alma tremia em devaneios incontidos,
Meu coração, aos pulos, sem saber se conter,
Por vezes até chorava alegre. E as palavras...
Envergonhadas, se escondiam dentro de sussurros
Que nem precisávamos ouvir... nada diziam.
Até hoje, ouço no meu angustiante silêncio,
O grito do seu olhar, vejo ainda o inocente sorriso 
Que só seus olhos sabiam sorrir... e choro...
E minhas lágrimas, desenham sonhos em meu rosto,
Escrevem seu nome, brincam de me enganar
Fingindo, em meus lábios, que são seus beijos. 
Grito, com um mórbido silêncio dentro de mim,
Orações que não sei rezar, blasfêmias que aprendi
Com essa toda tristeza que tua ausência me impõe.
As vezes até rezo baixinho orações antigas,
Que aprendi quando estavas aqui, mas elas,
Coitadas, só serviam quando éramos apenas um,
Agora se perdem como se nem mais fossem orações.
Mas ainda hoje, é aquele olhar que ainda ouço
Me dizendo: te amo.

José João
28/11/2.016


Lágrimas... uma poesia sem palavras

Palavras! Tão poucas para tanta saudade!
De que valem se não sabem dizer a dor que se sente?
As vezes, a dor da saudade é tanta, que nem as lágrimas
Dizem o que a alma chora, e um silêncio cheio de angustia,
Falando baixinho, diz o que ela já não precisa mais ouvir,
Nesse vazio, em que solidão e tristeza se fazem vivas,
A alma tenta enganar-se, finge um sorriso que nem existe,
Se põe num vagar entre o nada e os sonhos que se foram,
E tudo fica sem razão, outra vez as palavras se escondem
Por serem poucas, por nada dizerem e, envergonhadas,
Se fazem mudas. Só o pensamento, feito louco, gritando
Desesperado, nomes que perdidos dentro de um adeus
Já nem se faziam mais saudade, mas uma tão louca carência
Faz que traga, sonhos caducos, sorrisos antigos,
Momentos que se foram a tanto tempo, só a loucura
Da carência para traze-los de volta, faze-los vivos
Dentro da gente... como se para viver fosse preciso
Chorar... em silêncio e... sem palavras...


José João
28/11/2.016


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Amar é não ter medo de chorar

Desde quando perdi o medo de chorar 
Perdi o medo de amar e de viver os amanhãs,
Me fiz livre para me entregar ao prazer de amar,
De deixar que a alma se entregue toda, nua e pura
Por apenas amar, e se faça intensamente viva.
Perdi o medo de me fazer amante, de sonhar
Os sonhos mais impossíveis, de gritar ao mundo:
Te amo, como se assim fosse respirar e viver.
Mas me dispus a fabricar lágrimas e guarda-las,
Carinhosamente, num canto escondido de mim,
Estão guardadas, saudades inteiras, sonhos...
(o amar tem dessas coisas, um dia pode também 
Ser triste) Por isso perdi o medo de chorar.
Se um dia houver um adeus que não queira dizer,
Tenho lágrimas guardadas para chorar, e sem medo
De chora-las, tenho saudades inteiras guardadas,
Basta nomeá-la, senti-la e deixa-la comodamente
Dentro de mim. E se a alma perguntar passiva,
- O que faremos hoje? Respondo apenas...
Temos uma saudade pra sentir e lágrimas pra chorar...
- Sem medo - isso também é amar.


José João
23/11/2.016

Era uma vez um sonho que...

Era uma vez, há muito tempo atrás, um sonho,
Um sonho desses que se sonha quando a carência
Toma conta da alma e a faz perder-se na tristeza
De todos os dias. E o sonho não se faz verdade,
Continua apenas esperança, e os dias passam...
O sonho vai envelhecendo, vai ficando caduco,
Os detalhes vão se perdendo, ficando esquecidos,
Lentamente cedendo lugar a uma mórbida tristeza,
E uma saudade, mais doída que qualquer saudade,
(por ser saudade do que não se viveu) toma conta
Da alma, a carência fica do tamanho dos dias,
Que lentos, como se não quisessem passar,
Como se estivessem esperando chegar a solidão,
Que vem sem pressa, por saber que a alma, triste,
Está aberta pra que ela entre, se aposse, tome conta
Dos pensamentos, se faça única dona do tempo.
Era um vez, há muito tempo atrás, um sonho
Que deixou de ser sonho, não porque aconteceu...
Mas porque se perdeu no tempo e nunca mais voltou.


