quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Eu, sempre ridículo.

Sei que já me esqueceste, mas não resisti em te escrever (eu, sempre ridículo escrevendo cartas!!).Sei que sou passado, como diria a Maria Bethânia, "já não vales nada, és carta marcada, descartada do meu folhetim" dirias. Mas ainda assim, teimoso, te escrevo. Mas fique tranquila, não é para pedir pra voltar. Sei, já passou o meu tempo, e por falar em tempo, tinhas razão, estou mesmo deslocado nesse comportamento social de agora (esse momento reflete isso, te mandando uma carta, rsrs). Nesses tempos tão modernos, tão cheio de pressa, como poderias ter tempo pra mim? Passear comigo de mãos dadas na beira da praia vendo o por dos sol? Brincar de ouvir o vento, de deixar as ondas beijarem nossos pés? Beber uma água de coco (apenas um coco e dois canudinhos, para nossas mãos se tocarem) olhando nos olhos com toda a ternura que se pode sentir? Como? Tinhas coisas mais importantes pra fazer, como por exemplo ir nas boates com as amigas e dançar aquelas musicas modernas, fáceis de dançar, musicas de uma nota só. Agora te entendo e me sinto ainda mais ridículo, eu ainda dançando aqueles desgastados dois pra lá, dois pra cá, juntinho, rosto colado, sussurrando no ouvido palavras de amor, de carinho. Mas que bobagem! Pedindo para a orquestra tocar La barca, Al Di La, Besame mucho, Chão de estrelas, meu Deus que vergonha. Agora, eu juro, te entendo.
Esses tempos modernos! Como fiquei parado no próprio tempo! Ainda hoje me lembro da bobagem, a minha, é claro, de te levar em um restaurante, pedir a mesa mais reservada para ter a tranquilidade de admirar teu rosto, te ajudar a ler o menu e rir de alguns nomes de comida. Que bobagem! Hoje é bem mais prático, como diz teu novo amigo, um bom hamburger com um refrigerante e pronto. Ele tem razão, é assim essa maneira prática de viver. Coitado de mim descolocado no tempo. Hoje teu namorado sai com um chinelo, uma bermuda e uma camiseta, e pra época, sei que tu achas também, ele está bem vestido. Eu...que vergonha sinto agora. Procurava minha melhor camisa, a que eu achava que gostavas mais, era uma procura gostosa, o perfume que sempre elogiavas, lembra? Queria estar  elegante para você, te mostrar o quanto eras importante pra mim, queria que te orgulhasses de mim. Outra grande bobagem minha. Ah! Agora lembro, eu ficava tão ansioso para estar com você! E sempre estava, onde íamos nos encontrar, bem antes da hora marcada, até te esperar era prazeroso. Fazer você me esperar? Nunca. Que falta de cavalheirismo! Hoje você espera por ele, sei que fica chateada, mas espera, é essa igualdade tão propalada de agora, e ele, como todo homem moderno, não se preocupa com essa da garota esperar ou não. Eu sempre deslocado no tempo, meu Deus!
Bem, mas não foi pra recordar essas coisas que estou te escrevendo. É que hoje é um dia especial, lembra?Ele, como todo homem moderno, muito ocupado,  esqueceu essa data, mas acredite, ela continua muita importante. Afinal, é o seu aniversário.Achei que enviar um gmail seria muito frio para um dia tão especial, então, mesmo me achando ridículo para tanta modernidade, preferi te mandar essa carta e...ah! Sim. O rapaz deve estar chegando aí com aquelas orquídeas que gostavas tanto e as rosas também, sei que adoras. Junto estão indo aqueles doces de chocolate caramelado, ainda lembro do que gostas. Bem, escrevi só para desejar muitas felicidades. Desculpa por te incomodar. Um forte abraço e muitos anos de vida...ah! Por favor, quando amanhã ele lembrar do seu aniversário e te levar para algum lugar...desculpa-o ele é um homem moderno, ocupado, não é um matuto ridículo como eu. Parabéns...tchau

José João
04/09/2.014

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