sábado, 4 de outubro de 2014

Corações vazios não choram

Ah! Que inveja dos corações vazios!
Desses corações com gosto de pedra,
Corações que não amam, não sentem,
Corações que não choram, vivem apenas,
Mas sem medo dos amanhãs, sem medo de adeus,
Tanto faz, não sentem mesmo. Não temem a noite,
Nem a solidão que com ela vem, não ouvem o silêncio
Que afoga as palavras nas orações que pedem
Clemência pela tanto dor de uma saudade
Que a ausência deixa ficar nos pensamentos perdidos,
Esses corações vazios, que zombam da dor alheia
Por nunca sentirem dor de perdas nem angustias, 
Dessas que sufocam o coração de quem amou ou ama,
De quem se perde em sonhos distantes na vã tentativa
De conseguir um sorriso que se faça, pelo menos,
Entre um quase chorar e um quase sorrir,
Numa confusão de sentimentos que tomam os sentidos
E faz que a alma grita, aos prantos, pedindo um pouco 
De qualquer coisa que lhe faça saber que a ternura
Existe. Ah! Esses corações vazios! Cheios de nada.
Vazios de tudo que lhes possa fazer chorar...
Até mesmo sem histórias que falem de saudades,
De que vale contar histórias que só lembram ...
O que agora se faz tristeza?

José João
04/10/2.014


Um comentário:

  1. Lindo poema.
    Acho que corações assim não existem; apenas fingem tal situação para protegerem-se do sofrimento (como se isso fosse possível). Mas no fundo, eles choram, e talvez até muito mais.
    Tenha um bom domingo!

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