José João
23/11/2.016


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Soneto do prazer de amar

Ainda vou amar e sempre e mais e tanto
Que amores passados se façam pedaços
Dos amores que ainda vou amar e viver
Como fosse a vida um eterno amanhecer

Vou me entregar todo e tanto que até o pranto
Se por acaso um dia em mim vier aos olhos
Hei chora-lo como fosse oração... um canto
Que ainda seja repleto de ternura e de encanto

Que a cada amor que hei de amar seja a saudade
Um livro de histórias que conte nas entrelinhas
Momentos que de sonhos se fizeram só verdade

Que a cada amar em mim se faça doce loucura
Para que todos os amores se façam o primeiro
E que não seja o último o meu amor derradeiro



José João
22/11/2.016

Dor para doer tem que ser...

Se há de ser dor, que doa como qualquer dor,
Que se sente, que se chora, e ela sem nada dizer,
Calada... dor que se preza só faz mesmo doer
E fica... desdenha das horas é o que sabe fazer

Mas dor, pra de verdade doer, há sempre de haver
Uma lágrima, uma saudade, até mesmo um pranto
Desses que enganam, entre ri, chorar e lembrar
Desses que é a alma que chora e... sentindo prazer

Louca a alma demente, num não saber incoerente
De sentir prazer numa dor que só ela sabe sentir
E fica parada, aos gritos, com um chorar indecente

Antes nua, agora se veste, sem querer se vestir
Com lágrimas bordadas de uma tristeza carente,
Com um sonho perdido de uma lembrança ausente


José João
22/11/2.016



terça-feira, 15 de novembro de 2016

As vezes os versos falam por mim

Porquê me perco ao tempo? A mim pergunto,
Fazendo versos de saudades tão doídas?
Fazendo poemas sem que neles nada fale
A não ser de tristezas, e dores tão sentidas?

A mim pergunto e não vem qualquer resposta
Só exclamações que também nada me dizem
Versos secos porque as lágrimas se foram
Com os sonhos, que já há muito se perderam

Me vejo sempre juntando saudades e adeus
Pedaços de mim remendados pelo pranto
Que não choro mas que a alma faz de canto

Não sei de onde vem dor assim tão doída
Que até os versos, talvez por pena, não sei
Gritam por mim coisas que nunca falei


José João
15/11/2.016


sábado, 12 de novembro de 2016

Minha alma...uma criança sonhando.

Lágrimas, pensamentos, sonhos, todos saem
Em desesperado procurar, por ruas, entre canteiros,
Pelas esquinas do tempo, alguém de quem não sei,
E nem onde está, mas que deixa essa saudade
Dolorida, tão difícil de sentir que o pranto,
Se fazendo de oração, reza um nome que não sabe
Dizer, apenas deixa que o silêncio, sussurrando, diga.
Não sei se partiu ou nunca chegou, não sei do tempo,
Nem quem escreveu essa história e se um dia aconteceu,
Mas a alma sente e manda os sonhos buscarem momentos,
Fragmentos, que façam lembrar o que uma saudade
Descabida diz que um dia foi verdade e fica insistindo
Que até um vazio se faça tanto e a alma chore
Como se fosse verdadeira a dor que sente, e grita,
E se angustia, como se tudo tivesse sido um dia.
Pedaços de canções parecem vir também não sei de onde,
Melodias que nem sei se existem, se fazem vivas,
Poesias incompletas me fazem declamar a esmo
Um sentir que não sei se sinto ou se sonho...
Mas tudo, as vezes é tão real... que acho minha loucura
Coerente e minha alma ...uma criança sonhando...


