sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A dona de mim

                             A casa está tão deserta! Não fosse essa saudade
Estaria vazia...tua ausência se acomoda nela toda,
Se faz sombra, entra nos quartos, no jardim,
(agora sem flores) Brinca com a solidão,
Atiça o silêncio a calar-se ainda mais, e mudo
Fica até o pensamento, como se estivesse demente,
Sem uma lembrança para trazer, um fragmento
Que não se tenha ainda perdido no esquecimento,
Mas nada, apenas o vazio, uma vontade de chorar,
Como se apenas isso, nesse momento, fosse preciso
Para viver. As lágrimas, atrevidas, se atiram no chão...
Parecem loucas, como se quisessem voar,
Gritar, marcar meu rosto em caminhos molhados
Como se assim despertassem os sonhos que...
Coitados, se perderam dentro dessa ausência
Que se faz tão viva, tão grande, como se apenas ela
Pudesse habitar em mim, como dona, ou senhora.


José João
28/08/2.015


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