quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A poesia que não quis ser minha

Em minha frente, incrivelmente branca e passiva,
Deitada dadivosa em minha frente...uma folha de papel,
Virgem, sem nenhum pecado, esperando por mim,
Talvez por uma poesia que não quer chegar.
Entre meus dedos...um lápis, que parece brincar
De malabarismo, roda, gira, vai de um dedo a outro
Como se a ansiedade de escrever uma poesia
Fosse apenas dele. Uma brisa leve passa pela janela,
Não sei se abraça ou beija a folha inocente,
Imaculada, que parece flutuar, como se irriquieta
Por há tanto tempo deitada sem que nada lhe aconteça,
Sem que lhe marque com uma palavra, com uma letra,
A brisa vai, ela se deita calmamente outra vez...e espera.
A poesia dá volteios em meu pensamento, ora se faz
Começo, ora se faz fim, mas não se escreve em versos,
Em nenhum, fica só brincando de esconde-esconde
E se esconde dentro do vazio das palavras, e eu sei,
Só que não sei como busca-la, e ela sutilmente,
Se esgueirando por dentro do vazio de mim...
Como se tivesse criado asas, vai voando calmamente,
Não sei se com pena ou zombando de mim,
Vai embora. E eu... só disse pra ela, um adeus em silêncio.


José João
03/12/2.014








Um comentário:

  1. Linda... linda... linda!!!
    É bem assim que acontece...
    as vezes. Xero

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