José João
12/11/2.016


Minha outra oração

A ti, te peço de joelhos, entre as tantas lágrimas
Que ainda me permites chorar, ao me fazer saber
Que ainda posso amar, como se amar fosse viver.
Ainda que a dor da solidão, que aos gritos me tortura,
Me diga que não acredite que me possas ouvir...
Me diga que para tanta dor, só as blasfêmias aplacam,
Mas minha alma, embora tão só e tão carente,
Ajoelha-se ao tempo em orações que a angustia
Ensinou rezar, passiva e solene, ergue os olhos,
Te abre os braços e pede: Me faz que a solidão se vá,
Que essa tortura do vazio também e não deixem rastros.
A ti te peço ouvir-me, faz que essa saudade doa menos,
Que outros caminhos tragam de horizontes ou do tempo
Coisas novas pra sentir, sorrisos novos pra sorrir,
Olhares que nunca vi, que mesmo falando idiomas
Que não conheço me façam entender de amar outra vez.
Se minhas orações chegarem todas desencontradas,
Entrecortadas com soluços, em fragmentos inaudíveis,
Por favor olha a suplica dos meus olhos, nas lágrimas,
Que minha alma chora como fervorosas orações...
...Por favor.

José João
12/11/2.016



Um sonho que tentei sonhar

Desenhei um sonho pra mim, cheio de cores e luzes,
Fiz tudo a beira da perfeição, ornamentei meu sonho
Com flores primaveris, pedi aos anjos um fundo musical,
Tão angelical quanto divino... busquei beijos inocentes,
Olhares que se davam na imensidão de uma entrega
Tão intensa que a razão se perdia em inocente loucura.
Refiz caminhos, horizontes, refiz até o eco do meu grito
Para se fazer oração pedindo eternidade para o momento.
No meu sonho, me despi de todas as saudades antigas,
Chorei todas as lágrimas que poderiam me surpreender
Chorando adeus antigos que não queria mais lembrar.
Me fiz nu de mim mesmo num renascer sem medo,
No meu sonho, trazia um bornal de beijos novos,
Poesias para serem ditas em momentos especiais,
Carícias que a mais doce e suave brisa me ensinou,
Acreditem, até um eu te amo com um sussurro 
Que nunca havia feito antes, trouxe comigo, tudo novo
Como se não tivesse havido um antes. Ah! Meu sonho!
De repente, como se a noite despertasse aos gritos,
Meu sonho se espantou, se foi por entre as sombras,
E... fiquei dentro do vazio que ele deixou.

José joão
12/11/2.016


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Nem as lágrimas dizem o que sinto

Um dia meus sentimento sorriram como sorriem
As crianças... por apenas serem felizes.
Um dia, brinquei de brincar com o tempo,
Percorria horas e horas com o mesmo sorriso,
Os dias se faziam quase iguais, e só não eram
Porque cada um se esmerava em me fazer mais feliz.
Plena e constante primavera perfumando a vida,
A Brisa, cantando canções desconhecidas...
Tão terna que se parecia com o abraço dela,
Que, sem palavras, só com meigos e eloquentes
Olhares me faziam tremer quando diziam, te amo.
Uma história nossa, que ninguém nunca entenderia
Não fosse o destino com a mania de por ponto final
No que é belo (histórias de amor infinito nunca
são entendidas, pois em toda história é só no final 
que se entende tudo que foi dito) E a nossa...
Se fez uma poesia incompleta, tantas coisas
Ficaram caladas dentro de nós, sem tempo
De serem ditas, tanto, que nem as lágrimas
Conseguem dize-las agora.

José João
11/11/2.016


terça-feira, 8 de novembro de 2016

As vezes pareço comigo mesmo (rsrsrs)

As vezes me pareço tão criança
Por brincar de esperança...
De crescer e ser feliz.
As vezes me pareço um menino
Brincando de traçar o seu destino
Pensando que ainda pode ser feliz.
As vezes me pareço adolescente,
Que traça sua vida livremente
Sonhando que ainda pode ser feliz.
As vezes me pareço ...
Um rapaz de trinta anos,
Que parece ter sofrido alguns enganos
Mas que pensa ainda pode ser feliz.
As vezes me pareço um senhor...
De cinquenta ou sessenta
Que por vezes se lamenta...
Lembrando tudo que não fez.
As vezes me pareço até comigo,
Com sonhos mortos e até já esquecidos,
Dizendo que viver...
É melhor que ser feliz.

