domingo, 30 de agosto de 2015

As orações que rezei

As Ave-Maria que rezei, acho que se perderam...
Se foram ao vento, se foram com as nuvens...
Se foram com a minha desesperança, por entre caminhos
Perdidos, rotas sem rumo, se perderam talvez,
Até mesmo dentro da minha pouca fé, acontecida
Depois de tantas perdas, tantos adeus, tantos sonhos mortos!
As orações, as antigas, foram rezadas em perene contrição,
As orações novas foram ditas, como ladainhas
Que se canta quase que num murmurio, rezei...
Até orações inventadas, pela tanta angustia de vazios
Deixados por ausências que até agora se fazem vivas.
Rezei recitando nomes que até hoje marcam a alma...
Rezei com olhares perdidos em pensamentos idos
Por horizontes que se fizeram apenas lembranças...
Rezei com gritos que se faziam eco entre minhas dores...
Rezei, no silêncio de mim, entre convulsivos soluços,
Por saudades sentidas na alma, marcando o tempo,
Contando histórias que nunca foram contadas
Com palavras, foram apenas sentidas e caladas
Como se assim enganasse a dor para não doer tanto.


José João
29/08/2.015


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