sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Essa noite ri-me tanto da solidão

Ah! Já é madrugada, quase estão vindo o sol e os pássaros,
Mas essa noite, ri-me da solidão, não que ela não quisesse
Chegar, eu é que não a queria por perto, e não permiti,
Deixei que ela ficasse lá fora, perdida na sua própria noite,
Não na minha, queria e fui buscar companhia, passei a noite,
Contando histórias que vivi, de sonhos de saudades...
Lembrei até de Clarice..."Lembrar-se com saudade
É como se despedir de novo". Por isso a dor não passa,
Toda despedida é dolorida. Ah! Mas essa noite...
Essa noite não passei sozinho, enganei a solidão, 
Que insistente, batia na porta, soprava a cortina da janela,  
Mas não a deixei entrar. Vieram recordações distantes,
E com elas duvidas que nunca havia sentido...
Será que todas as lágrimas que chorei foram de amor?
E o que julgava ser amor... que perdi e não chorei?
Acho que Florbela tem razão... " Não existiu morte
para o que nunca nasceu". Então me enganei muitas vezes
Pensando ser amor o que sentia. Esta  noite 
Não me preocupei com a solidão. Deixei a luz do quarto
Acesa e minha sombra presa na parede a me ouvir...
A gesticular comigo. Ri-me tanto da solidão...

José João
20/11/2.014




Um comentário:

  1. Bom dia amigo
    Nesta madrugada vim até aqui ler os teus trabalhos. Comento este de que gostei. Transportou-me tantas coisas passadas mas que são sempre presentes.
    Umas vezes ri ...Outras chorei...
    No fim pensei...Foi amor que eu dei...

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