José João
08/11/2.016 (publicação)
30/09/2.000


Hoje...sou apenas o papel

A poesia se recusou, literalmente, a se deitar
Sobre o papel... que ficou pálido,
Branco, vazio, sem dizer nada,
Como se nada devesse ser dito,
Mas ficava ele ali... deitado,
Deitado sobre a mesa...passivo, aparvalhado
E a poesia escondida, não se sabe onde.
Se fazia muda, como se falar fosse pecado,
E o papel, sem nenhuma poesia, ficava nu,
Como se a nudez fosse um grito,
...Que a poesia não quis gritar...
Se deixava ficar vazio, calado...
Se deixava ficar apenas papel... e eu
Que não tinha nada a ver com a poesia,
(Nem com o vazio)
Que não tinha nada a ver com inspiração,
Que não tinha nada a ver
Se a poesia se escondia ou era muda,
Se a poesia não preencheu o vazio...
Que culpa tenho se o papel ficou nu?
Tomara o pepel encontre alguém
Para lhe vestir de poesia...
Porque hoje não estou poeta,
Porque hoje não sou poesia...
Porque hoje ...sou apenas o papel!

José João
08/11/2.016 (publicada)
11/05/2.004

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Esse meu silêncio que fala tanto!!

Eu e meu silêncio, sentados entre a tarde e um vazio
Que se estendia infindo pelo tempo até no horizonte
Que brincava de trazer sonhos que nem sonhados foram.
Calados, porque a voz nem sempre é preciso pra se falar
Ainda mais quando falamos de saudade, de ausência,
Falamos de coisas que só mesmo o silêncio entende...
Até as lágrimas que vêem só ele entende, nos olha
E nada diz, como se ele, por si, já fosse nossa voz.
Buscamos sonhos antigos, risos caducos de velhos,
Que nem lembrava mais, perdidos no esquecimento,
Lágrimas antigas viriam se já não as tivesse chorado,
Mas os olhos insistiam em chorar com lágrimas novas
A dor de tanto tempo, que veio de carona com um adeus
Que pensei, nem doesse mais, tivesse ficado no tempo
Perdido como pedaços de histórias que a alma esqueceu.
Mas o silêncio... sempre se faz mais forte, pára tudo,
Rebusca nos mais escondidos "cantos" da alma,
Saudades escondidas, lágrimas antigas, que se esconderam
Por achar sempre que nem uma dor lhes valia a pena vir,
Até poesias inacabadas o silêncio traz e  brinca com elas
Que as vezes voltam completas como se a história
Tivesse sido mudada. Ah! Esse meu silêncio...
Que não se cala nunca!!


José João
03/11/2.016


domingo, 30 de outubro de 2016

Noite, solidão e vazios.

Um canto de saudade começa a brincar com a noite,
Uma melodia, talvez cantada por um anjo, se atira
Ao tempo em acordes que só se sabe ouvir chorando,
Como se as lágrimas corressem aos olhos, ansiosas,
Para com a melodia que o silêncio canta, cantar também
A saudade que a alma sente, chora, soluça e grita 
Como se fosse uma Ave Maria chorada aos prantos
De angustia e clamor pedindo que a dor não doa tanto.
O dia, lentamente, esvaindo-se entre as horas, se vai,
Num caminhar triste como se não quisesse ir
Para que a solidão custe mais que a noite a chegar,
E a alma não se entregue tanto ao desespero de ficar só
E o pensamento não vá buscar sonhos que agora,
São meros pedaços incompletos do que foi vivido, 
Não se façam mais dolorosos que o próprio vazio
Que fica vivo gritando bem alto essa tanta ausência  
Que a alma não sabe sentir sem chorar, sem blasfemar, 
E até os olhos se perdem no nada sem saber mais mostrar
Nem o que é viver.


