terça-feira, 28 de abril de 2015

Meus trapos de sonhos

Meus sonhos ficaram pendurados no tempo,
Feito trapos balançando ao vento, nos varais perdidos
Da saudade com o cheiro da angustia triste que o vento
Insiste em trazer como se teu perfume se tivesse perdido.
Minhas lembranças, todas elas, dos olhares, dos beijos
Ficaram puídas, rotas, como retalhos de renda fina
Que se desmanchavam ao menor volteio de uma brisa leve
E se faziam pedaços incoerentes de uma vontade morta
Pela tanta solidão que vinha se enfeitando de primavera
Para me enganar a alma que chorava em silêncio, 
Ajoelhada, rezando sua própria dor que não passava nunca.
Minhas lágrimas pareciam bandeiras em meus olhos,
Tremulando vadias ao tempo, ao vento, alheias até mesmo
À minha vontade de chorar, elas soltas, se faziam vivas, 
E como loucas, corriam em meu rosto fazendo caminhos
Para a tristeza passar matando os sorrisos que, teimosos,
E mesmo tristes, teimavam em vir, na vã tentativa 
De enganar a alma, que já sem prantos, esforçava-se
Para chorar... como se assim a dor doesse menos.

José João
28/04/2.015






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