segunda-feira, 13 de abril de 2015

Eu... tudo que sobrou de mim

Sou eu a incoerência de mim mesmo e dos momentos,
Dos desencontros e angustias que me tomam e me seguem,
Sou eu a incoerência viva na vontade de querer ir
E não ter lugar pra chegar, de querer ficar e não ter
Onde estar. Sou eu quem em desespero corre por caminhos
Perdidos, sem horizontes, para fugir dos adeus que deixaram
Dolorosas saudades, mas por onde vá elas vão comigo.
Sou quem se fechou num mundo feito apenas de mim (loucura)
Na vã tentativa de me fazer completo, guardado das coisas
Lá de fora, onde apenas solidão e tristeza se faziam vivas,
Mas fui eu a quem elas, mais cruéis ainda, encontraram.
Fui quem se fez pranto nas tantas  tardes de primavera,
Molhando com minhas lágrimas as flores sorridentes
Que os outros achavam inocentes e belas...e eu... triste.
Sou eu, aquele homem de voz reticente, olhar vago...
Passos lentos, como se o tempo lhe pesasse nos ombros,
E os sonhos, que ficaram como resto da vida que um dia viveu,
Se fizessem  pesados fardos que a alma carrega só.
Sou quem estende um olhar molhado de dor para a vida
Pedindo uma migalha que seja, um resto de qualquer 
Esperança que a alma carente tanto implora.


José João
13/04/2.015

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