José João
30/10/2.016


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Eu?! Chorei apenas um vez.

Eu!? Não, nunca chorei tanto como muitos choram,
Choram hoje por qualquer adeus, amanhã riem,
Depois amam outra vez... adeus, saudades, lágrimas...
Como se brincar de sentir saudade fosse viver.
Eu chorei apenas uma única vez, há muito tempo!
Quando meus sonhos ainda eram sonhos inocentes,
Cheios de divinas promessas de amanhãs coloridos,
De ilusões que jurava ser resplandecentes verdades
Mas que um dia se fizeram escombros e rui com eles,
Perdi o passar do tempo, dor e saudade se fizeram mais,
Se fizeram maior que eu...e chorei, sem nenhum pudor,
Mas isso foi há muito tempo, quase não lembro mais
Não fosse um pedaço de sonho contar desse momento,
Foi um adeus, que se fez ausência, depois se fez dor.
Depois ainda se fez uma saudade triste, infinda...
Mas chorei apenas uma vez, na inocência da vontade
De amar...e de repente um adeus...mas eu...chorei
Apenas um vez desde quando, como ainda hoje são
Meus sonhos...inocentes, Assim chorei apenas
Uma vez, uma vez apenas. Meus olhos?!
O que têm meu olhos? Vermelhos? Ah! Sim...

José João
26/10/2.016


A poesia de dentro de mim

Dentro de mim tem uma poesia que a alma
Escreveu aos prantos, num angustiante momento
De uma saudade mais triste que qualquer tristeza,
Uma poesia inacabada, com versos molhados
Em que as rimas se desmancharam em prantos
E o começo dos versos eram feitos de reticências...
Como se a dor escondesse as palavras e o silêncio
Calasse o tempo, o pensamento, calasse a vida.
Há um verso dentro de mim que minha alma escreveu
Dentro de um vago e silencioso vazio de uma saudade
Que faz da poesia pequenas histórias sem sentido
Por ninguém acreditar que possa existir uma dor
Que doa tanto, que rasgue a alma em torturantes
Cicatrizes, que  faça eterna uma dor que parecia
Ser passageira do tempo e se fez para sempre,
Se fez eterna para que minha alma começasse
Os versos com reticências, molhasse as rimas
Com prantos, e escrevesse versos inacabados 
Para que não houvesse palavras que contassem
O tamanho dessa dor, mesmo na poesia que a alma
Escreveu dentro de mim.


José João
26/10/2.016



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Coisas que o tempo não leva

Minha alma chorou tanto depois daquele adeus,
Partiu por caminhos perdidos à tua procura,
Perdeu-se entre vazios, entre os nadas que ficaram
Como fossem labirintos, sem voltas, sem retornos...
Correu por entre paredes frias, muros altos...
Por entre pedaços de sonhos que nem sonhos eram mais.
Recordações se conflitavam com as tantas ilusões
Como se a alma em aparente demência nem soubesse 
O que doía mais, se a tristeza ou o vazio de tua ausência.
As lágrimas ficavam confusas nos olhos sem saber
Que dor chorar, se a dor da perda, da ausência,
Ou de uma saudade triste que insistia em chegar.
Parece que o tempo parou quando o adeus foi dito
E um silêncio, desses bem maior que o mundo,
Desses que sufoca a voz, que cala os pensamentos,
Se faz tão forte que se escuta o que diz a solidão,
Que se ouve o arrastar-se do tempo indo sem pressa,
Sem levar nada...como se pra ele toda dor que se chora,
Saudade que se sente, tem que ficar... dentro da gente.


