terça-feira, 19 de agosto de 2014

Deixem-me pelo menos ...

Há quem diga que não é minha alma quem escreve
Meus versos. Que são apenas fantasias de palavras
A enfeitarem ilusões, coisas que nunca foram verdades.
Dizem que minhas poesias não são minhas lágrimas,
São apenas versos bordados em pedaços de poemas
Que não falam minha dor... nem minhas angustias, 
Calo, deixo a alma render-se aos prantos que chora,
Não por se sentir triste com o que dizem...mas por se ver só
Entre tantos e áridos desertos, secas paragens vazias...
Onde nem ao menos uma  saudade floresceu.
Se choro as ausências, as saudades, as carências,
Se choro ainda dores de distantes adeus que ouvi...
Mesmo os ditos no silêncio de um olhar triste...
É porque os sinto até agora e a alma não permite 
Que se façam esquecidos, são pedaços de minha vida,
Estes sim, bordados carinhosamente com lágrimas,
As vezes até em ponto cruz, como se fossem
Orações rezadas, como se a alma de braços abertos
Em ladainha muda, nos versos que escreve, dissesse:
Se não me amam...deixem-me pelo menos ...
chorar em paz.

José João
19/08/2.014






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