José João
24/10/2.016


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O prazer de sentir saudade

Não sei, mas as vezes penso ser eu, e só eu
O dono da maior saudade que alguém já sentiu,
As vezes penso que lhe sou a maior paixão...
Porque ela se faz toda, se faz tão completa
Que vai muito além de mim, vai dentro da alma
E lá faz morada, se deita confortável, sem medo,
Sem nenhum temor. Ah! Essa mania do tempo! 
Trazer do passado momentos que não voltam mais!
Fazer ser dor o que foi tão perfeito quando existiu!
Fazer a alma, de joelhos, implorar pra onde quer voltar!
Ou o que quer ter de volta. E sempre dói muito mais
Quando as saudades não se encontram porque só um
Sente. Assim, até a dúvida, por mais atroz que seja,
É melhor que essa verdade. Parece doer menos
O que dói tanto. As vezes nem sei do que sinto saudade
E nem de quem sinto. Só sei que ela está sempre 
Bem perto de mim como carinhosa companheira
A me seguir ao ver que sem ela a vida é tão vazia,
Porque só ela sabe trazer de volta o que não se tem mais.


José João
            20/10/2.016           

Sim...sou eu

Caminhei por estradas que nem conhecia,
Busquei horizontes distantes e perdidos no tempo,
Passei por entre eles e fui, sem rumo, apenas indo.
Naveguei por mares desconhecidos por noites e dias,
Por vezes sem nenhuma rota, mas não importava,
Precisava ir sempre, o mais longe que pudesse ir,
Ou que meus sentidos mandassem, e assim fazia.
A alma, sonolenta, e cheia de mágoas se fazia órfã
De sonhos, de razão, de lembranças, tudo era vazio,
A não ser pelas orações rezadas e vãs esperanças.
Nas noites, deitado entre a solidão e a tristeza...
(ainda assim o frio era cortante, de corpo e alma)
Olhava as estrelas, lhes dava um nome, ainda sorria,
Imaginando estradas entre elas (riscadas aqui no chão)
Que me levassem a outros lugares onde ainda pudesse
Haver motivos para olhar o tempo e esperar amanhãs
Mais risonhos. Mas pouco a pouco, e tristemente,
Ia percebendo que esse lugar não existe...não existe,
Onde eu chegasse lá estariam, solidão, tristezas,
Saudades, pois o transporte delas... sou eu

José João
20/10/2.016


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O eco de um grito.

Me perdi indo por caminhos desconhecidos,
Sem marcas, sem horizontes, cheios de silêncio,
Ia com passos trôpegos. pensamentos perdidos,
Palavras reticentes a se perderem no tempo,
Sem nada dizerem por serem tão pequenas para a dor
Que dentro de mim insistia em me fazer seguir...
E ia, não por querer, mas pela inútil e vã tentativa
De encontrar um lugar para fugir, não sentir...
Mas ela estava  dentro de mim, como parte viva,
A me fazer levar momentos que me sufocavam,
Me espremiam o peito, me molhavam os olhos,
Que gritavam um adeus que não queria ouvir.
As vezes me sentava na beira do nada buscando
Os porquês, mas o pensamento, em silêncio...
Por demência ou preguiça de pensar...nada dizia.
Os sonhos ficaram para trás, pálidos, desbotados,
E de repente um grito da alma? Onde estás?
E o eco do grito foi indo... até onde? Não sei...
Mas talvez, quem sabe, ela escute um dia...


José João
15/10/2.016



terça-feira, 11 de outubro de 2016

Não vejo mais poesia...

Não vejo mais poesia na primavera, 
Nas flores que nascem, nas canções que a brisa
Canta acalentando os botões que se abrirão amanhã.
Não vejo mais poesia no cantar do rouxinol,
No abrir-se o dia orvalhado com o perfume do tempo,
Nem nos meus sonhos, não vejo mais poesia...
Meus versos deixaram de ser versos, ficaram mudos,
As palavras perderam a alma, se esvaziaram de sentido
E vazias, sem alma, não dizem mais nada, e caladas
Ficam no silêncio de mim. Só as lágrimas gritam...
Mas não gritam mais versos, só gritam mesmo dor,
Não uma dor qualquer, mas a dor de uma saudade...
Uma saudade, de quem não sei, e por isso dói muito mais.
De longe, de muito longe, me chega, como se viesse
De dentro de um sonho, um pedaço de vida
Que nem sei quando vivi. Fragmentos de momentos 
Confundem beijos, perdas, adeus, ausências...
E o que deveria ser verso, se fazem meus pedaços...
Não vejo mais poesia... nem nas poesias que faço.


José João
11/10/2.016


domingo, 9 de outubro de 2016

Eu e meu silêncio

Hoje caminhei com meu silêncio, só nós dois.
Caminhamos por entre saudades, lembranças...
Ele me contou meus segredos, sim... meus segredos,
Alguns até já esquecidos, perdidos dentro do tempo.
Falamos de adeus que ficaram guardados na alma,
De momentos que, passado tanto tempo, ainda hoje, 
Se fazem histórias recentes, como se pra eles
O tempo tivesse parado. Falei das tristezas novas,
Dessas que vão crescendo lentas dentro da gente
Até se fazerem dor, angustias, se fazerem vazios
Dentro da alma. Falamos de despedidas, de ausências, 
De encontros, desses que acontecem ontem e amanhã
Já se fazem desencontros, perdas, sem que se queira,
Por apenas a vida decidir assim. Eu e meu silêncio!
Caminhamos por horas e horas com meus passos
E pensamentos. Contei dos sonhos impossíveis,
Das tantas vontades vãs, Eu e meu silêncio, hoje,
Em tão plena sintonia, nos fizemos apenas um. Eu

José João
09/10/2.016


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A gaveta do poeta

Ao poeta foi permitido a magia de ver o invisível.
Põe suas idéias e emoções dentro de uma gaveta qualquer,
Sem chaves, sem trancas, sem medos e deixa
Que a abram. só ele sabe o tesouro que guarda,
Os outros o chamam de louco por acharem a gaveta vazia,
Mas dela, saem sonhos dourados, saudades distantes...
O poeta, em sua gaveta, guarda até o tempo,
Guarda estrelas, flores, guarda até mesmo pensamentos.
Na gaveta do poeta estão guardados o silêncio, a saudade, 
Ilusões, até versos ainda não escritos...nela, o poeta guarda 
Todas as palavras, ainda que em desordem, mas sabe 
Busca-las quando precisa, sabe onde está cada uma delas,
Por vezes nem é preciso abrir totalmente a gaveta.
Muitas e muitas vezes perguntam se ela é mágica,
Por caber ou guardar tanto...outras, por não conseguirem 
Vê-la, coitados! Acham que não existe, mas há momentos
Que até mesmo o poeta não consegue abri-la, em outros,
Seus guardados saem tão efusivamente, quase que fugidos, 
E lá vai o poeta busca-los lentamente no tempo,
Como o  passado, uma saudade antiga, o silêncio,
E por vezes, até o homem que guarda o próprio poeta.
E assim ele guarda seu tesouro em uma gaveta  
Que alguns acham que não existe, outros acham que é magica,
E só mesmo o poeta sabe abri-la, com um simples toque
De coração, ou talvez de ... saudade.

José João
reedição (a pedido)
19/03/2.011
.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Um dia...nós dois

Um dia, não sei quando, mas um dia, ainda que distante,
Haverá de haver um sorriso só pra mim, um olhar,
Palavras que nunca ouvi. mãos que me acariciem
O rosto como se eu fosse único, que me sintam
Na plenitude de uma entrega, que façam meu corpo
Tremer, o coração pulsar mais forte, e a alma...
A alma, fazer-se ternamente cativa, deitar no colo,
E sonhar sem medo de acordar, sem medo de viver.
Um dia, mesmo não sabendo onde e ... nem quando
Haverei de sentir meus dias repletos de certezas...
As cinco, sentir saudade das quatro, no instante seguinte
Essa saudade esvair-se na entrega irrestrita de nós.
Um dia farei versos infinitos em poesias completas
Que contem para a alma dela todos os meu segredos, 
E ela, em sutis e inocentes sorrisos, me falar baixinho:
Te amo. Um dia, haverei de caminhar de mãos dadas,
Com passos lentos, deixando nossos rastros no tempo...
Para que os beijos que nunca tenham sido dados
Nos encontrem e se façam todos nossos. Um dia!

José João
05/10/2.016

domingo, 2 de outubro de 2016

Como sinto a solidão.

Há quem diga que a solidão é má, até cruel,
Que deixa o tempo vazio sem nada para ver ou sentir,
Deixa a alma demente chorando convulsivos prantos 
Em tão dolorido chorar que a própria tristeza
Se apieda por tanta dor. Assim dizem da solidão.
Nas noites, também dizem, ela faz as horas lentas,
Faz o sono perder-se por entre pensamentos vazios,
Os sonhos se fazem apenas pedaços de momentos
Que ficaram sem história sem mais nenhum dizer.
Ah! Essa solidão! Só entende quem com ela vive,
Não por momentos, por adeus ditos em palavras,
Mas por perdas sentidas desde de dentro da alma.
Pra mim, a solidão, coitada, não é o que dizem,
Eu a sinto bem mais carente que mesmo triste,
Sempre a entregar-se plena, submissa à vontade
De quem chora, muda, no silêncio do seu dever
De apenas ouvir. Se faz companhia, se faz tempo,
Se faz mundo, como se ela, a solidão, tivesse
Medo de ficar só. Ela não existe se não houver 
Alguém para senti-la. Nos completamos e assim...
Povoamos um mundo só nosso, ela só me ouve...
Atenta, sem nunca fazer julgamentos de mim


José João
02/10/2.016

sábado, 1 de outubro de 2016

Talvez nunca seja saudade, seja ...

Não é tua saudade que me faz chorar, traz essa angustia,
É a tua ausência, ela é que definha as horas, os dias,
Deixa essa ansiosa vontade de ir sem lugar pra chegar,
Faz a alma ajoelhar-se chorando prantos que nunca chorou,
Atirar-se num denso vazio de sonhos mortos e vontades vãs.
Um silêncio, como se tudo estivesse dentro de um nada,
Parece fazer o mundo parar, esse mundo onde tua ausência
Me deixa caído, sem força pra gritar ou caminhos para seguir,
Me perco entre os restos dos sonhos que me fizeste sonhar,
E um sussurro, como se o tempo me quisesse falar, dizer
Em segredo o que não quero mais ouvir... nem sentir.
Lentamente, caminho entre os medos que agora sinto,
Dos amanhãs, com certeza, cheios de tristezas e aflições,
Das noites, cheias de tua ausência, das torturantes perguntas
Que não terão respostas porque as lágrimas só sabem chorar,
Dessa desmedida agonia da alma a sufocar-se com essa dor.
Quem me dera essa saudade gritasse dentro de mim,
Como gritaram as outras pelos tantos adeus que ouvi,
E até chorei, mas com tua ausência é tão diferente!
Talvez nunca se faça saudade, talvez, para sempre,
Se faça apenas ...minha vida.


José João
01/10/2.016


Um ontem para sempre

Ontem, dancei com o tempo, uma musica
Que nunca tinha ouvido. Hoje acordei no silêncio
De uma saudade que até pensei ter ido embora,
Mandada pelo ontem, mas não, o ontem é que se foi
Num silencioso ir, como apenas tivesse sido um sonho,
Tudo em volta ficou vazio, ficou triste. Os soluços
Se perdiam entre palavras reticentes, uma vontade
De chorar, vinda da alma, chegava aos olhos, úmidos,
Tristonhos, cabisbaixos, com medo de olhar o tempo
Como se este fizesse a dor ser maior, ser mais sentida.
O ontem, fez hoje, essa saudade nova ser mais doída,
Porque faltaram palavras... as que não foram ditas,
Segredos que não foram contados, almas que, de longe,
Se tocaram em apenas poesias, não disseram das vontades 
Que sentiam. Não ficaram rastros, porque nem caminhos
Existiram, ficou apenas a promessa de um por do sol,
E minha alma, pela loucura comum de toda alma amante,
Regozija-se, e a cada por do sol se veste toda de ternura,
Se perfuma de saudade e se põe a espera-lo, atenta
A qualquer sopro de brisa, que jura ser um beijo.
E assim o ontem se fez eterno, vai existir, eu sei,
Enquanto houver um por do sol ...um ontem eternamente
...Para sempre.


José João
01/10/2.016


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